O dia em que o Art Popular virou Os Bambas

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Conheci o Leandro Lehart no início do ano passado, quando ele levou o show em que visita o grupo Fundo de Quintal apenas como voz e violão ao Centro Cultural São Paulo, mas já acompanhava sua carreira à distância, ciente que mais que líder de um grupo de pagode dos anos 90, ele também era um dos grandes conhecedores da história do samba. Esta aproximação tornou-se amizade e pude conhecê-lo de perto: workaholic mas sempre de alto astral, exigente mas sempre preocupado com os outros, paciente e cheio de histórias para contar, um poço de conhecimento musical, uma generosidade rara para um artista de sua magnitude comercial e um monte de ideias na cabeça. Uma delas transformava o Art Popular em uma banda de samba dos anos 60, Os Bambas, que contaria a história do samba em um filme que havia escrito. Ele tinha tudo pronto, uma febre criativa que bateu nele no fim do ano passado e o fez surgir com roteiro, premissa, figurino, nomes dos personagens, repertório, tudo. Os Bambas era uma comédia musical que estrearia nos cinemas no final deste ano. Mas percebi que ele poderia queimar uma etapa importante: transformar aquele material num espetáculo. Assumir que Os Bambas eram uma banda de verdade que faria shows pelo Brasil e que o Art Popular poderia se tornar algo ainda maior com essa transformação. E assim ele me convidou para fazer a direção artística deste show, que estreia nestas quinta, sexta e sábado em apresentações gratuitas no Itaú Cultural (mais informações aqui). É só o começo da viagem! Obrigado Leandro por permitir fazer parte disso.

Sim São Paulo: músicas nas capitais brasileiras

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Participo nesta segunda-feira de um debate que discute a pesquisa feita pela Sim São Paulo, através de seu braço de pesquisas, Data Sim, em parceria com o instituto JLeiva, sobre música nas capitais brasileiras no Itaú Cultural, às 14h. Estarei lá ao lado da Roberta Maritinelli (TV Cultura), Edson Natale (Itaú Cultural), Ricardo Meirelles e Samuely Laurentino (ambos da JLeiva) – mais informações aqui.

Chagas chegando

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Pai de Tulipa e Gustavo Ruiz e guitarrista do Isca de Polícia, a mítica banda de Itamar Assumpção, o mestre Luiz Chagas finalmente começa a revelar seu faceta solo a partir das 20h desta quinta-feira, no Itaú Cultural, quando mostra músicas que vinha guardando na gaveta num show chamado Música de Apartamento acompanhado de uma banda que conta com Fábio Sá no baixo, Biel Basile na bateria, o filho Gustavo no violão e Chicão Montofarno nos teclados, além da presença de Ná Ozzetti, Suzana Salles, Gustavo Galo, Juliana Perdigão, Tulipa Ruiz, Felipe Cordeiro e Manoel Cordeiro (mais informações aqui). Conversei com o seu Luiz sobre esta nova fase de sua carreira.

Como surgiu a ideia de começar um novo trabalho a partir de um show?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/luiz-chagas-2018-como-surgiu-a-ideia-de-comecar-um-novo-trabalho-a-partir-de-um-show

O que é “Música de Apartamento”?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/luiz-chagas-2018-o-que-e-musica-de-apartamento

Quem é a banda que tocará contigo neste show?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/luiz-chagas-2018-quem-e-a-banda-que-tocara-contigo-neste-show

Você já irá gravar o disco ou é um processo que está sendo maturado ao vivo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/luiz-chagas-2018-voce-ja-ira-gravar-o-disco-ou-e-um-processo-que-esta-sendo-maturado-ao-vivo

A volta do Isca de Polícia foi determinante para este novo trabalho?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/luiz-chagas-2018-a-volta-do-isca-de-policia-foi-determinante-para-este-novo-trabalho

Como este trabalho conversa com o seu trabalho com a Tulipa e o Isca de Polícia?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/luiz-chagas-2018-como-este-trabalho-conversa-com-o-seu-trabalho-com-a-tulipa-e-o-isca-de-policia

Quais os próximos passos a partir deste show de quinta-feira?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/luiz-chagas-2018-quais-os-proximos-passos-a-partir-deste-show-de-quinta-feira

Agora sim, o papo com Richard Swarbrick

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O papo com o animador Richard Swarbrick, que iria acontecer no domingo, foi remarcado para esta terça, às 19h, no Itaú Cultural. Quem vai?

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Mais uma atração do Festival Cultura na Rede, realizado dias 29 e 30 de junho, acontece nesta terça-feira, dia 2 de julho, às 19h, no térreo do Itaú Cultural.

O ilustrador e videoartista inglês Richard Swarbrick promove um ciclo com alguns dos seus curtas-metragens sobre futebol. Ao final da mostra, o público poderá participar de um bate-papo com Swarbrick, mediado pelo jornalista Alexandre Matias.

O Festival Cultura na Rede – encontro sobre literatura e futebol, mostra de curtas-metragens, show e performance que abordam a relação entre o esporte e a cultura – está alinhado com o encontro internacional Cultura na Rede, que aconteceu no Museu de Arte do Rio (MAR), nos dias 27 e 28 de junho, no Rio de Janeiro, em parceria com a Fundação Roberto Marinho.

Festival Cultura na Rede – Richard Swarbrick
terça 2 de julho de 2013
às 19h
Piso Térreo

Mais informações no site do Itaú Cultural.

Um papo com Richard Swarbrick

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Já já às 15h converso com o animador e cinegrafista Richard Swarbrick, dentro da programação do festival Cultura na Rede, no Itaú Cultural, ali na Paulista. Saca só:

Updeite: Rolou um problema e o papo foi transferido pra terça, no mesmo lugar, às 19h.

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/CICLO DE FILMES E BATE-PAPO
Domingo – 15h00
Sala Itaú Cultural – 219 lugares

Ciclo de filmes sobre futebol criados pelo ilustrador e videoartista inglês Richard Swarbrick (richardswarbrick.com). Na sequência haverá um bate-papo com o artista, mediado por Alexandre Matias.

Mais informações no site do Itaú Cultural.

Link – 18 de julho de 2011

No tapetãoGoogle errou ao não dar importância a patentesA batalha por JavaFilmes de bolsoGoogle+ quer ser você você onlineFacebook esconde você das buscasO blogueiro que vai ao público ou o público que vai ao blogueiroPersonal Nerd: Mais do PlusVida Digital: Rumos Arte Cibernética e File 2011Link no Expo YServidor

Ocupação Chico Science

E o Carneiro pautou o Clemente para dar uma sacada na Ocupação Chico Science que está acontecendo no Itaú Cultural até o dia 4 de abril e trombou com a quadrilha que armou o mangue beat: Fred Zero Quatro, Jorge Du Peixe, DJ Dolores, Rogê, Paulo André… Só gente fina.

Link – 6 de julho de 2009

TV 2.0 – O nascimento da ‘geração Lost’Internet: o canal que passa seu programa de TV na hora em que você querA TV está ficando com a cara da internet……E a internet está ficando com conteúdo de televisãoFirefox 3.5 mira no futuro com vídeo, 3D e geolocalizaçãoHTML 5 abre novas rotas de navegaçãoCarros do Google Street View tomam as ruas de SP em um mêsExposição GamePlay apaga limite entre arte e diversãoPensadores pop discutem sobre o preço do futuro#ForaSarney e a mobilização no TwitterLei Azeredo está em vias de ser derrubadaVida Digital: Harvey Levin, do TMZ

Jovem Guarda hoje

O Itaú Cultural fez um especial sobre a Jovem Guarda, com farto material multimídia e vários textos sobre o tema – vale a visita. E entre artigos assinados por bambas como o Fernando Rosa e o Ricardo Alexandre, me pediram para escrever uma matéria sobre a influência do movimento cultural no pop brasileiro do século 21. Olha o texto aê (para o ler o original, entre no site e clique na seção Textos).

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E que tudo mais vá pro inferno

Geração pop endossa a importância da jovem guarda para a história da música brasileira

Dá para imaginar o que seria da música brasileira se não houvesse a jovem guarda? Mesmo que não possa ser ouvido como um gênero específico – afinal, começou como a diluição do impacto mundial do rock por meio do senso estético e passional da América Latina –, o movimento talvez tenha sido o principal fenômeno musical do século passado no Brasil. Sua força vai além das canções e dos filmes de Roberto Carlos. Jovens, urbanos e elétricos, seus músicos conseguiram atingir o país com o mesmo impacto dos reis e das rainhas do rádio nas gerações anteriores e tiveram suas principais características absorvidas por quase todos os músicos, compositores e intérpretes que vieram em seguida. Do samba-rock ao tropicalismo, passando pela cena funk/soul dos anos 1970, pelos Mutantes e pela própria MPB, e indo até a música sertaneja e o rock dos anos 1980, todos reconhecem que a jovem guarda foi uma das manifestações populares mais autênticas da música brasileira, cuja repercussão ainda é sentida no país.

Por mais diverso e esquizofrênico que pareça ser o cenário pop atual, ele tem suas raízes inteiramente vinculadas ao movimento inaugurado pelo trio Roberto, Erasmo e Wanderléa. E da jovem guarda é possível colher frutos tão improváveis quanto a eletricidade dançante do trio Autoramas, as guitarras do La Pupuña, a autocrítica pop do Cabaret, o romantismo descarado do Cidadão Instigado, as melodias do Mombojó e o apelo direto de Lucas Santtana, além de toda a escola de rock gaúcho inaugurada pela Graforréia Xilarmônica, do carisma do pernambucano China e do tom confessional do Los Hermanos.

Um exemplo dessa influência direta está em Gabriel Thomaz, do Autoramas, que se reuniu com outros músicos de sua geração para, ao lado do tecladista Lafayette Coelho, reverenciar o período com a banda Lafayette e os Tremendões. Já China e alguns integrantes do Mombojó celebram a importância de Roberto Carlos com o grupo Del Rey. Trata-se de uma geração que cresceu ouvindo esse ritmo sem os preconceitos dos que, naquele período, o tachavam de música descartável ou rotulavam os músicos da jovem guarda de alienados políticos.

“Uma pitada sacana”
“Não sei se existe outro movimento nacional mais influente quando se fala em música popular. Todo mundo ouviu e tirou alguma coisa da jovem guarda, de Caetano Veloso ao brega paraense, de Amado Batista ao Autoramas”, explica Gabriel Thomaz. O gaúcho Frank Jorge, fundador da Graforréia Xilarmônica, concorda: “Foi ela quem trouxe o tipo de formação instrumental baixo, guitarra, bateria, voz e órgão, um novo enfoque para os arranjos”. O paulistano Curumin complementa: “Não consigo imaginar, por exemplo, o que teria acontecido com a tropicália, a psicodelia, o samba-rock e o rock dos anos 1980 caso a jovem guarda não tivesse acontecido”. Para Adriano Sousa, baterista da banda paraense La Pupuña, “o maior legado são as guitarras, os teclados do Lafayette e, claro, as letras, ingênuas mas com uma pitada sacana”.

Márvio dos Anjos, da banda Cabaret, teoriza: “Radicalizando, sem a jovem guarda o cenário pop do Brasil teria abraçado esse conceito babaca de linha evolutiva da MPB de raiz. Haveria rock, mas Cabeça Dinossauro [1986], dos Titãs, por exemplo, não seria precedido por canções deliciosas como Sonífera Ilha e Insensível. O Los Hermanos teria inaugurado a carreira com Bloco do Eu Sozinho [2001], e perderíamos Anna Júlia, que é a obra-prima deles. Sem falar o que devem a eles várias bandas do fim dos anos 1990, como Autoramas, e todo o rock gaúcho. Por outro lado, os caminhos de Rita Lee – com o Tutti-Frutti – e de Lulu Santos não teriam sido pavimentados por uma série de corinhos, e talvez eles fossem menos subestimados do que são por parte da geração atual. Enfim, o problema é que, com ou sem jovem guarda, o Brasil ainda é muito preconceituoso com a música adolescente. A galera quer ver maturidade em tudo e não repara que isso é coisa de velho”.

Já o compositor baiano Ronei Jorge pondera a extensão da influência da jovem guarda: “Não sei se dá para precisar o legado da jovem guarda na atual geração. Muitas coisas se passaram e se misturaram: tropicalismo, bossa nova, música cafona, mangue-beat etc.”. Kassin, que participa de projetos como o + 2 e o Artificial, além da banda Acabou la Tequila, pontua: “Acho que as gravações mudaram muito com a jovem guarda – a forma de orquestração, a introdução da guitarra. Isso abriu as portas para o que veio depois”. BC, guitarrista da banda brasiliense Móveis Coloniais de Acaju, complementa: “Houve um lado tecnológico, quando surgiram guitarras, baixos e amplificadores nacionais”.

Liberdades individuais
O fenômeno pop da jovem guarda deve-se em grande parte à expansão da cultura rock ’n’ roll pelo planeta, que estabeleceu um novo parâmetro para a música feita no Brasil. “A jovem guarda é a precursora do rock no país e tem um papel importantíssimo num conceito de rock sobre e para a diversão”, continua Márvio. “Hoje, o engajamento político está cada vez mais démodé, as democracias estão aí como queríamos, os movimentos sociais e as ONGs, mas o que a nossa geração quer mesmo são as liberdades individuais. A jovem guarda falava disso e virou referência, mesmo com uma rebeldia mais ingênua. ‘Manter a fama de mau’ para sair com mulheres, o sonho com o carro, a insatisfação com a ilegalidade dos prazeres ou com a rigidez da moral vigente”. Kassin emenda: “Para mim, aquelas músicas do Chico Buarque falando coisas pelas beiradas não faziam o menor sentido quando eu era adolescente. Minha reação era: ‘Por que ele não fala o que está pensando?’. Claro que hoje entendo melhor o período, mas a jovem guarda não precisava ser explicada”.

“Música emociona ou não emociona”, diz o cearense Fernando Catatau, guitarrista e líder do Cidadão Instigado. “As pessoas queriam ouvir canções politizadas no Brasil, então qualquer uma que não fosse assim parecia não ser legal. E na jovem guarda era tudo muito simples e puro”. Frank Jorge concorda: “Os tempos pediam posicionamentos. E eles diziam coisas que faziam sentido para eles e, é claro, para milhões de brasileiros. Podiam não ter uma postura política orgânica, engajada, mas a exerciam na prática”.

“Quase orixás”
Lucas Santtana cita uma música como exemplo da força do movimento: “Quero que Vá Tudo pro Inferno, de Roberto e Erasmo Carlos, já começa negando a tradição da canção popular brasileira ao indagar: ‘De que vale o céu azul e o sol sempre a brilhar?’. Símbolos que sempre foram orgulho nacional são postos à prova para no refrão culminar no que Fausto Fawcett chamaria de ‘puro-desabafo-egotrip-adolescente’: ‘Só quero que você me aqueça nesse inverno/E que tudo mais vá pro inferno’”. Gabriel concorda: “A jovem guarda reside no trio Roberto, Erasmo e Lafayette, e Quero que Vá Tudo pro Inferno tem o dedo dos três. É o som característico da jovem guarda”. “É uma obra-prima”, afirma China. “Como um artista consegue fazer sucesso com uma música que manda tudo pro inferno? É meio surreal se levarmos em conta todo o momento político da época.”

A dupla Roberto e Erasmo tem papel crucial nessa história: “É clichê falar deles como Lennon/McCartney, Jagger/Richards, mas a alimentação entre os dois, a provocação, as piadas internas, a competição e a busca por aprofundamento de caminhos musicais sem sair do pop os tornam artistas muito mais interessantes. Como se não bastasse o repertório”, lembra Márvio.

Lucas Santtana pontua que “a canção popular brasileira foi geneticamente modificada pela dupla e sua herança é nítida até hoje quando ouvimos artistas atuais como China, Ronei Jorge, Catatau, Rubinho Jacobina e Flavio Basso”. “Os dois são quase orixás”, arremata Kassin.