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Jornalismo

Não sou propriamente fã de Sabrina Carpenter, mas é inegável seu senso pop. Além de ter emplacado um hit e tanto com a irritantemente memorável “Espresso“, ela mostrou um tanto de sua versatilidade ao convidar Dolly Parton para dividir uma nova versão de sua “Please Please Please” e agora, no show que fez domingo passado em Londres, na Inglaterra, resolveu mostrar uma face mais britânica de sua sensibilidade pop e em vez de recorrer às versões que faz em sua Short N’ Sweet Tour (como “Mamma Mia”, “Super Freak” ou “Material Girl”) pinçou um hit adormecido em nosso inconsciente para conquistar a plateia inglesa, ao fazer uma versão literal da imortal “Come on Eileen”, maior sucesso dos Dexys Midnight Runners. E desceu bem, saca só abaixo: Continue

Como se só o show de Lauryn Hill não fosse suficiente, imagine na hora em que ela canta um de seus maiores hits (“Doo Wop (That Thing)”, claro) a diva chamasse ninguém menos que a novata sensação da vez, a gigantesca Doechii. Pois foi o que aconteceu neste sábado, no encerramento da primeira noite do festival Jazz In The Gardens Festival, em Miami, nos EUA, quando ela apresentou a sensação ao palco. E por mais que ela segurasse a onda como era de se esperar, a cantora estava em frangalhos com a realização daquele sonho e tuitou logo em seguida que “Nunca fiquei tão nervosa em toda a minha vida 😭 ela é uma RAINHA”. O show ainda teve participações de Wyclef Jean, Busta Rhymes, Yg Marley, Zion Marley, Samara Cyn, entre outros. Assista à integra do show abaixo (a participação de Doechii começa em 1h31): Continue

Desta vez nem demorou tanto. Logo depois de subir no palco com seus ex-compadres de banda Peter Buck, Mike Mills e Bill Berry, Michael Stipe mais uma vez entra no show que Michael Shannon e Jason Narducy estão fazendo para celebrar o aniversário de 40 anos do disco Fables Of The Reconstruction para cantar a mesma “Pretty Persuasion” que cantou no mês passado. Só que dessa vez não foi num pequeno clube em sua cidade-natal e sim no Brooklyn Steel, em Nova York. Eu não quero falar nada, mas e se o R.E.M. voltasse só pra mais alguns shows, hein? O vídeo é da @nicoletishaa, assista abaixo: Continue

Doutores Racionais

“Racionais MCs, vocês são um movimento negro educador.” Assim a professora doutora Nilma Lino Gomes encerrou seu discurso, nesta quinta-feira, que introduziu a entrega do título de doutor honoris causa ao grupo formado por Mano Brown, Ice Blue, Ed Rock e KL Jay, no centro de convenções da Unicamp, concebido pelo imenso Instituto de Filosofia e Ciências Humanas daquela universidade. Que momento! Os quatro falaram durante a cerimônia, assista à íntegra da cerimônia no vídeo abaixo: Continue

Fundador do The Damned, uma das primeiras bandas punk inglesas, o guitarrista Rick James morreu nesta quinta-feira, como anunciou sua página no Facebook, embora não se saiba a causa de sua morte. O Damned surgiu na mesma primeiríssima hora que produziu a primeira safra do punk inglês – puxado obviamente pelos Sex Pistols e pelo Clash – como parte da cena jovem inglesa descontente com a crise econômico e o desemprego que assolava o país nos anos 70 que também originou o heavy metal e James foi um personagem fundamental na ascensão da banda, compondo basicamente todos os dois primeiros discos (Damned Damned Damned e Music for Pleasure, ambos lançados no emblemático 1977) de um grupo que era uma espécie de versão inglesa dos Ramones, com músicos rebatizados como Rat Scabies e Captain Sensible, e que foi o primeiro grupo punk inglês a lançar um single (“New Rose”) e um disco, antes mesmo que os Pistols e o Clash. Rick saiu da banda após o segundo disco mas continuou sua trajetória de pioneiro punk como um bardo da cena inglesa, tocando em bandas como Tanz Der Youth e The Lords of the New Church, além de manter uma bissexta carreira solo.

“Esse filme é o corpo do Rubens (Paiva), que nunca voltou”, diz Selton Mello em entrevista após a premiação do Oscar segunda passada. Em seguida, deixo um áudio recuperado pela Empresa Brasileira de Comunicação e que mostra o então deputado reagindo em cadeia nacional ao golpe de 1964. Ainda Estou Aqui pode ser mais importante do que a gente pensa… Veja abaixo: Continue

Ser canadense

E o primeiro ministro canadense Justin Trudeau resolveu mesmo engrossar o tom contra os Estados Unidos ao postar em sua conta no Twitter uma nova versão de um velho comercial em seu país que falava do orgulho de ser daquele país e dos elementos de sua identidade cultural, só que com um texto adequado para este momento Trump 2 da história. “Bom te ver de volta”, escreveu o líder daquele país ao receber o novo discurso, mais uma vez lido pelo ator Jeff Douglas. Veja as duas versões abaixo: Continue

Ninguém segura a pequena skatista brasileira, que agora foi anunciada como parte da novo videogame da franquia do mestre Tony Hawk. A nova versão, chamada de Tony Hawk’s Pro Skater 3+4, foi anunciada na terça passada. Com duas medalhas olímpicas, duas medalhas de ouro nos X Games, duas medalhas de ouro no World Skate, outro ouro nos Jogos Pan-Americanos em 2023 e tricampeã do maior campeonato do mundo, o Street League, Rayssa Leal não precisa provar mais nada para ninguém e já é, mesmo aos 17 anos, um dos maiores nomes desse esporte. Aparecer no game mais conhecido do mundo nesta área (e na mesma semana em que Ainda Estou Aqui ganha o Oscar de melhor filme estrangeiro) é só mais um trunfo da jovem atleta, que ainda colocou o Brasil como um dos cenários do jogo. Nada mal.

Assista ao trailer abaixo: Continue

Já viu o filme sobre o Dylan? Um Completo Desconhecido ainda vai ecoar por algum tempo, mas talvez já estejamos na hora de falar de um filme sobre a Joni Mitchell? Porque olha aí embaixo essa Amanda Seyfried tocando dulcimer no programa do Jimmy Fallon… Continue

2025 começou!

Inescapável a ideia de assistir a um showzinho uma vez em Brasília, mas quis o destino que a primeira quinta-feira do ano me brindasse com um evento candango de proporções épicas – como de praxe – ao saber que veria uma apresentação do quinteto Satanique Samba Trio, um dos grupos musicais mais importantes da história da minha cidade-natal e uma avis rara no mapa musical da história do Brasil, que abriria a noite na Infinu, principal casa de shows de médio porte da cidade. É muito fácil colocá-los no guarda-chuva pós-punk que mistura grupos como Pére Ubu, Swell Maps, Gun Club, Half Japanese, Arrigo Barnabé, Primus, Minutemen e Premeditando o Breque, mas suas referências vão muito além disso – e mesmo se ampliássemos o leque para incluir Captain Beefheart, Frank Zappa e todo o povo do krautrock ainda seria limitá-los demais. Subindo ao palco todos com o mesmo uniforme – ecoando outras referências óbvias, como Residents e Devo -, o grupo liderado pelo lendário Munha da 7 é uma espécime raríssima por criar suas canções tortas a partir de células rítmicas essencialmente brasileiras (daí o nome do grupo), misturando lambada, choro, samba, xote e frevo às suas desventuras polifônicas, que viajam pelos cavalos de pau dados pela música erudita contemporânea e pelo jazz atonal, misturando levadas quebradas e mudanças bruscas de ritmo e tempo ao mesmo tempo em que… fazem dançar (!?). O grupo também sobressai-se pela guitarra ficar em segundo plano, transformando-se num instrumento bissexto que perde o protagonismo quando o cavaco de Jota Ferreira, o sax e a flauta de Chico Oswald, o clarinete e os teclados do DJ Beep Dee, a bateria de Lupa Marques (que num dado momento vem pra frente da banda tocar caixa de fósforos) e, óbvio, o baixo de Munha se atropelam num acontecimento único na história do Brasil. O Satanique poderia estar fazendo shows em conjunto com Hermeto Pascoal e Tom Zé que se sentiriam tão à vontade quando tocando este último show antes da turnê europeia que encaram ainda este mês. Podiam rodar mais o Brasil pra deixar todo mundo de cabelos em pé e quadris rebolando em compassos ímpares. Que privilégio.

Depois do Satanique Samba Trio foi a vez da dupla belga Lander & Adriaan, que montou seu set no meio da Infinu, fazendo o público circular ao redor como se estivessem ao redor de um DJ no Boiler Room. E não era de se estranhar, porque por mais que o baterista Lander Gyselinck e o tecladista Adriaan Van de Velde tenham uma formação jazzística, eles trabalham no território da música eletrônica, levantando a bandeira de um estranho rótulo chamado rave jazz. Estranho, mas que, ao vivo, faz todo o sentido: ecoando house, techno e drum’n’bass a dupla hipnotizou o público que já estava chapado depois do show do Satanique e só não foi além porque era uma quinta-feira – se fosse uma sexta o sábado, teriam levado o público aos píncaros da chapação frita. Impressionante – agora dá pra dizer que 2025 começou!

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