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Jornalismo

Courtney Barnett abriu os trabalhos do disco em homenagem a Neil Young que será lançado no próximo mês de abril, trazendo uma versão maravilhosa para “Lotta Love”. O disco, chamado de Heart Of Gold: The Songs Of Neil Young Volume I (e um volume II já foi anunciado) será lançado no dia 25 de abril e ainda trará versões para músicas do gênio canadense cantadas por Fiona Apple (“Heart of Gold”), Sharon Van Etten (“Here We Are In The Years”), Doobie Brothers com Allison Russell (“Comes A Time”), Steve Earle (“Long May You Run”), Mumford & Sons (“Harvest”), Eddie Vedder (“Needle and The Damage Done”), entre outros. “‘Lotta Love’ é uma das minhas músicas favoritas de Neil Young e sua letra me parece especialmente relevante neste momento da história”, disse Courtneyzinha ao mostrar sua versão. Os fundos arrecadados com as vendas do disco (que já está em pré-venda) irão para a escola norte-americana The Bridge School (organização não-governamental fundada em 1987 pela ex-esposa de Neil, Pegi Young, que morreu em 2019). Além da versão de Barnett, outra versão, de “Southern Man” que tornou-se um soul rasgado na voz de Chris Pierce, também foi revelada esta semana. Ouça as duas abaixo, além de ver a lista com todos os artistas convidados para o disco e suas respectivas versões. Continue

A vocalista da banda mineira Varanda Amélia do Carmo lançou um curto disco de fininho em que colabora com seu conterrâneo, o produtor eletrônico Yo Mati. Apesar de baseada em Juiz de Fora, Amélia vem da pequena Caratinga (terra-natal do Ziraldo), onde conheceu Mati. Ele começa contando a história desse primeiro disco da dupla, que bate tanto num trip hop lo-fi quanto em melancólicas canções adolescentes com forte carga dramática: “Melondreams nasceu despretensioso em 2020 com algumas faixas instrumentais feitas no meu quarto”, explica o produtor. “Em 2021, juntei essas músicas num EP e chamei Amélia pra fazer a capa. Eu sempre gostei muito da estética das artes e pinturas dela. No meio desse processo, ela me disse que interessou por uma das músicas, gravou vozes por cima, e eu fiquei surpreso com o resultado – até então, o que eu fazia só circulava entre meus amigos.”

“Quando eu ouvi nesse EP, que faria só a capa, o instrumental de “Goodbye”, ouvi também uma voz ali, num dia só escrevi a letra, gravei sem permissão e sem click, mandei pra ele como um exercício mesmo”, lembra a cantora. “A gente pilhou tanto no som e nessa onda de sonhos febris que fizemos logo mais três nesse mesmo estilo, no caso de “Sim” e “Marble Eyes”, eu gravei a letra cantada e ele fez o instrumental em cima, desse mesmo jeito improvisado e online que inventamos”

Os dois citam as referências nestas primeiras canções. “Eu estava fissurado em Boards of Canada, Windows96 e outras drogas mais pesadas – apesar dos meus amigos sempre mencionarem a influência daquela live infinita ‘lofi hip hop radio beats to relax/study to’ em tudo que faço”, explica Mati. “Pra compor e performar eu mirei totalmente nas jovens criações de Lana del Rey e seu dreampop lo-fi, e é engraçado ouvir sabendo que faria tudo diferente hoje em dia, mas gosto que se mantenha assim, essa coisa meio outra personalidade”, completa a vocalista. Os dois continuaram colaborando sem se encontrar pessoalmente, pois Amélia já estava em Juiz de Fora.

“Em algum momento, entrei em um quadro depressivo e abandonei o projeto”, lembra o produtor. “Esse gap de tempo me ajudou a dar uma reciclada nas ideias daquela época e quatro anos depois, reabri as faixas, mandei um “we are very back!” pra Amélia e com uma semana de total hiperfoco, eu só pensei em finalizar o que faltava.” “Foi um bom exercício de desprendimento com uma criação do passado também, soltar esse EP finalmente foi legal também pelo exercício de fazer uma coisa e deixar ela existir sem tantas pretensões, sei lá, vai que alguém gosta”, completa Amélia, que fala que nem pensou sobre a possibilidade de fazer algo ao vivo com esse trabalho. “Não estávamos pensando nem se alguém iria querer ouvir… mas quem sabe né… Mistério”, se faz. “Enfim dropamos, sem aviso e sem expectativa, só porque precisava existir”, conclui Mati. Ouça abaixo: Continue

Vamos começar mais uma festa? Nessa sexta-feira retorno a um velho endereço conhecido para inaugurar mais uma festa, a Trabalho Sujo DJs. Depois de fazer uma primeira edição em Brasília, estreio a festa em São Paulo no Katarina Bar, que muitos talvez não conheçam de nome, mas certamente devem conhecer de endereço, pois o estabelecimento fica no mesmo número 272 da Avenida São Luiz que abrigava o saudoso Alberta #3, onde há mais de dez anos inaugurava a minha festa Noites Trabalho Sujo. Pois a nova festa tem o espírito daquela época, pois atravesso a madrugada de sexta pra sábado discotecando a noite toda ao lado de compadres e comadres cujos gostos musicais batem tanto com o meu quanto o meu santo com o deles. E pra essa primeira edição chamei a Pérola Mathias, com quem tenho dado mais uma edição do curso Bibliografia da Música Brasileira, e o ícone Luiz Pattoli, que copilotava comigo as lendárias Noites Trabalho Sujo. No som, você já sabe, hits de todas as épocas, seja de música eletrônica, indie rock, música brasileira, rock clássico, dance music, música pop, hip hop, soul e samba – e por onde mais nossa imaginação e vontade de dançar nos levar. A festa começa às 22h e quem chegar até essa hora não paga pra entrar – e a pista vai abrir às 23h. Vamos?

Morreu nesta quinta-feira um dos principais nomes da leva de artistas nordestinos que conseguiu despontar para o sucesso nacional entre os anos 70 e 80. Vital Farias tornou-se mais conhecido ao fazer parte do espetáculo Cantoria – que o reuniu a outros três grandes nomes da canção tradicional nordestina, Geraldo Azevedo, Xangai e Elomar -, que começou como uma temporada de shows em 1984 no Teatro Castro Alves em Salvador e tornou-se uma turnê nacional que rendeu dois álbuns (batizados de Cantoria, de 1984, e Cantoria 2, de 1987, e lançados pela emblemática Kuarup Discos), confirmando sua ascendência como um dos principais compositores, violeiros e trovadores de sua geração. Mas apesar de não ser um nome facilmente reconhecido do grande público, o mesmo não pode ser dito sobre suas canções, como “Veja (Margarida)”, eternizadda por Geraldo Azevedo, “Canção em dois tempos (Era casa era jardim)”, mais conhecida na voz de Fagner, e “Ai Que Saudade D’Ocê”, consagrada por Elba Ramalho e regravada por dezenas de artistas. Nascido em Taperoá, no Cariri paraibano, ele veio para o Rio de Janeiro para fazer a trilha sonora da peça Lampião no Inferno e também colaborou com Chico Buarque em sua peça Gota D’Água. Tradicionalmente ligado à esquerda, deu uma virada para a política e para a direita na última década de sua vida, quando tentou candidatar-se a cargos legislativos e foi apoiador do ex-presidente de extrema-direita.


(Foto: Juh Almeida/Divulgação)

Depois de um ano debruçada sobre a Timbalada, sobre a qual lançou o EP Mandinga Multiplicação no ano passado, a baiana Josyara começa a mostrar seu novo álbum, já batizado de Avia, que começa a mostrar sua cara a partir de uma canção alheia, no caso a clássica “Ensacado”, faixa do clássico prog nordestino Vinte Palavras Ao Redor do Sol (1979), da paraibana Cátia de França, que ela será lançado nessa sexta-feira mas surge em primeira mão aqui no Trabalho Sujo. Mas para não desequilibrar a energia baiana, ela, responsável pelo arranjo e pelos violões do single, chamou a conterrânea Pitty para acompanhá-la neste primeiro passo. A escolha da música é perfeita não apenas por colocar Josyara num cânone bem específico, como para lançar luz sobre a mestra Cátia, que segue à toda mesmo às vésperas dos 80 anos, fazendo shows, além de ter lançado um discaço ano passado, chamado No Rastro de Catarina.

Ouça o novo single abaixo: Continue

Tecladista fundador do Soft Machine e uma das figuras mais icônicas do rock psicodélico inglês – e um dos responsáveis por transformá-lo em rock progressivo -, Michael Ratledge nos deixou nesta quarta-feira, depois de uma súbita doença, como seu amigo e ex-companheiro de banda John Etheridge escreveu em sua página no Facebook. “Mike era a espinha dorsal do Soft Machine mo início e um sujeito com uma mente absolutamente incisiva – compositor e tecladista maravilhosos. Um verdadeiro homem da renascença – tão talentoso, culto, charmoso – e uma companhia maravilhosa. Nos encontrávamos por semanas nos últimos quarenta anos – um deleite para mim.” Ratledge, conhecido pelos solos endiabrados que caracterizavam a primeira fase da banda, completava um quarteto que era formado apenas por David Allen, Robert Wyatt e Kevin Ayers, a nata da cena de Canterbury, que ainda pariu monstros sagrados como Wilde Flowers, Gong, Caravan, Khan e Camel.

Começando de novo

Começamos eu e Pérola a segunda edição do curso Bibliografia da Música Brasileira nesta quarta-feira no Sesc Pinheiros. Na primeira aula conversamos com os alunos sobre suas expectativas em relação ao curso bem como explicamos como o mercado editorial brasileiro, a partir da virada deste século, passou a dar mais atenção nao só ao tema da música brasileira como a diversos pontos específicos da nossa identidade cultural. Quarta-feira que vem continuamos e o tema dessa vez será o samba. (📷: @theaseverino)

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Das melhores promessas da nova cena indie rock paulistana, o grupo Celacanto começa a mover-se em direção de seu álbum de estreia ao lançar, nesta quinta-feira, o primeiro single, chamado apenas de “Cedo”, que antecipam em primeira mão para o Trabalho Sujo. Formada por Eduardo Barco (guitarra e sanfona), Giovanni Lenti (bateria), Matheus Costa (baixo) e Miguel Lian (voz e guitarra), o grupo já tocou duas vezes no Inferninho Trabalho Sujo e quem já os viu ao vivo percebe as influências tanto do indie mais cabeçudo à Radiohead – talvez a principal referência da banda – quanto de MPB e rock clássico. Neste single, o primeiro gravado pelo grupo quando começou a trabalhar com o produtor Luiz “Lauiz” Martins (integrante do grupo Pelados), o quarteto reforça a natureza romântica de suas canções. “Composta em 2019, a proposta da faixa era abordar por uma perspectiva própria a canção romântica do pop rock brasileiro dos anos 1990 e 2000”, explica o vocalista Miguel. “Liricamente, Skank e Nando Reis foram referências importantes, ajudando a dar contorno às inspirações biográficas por trás de ‘Cedo’, e os elementos musicais, de outro lado, for concebidos com influência dos primeiros álbuns do Tame Impala, junto de acenos às canções dos Beatles na fase iê-iê-iê”. A banda lança oficialmente o single nas plataformas de áudio nesta quinta-feira, mesmo dia em que se apresentam no Bar Alto (Rua Aspicuelta, 194), a partir das 20h.

Ouça a “Cedo” abaixo: Continue

Atenção todos: a formação original do Black Sabbath voltará a reunir-se para uma última apresentação ao vivo, que acontecerá no dia 5 de julho na cidade-natal do grupo, Birmingham, na Inglaterra. E a reunião de Ozzy Osbourne, Tony Iommi, Geezer Butler e Bill Ward depois de mais de 20 anos sem tocar juntos não será a única atração da noite. O evento, que tem a direção do guitarrista do Rage Against the Machine Tom Morello, contará com um elenco que ainda incluirá filhotes do Sabbath de diferentes gerações, incluindo Metallica, Slayer, Anthrax, Pantera, Lamb Of God, Mastodon, Alice in Chains, Halestorm e Gojira, além da apresentação de um supergrupo formado por Billy Corgan (Smashing Pumpkins), David Draiman (Disturbed), Duff McKagan (Guns N’ Roses), Frank Bello e Scott Ian (Anthrax), Fred Durst (Limp Bizkit), Sammy Hagar (Van Halen), Papa V Perpetua (Ghost), Wolfgang Van Halen, Zakk Wylde, Jonathan Davis (Korn) e Slash. Morello não mede palavras para referir-se ao show como “o maior show de heavy metal de todos os tempos”. A notícia do show surpreende principalmente em vista da recém-anunciada aposentadoria de Ozzy, que também fará uma última apresentação solo na mesma noite. A renda arrecadada pelo evento irá para instituições de caridade e os ingressos começam a ser vendidos no próximo dia 14, pela Ticketmaster. Mas o peso dessa apresentação é tão forte que não duvido que abra uma segunda noite…

Mais do que bonita, a apresentação que Mari Merenda fez nesta terça-feira no Centro da Terra dando início à nova fase de sua carreira que batizou o espetáculo, Reverbero, mostrou como ela vem disposta a ir além da primeira fase de sua carreira, quando cantava sorridente músicas fáceis de serem lembradas em vídeos online. Tocando na noite sozinha no palco, ela esteve quase o tempo todo às teclas, derramando sua voz forte e sensível em suas novas composições, canções profundas e emotivas, baladas que vêm do fundo de seu coração e quase sempre falam do processo – solitário – da criação artística, comparando-o a outras construções em vida. Mas por vezes amarrava chocalhos aos tornozelos ou sacava o assalato do bolso para mostrar seu lado mais solar (ligado aos hits que já emplacou online, como sua versão para “Feira de Mangaio” ou “Veneno”, gravada em parceria com a norte-americana Sofi Tukker). Isso estava evidente na música que escolheu para ser o primeiro capítulo dessa transição, com “Bote no Lugar”, seu novo single que será lançado nesta sexta-feira, em parceria com o percussionista Guegué Medeiros, que ela convidou para subir ao palco. Ele também a acompanhou quando ela entoou “Segue o Seco” de Marisa Monte, mas a essência dessa apresentação estava em sua estada solitária no palco, que reforçava uma musicalidade menos pop e mais dramática como escolha estética e desafio pessoal. Como, por exemplo, ao puxar a densa “Milagreiro” do Djavan para tocar sozinha ao violão ou quando exercitava o coro de sua própria voz – repetida em gravações em loop – em um pedal de efeitos. O ápice foi a última música da noite, a faixa que batiza essa nova fase, em que a cantora conseguiu dissipar a tensão cênica que deu à canção ainda ao piano, ficando depois de pé para dissipá-la com outro loop, desta vez humano, ao reger o público para repetir sua principal frase melódica. Está só começando, Mari!

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