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Intersecção de caminhos

Luíza Villa e GabirotoX colidiram suas carreiras nesta terça-feira no Centro da Terra no espetáculo Só Mais Uma Vez, que apresentaram pela primeira vez depois de quase um ano de relacionamento – artístico e pessoal. E a apresentação foi como assistir à lenta fusão destas duas personalidades: o guitarrista GabirotoX acompanhado de seu pai, o baixista João Monteiro, e o compadre Pietro Benedan, que também é baterista do grupo Naimaculada, enquanto Luíza veio com o mesmo Pedro Abujamra que faz parte de sua banda Orfeu Menino nos teclados e o percussionista Jorge Bento, com quem já tocou em algumas apresentações. E foi quase didático a evolução da apresentação, à medida em que reconhecíamos as músicas do guitarrista, com viés clássico do rock e fortes pitadas de Raul Seixas, e as de Luíza, com os dois pés na MPB dos anos 70. Os dois chegaram ao equilíbrio perfeito de suas influências quando cantaram juntos o último número da noite, abrindo vozes numa balada folk que ecoava as raízes folk rock dos ídolos de Gabiroto e a presença de Joni Mitchell no trabalho de Villa. A pedidos, voltaram para um último número, visitando “Escrito nas Estrelas” de Tetê Espíndola, com o guitarrista citando o clássico solo do recém-falecido Carlini em “Ovelha Negra”, do Tutti Frutti. Agora começou!

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Uma aluna aplicada

Fernanda Ouro mirou alto e fez o gol – e que golaço. Ao explicar que queria cantar o repertório consagrado por Clara Nunes como uma forma de mergulhar na história da cantora, a jovem intérprete paulistana encarou sua musa de frente e com peito aberto, sorriso contagiante e voz implacável – lições claramente aprendidas com a mestra – passeou pela história fonográfica da sambista mineira em ordem cronológica, começando pelo primeiro sucesso “Você Passa Eu Acho Graça” (improvável parceria entre Ataulfo Alves e Carlos Imperial) e passando por pérolas de Candeia (“O Mar Serenou”), Dorival (“É Doce Morrer No Mar”), João Bosco e Aldir Blanc (“Nação”), Adoniran Barbosa (“Iracema”), Nelson Cavaquinho (“Juízo Final”), Totonho Nascimento (“Conto de Areia” e “Deusa dos Orixás”), Chico Buarque (“Morena de Angola”) e, claro, de seu parceiro da vida Paulo César Pinheiro (“Canto das Três Raças”, “Portela na Avenida” e “Minha Missão”), além de seus estandartes como “Ê Baiana”, “Tristeza Pé No Chão” e “Feira de Mangaio”. Fernanda ainda esteve muitíssimo bem ancorada por uma banda que misturava instrumentos de roda de samba (como o violão de Gabriel dos Santos e o cavaquinho de Gago ao lado da explosiva percussão de Bruno Tonini e Jorge Bento) com uma formação elétrica, com baixo (do impressionante Lucas Vieira), guitarra (do maestro e aniversariante Johnny Accetta) e bateria (com o versátil Leo de Braga), dando às canções novos arranjos que mesmo bem próximos dos originais, brincavam com aquelas novas possibilidades. Showzaço.

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De olho no futuro próximo

Linda a apresentação que Ana Spalter fez nessa sexta-feira na Sala Crisantempo, quando mostrou a íntegra de seu primeiro álbum, Coisas Vêm e Vão, num espetáculo que não apenas amarra este primeiro degrau de sua carreira musical a novos rumos em um futuro próximo. Durante todo a noite, três qualidades saltavam aos olhos: o envolvimento da cantora com seu instrumento – seja o teclado elétrico ou o piano acústico -, seu papel como arranjadora e diretora musical da noite e a liga firme que forjou ao lado dos músicos com os quais gravou o álbum, o trio formado pelo guitarrista Johnny Accetta, o baixista Pedro Petrucci e o baterista Léo de Braga, jovens bambas que fazem o talento de Ana reluzir ainda mais. Acrescida das percussões de Jorge Bento e das participações que chamou para esse show (o pianista Mike O’Brien e as cantoras Fernanda Ouro e Luíza Villa, todos também presentes no disco), Ana deslizou sem dificuldades sobre o próprio repertório, além de abrir um interlúdio entre os dois lados do disco em que mostrou caminhos que já está trilhando para além do disco, como quando pegou o violão para cantar com Fernanda e Luíza “Essa Confusão” de Dora Morelenbaum, acompanhadas apenas pelo piano de O’Brien, seguindo de duas músicas inéditas (“Fica a Dica” e “Sinal Vermelho”) tocadas apenas com o trio, um recital instrumental maravilhoso ao piano ao lado da banda que transformou-se em “Ponta de Areia” de Milton Nascimento, que emendou em outra versão, desta vez para homenagear Angela Ro Ro com sua eterna “Amor Meu Grande Amor”. Ana sabe o que quer e está mostrando como vai chegar lá.

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