Mateus Aleluia: “Vejam que imagem tão bonita”

Mateus Aleluia e seu violão conduzem o filme Espíritos Sem Nome, produzido pelo Instituto Moreira Salles e que estreia nesta sexta-feira, ao meio-dia, no canal do YouTube do instituto. O velho tincoã canta sozinho e sua forte musicalidade é temperada pelo imaginário intenso da fotografia do baiano Mario Cravo Neto, tema de exposição que está em cartaz na sede carioca do IMS, onde foi gravada a apresentação, realizada sem público. São duas versões complementares e ancestrais sobre a Bahia, que se encontram num filme intenso e tocante. Dá pra assistir um trecho da apresentação abaixo.  

O acervo Millôr

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A boa notícia para os fãs de Millôr é que seu filho Ivan Fernandes, responsável pelo espólio do gênio brasileiro morto no ano passado, já começou o que chama de “profissionalização da gestão” de seu acervo, ao dividir a obra do pai na mão de gente que considera responsável o suficiente para lidar com tal legado. Conta Cristina Tardáguila, dO Globo:

Ivan dividiu em três partes o material que desde 1962 enche (de forma extremamente organizada) gavetas, estantes e armários no estúdio em que Millôr trabalhava — uma pequena cobertura em Ipanema. A partir de agora, tudo o que diz respeito aos mais de 120 livros assinados pelo autor de “Fábulas fabulosas” (1964), por exemplo, ficará sob a responsabilidade da agente literária Lucia Riff. Tudo o que tange à produção teatral — e aí entram mais de 80 peças escritas por Millôr, mas não necessariamente encenadas — correrá a cargo da Associação Brasileira de Música e Artes (Abramus). E a parte mais colorida do acervo — os desenhos, aquarelas e crayons, entre outros trabalhos que saltam aos olhos dos fãs — serão levados ao Instituto Moreira Salles (IMS), na Gávea. Além de armazenar e conservar cerca de sete mil itens, a instituição poderá organizar exposições e planejar novas publicações em torno do nome de Millôr.

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As fotos nesse post são de Mônica Imbuzeiro, dO Globo

— Tomei essa decisão porque jamais poderia cuidar de um acervo desse tamanho sozinho — explica Ivan, sentado próximo à mesa de trabalho e aos lápis de colorir de seu pai. — Admiro muito o esforço que herdeiros como o João Candido Portinari fazem, mas não quero ser como eles. Quero que a obra de meu pai seja preservada, mas não pretendo fazer disso minha vida.

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A melhor parte desta notícia é que o maior acervo do artista – sua produção visual – ficará a cargo do Instituto Moreira Salles, responsável pela preservação de acervos de outros monstros sagrados brasileiros, como por exemplo Paulo Mendes Campos, Pixinguinha, Chiquinha Gonzaga, Carlos Drummond de Andrade, José Ramos Tinhorão, Ernesto Nazareth, Elizeth Cardoso, Otto Lara Resende, Garoto e Mario Reis. O superintendente do Instituto Moreira Salles do IMS, Flávio Pinheiro, falou da presença de Millôr no Instituto, em entrevista ao Jotabê no Estadão:

“Ele é tão absolutamente excepcional que não inaugurará nenhuma ala no instituto, será apenas ele. É porque é o Millôr, um cara de exceção: um excepcional artista gráfico, que escrevia muito, que também produzia aforismos e haicais, que também era dramaturgo e um tremendo tradutor”

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A biblioteca de Millôr, no entanto, será doada aos amigos do artista. Diz o filho Ivan aO Globo:

Depois que o IMS levar as obras e todo o arquivo pessoal de meu pai, ficarão para trás as centenas de livros dele. Vou convidar os amigos, Ziraldo e companhia, para vir aqui e escolher o que quiserem levar. Papai ficaria feliz com isso.

Imagine essa biblioteca…

Dissecando “Gangnam Style”

Escrevi sobre o fenômeno K-pop no blog do IMS:

A esta altura do campeonato, você já deve ter sido atropelado por um vídeo em que um coreano de smoking azul dança como se estivesse cavalgando um cavalo dentro um estábulo – os cavalos do lugar apenas olham enquanto ele pula de pernas arqueadas e gira a mão acima da cabeça como se estivesse prestes a jogar um laço invisível. O protagonista não é um galã, muito menos jovem – mas sobra-lhe carisma, mesmo que nonsense. A música é dessas dance music mais genéricas possíveis, aquele conceito de “as dez mais da Jovem Pan” em que batidas eletrônicas são turbinadas como se tomassem anabolizantes, ficando largas e desproporcionais ao seu tamanho original. Como aquele carro que vara a madrugada com sua antissirene de graves e subgraves, passa no gás como um trio elétrico a cem por hora para sumir no horizonte. Por cima da base, o vocalista rapeia em coreano num refrão que culmina com a frase “Oppa Gangnam Style”, repetida várias vezes. Se você tentou visualizar, pode ter certeza que não imaginou algo tão bizarro quanto isso – tente assistir até o fim.

Continua .

Porque Newsroom é uma das melhores séries de 2012


Escrevi sobre a nova série de Aaron Sorkin, Newsroom, com Jeff Daniels no papel de sua vida, para o blog do Instituto Moreira Salles:

The Newsroom, badalada nova série de Aaron Sorkin, encerrou sua primeira temporada na semana passada (nos EUA, aqui ainda está pela metade, sendo exibida pela HBO) acertando dois alvos com uma mesma pedra. Primeiro, prova que é possível que o entretenimento moderno tenha um pingo de inteligência. Segundo, traz para a arena do showbusiness do século 21 um ponto de vista pouco ouvido (apesar das paranoias) – o da política progressista. Sempre do ângulo dos bastidores (desta vez de um telejornal), o festejado e premiado roteirista – e agora produtor – encerrou a primeira temporada de sua nova série mostrando que é um dos grandes nomes da cultura pop norte-americana deste século.

Continuo o texto lá no blog do IMS. E não custa esquecer, claro, Sloan Sabbith – Olivia Munn repórter de economia, que grande idéia!

FYI @ IMS

E por falar nisso, faz tempo que não falo da seção FYI do IMS por aqui, mas desde abril eu e a Helô mantemos a coluna com certa regularidade no blog do Instituto Moreira Salles, trazendo novidades de todos os lados – quase todas não associadas necessariamente às notícias, mas trazendo informação e conhecimento de outras áreas. Desde então já falamos da batalha de Kruger, sobre a poética das letras do hip hop brasileiro (em duas partes), sobre o direito de ficar calado, a íntegra de shows do Coachella e trechos do Sónar brasileiro deste ano, a moda para quem não é da moda, sobre a árvore de tweets da Rio +20, do tricô como manifestação artística, de como a presidência norte-americana é tratada pela TV daquele país, da viagem interdimensional do casal Eames, gifs animados do século 19, uma gafe da BBC, além dos obituários de Nora Ephron, Ray Bradbury e Dieter Fischer-Dieskau. Confere .

FYI: A cultura da aparência

Helô deixou o Link para ir para o Paladar, mas arrumamos um jeito de continuar nossa indefectivel parceria – e a partir dessa sexta, eu e ela assinamos a coluna FYI semanal no blog do Instituto Moreira Salles. Para começar, misturamos Lana Del Rey com Nigella com Instagram com Adele com Foodspotting para falar do lado bom de vivermos uma época de aparências:

Se a high society virou a Sociedade do Espetáculo e as redes sociais ajudam qualquer um a criar sua própria alta sociedade, é natural que a mudança de sentido do termo social venha acompanhada de uma preocupação exagerada com a aparência. Não que isso seja novidade na história da humanidade. Índios botocudos aumentavam os lábios, as mulheres gir afa da Birmânia alongam o pescoço e todo mundo se olha no espelho antes de sair de casa. Mas estamos assistindo a uma evolução da consciência da aparência que vem alinhada à possibilidade de mudar drasticamente como nos vemos e somos vistos – além de acompanhar a repercussão dessas mudanças quase instantaneamente.

Continua lá.

Herzog 3D

Dica para os cariocas: o Instituto Moreira Salles exibe o filme 3D de Herzog – A Caverna dos Sonhos Perdidos, filmado na gruta de Chauvet – neste fim de semana. O filme só foi exibido no Brasil uma vez esse ano, na Mostra de Cinema de São Paulo.

Os horários das sessões – desse e de outros filmes de Herzog, que só melhora à medida em que envelhece – podem ser vistos aqui. Bem que o IMS podia fazer uns sessões dessas aqui em São Paulo, hein…

Todo o show: Acabou Chorare inteirinho ao vivo, com Moraes Moreira e Davi Moraes

Também conhecido como “o melhor disco de todos os tempos”, mas a voz do velho Moraes não tá lá essas coisas… Será que a gente vai ver esse clássico tocado ao vivo com seus próprios protagonistas?

Cortesia do Instituto Moreira Salles.