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Chama comunidade

Mais um Chama pra conta e cada vez mais o festival caminha para o que eu e o Arthur vislumbramos quando pensamos num evento voltado para bandas que estão começando a colocar a cabeça pra fora da água por conta própria. Artistas que, seguros da própria musicalidade (sempre única e própria), dispõe-se a mostrá-las para um público disposto a descobrir novidades, justamente por saber que este é um espaço para abrir-se para o desconhecido. E ao tornar o convite para outros artistas participar de cada um dos shows reforça cada vez mais o que percebemos desde antes da primeira edição, no final do ano passado. Não estamos falando de cena, de sucesso, de fama ou de dinheiro – e sim de realização pessoal coletiva, muito mais do que individual. É a formação e a fomentação de uma comunidade, de artistas que descem do palco e conversam com o público e ficam para ver os outros shows, misturando-se e tornando-se eles mesmos público de outros artistas. E o público em si nem é só público, mas formado por artistas de outras áreas, sempre querendo ver o que outras pessoas estão fazendo. Então mais do que showzaços da Jambu, Boasorte, Pedro Lanches, Vinco, Possanti, Unhas e Dentes, Caruma e Technobalde (todos com excelentes participações), o que vimos neste sábado em véspera de eleição (e que eleição!) e tão bem verbalizado pelo Gabriel Mar, vocalista da Jambu, e pela Ingrid Rocha, vocalista da Boasorte, é como estamos juntos neste mesmo barco e poder viver para fazer arte é um privilégio que deveria ser estendido a todas as pessoas. Noitaça que já nos faz pensar em quando será nosso próximo encontro…

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Chama Festival | 3.10.2026

Vamos à quarta edição do festival, que acontece mais uma vez na Casa Rockambole, no dia 3 de outubro. Desta vez teremos mais uma safra de novas bandas que estão em ascensão na cena independente brasileira desfilando pelos dois palcos da Casa Rockambole, em mais uma parceria entre A Porta Maldita e Inferninho Trabalho Sujo. Nesta edição teremos Unhas e Dentes, Possanti, Jambu, Boasorte, Technobalde, Pedro Lanches, Vinco e Caruma trazendo indie rock, pós-rock, techno, MPB, jazz, rock, shoegaze, math rock e emo para os dois palcos do festival. Os ingressos já estão à venda e quem comprar antes paga mais barato.

Dois extremos do rock independente

O Inferninho Trabalho Sujo dessa sexta-feira foi um acontecimento daqueles. A começar pelo encontro histórico dos Irmãos Panarotto com a banda Tutu Naná, trazendo conjuntamente a maluquice do rock de Chapecó num mesmo palco. Duas formações e gerações completamente distintas, os dois se encontram na encruzilhada do rock desenfreado com o humor nonsense e a jovem banda ficou como escada para as canções dos patronos do Repolho, essa instituição do indie brasileiro que atravessa décadas incólume, deixando suas experimentações de noise com jazz brasileiro para recolher-se às bases do repertório da dupla, quase sempre equilibrando-se entre a Jovem Guarda e o rock gaúcho – com direito ao baterista Fernando Paludo fazendo cosplay de Peter Criss, do Kiss. O happening subiu mais um degrau quando chamaram Tatá Aeroplano para participar da zona e o bardo paulista sintonizou o man Júpiter Maçã, quando cantaram juntos “Eu e Minha Ex” e uma canção-tributo à estátua do paladino da psicodelia gaúcha em Chapecó que metamorfoseou-se em “Ando Meio Desligado”, dos Mutantes. Que delírio.

Depois foi a vez da banda amazonense Jambu mostrar como já estão bem ambientados em São Paulo, a ponto de lotar a casa de fãs cantando todas suas músicas – e pedindo outras que eles nem lembravam como tocar. Lançando o EP Cartas Que Escrevi Enquanto Sonhava ,a banda formada por Gabriel Mar na guitarra e vocal, Yasmin Costa no vocal e bateria, Gustavo Costa no baixo e Roberto Freire na guitarra solo – como esmerilha o instrumento, esse cidadão! , o grupo tem uma química impressionante e botou todo mundo pra cantar, inclusive as músicas recém-lançadas. Com influências de rock brasileiro dos anos 80, indie rock e emo, o grupo segue trilhando sua escalada pop e tende a crescer ainda mais. Depois eu e a Fran esticamos a madrugada até onde pudemos, numa noitada como há muito não fazíamos no Picles – sexta-feira, né?

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Jambu e Irmãos Panarotto com Tutu Naná @ Picles (5.6)

Olha esse Inferninho Trabalho Sujo dessa semana, que acontece no Picles e reúne duas extremidades da música independente do país numa sexta-feira daquelas! Quem começa a noite são os magos Irmãos Panarotto, lendas-vivas do indie brasileiro que capitaneavam a histórica banda Repolho a partir de Chapecó e reúnem-se aos conterrâneos e velhos conhecidos da festa Tutu Naná para uma apresentação épica! Depois é a vez dos amazonenses Jambu estrearem na festa misturando indie rock e rock de garagem. E a noite termina comigo e com a Fran fazendo todo mundo dançar sem parar quando discotecamos até altas. E quem pegar o ingresso online e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar. Os ingressos já estão à venda. Vamooooos!