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Vamos lá, meu Ceará!

Entendo que escrever sobre um show que dirigi pode parecer redundante ou cabotino, mas primeiro tenho que deixar registrado que o espetáculo que apresentamos neste sábado no teatro do Sesc Pompeia não apenas culminou um trabalho que venho desenvolvendo com esses artistas há dois anos como também materializou uma vontade de celebrar a importância deste disco ímpar na música brasileira que coloca o Ceará no mapa de uma geração que depois passou a ser conhecida como MPB desde que Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem completou meio século, há três anos. Esta celebração de um disco que infelizmente segue fora das plataformas digitais e que há muito tempo não é reeditado em nenhum formato físico conversa tanto com minhas raízes nordestinas – que embora brasiliense tenho pais cearenses que até hoje reforçam a importância dessa naturalidade – quanto com meu interesse pela cultura desse estado. Tanto que já havia trabalhado com todos os envolvidos nesta nova apresentação – todos cearenses da nova geração -, com shows no Centro da Terra, Centro Cultural São Paulo e no Picles. Mas ao reunir Soledad, Jonnata Doll e Paula Tesser à frente deste show também estava chamando artistas que têm a plena consciência de sua relação com a geração homenageada, algo rapidamente abraçado pelo grupo Ondas dy Calor (formado pelos ases Allen Alencar, Xavier, Igor Caracas e Davi Serrano) e pelo diretor musical Klaus Sena. Com produção de campo da maravilhosa Alexandra Thomaz e figurino da Trama Afetiva de Jackson Araújo (outros dois cearenses) e Thais Losso, o espetáculo ainda contou com som do Gustavo Lenza e Danilo Cruvivel, luzes da Camille Laurent, fotos de José de Holanda e teve Phil Santos como roadie, além da produção executiva da própria Paula – e a nobre participação do mestre Rodger Rogério, um dos autores do clássico disco, que não só nos deu sua benção para o show como participou de vários momentos da apresentação. E mais do que ter feito uma apresentação precisa, terminamos o fim de semana felizes não só por estar mostrando o maravilhoso repertório desse disco e representando a cultura cearense neste novo milênio. É só o começo de uma história que ainda devemos contar outras vezes. Vamos lá, meu Ceará!

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Pessoal Do Ceará, Meio Século Depois

Joia esquecida da música brasileira, o disco Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem, lançado em 1973, consagrou o surgimento de uma nova safra de artistas cearenses que ficou conhecida como Pessoal do Ceará. Esse grupo de artistas foi instigado a gravar um disco-manifesto sobre geração, mas como dois deles já tinham contratos com outras gravadora, coube a Ednardo, Rodger Rogério e Teti registrar suas canções em um dos discos mais importantes daquele período, que infelizmente não tornou-se popular como poderia, embora seja um favorito de colecionadores de discos e especialistas em música brasileira.

Desde que o disco completou 50 anos venho pensando em celebrar sua importância no palco e finalmente podemos anunciar o espetáculo Pessoal Do Ceará, Meio Século Depois, que idealizei ao lado de uma geração de artistas cearenses que, nascida sob a égide desta cena dos anos 70, recria e saúda o clássico álbum no palco do teatro do Sesc Pompeia no dia 21 de fevereiro. Liderada pelo trio de vocalistas formado por Paula Tesser, Soledad e Jonnata Doll, a apresentação tem a direção musical de Klaus Sena, que toca ao lado do grupo Ondas Dy Calor (formada pelos multiinstrumentistas Allen Alencar, Xavier, Davi Serrano e Igor Caracas), e conta com a participação do próprio Rodger Rogério, um dos autores do clássico álbum, que sobe ao palco para recriar o disco de 1973 e cantar músicas dessa geração tão importante para a música brasileira. O figurino da noite é assinado pela Trama Afetiva (Jackson Araújo e Thais Losso), Catarina Mina e ITO, o som fica por conta de Gustavo Lenza e luz com Camille Laurent, além das belas fotos feitas por José de Holanda.

Meu Corpo Minha Embalagem Todo Gasto na Viagem é um joia da música brasileira pós-bossa nova que não deve nada a clássicos como Tropicália, Acabou Chorare e Clube da Esquina. Como estes discos, o álbum cearense tenta soar regional e universal ao mesmo tempo em que conversa com o pop rebuscado do início dos anos 70 e conecta a nova música brasileira à canção que vinha do Ceará. O álbum reúne clássicos da canção daquele estado como “Beira-Mar”, “Terral”, “Ingazeiras” e “Cavalo-Ferro”, entre outras. Arranjado pelo maestro paulista Hareton Salvanini, que nunca havia trabalhado com música popular, o disco é exuberante e épico ao mesmo tempo em que delicado e desconfiado, como preza a própria cultura cearense. O espetáculo liderado por Paula Tesser, Soledad e Jonnata Doll retoma essa geração com outra safra de artistas do estado, reforçando a importância da música do Ceará na cultura brasileira. Os ingressos já estão à venda.

Entre o pós-punk e o glam rock

Foi bonito ver o grupo cearense Jonnata Doll e seus Garotos Solventes finalmente deixar a sombra do passado recente de lado para começar uma nova fase nesta terça-feira, no Centro da Terra, quando apresentaram o espetáculo A Próxima Parada composto quase integralmente por canções inéditas. Como todos os artistas, o grupo demorou para sair do período pandêmico e ainda sentiu a perda do amigo Felipe Maia, baterista da banda que partiu há um ano, o que tornou ainda mais complicado retornar às atividades. Mas com Clayton Martin – o maior cearense da Mooca, único paulistano do grupo Cidadão Instigado – assumindo as baquetas, o grupo aos poucos começou a voltar a fazer shows, mas ainda não tinha mostrado nenhum material novo ao vivo, o que finalmente aconteceu nesta apresentação, que ainda contou com a participação da cantora Yma, que participou ao lado da banda cearense do primeiro volume do projeto Colab que o selo Risco criou para reunir dois artistas distintos numa residência em estúdio – e reza a lenda, que o projeto, no forno há anos, finalmente sai esse ano. Yma entrou completamente no clima da noite, mais pós-punk do que nunca. A química entre o novo baterista e o baixista Joaquim Loro Sujo é típica das bandas inglesas da virada dos anos 70 para os 80, quando ondas de grooves retos encontravam o pulso metronômico e minimalista de uma bateria quase eletrônica, temperada pelo esperto uso dos pratos que Clayton traz de sua bagagem de rock clássico. Escondido quase como uma arma secreta, Edson Van Gogh tornou-se o guitarrista que queria ser quando era adolescente: andrógino, sério e fazendo vocais discretos e observando tudo como se estivesse à parte, ele usa seu instrumento como uma batuta elétrica, regendo o grupo entre jorros de ruído, ecos hipnóticos, marcações grooveadas e uma aura hipnótica. À frente da banda, esta força da natureza chamada Jonnata Doll derruba quilos de cores e glitter na máquina pós-punk que são os Garotos Solventes, puxando sua banda como uma mistura de Mick Jagger com Marc Bolan e Jerry Lewis, professor aloprado do glam rock que brilha tanto quando usa seu corpo como instrumento musical em performances individualíssimas quanto como um Jonathan Richamn poseur, quase uma contradição, quando toca sua guitarra. A seu lado, Yma deixou seu brilho natural e espertamente preferiu ficar de coadjuvante, deixando o holofote brilhar mais em Doll, esse Iggy Pop cearense, mesmo ao dividir vocais e o protagonismo com ele – que certamente foram alguns dos melhores momentos do show, a ponto do próprio Jonnata reforçar, no fim do show, fora do palco, que quer compor ainda mais músicas com a cantora para seu próximo disco. Bota na sua cabeça que isso aí vai render…

Assista abaixo:  

Cataclisma sonoro

Quem foi ao Sesc Avenida Paulista nesta quinta-feira pode aproveitar mais uma avalanche sonora provocada pelo Test em sua versão hiperbólica, a Test Big Band, e só quem esteve presente tem noção do impacto que foi essa primeira apresentação que o grupo faz neste formato depois da pandemia. Além dos heróis João e Barata, os responsáveis por esse cataclisma de som que o público pode assistir, eles contaram com Sarine na percussão, Bernardo Pacheco no baixo, Alex Dias no contrabaixo acústico, Rayra da Costa nos eletrônicos, Livia Cianciulli no saxofone, Romulo Alexis no trompete, Flavio Lazzarin na bateria, Tomas Moreira, Chris Justtino e Jonnata Doll nos vocais e Maureen Schramm na luz. Vida longa ao Test!

Assista aqui:  

Noites Trabalho Sujo apresenta Orquestra Imperial!

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Fazemos neste sábado a primeira edição das Noites Trabalho Sujo no Cine Joia e, para bailar, convidamos a Orquestra Imperial para celebrar com a gente – e eles convidaram um time de peso de intérpretes: Céu, Jonnata Doll, Ana Frango Elétrico, Bid e Guga Stroeter. A festa começa às 22h, o show à meia-noite e depois o baile segue a madrugada inteira – dá pra comprar o ingresso aqui (e usando o código “trabalhosujo” você tem descontos no ingresso). Vamos lá?

Quem quer ir de graça no show da Orquestra Imperial?

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A primeira edição das Noites Trabalho Sujo no Cine Joia acontece neste sábado e contará com a presença da ótima Orquestra Imperial, que convida Céu, Bid, Ana Frango Elétrico, Guga Stroeter e Jonnata Doll para uma noite que promete ser épica (mais informações aqui). E se você quiser concorrer a um dos cinco pares de ingressos que tenho aqui para sortear, basta dizer que música você queria vê-los tocando neste sábado que estará concorrendo a ingressos – não esqueça de deixar o seu email!