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Jornalismo

Que prazer receber nas quatro vezes em abril a celebração de 25 anos de São Paulo que o mestre Paulo Beto completa neste 2025. O mineiro criador do projeto Anvil FX chegou há um quarto de século na cidade e nos próximos quatro começos de semana comemora este aniversário com comparsas, cúmplices e camaradas de diversas frentes musicais, transformando cada apresentação em um mergulho em uma de suas facetas artísticas. Na primeira noite ele convida Marco Nalesso, Nivaldo Campopiano, Paulo Casale e Lucinha Turnbull para realizar o projeto Santa Sangre no palco do teatro. Na segunda seguinte, dia 14, ele traz Miguel Barella, Tatá Aeroplano, Edgard Scandurra e Luiz Thunderbird em mais uma mutação de seu grupo Zeroum. Depois, dia 22 (que cai numa terça, porque a segunda anterior é feriado e o teatro não abre), ele traz sua Church of Synth ao lado de Arthur Joly e Tatiana Meyer para encerrar no dia 28 com o Anvil Opake que conduz ao lado de Fausto Fawcett, Tatiana Meyer, Bibiana Graeff, Apolonia Alexandrina, Mari Crestani e Silvia Tape. Os espetáculos acontecem sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

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“Clem não era só um baterista, era o pulso cardíaco do Blondie”, escreveram Debbie Harry e Chris Stein no post de despedida ao amigo no Instagram da banda que construíram juntos no início dos anos 70, em Nova York. Clem Burke se foi nesta segunda-feira e é o responsável por ter mantido a banda funcionando mesmo antes do sucesso, depois que o grupo perdeu o baixista Fred Smith para o Television – Chris e Debbie achavam que a banda não conseguiria continuar e Burke chamou Gary Valentine para o lugar, em 1975. Além de tocar com o grupo em suas diferentes encarnações (entre 1974 e 1982 e depois entre 1997 e 2017), ele também tocou com os Ramones (adotando o prenome Elvis Ramone) em alguns shows em 1987 e ter tocado com nomes importantes da história do rock como Bob Dylan, Iggy Pop, Pete Townshend, Joan Jett e Eurythmics. Morreu de câncer.

Vocês ouviram uma das músicas novas que Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo lançou no Lolla no fim de semana passado? Chama-se “Ao Sul do Mundo” e fala por si só. Assista abaixo: Continue

Bandas de MPB

O fim de semana fechou com mais uma edição do Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, quando reuni duas novas bandas paulistanas que acrescentam o teclado à formação baixo, guitarra e bateria para passear por um repertório que conversa com a história da música brasileira recente – bandas de MPB! A Devolta ao Léu, que começou os trabalhos da noite, começa ali na virada dos anos 50 para os 60, puxando elementos de samba jazz e bossa nova com música pop brasileira. Desfalcados de um de seus fundadores (o guitarrista Eduardo Rodrigues, que estava fora de São Paulo), o quarteto chamou o baixista Roberth Nelson da banda Saravá para o palco e o baixista original do grupo, Leo Bergamini, assumiu a guitarra nesta apresentação. Completam o grupo a vocalista e tecladista Bru Cecci, com sua voz pequena e precisa como os timbres de seu teclado, e o baterista virtuose Rafa Sarmento, fazendo um pequeno showcase de um determinado período de nossa MPB e trazendo-o para este século, tocando um repertório inteirinho autoral. Promissor.

Depois foi a vez da já conhecida Orfeu Menino, liderada pela vocalista Luíza Villa, fazer um show quase inteirinho autoral – uma evolução considerável de repertório que a banda se impôs há menos de um ano, apresentando músicas novas a cada novo show. O entrosamento dos músicos segue intacto e impressionante, mantendo as viradas surpreendentes do baterista Tommy Coelho, a presença – marcada por seu vocal – do teclado de Pedro Abujamra, o groove melódico do baixo de João Ferrari e agora o brilho soul funk brasileiro da guitarra do novato João Vaz. O grupo começou a apresentação vestindo máscaras, que achei que fossem tirar na versão que fazem para “Cara Cara” de Gilberto Gil (“tira essa máscara, cara cara, quero ver você”), mas eles não só não tocaram essa música como limitaram-se a apenas duas versões alheias nesse show: “Pega Rapaz” da Rita Lee nos anos 80 e “Tudo Joia”, que trouxeram no bis – quando tocaram com o guitarrista mineiro Arthur Scarpini, a primeira participação especiais que o grupo tem em seus shows e este encerrou com “Pega Mal” – e lembro que quando os conheci, quando Luíza veio me propor seu show em homenagem à Joni Mitchell há pouco mais de um ano, esta era sua única música autoral. Tá evoluindo bem…

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Este fim de semana tem mais um Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, em pleno domingo! Desta vez, a festa reúne duas bandas novatas que bebem na fonte da música brasileira dos anos 60 e 70 para fazer música deste século. A Devolta ao Léu, formada por Bru Cecci (teclado e voz) Eduardo Rodrigues (guitarra), Rafa Sarmento (bateria) e Leo Bergamini (baixo), está dando seus primeiros passos com influências de rock experimental e artistas brasileiros como Itamar Assumpção, Clube da Esquina e Erasmo Carlos, enquanto a Orfeu Menino, formada por Luíza Villa (voz), João Vaz (guitarra), Pedro Abujamra (teclado), João Ferrari (baixo) e Tommy Coelho (bateria), passa por Marcos Valle, João Donato, Edu Lobo, João Bosco e Joyce, rejuvenescendo o espírito do jazz brasileiro para o século 21. E quando as bandas não estiverem no palco, sou eu quem deixa o som rolar – e os ingressos já estão à venda neste link!

Se as letras e vocais de Jon King e a guitarra ruidosa de Andy Gill eram a assinatura musical do Gang of Four, o grupo que melhor personificou as transformações que o punk possibilitou depois da catarse inicial, sob o amplo rótulo de pós-punk, o baixista Dave Allen, cuja morte prematura tornou-se pública neste domingo, era a força-motriz da banda. Sua passagem aconteceu neste sábado mas foi confirmada pelo baterista de sua antiga banda, Hugo Burnham, em um post no Instagram. Allen esteve na formação inicial da banda, que eternizou o punk-funk característico do grupo, e saiu após o segundo disco, para voltar em 2004, quando a banda ressuscitou com sua formação clássica depois de anos afastada dos palcos – nesta nova fase da banda não apenas pude vê-los ao vivo como trazê-los para tocar no Festival da Cultura Inglesa quando fui curador dos shows em 2011, no Parque da Independência, em São Paulo. Após deixar o Gang of Four Allen tocou na breve banda Shriekback e em grupos menores como King Swamp e Low Pop Suicide, mas também manteve carreira na indústria musical como consultor, diretor artístico e executivo de pequenas gravadoras. É o segundo integrante da banda a morrer, depois do guitarrista Andy Gill, que morreu em 2020.

Vem aí o terceiro Tron! E desta vez o digital invade o mundo de carne e osso. Tron: Ares traz Jared Leto como o programa de computador que batiza o filme, que tá com um visual lindão e pode ter uma boa história pra ser contada, além de ter o grande lebowski Jeff Bridges do primeiro filme mais uma vez no elenco, embora apenas sua voz seja ouvida no trailer. Fora que a trilha sonora original é composta pelo Nine Inch Nails, o que também abre outra bela camada de novidade para o novo filme, que já tem data de estreia anunciada, para o dia 10 de outubro.

Assista ao trailer abaixo: Continue

Morreu nesta sexta-feira o guitarrista Amadou Bagayoko, metade do casal Amadou & Mariam, que ajudou a espalhar a música do Mali para o resto do planeta em suas incursões de guitarra e vocais. Amadou ficou cego aos 15 anos devido a uma catarata congênita e por isso passou a estudar no Instituto para Cegos da capital de seu país, Bamako, onde também havia nascido. Lá conheceu sua futura parceira musical e esposa, Mariam Doumbia, que estudava no local por ser cega de nascença. Adotaram a união de seus prenomes como nome artístico e aos poucos conquistou seu país musicalmente, com o som das tradicionais guitarras do país com o canto espaçado entre solos ininterruptos, mas com influências de outros gêneros musicais, desde violinos da Síria, tablas indianas, percussão dogon, além de rock, blues e música pop, como os dois sempre admitiram. A partir dos anos 80 conquistaram o mercado internacional, ganhando Grammys e sendo convidados por artistas como U2 e Blur para a abertura de seus shows. A última vez que o casal tocou ao vivo foi no ano passado, na cerimônia de encerramento dos jogos paralímpicos de Paris, em setembro, quando tocaram “Je Suis Venu Te Dire Que Je M’en Vais”, de Serge Gainsbourg. A morte de Amadou foi anunciada pelo ministro da cultura do Mali, Mamou Daffé.

Com duas datas na Nova Zelândia, não era muito difícil prever que os dois shows que Dua Lipa faria naquele país trariam dois dos maiores hits neo-zelandeses de todos os tempos, embora poucas pessoas além dos fãs destes artistas saibam que estas músicas vieram lá das bandas da Oceania. Depois de cantar “Royals” da Lorde em seu primeiro show no arquipélago no meio do Pacífico na quarta passada, nessa sexta a cantora inglesa escolheu o irresistível hit oitentista “Don’t Dream is Over” do grupo Crowded House, com a presença do próprio líder da banda no palco, Neil Finn. E como sempre, ela fez bonito. Sua próxima parada acontece no fim de semana que vem, quando ela começa o braço europeu de sua turnê mundial, começando pela Espanha. Alguém chuta o que ela pode cantar?

Assista abaixo: Continue

Estava com uma certa expectativa em relação ao próximo disco das Haim, mas com este segundo single que elas acabaram de lançar, perdi um pouco das esperanças. Amo o disco mais recente das três irmãs, Women in Music Pt. III, lançado em plena pandemia, e queria que elas superassem aquele trabalho (afinal já se passaram cinco anos!). E a não ser que elas estejam escondendo o ouro, tanto o primeiro single “Relationships” quanto este recém-lançado “Everybody’s Trying to Figure Me Out”, que são boas canções, mas nada demais, parecem antever um disco quase genérico de si mesma, algo que as três sempre corriam o risco, mas se superavam a cada novo álbum. Tomara que eu esteja errado…

Ouça abaixo: Continue