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Barroco psicodélico

Noite de gala para Marco Benvegnú nesta última terça-feira de junho no Centro da Terra, quando celebrou a primeira década do idiossincrático Passos Simples para Transformar Gelatina em um Monstro de seu grupo Irmão Victor em uma apresentação em grande estilo, subindo ao lado de outros dez músicos como se estivesse apresentando um concerto de seu próprio álbum. E de alguma forma estava: ao transformar sua apresentação em um recital com direito a teclado, sopros, duas guitarras e vocais de apoio, pode mostrar o disco que compôs quando estava de mudança de Passo Fundo para Porto Alegre dez anos atrás em um filme sonoro que vai muito além de rótulos como jazz, psicodelia ou rock gaúcho para um público que cresceu ouvindo este disco e tornou-se completamente obcecado por essa obra. Era toda uma geração apaixonada por um disco torto e difícil de se transformar em um show (ao menos quando foi concebido) vendo este Pet Sounds barroco de lisergia consanguínea de artistas como Júpiter Maçã e Of Montreal acontecer à sua frente, com arranjos seguidos quase à risca por uma banda formada por Theo Ceccato (bateria), Vicente Barroso (baixo), Max Huszar (teclados e samples), Thales Castanheira (guitarra), Jorge Zahar e Simone Julian (sopros) e Manuela Julian e Ananda Maranhão (vocais), regida por Marco e sua guitarra, que ainda contou com participações especiais de Juli Manfroi e Felipe Vaqueiro, tudo sob o olhar do neném enforcado mencionado em “O Famoso Ritual do Feto Suspenso”. E como o disco marcou uma nova fase em sua carreira há uma década, a transformação deste neste show é um outro passo importante para o gaúcho, que já reside em São Paulo há algum tempo. É uma apresentação que está pronta para pegar a estrada…

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Irmão Victor: 10 Anos de Passos Simples Para Transformar Gelatina Em Um Monstro

Imenso prazer de encerrar a safra de espetáculos de música no Centro da Terra este mês com a comemoração dos dez anos do primeiro disco do gaúcho Marco A. Benvegnú, que traz seu Passos Simples Para Transformar Gelatina Em Um Monstro para o palco do teatro com grande elenco. Equilibrando-se entre a psicodelia, o humor e a melancolia característicos do rock do Rio Grande do Sul com elementos extra como jazz de mentira, valsas e absurdo, o disco acompanhou sua mudança de Passo Fundo, no interior daquele estado, para a capital Porto Alegre. Nesta apresentação, ele conta com uma banda cheia de luminares da nova cena paulistana, como o baterista Theo Ceccato, a vocalista Manu Julian e o guitarrista Thales Castanheira, além da participação de Vicente Barroso (baixo), Jorge Zahar (clarone), Simone Julian (saxofone) e Max Huszar (vocais). O espetáculo começa pontualmente às 20h e ainda há ingressos à venda pelo site do Centro da Terra.

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Centro da Terra: Junho de 2026

Estamos chegando ao final do primeiro semestre do ano e estas são as atrações musicais que estarão em cartaz no Centro da Terra durante este próximo mês de junho. As segundas-feiras ficam com o grande Gustavo Galo, que aproveita o mês de seu aniversário para festejar na temporada Um Bis no Abismo, que começa na segunda segunda do mês porque este junho tem cinco segundas-feiras. No dia 8, ele celebra seu irmão de alma, o saudoso Luiz Chagas, numa noite que ainda em que será acompanhado por Biel Basile, Fábio Sá, Chicão e Gustavo Ruiz, quando cantará músicas de seu eterno chapa. No dia 15, ele traz sua nova banda Tudo a Ver (que conta com Juliana Perdigão, Bruna Lucchesi e Vitor Wutzki) numa noite dedicada à poesia que ainda contará com as presenças de Angélica Freitas, Fabricio Corsaletti, Dimitri Br e Marcelo Ariel.. No dia 22 ao lado de Peri Pane, viaja por suas subversões em português para músicas de Lou Reed, Patti Smith e Leonard Cohen, entre outros, quando também recebe os convidados André Mourão e Péricles Cavalcanti. A última noite da temporada não é numa segunda-feira por motivos de Copa do Mundo, e cai no primeiro dia do mês seguinte, quando chama a banda que já o acompanha há uma década (Pedro Gongon, Otávio Carvalho, Lucas Gonçalves e Tomás Gleiser) para mostrar músicas inéditas e relembrar de outras velhas conhecidas. A primeira segunda de junho (dia 1º) fica com o novíssimo grupo Lumia, formado por Marina Marchi, Júlia Toledo, Laryssa Alves, Miriam Momesso e Amanda Barbosa em uma apresentação chamada Quinteto. No dia seguinte, a primeira terça-feira do mês (dia 2), Leal sobe pela primeira vez no palco do Centro da Terra com um espetáculo intimista chamado Circulando, quando vem acompanhaado de Reyviton Lima, Rafael dos Santos e Fernanda Horvath. Na terça seguinte (dia 9) é a vez de Luna França voltar ao palco do teatro, desta vez em formato solo, e mostrando composições inéditas na apresentação batizada de Junto, quando começa a explorar o que será seu segundo disco ao lado de Arquétipo Rafa, Lê Veras e Melifona, com participações de Malu Magri, Ana Passarinho e Heloá Holanda. No dia 16, a dupla Triste, formada por Rafael Brasil (Far From Alaska) e Brenda Mayer (Call Me Lolla), faz sua estreia no palco em um show delicado e minimalista chamado De Perto. No dia 23, o violonista virtuoso Daniel Murray chega mais uma vez ao palco do Centro da Terra ao começar a desbravar o Universo Musical de Egberto Gismonti, título de seu novo espetáculo, dedicado a esmiuçar a complexidade melódica, harmônica e polirrítmica deste mestre, com quem já pode dividir o palco algumas vezes. E no último dia do mês o gaúcho Irmão Victor estreia no teatro comemorando os dez anos de seu primeiro disco Passos Simples para Transformar Gelatina em um Monstro, que será tocado na íntegra numa noite que ainda terá as presenças de Vicente Barroso, Thales Castanheira, Theo Cecato, Jorge Zahar, Simone Julian, Max Huszar e Manu Julian. Os espetáculos começam sempre pontualmente às 20h e os ingressos já estão à venda no site do Centro da Terra.

Distopia rural

Nesta terça-feira, o mineiro Clóvis Cosmo nos conduziu rumo a um futuro brasileiro decadente que pouco lembra as distopias recentes que nos atormentam pois não se passa na periferia ou em bairros de alto padrão de megalópoles e sim no campo. O Vastopasto conjurado por suas canções é o cerrado do planalto central completamente acinzentado pela monocultura agrícola ao redor das ruínas de uma nova capital de um império próximo, chamada de Uberaba 2. Reunindo um pequeno supergrupo indie para desbravar o realismo deprimente de seu universo ficcional, ele buscava a complexidade da música caipira tradicional, dissecando-a em canções ao mesmo tempo simples e rebuscadas no gênero que cunhou como prognejo, ao adotar características do rock progressivo e da música sertaneja. Além de receber o público com um aviso sonoro totalitário ainda nas escadas do teatro, Cosmo ainda empilhou os dejetos digitais num canto do palco, ao lado de uma bucólica chaleira numa fogueira, e entre o canto, as falas, a guitarra e a flauta, vinha seguido por metade da dupla Antiprisma Victor José na viola, da cozinha do grupo Oblomov (o baixista José Eduardo e o baterista João Queiroz), das teclas e efeitos de John Di Lallo e do próprio dono do projeto Irmão Victor, o gaúcho Marco Benvegnú, tocando sopros e percussão. Uma formação de peso para uma apresentação épica, que além de trazer momentos quase individuais – quando dividiu uma música apenas com Victor José ou quando trouxe os Oblomov para cantar uma moda acompanhados apenas de sua flauta -, terminou com todos ao redor da fogueira cênica, ouvindo Pena Branca e Xavantinho, um dos maiores nomes da história da música sertaneja, conterrâneos de Uberlândia do dono da noite. Loucura.

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