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Inferninho em dia de chuva

A chuva deste domingo reduziu o público do Inferninho Trabalho Sujo no Redoma mas não a empolgação das bandas – inclusive de várias que vieram apenas ver os shows das que tocariam naquela noite. Os Fadas e a Schlop mostraram músicas novas e velhas numa noite em que o indie rock foi a régua estética. A noite começou com os Fadas mostrando tanto músicas de seu primeiro EP Sono Ruim quanto canções novas que ainda devem lançar este ano, mostrando como o entrosamento entre as guitarras estridentes de Anna Bogaciovas e Gabriel Magazza, o baixo marcado e sinuoso de Rafael Xuoz e a bateria na cara de Augusto Coaracy já cria uma sonoridade característica do grupo, além do fato de todos cantarem. E entre as músicas novas, destacaram “Mamata”, composta por Anna, que voltou a ser tocada quando pediram pra banda tocar mais uma.

Depois foi a vez de Isabella Pontes subir com seu Schlop no palco do Redoma e mostrar tanto as músicas de seu disco de 2023 (Canções de Amor para o Fim do Mundo) quanto do EP que lançaram no ano passado (Senhoras e Senhores, Cachorros e Madames). Acompanhada da guitarra clássica de Lúcia Esteves, do baixo pronunciado de Alexandre Lopes e da bateria marcante de Antonio Valoto, Bella mostrou todo sua crítica ácida e sua verve cronista em canções comezinhas e rotineiras, incluindo a já clássica versão paulistanizada para “New York I Love You But You’re Bringing Me Down”, do LCD Soundsystem, enquanto zunia com sua guitarra e testava um novo brinquedo, ao trazer um sintetizador para o palco. Foi demais.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Schlop e Os Fadas

Que tal um Inferninho num domingo? É isso que vai acontecer nesta semana, quando mais uma vez invado o Redoma para mostrar as novas bandas que estão surgindo nesta década, reunindo dois reincidentes da festa que vagam entre o rock clássico e o indie rock com boas doses de referências brasileiras. Quem abre a noite é o quarteto Os Fadas, banda formada por Anna Bogaciovas (vocal e guitarra), Augusto Coaracy (bateria e voz), Gabriel Magazza (vocal e guitarra) e Rafael Xuoz (vocal e baixo), que tocam entre a melodia e o ruído, trazendo canções de seu EP Sono Ruim, lançado em 2023, e outras inéditas. Em seguida entra o Schlop, projeto musical da multiartista Isabella Pontes, que leva suas antigas gravações caseiras ao lado de Lúcia Esteves (guitarra), Alexandre Lopes (baixo) e Antonio Valoto (bateria), mostrando as composições irônicas e afiadas dos discos Canções de Amor para o Fim do Mundo (2023) e Senhoras e Senhores, Cachorros e Madames (2024). Discoteco antes, durante e depois dos shows, que tem ingressos mais baratos para quem comprar com antecedência neste link. O Redoma fica na Rua Treze de Maio, 825A, no Bixiga. Vamos?

Inferninho atípico

Inferninho Trabalho Sujo atípico (ao menos para mim) nessa sexta-feira no Picles, a noite serviu para extravasar tensões com a sequência da banda CØMA seguido das minas da Crime Caqui. O primeiro grupo, projeto pós-punk inventado pela baterista Bianca Godói e pelo guitarrista Guilherme Held, está cada vez mais coeso e intenso, com Otto Dardenne solto nos vocais, improvisando sobre letras dadaístas, Joana Bergman e Danilera se entregando nos synths enquanto Rubens Adati segura o groove kraut quase ininterrupto no baixo. Uma apresentação quente de um grupo cada vez mais promissor.

Depois foi a vez da Crime Caqui subir no palco do Picles para mostrar seu groove dreampop que também tem um pezinho no pós-punk embora seja mais suave que agressivo, deixando o público hipnotizado com suas ondas que misturam a doçura psicodélica de guitarras e vocais entrelaçados com o groove hipnótico do orgulho sapatão. As minas mostraram músicas novas e chamaram a Grisa, que já tinha tocado no Inferninho, para participar de uma música e cantar sozinha a faixa-título de seu primeiro álbum (Geografia de Lugar Nenhum), que já existe fisicamente mas ainda não está disponível nas plataformas. Depois foi a vez de reencontrar-me com a Fran e discotecar junto com ela quase um semestre depois da última vez, matando saudades e deixando a poeira mental baixar enquanto a pista enchia de forma quase sempre improvável. Valeu demais!

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Crime Caqui e CØMA

Tá com saudades do Picles? Eu tô! E de discotecar com a Fran então? Faz teeeempo… Mato essas saudades neste sábado, dia 24 de janeiro, quando faremos o primeiro Inferninho Trabalho Sujo de 2025 em nossa casa de origem com a participação de duas bandas do coração, as queridas Crime Caqui, que não vejo ao vivo desde antes da pandemia, quando a banda havia acabado de começar, e os novíssimos CØMA, projeto pós-punk do guitarrista Guilherme Held com a baterista Bianca Godói que conta com algumas figurinhas carimbadas da cena underground paulistana na formação. E depois dos dois shows é a vez de discotecar com a Fran aquela mistureba de R&B do começo do século com MPB dos anos 70, rock da década seguinte e música pop dos anos 20 que não deixa ninguém parado! O Picles fica no número 1838 da rua Cardeal Arcoverde, no coração do canteiro de obras conhecido por Pinheiros, e abre as portas a partir das 20h – mas chega cedo que o primeiro show começa às 21h30! Vamos?

Inferninho Black Lodge

Calhou de fazer o primeiro @inferninhotrabalhosujo no Porão da @casadefrancisca no mesmo dia em que David Lynch foi para o plano imaterial e o cenário não poderia ser mais adequado para celebrar a importância do mestre, com pesadas cortinas vermelhas e o ladrilho contínuo do chão da casa transformando o Inferninho num black lodge involuntário. Pois essa bênção etérea deu o tom da noite, que começou com o primeiro encontro público de Olívia Munhoz e Sophia Chablau no projeto Lembrancinha, em que as duas cantarolaram suas respectivas canções abusando de efeitos elétricos nas guitarras e nos pedais, alternando entre a melodia e o noise com direito a respectivos momentos solo, quando uma deixava o palco para a outra brincar sozinha. Tudo sob a supervisão sônica da carabobina Alejandra Luciani, terceiro elemento (ainda) invisível do projeto, que de vez em quando chegava perto do palco para fazer suas intervenções. A noite continuaria com o show frenético do Ottopapi.

Depois foi a vez de Ottopapi invadir aquele black lodge. Prometendo gravações de suas canções ainda para esse ano, ele reforçou que suas jovens hinos underground (“Bala de Banana”, “Controle”, “Pó Poeira”, entre outras joias) só podem ser ouvidos em seus shows e acompanhado por um quinteto de ouro (Thales Castanheira, Vitor Wutzki, Gael Sonkin, Bianca Godói e Danilera) conseguiu ligar a química do Inferninho ao fazer o público, que estava assistindo ao show anterior sentado, levantar e dançar juntos esse rock de linhagem velvetundergroundiana, puxando a linhagem nova-iorquina de um rock paulistano que vai ser bastante ouvido em 2025. A noite seguiu essa linha na discotecagem que eu, Pérola e Bamboloki fizemos juntos – e que mais tarde descambou até pra latinidades, numa primeira edição quente do Inferninho na Casa de Francisca. Quem foi sabe.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Ottopapi e Lembrancinha (Sophia Chablau + Olívia Munhoz) no Porão da Casa de Francisca!

E o primeiro Inferninho Trabalho Sujo de 2025 acontece num lugar em que nunca discotequei antes: no Porão da Casa de Francisca! E com duas atrações novíssimas, uma delas apresentando-se pela primeira vez. A noite começa com a dupla inédita Sophia Chablau e Olívia Munhoz que reúnem-se no palco pela primeira vez com o nome de Lembrancinha, misturando canções com improvisos noise numa mistura que só elas (e talvez nem elas) saibam o que pode acontecer. O segundo show é do Ottopapi, um dos capos da gravadora indie Selóki Records que está prestes a fazer sua estreia em disco. Ele vem acompanhado de uma banda formada por Thales Castanheira e Vitor Wutzki (guitarras), Bianca Godói (baixo), Gael Sonkin (bateria) e Danileira (Sintetizador) e mostra músicas que estão aos poucos entrando no subconsciente da noite indie paulistana, entre elas o hit “Bala de Banana”. E como vou aproveitar para comemorar meu aniversário no evento, convidei outras duas capri – as queridas Pérola Mathias e Bamboloki – para celebrar a noite discotecando comigo. A Casa de Francisca fica na Rua Quintino Bocaiúva, 22, do lado da Sé, a festa começa a partir das 20h e os ingressos já estão à venda neste link, vamos?

Enquanto isso, em Brasília…

Usei a desculpa do natal em família para visitar minha outra família, chamada Brasília, essa cidade fantástica que é sempre minimizada por ser a sede administrativa do governo. Projeto artístico modernista do tamanho de uma cidade, Brasília não só representa o ápice da utopia brasilianista do século vinte como aponta para o terceiro milênio como uma nova urbe, tanto em formato e fisicalidade (com prédios só com seis andares de altura, o Plano Piloto flutua num céu interminável que imediatamente impacta na vida de quem pode cresceu neste ponto central do continente, equidistante entre dois oceanos) quanto na qualidade cívica de quem nasce aqui (que quase sempre é confundido pelos que veem para cá com os votos de todo o Brasil, o que causa a má impressão da cidade para o resto do Brasil – um trágico espelho que o país não gosta de ver). E quis o destino que esse reencontro no início de um verão acontecesse sob a égide do Inferninho Trabalho Sujo, que mira na utopia musical do agora, ao lado de dois dos melhores acontecimentos da cidade: os shows solo de Guilherme Cobelo e Gaivota Naves, respectivamente pai e mãe do clã Joe Silhueta, genealogia que se espalha pela cidade misturando as pontas mais jazz da MPB à psicodelia do sertão brasileiro e um apreço pela vanguarda musical – e ainda por cima na Infinu, referência de qualquer artista de médio porte ao passar por aqui desde o fim da década passada. Gaivota abriu a noite como um furacão abstrato, atraindo camadas de jazz, funk, rock progressivo e psicodélico misturado por uma banda absurdamente entrosada, com Omar Azul numa guitarra e Vinícius Faraco na outra, Luís Porto no baixo, Sombrio da Silva no clarinete e clarone e Leo Sena na bateria passando quase todo o disco solo da Gavs, que será lançado no ano que vem, na íntegra, além de contar com uma versão absurda de “A Morte de um Deus de Sal” dedicada a Airto Moreira e misturada com “Noite de Temporal” de Dorival Caymmi, com Gaivota crescendo metros de altura e colocando todo o público que lotava a Infinu no bolso com seu vocal e performance gigantes. Absurdo!

Depois foi a vez de Guilherme Cobelo de finalmente lançar ao vivo seu disco solo Caubói Astral, idealizado há quase uma década e que ficou engavetado por anos enquanto um outro projeto, menor e feito quase no improviso, crescia no final da década passado, quando o que seria um projeto solo com outro pseudônimo acabou tornando-se sua principal banda, o Joe Silhueta. Caubói sairia no fatídico ano pandêmico, o que acabou adiando sua estreia em quase quatro anos, quando finalmente Cobelo pode trazer aquelas canções embriagadas na psicodelia nordestina e na musicalidade do sertão brasileiro que dão origem ao personagem que batiza o disco, produzido pelo lendário Munha, capitão da errática nau chamada Satanique Samba Trio. O trabalho foi testado ao vivo algumas vezes com diferentes formações e finalmente viu seu lançamento de fato no Inferninho Trabalho Sujo realizado neste sábado na Infinu trazendo sua voz e violão à frente de uma bandaça que conta com Jota Dale (guitarra), André de Sousa (baixo), o mesmo Sombrio que acompanhou Gaivota (e também toca na Joe, tocando clarinete e agora acordeão), Dinho Lacerda (bateria) e Mariano Toniatti (percussão). O lançamento o permitiu finalmente cutucar um repertório que já vem trabalhando há alguns anos, mais pop e menos agreste, como a excelente “Asa Soul”, em que canta as andanças por Brasília como poucos já fizeram, apontando para um 2025 promissor. Depois, eu e os compadres Kelton e Ivan Bicudo terminamos a noite discotecando para os sobreviventes, chegando no ápice em que “Feel it All Around” do Washed Out encontrou-se com “Kaputt” do Destroyer, para encerrar um sábado mágico.

Assista abaixo:  

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Guilherme Cobelo e Gaivota Naves

Retorno para minha terra-natal neste fim de semana para realizar o primeiro Inferninho Trabalho Sujo fora de São Paulo e também o último do ano. E que maravilha poder dividir essa noite com artistas que são compadres e comadres desse nosso cerradão. A noite marca o lançamento ao vivo do primeiro disco solo de Guilherme Cobelo, vocalista da Joe Silhueta, que finalmente traz ao mundo seu Caubói Astral, que vem matutando há uns bons anos. Quem abre a noite é a maravilhosa Gaivota Naves, que também é vocalista da Joe e que também mostra sua faceta solo. Eu discoteco logo depois ao lado de dois monstros sagrados: Ivan Bicudo, da mítica festa Toranja, e o grande Kelton (que também está com um trabalho solo engatilhado…). A festa acontece neste sábado, dia 21, na já clássica casa Infinu, que fica na 506 da W3 sul, ao lado Praça das Avós, e os ingressos já estão à venda online neste link (que é mais barato do que comprar na hora). Vamos?

A roupa nova dos Pelados

Não sei como tá a correria de fim de ano aí do seu lado, mas por aqui nunca vi um dezembro tão intenso, seguido da sensação de que o fim do ano começou em agosto (!), e essa insanidade de tempo, trânsito e tensão me fez perder o show da Bufo Borealis, que abriu a última edição do Inferninho Trabalho Sujo do ano em São Paulo, mas felizmente peguei o show da Pelados, fácil fácil minha banda brasileira favorita atualemnte, que aos poucos começa a abrir caminho para o próximo passo em suas carreiras, ao lançar o sucessor do formidável Foi Mal. Vincete Tassara, guitarrista da banda – e tecladista da Bufo, responsável por reunir suas duas bandas naquela noite que era seu próprio festival pessoal, o Viçafest -, já deu a letra que aquele é um dos últimos shows dessa fase e eles colocaram isso em prática nessa quinta mesmo ao tocar todo o disco na íntegra sem abrir espaço para as músicas do disco anterior. Em vez destas o grupo começou a mostrar suas roupas novas, trazendo músicas que estarão em seu segundo disco, que ainda nem têm título: uma com um refrão que fala sobre “as cores da Enel desmancham no papel”, uma bilíngüe e bipolar em que a vocalista Manu Julian canta que perdeu “todo o controle”, se acabando para mostrar que é uma das melhores cantoras de São Paulo hoje, e a terceira, “Modrich”, já conhecida pelos fãs dos shows que têm feito. E tão legal quanto ver a banda cada vez mais entrosada (é empolgante perceber a química entre os primos Manu e Vicente, o baterista Theo Ceccato esmurrando seu instrumento como um stooge, a baixista Helena Cruz quase uma Tina Weymouth abrasileirada entre o groove do samba-jazz e linhas angulosas pós-punk e Lauiz soltando ondas sintéticas enquanto faz piadas infames com um sorriso onipresente no rosto) é assistir ao público complementar a apresentação, berrando refrões, se acabando de dançar, abrindo rodas de pogo e gritando o nome da banda em uníssono. A noite terminou com uma versão Sonic Youth sem freio de uma das minhas músicas brasileiras preferidas da década, o épico indie “Yo La Tengo na Casa do Mancha”, que a banda esticou por mais de dez minutos de improv noise. Depois eu e Bamboloki seguimos o clima indie hits da noite misturando Charli XCX com Beck, aquela versão de “Voyage Voyage” em espanhol, mixando “Smalltown Boy” com “I Feel Love” e os nove minutos de “Marquee Moon” do Television, mantendo a pista cheia o tempo todo. E isso numa quinta-feira! Foi o último do ano em São Paulo (tenho novidades ainda sobre 2024 semana que vem) e o próximo acontece no dia 24 de janeiro, por isso já marca aí na agenda, porque em 2025 o Inferninho vai queimar ainda mais!

Assista abaixo:  

Inferninho Trabalho Sujo apresenta Bufo Borealis e Pelados – de graça!

E vamos encerrar mais um ano de Inferninho Trabalho Sujo nessa quinta-feira, quando retorno ao bom e velho Picles para receber duas bandas queridas que teriam se apresentado no mês passado caso a prefeitura de São Paulo não estivesse disposta a sabotar a própria população. Em um dos dias de blecaute que a cidade viveu recentemente, Bufo Borealis e Pelados se apresentariam no intenso sobrado no coração de Pinheiros no que seria a primeira edição do Viçafest, pois ambos grupos contam com Vicente Tassara na formação, que aproveitava a ocasião para coemmorar seu aniversário. Mas mesmo que a prefeitura e a Enel tenham lutado contra o Viçafest acontece nesta quinta-feira, dentro do Inferninho Trabalho Sujo e o melhor é que se você chegar antes das 22h não paga para entrar (só tem que retirar seu ingresso online antes neste link). O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde e depois dos dois shows assumo a pista com a minha cúmplice caótica Bamboloki para nos despedirmos de 2024 em grande estilo. Vamos?