O multiverso de J.J. Abrams

Ah, como eu já escrevi sobre esse assunto. Se estiver de bobeira, encare o apanhado de referências que compilei antes do lançamento de Cloverfield e logo após seu DVD sair nos EUA, depois dê um pulo no texto que eu escrevi sobre o final da quarta temporada de Lost e sobre a conexão entre o filme de monstro e a ilha maluca. E veja se eu não tenho razão quando digo que o J.J. linka tudo.

4:20

Eu já sabia?

Fala JJ:

Is the end of the series what you thought it would be, from the beginning?
JJ: Oh, no way! No. There are little threads and elements, here and there, but truthfully, when we started it, we didn’t know exactly what was in the hatch. We had ideas, but we didn’t know to what extent it would be. The notion of The Others was there, but we didn’t know exactly what that would mean. Damon hadn’t come up with the idea of flash forwards yet. To see where we are and what they’ve created is insanely gratifying and it’s something that no one could have predicted, at the beginning of it. The evolution of it is really part of their glorious experiment of taking a show that we were all, at the beginning, saying, “How do you make this a series?,” and to see what Damon and Carlton have done is amazing to me.

You had the idea for the basis of it though, right?
JJ: There were a lot of ideas, but the specificity with which the thing played out was part of that leap of faith that it was going to work. That doesn’t mean that you plan everything out. You have big ideas, but when the better bigger ideas show up, you go with them.

E por falar em Alan Moore…

Um dos roteiristas mais importantes de Hollywood hoje em dia (pra você ver o nível…), Akiva Goldsman está se estabelecendo como um dos principais nomes da indústria ao fazer filmes corretos e esquecíveis (como as duas adaptações para os livros de Dan Brown, Uma Mente Brilhante – que lhe garantiu o Oscar – e as adaptações recentes de Eu, Robô e Eu Sou a Lenda), mas ele entrou nesse jogo mostrando credenciais nerds que lhe fizeram escrever o roteiro do quarto filme do Batman (o deplorável Batman & Robin, que eu considero o melhor filme da primeira fase do homem-morcego no cinema, por ser uma reverência ao seriado dos anos 60 mais do que ao quadrinho original) e produzir a bomba que foi o remake de Perdidos no Espaço.

Mas mesmo se tornando cada vez mais certinho e coxinha, ele não largou sua nerdice (não é à toa que JJ Abrams o convidou para dirigir e escrever o episódio de estréia da segunda temporada de Fringe) e está envolvido nas adaptações de Lobo (que vai ser dirigido pelo Guy Ritchie – e isso pode ser bem bom) e de Jonah Hex para o cinema, além de um filme que, mais uma vez inspirado em uma obra de Alan Moore, pode arriscar mexer com os paradigmas do cinema de super-herói – para logo depois voltar atrás. Mas em uma longa entrevista para o LA Times, Akiva conversou um pouco sobre o que pode ser o Monstro do Pântano no cinema:

“We want a film with real Southern, dark horror overtones, a little bit like a classic Universal horror film,” Goldsman said, knowing full well that his presence on the project will stir controversy — it’s a character that filmmaker Guillermo del Toro has called one of the “few remaining Holy Grails” in comics.

Pode ser fodão, mas na mão de quem tá, é mais provável que um filme do Monstro do Pântano mais uma vez seja vítima da maldição de Alan Moore – e gere um filme que até instigue algum interesse próximo ao da obra original, mas que vá fracassar drasticamente em termos comerciais.

A unanimidade de Jornada nas Estrelas

Nem todo mundo gostou da versão de J.J. Abrams para a história da turma de Kirk e Spock.

William Shatner e o novo Capitão Kirk

O velho capitão Kirk vem acompanhando, de longe e online, os desdobramentos da recriação que J.J. Abrams fez da série que encabeçou por toda vida. Até que se submeteu a assistir ao trailer do filme e registrar sua reação no próprio canal do YouTube.

Acho que sua reação talvez tenha sido mais essa:

Essa semana, o velho Kirk encontrou-se com Chris Pine, o ator que faz o novo Kirk, e de novo postou a notícia em seu canal de vídeos:

Não duvide se J.J. Abrams não tiver armado isso com ele e garantir sua participação no próximo filme mesmo após essa rusga em público.

Nova Jornada

O trailer que estreará com o Watchmen é o que mais nos mostra imagens do Jornada nas Estrelas do J.J. Abrams. E não que o maldito tá conseguindo deixar a história de Kirk e Spock interessante? Deve ter mais cenas de ação nesse trailer do que em todo o resto da saga (exagero, mas enfim) e só a cena do planeta indo pro saco já instiga o suficiente para querer ver o filme.

Cloverfield x Jornada nas Estrelas

Putz! Olha só o que os caras do site espanhol CSTSE (vi no Terron) descobriram no meio do teaser novo do Jornada nas Estrelas, que passou no fim de semana passado, durante a transmissão da final do campeonato de futebol americano. Numa cena exibida rapidamente, em questão de segundos, é possível ver um prédio com o logotipo da empresa Tagruato, a multinacional japonesa que habita o universo paralelo do filme Cloverfield (lembrando que essa não é nem a primeira nem a segunda conexão entre a nova saga de Kirk e Spock e o filme de monstro do criador de Lost). E se alguém ainda não leu os textos que escrevi sobre o marketing monstro envolvendo Cloverfield, os extras do DVD e a possível conexão entre o filme e o seriado da ilha maluca, é só seguir os links.

Jornada nas Estrelas 2009

Ah, sim: o tal teaser.

Marketing Monstro

Cloverfield é muito mais do que parece ser…

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Me amarro nesse tipo de cinema montanha-russa. Não curto pipoca e acho um saco o povo conversando durante a sessão, mas a equação “tela gigantesca + som absurdo + enredos inverossímeis” é um dos principais motivos para eu ainda ir ao cinema – e a maioria dos filmes que me levam para a sala escura são filmes de ação. Não me leve a mal – meus cineastas favoritos ainda vivos são Cronenberg e os irmãos Coen, mas fazem filmes que cabem na tela da TV. Já épicos de som e fúria como este Cloverfield são feitos para serem assistidos no cinema. Esse tipo de cinema de ação é uma das molas-mestras de Hollywood (junto com o sistema de atores-celebridades) e é um dos principais avanços da história recente da sétima arte. A criação, à base de efeitos especiais (tanto em áudio quanto em vídeo), movimentação de câmera e proporções gigantescas, de um parque de diversões para os sentidos que gruda o espectador por toda sua duração na poltrona é, essencialmente, cinema. O filme de ação – filhote do filme policial (que trouxe o faroeste para as ruas de hoje, via Bullit, Operação França e Dirty Harry) com o blockbuster de tirar o fôlego (inventado por Spielberg e Lucas no final dos anos 70) – faz exatamente o que grandes autores do cinema se pretendiam: envolve o espectador com um ponto de vista específico para gerar visões espetaculares. Seus detratores ficam procurando pelo em ovo (atuações? Verossimilhança?) em vez de perceber que isso é acessório.

Tudo isso para dizer que recomendo pacas o monstro Cloverfield, a nova brincadeira de J.J. Abrams, o produtor de Lost. Mas tem que ver no cinema. Tratado como uma evidência de um recente ataque gigantesco à Nova York, ele começa como o registro de uma festa de despedida sendo filmada por um dos amigos de um dos protagonistas para transformar-se em uma fuga pelas ruas de uma cidade sendo destruída por um monstro gigantesco – vocês viram os trailers. Assim, sua cinematografia tem a estética amadora que é tão popular em tempos de celulares que filmam e vídeos caseiros no YouTube – com a pequena diferença que há um monstro em algum lugar destruindo tudo. Daí a correria ser prima das dos filmes de Fernando Meirelles, o pânico ser irmão dos registros das conseqüências de atentados terroristas e a tensão ser sobrinha-neta do Spielberg que dirigiu Tubarão, Contatos Imediatos do Terceiro Grau e Parque dos Dinossauros. Cloverfield é a Bruxa de Blair levado à potência de Jerry Bruckheimer. Não é à toa que as salas de cinema nos EUA estão colocando advertências para avisar gente de estômago fraco que a experiência na telona pode causar efeitos colaterais semelhantes aos de uma montanha-russa. Não é exagero – e isso é um dos grandes méritos do filme.

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Mas, peraê, Cloverfield pelo jeito não é um filme. É um teaser de algo muito maior.

(A partir daqui vou falar de acontecimentos relativos ao filme. Por isso, se você ainda não o assistiu e vai continuar lendo, corre o sério risco de descobrir coisas que não gostaria. Prometo me conter para não entregar o ouro em si, mas não dá pra discutir o que vou falar adiante sem comentar o enredo ou alguns detalhes que, se não chegam a estragar o curso da história, podem tirar a graça de algumas partes do filme. Ou seja: estamos entrando no território dos spoilers. Falando nisso, lembrei de uma história de um cara que foi traduzir um texto para um lugar onde eu trabalhava e no lugar de “spoilers ahead” [uma advertência semelhante – embora mais curta – a esta que estou fazendo aqui] o cara mandou “saqueadores adiante”, uma tradução “to the foot of the letter”. Esteja avisado, vambora. Pra não correr o risco, embace a visão até ver o flyer da Gente Bonita passada.)

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Então, você já ouviu falar em Slusho?

Se você assistiu Cloverfield, sabe que Slusho é a empresa que contratou o protagonista Rob Hawkins (o personagem de Michael Stahl-David) como vice-presidente – justo o motivo da festa de despedida que sua cunhada Lily (Jessica Lucas) organizou e que dá início às filmagens.

Mas Slusho também é uma bebida, lançada em 2005 no Japão. Uma bebida que deixa as pessoas mais felizes e causa uma estranha sensação no estômago – e cuja substância secreta é algo retirado de perfurações no oceano e referido como “néctar do leito do mar”, em seu site oficial. Site que, por sinal, é um freak show fingindo-se de nipomarketing – suas seções beiram o bizarro e personagens bonitinhos e engraçadinhos dizem frases sem sentido aparente.

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A bebida apareceu pela primeira vez em um episódio de Alias, série que também era produzida por Abrams, e já foi vista na mão do elenco de Heroes. Na ComiCon do ano passado, foram entregues várias camisetas da marca ao público. Mas quando visitamos o site da companhia que criou a bebida gelada, a Tagruato, descobrimos que eles pesquisam aceleradores do crescimento celular (?!) e que é uma companhia de perfuração oceânica que descobriu o tal néctar – que é a base da bebida de sucesso (“você não pode beber menos do que seis”, diz seu slogan).

Em paralelo, não há uma linha do tempo definida, pois o ataque do monstro na história não acontece na data da estréia do filme nos EUA (18 de janeiro de 2008) como a campanha publicitária fazia parecer. Não há registro na câmera sobre o ano dos acontecimentos – apenas o dia e mês da gravação. Dia 23 de maio, um sábado. O detalhe é que a próxima vez que esses dias coincidirão será no ano que vem! A destruição da plataforma de perfuração da Tagruaro próxima à Nova York, considerada a primeira manifestação propriamente dita do monstro na superfície (além de um dos mais recentes teasers do filme), também não tem data definida – e da mesma forma pode acontecer no futuro.

E se você já viu o filme, sabe que há uma trama paralela disfarçada de incompetência do cinegrafista. Ao começar a registrar depoimentos dos amigos de Rob para ele levar como um presente de despedida, o amigo Hud (o ator T.J. Miller) usa a mesma fita (engraçado ser uma fita em tempos de gravação digital) que Rob havia usado há pouco tempo para gravar outro evento, pessoal, que tem ligação com a história depois que o monstro ataca a cidade. Vez ou outra, a filmagem falha e vemos trechos do filme que está sendo apagado. E bem no final, a gravação do dia do ataque do monstro termina antes da fita acabar – e assistimos aos últimos minutos do vídeo original, que acontece num parque de diversões. Ao fundo dá pra ver algo vindo do céu e caindo na água. Uns disseram que poderia ser o próprio monstro vindo do espaço, outros dizem que foi um satélite da Tagruaro que acordou o bicho que estava dormindo há milênios no fundo do mar ao cair. Mas alguma coisa acontece ali.

O mesmo acontece no final dos créditos, depois de doze minutos de texto, quando é possível ouvir só um gemido que parece dizer, sussurrando, “Help us”. Mas como nerdismo pouco é bobagem, já houve quem converteu o som de trás pra frente e descobriu que o sussurro, na verdade, diz “It’s still alive!”. Fora a Overture Roar, composição exagerada que encerra o filme, que pouco a pouco vira um pequeno hit de downloads.

Além disso, o site jamieandteddy.com foi criado como um servidor para a troca de correspondências em vídeo do casal Jamie e Teddy. Mas depois de mandar um presente para Jamie, Teddy desapareceu. Em uma série de onze vídeos postados no decorrer do ano passado, Jamie reclamava da falta do namorado, até decidir abrir o presente enviado. Nele, ha uma substância rotulada de “prova número 1” que Teddy avisa para Jamie “não comer” e um celular em que seu namorado manda uma mensagem, em que dizia que aquilo não era uma brincadeira e que ele talvez ficasse um tempo sem dar notícias, para ver como sairia dali. Jamie, com raiva, come a substância e, bem, veja os vídeos. A senha para acessar ao site é “jltovesth” – mas todos eles já estão no YouTube.

Fora perfis no MySpace para os principais personagens, uma série de denúncias anônimas sobre a Tagruato, um sujeito que fala algo em russo com o personagem que filma tudo e um grupo de hackers terroristas querendo sabotar a corporação. As fotos em um dos sites oficiais do filme mostra uma imagem de uma baleia destruída na praia e um cozinheiro apresentando orgulhoso um prato indefinido. Atrás dele, um vidro enorme com um produto branco parece brilhar. Nas costas da foto, uma receita que inclui o tal “néctar do leito do mar” – só que escrita em japonês.

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Tem um certo humor Matt Groening na natureza de Slusho, pois a bebida remete a alguns episódios de seus seriados. O primeiro é o Squishee que Bart e Milhouse tomam puro (para horror de Apu, que vende do mesmo jeito) no episódio “Boy Scoutz ‘N the Hood” da quinta temporada dos Simpsons – Bart toma e a parada bate de um jeito que ele começa a falar mais rápido. E tanto aos salgadinhos Popplers e ao popular refrigerante Slurm (seu slogan é “It’s highly addictive!”) em Futurama. Enquanto os primeiros, depois de um tempo, abrem e se revelam filhotes simpáticos alienígenas, o segundo é a secreção líquida de um monstro gigante (!). Slusho pode não ser gosma de monstro, mas deixa essa idéia no ar (mesmo porque uma das personagens do filme morre um bom tempo após ser atacada – sua barriga explode. E uma das frases no site de Slusho diz que a bebida faz “sua barriga explodir de felicidade”. Que porra…).

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Além disso, temos o monstro, que até agora não foi explicado. Mas há algo humano em seu caminhar – ele se move como uma pessoa andando deitada de costas, só que com a cabeça no meio das pernas. Não ajuda muito o fato do site da Hasbro que anuncia o brinquedo não ter uma foto – e, entre as especificações, dizer que o bicho tem duas cabeças intercambiáveis… Nem que Abrams já ter dito que o monstro age como um bebê (será que tem uma mãe – clichê clássico de filme de monstro – a caminho?)…

E inevitavelmente uma seqüência para Cloverfield já está sendo especulada, mas com um twist. Em vez de uma continuação – para tentar explicar que raios está acontecendo em Nova York, o diretor já falou em uma Cloverfield: Fita B, que aconteceria em paralelo aos eventos do primeiro filme. Reeves até disse o momento em que deixou em aberto para uma seqüência, quando o cinegrafista filma outra pessoa com uma câmera na mão. Pode ser uma intersecção entre os dois filmes.

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Mas as especulações não param aí. Há quem diga que existam relações entre o monstro e a série Lost – a ilha perdida, o evento magnético que fez o vôo 815 da Oceanic cair e até o tal monstro de fumaça poderiam ter alguma relação com Cloverfield. Se alguém contestar sobre o fato da festa de Rob acontecer em 2009 e o vôo Sidney-Los Angeles ter acontecido em 2004, é bom lembrar que o tema viagem no tempo foi sugerido pelos criadores da série logo depois que a terceira temporada encerrou, com um vídeo tutorial da Dharma em que um mesmo coelho aparecia duas vezes no mesmo lugar – isso inclusive joga uma outra luz sobre os recentes episódios da série. E como não dá pra perder o bonde da história, não duvide se J.J. falar no assunto – e criar uma ponte – no próximo filme de Jornada nas Estrelas, que está sob sua supervisão. Exagero? Não custa lembrar que estamos falando do cara que agradeceu à Fundação Hanso (uma das corporações que manipularia a história de Lost) no final de Missão Impossível III, que ele dirigiu (e esse filme ainda contava com uma máquina de destruição chamada “Pé de coelho”). E se o Slusho for o que dá superpoderes aos heróis de Heroes? Não duvide que em pouco tempo haverá malucos indo assistir Cloverfield com In Rainbows no fone de ouvido (a propósito, qual a duração de ambos?).

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Todas essas pistas, dicas, teorias e sacadas de marketing vêm acontecendo desde que o primeiro trailer do filme apareceu, no meio do primeiro semestre do ano passado, quando Transformers foi lançado. Abrams pegou a lógica por trás do marketing de A Bruxa de Blair e aplicou o conceito de contexto à fábrica de hype. Não é mais simplesmente “o novo vem aí”, mas todo um universo recontextualizado a partir do tal novo que vem aí. E isso é uma das principais características do pop atual. Em busca de contexto que (n)os ajude a montar o quebra-cabeças, devotos, fãs e curiosos podem ajudar a desvendar mistérios fabricados para serem complicados. Isso hoje faz muito mais sentido do que simplesmente assistir a um filme ou ouvir um disco. Precisamos de contexto para entender o mundo em que vivemos e todo o bom marketing atual ajuda a construir este (ironicamente, isolando-nos em bolhas de conhecimento infinito, longe da chamada vida real – mas o que diabos é isso mesmo?).

Esse é um dos principais diferenciais da era em que estamos vivendo. O hype serve pra isso – pra contextualizar, pra explicar o que está ao redor da história ou do protagonista, para que não fiquemos presos a apenas um ponto de vista sobre um único assunto. Se Cloverfield tem ou não ligações com Lost, Heroes ou Jornada nas Estrelas não importa, o fato é que estamos vivendo uma época em que as mais estapafúrdias teorias de conspiração merecem um mínimo de atenção. Isso significa que estamos ficando paranóicos? Talvez.

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Philip K. Dick dizia que todos os animais têm uma certa paranóia natural que, por não ser racional, funciona como um sentido de alerta, de vigília, de estar pronto para se defender a qualquer minuto, nem que seja atacando. E que o ser humano, através do conforto que a tecnologia nos provê, perdeu esse sentido. Numa década em que as máscaras estão sendo arrancadas de um jeito ou de outro (e verdades vêm à tona quase sempre de forma agressiva), não custa nada ficar esperto e não aceitar o que lhe é vendido como certo.

Já canto essa bola há uma época: paranóia é precaução.

PS – E é gata, essa Odette Yustman…
PS 2 – Não duvido que tenham uns quatro filmes enfileirados (ou talvez… seis?)

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