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Dois extremos do rock independente

O Inferninho Trabalho Sujo dessa sexta-feira foi um acontecimento daqueles. A começar pelo encontro histórico dos Irmãos Panarotto com a banda Tutu Naná, trazendo conjuntamente a maluquice do rock de Chapecó num mesmo palco. Duas formações e gerações completamente distintas, os dois se encontram na encruzilhada do rock desenfreado com o humor nonsense e a jovem banda ficou como escada para as canções dos patronos do Repolho, essa instituição do indie brasileiro que atravessa décadas incólume, deixando suas experimentações de noise com jazz brasileiro para recolher-se às bases do repertório da dupla, quase sempre equilibrando-se entre a Jovem Guarda e o rock gaúcho – com direito ao baterista Fernando Paludo fazendo cosplay de Peter Criss, do Kiss. O happening subiu mais um degrau quando chamaram Tatá Aeroplano para participar da zona e o bardo paulista sintonizou o man Júpiter Maçã, quando cantaram juntos “Eu e Minha Ex” e uma canção-tributo à estátua do paladino da psicodelia gaúcha em Chapecó que metamorfoseou-se em “Ando Meio Desligado”, dos Mutantes. Que delírio.

Depois foi a vez da banda amazonense Jambu mostrar como já estão bem ambientados em São Paulo, a ponto de lotar a casa de fãs cantando todas suas músicas – e pedindo outras que eles nem lembravam como tocar. Lançando o EP Cartas Que Escrevi Enquanto Sonhava ,a banda formada por Gabriel Mar na guitarra e vocal, Yasmin Costa no vocal e bateria, Gustavo Costa no baixo e Roberto Freire na guitarra solo – como esmerilha o instrumento, esse cidadão! , o grupo tem uma química impressionante e botou todo mundo pra cantar, inclusive as músicas recém-lançadas. Com influências de rock brasileiro dos anos 80, indie rock e emo, o grupo segue trilhando sua escalada pop e tende a crescer ainda mais. Depois eu e a Fran esticamos a madrugada até onde pudemos, numa noitada como há muito não fazíamos no Picles – sexta-feira, né?

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Jambu e Irmãos Panarotto com Tutu Naná @ Picles (5.6)

Olha esse Inferninho Trabalho Sujo dessa semana, que acontece no Picles e reúne duas extremidades da música independente do país numa sexta-feira daquelas! Quem começa a noite são os magos Irmãos Panarotto, lendas-vivas do indie brasileiro que capitaneavam a histórica banda Repolho a partir de Chapecó e reúnem-se aos conterrâneos e velhos conhecidos da festa Tutu Naná para uma apresentação épica! Depois é a vez dos amazonenses Jambu estrearem na festa misturando indie rock e rock de garagem. E a noite termina comigo e com a Fran fazendo todo mundo dançar sem parar quando discotecamos até altas. E quem pegar o ingresso online e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar. Os ingressos já estão à venda. Vamooooos!

Viagens eletrônicas!

Duas viagens eletrônicas nesta quinta-feira no Inferninho Trabalho Sujo no Picles. A primeira começou com a dupla Pão de Ló, formada pela dupla de cientistas malucos da Tubo de Ensaio Lorenzo Zelada e Lorena Wolthers. Lorenzo deixa a guitarra de lado para dedicar-se apenas aos synths que monta, enquanto Lorena derrama-se pelos teclados e synths, além de tocar uma guitarra com baquetas e soltar alguns vocais esporádicos. O clima psicodélico e eletrônico vem de bases techno e electro que logo são convertidas em loops hipnóticos em que efeitos sonoros deslizam para deleite da noite. Nesta sua segunda apresentação ao vivo, a dupla ainda contou com a participação de dois cúmplices: Gibaa, que tocou um theremin fabricado em casa acoplado a alguns pedais de efeitos, e Gabriel Golfetti, ex-Stratus Luna, que assumiu o baixo e efeitos para encorpar ainda mais a loucura da dupla. Trip pesada!

Depois foi a vez da também recém-formada Canaflash FX, formada por Charlie Tixier e Lello Bezerra, que funde os beats do primeiro, tocados numa MPC em chamas, e os riffs em loop do segundo, que, por mais que caiam nas raias do improviso livre, mantém-se preso ao ritmo ditado pelo beatmaker, que puxa mais pra pista de dança do que para a abstração sonora, deixando tudo muito aterrado e sacolejante. Enquanto Charles esbalda-se enfurecidamente (mas sempre com um sorriso no rosto e sem parar de dançar) na bateria eletrônica, Lello vai abrindo frases melódicas que se repetem em outras frases, abrindo parênteses musicais com outras melodias, que ecoam tanto as guitarras do Mali quanto levadas caribenhas e nordestinas, que vão ao delírio psicodélico à medida em que vai cortando o tempo e acelerando tudo com o ritmo – tocando a guitarra com as mãos e com os pés, que não param de acionar os pedais. O mais legal é ver os dois claramente se divertindo com essa parceria recém-descoberta. Delírio!

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Canaflash Fx e Pão De Ló @ Picles (21.5)

Na quinta, dia 21, o Picles vai fritar com uma edição eletrônica do @inferninhotrabalhosujo, quando reunimos duas duplas que se apresentam pela primeira vez na festa. A noite começa com o duo Pão de Ló, experimento de fritação synth formado por dois lokis da Tubo de Ensaio, Lorenzo Zelada e Lorena Wolthers, que mergulham nos sons sintéticos pra todo mundo viajar bonito. Depois é a vez de outro experimento elétrico, mas formato por beats, efeitos e guitarra, quando o guitar hero Lello Bezerra une forças com o produtor Charles Tixier, que fazem todos dançar com seu recém-formado Canaflash FX, em que grooves latinos sintéticos misturam-se com riffs em loop e não deixam ninguém parado! E depois dos dois é a vez de eu e a Fran seguirmos com a pista de dança até altas madrugadas. Lembrando que quem pegar o ingresso online e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar! Vamos?

Ótima sexta

Sexta-feira surpreendente na Porta Maldita, quando tivemos três estreias na edição desta semana do Inferninho Trabalho Sujo. A noite começou doce e delicada com o folk da dupla Nalu & Annina, grata surpresa acústica e com sensibilidade musical para unir universos musicais distintos como Adrianne Lenker (“Not a Lot, Just Forever”), Simon & Garfunkel (“Kathy’s Song”), Beto Guedes (“Amor de Índio”), Neil Young (“Harvest Moon”), Lô Borges (“Como o Machado”) e Milton Nascimento (“Mistérios”) que soavam gêmeos a partir de sua conjunção vocal e leveza de vozes. Acompanhadas pela quieta e habilidosa Lorena Braco ao violão, as duas ainda mostraram músicas próprias que, apesar de pertencer ao universo que descortinaram com as canções alheias, têm personalidade distinta o suficiente para referendar um trabalho autoral em construção. No final do show ainda convidaram a amiga Lígia de Castro e o duo vocal virou trio para uma versão maravilhosa para “These Days” que Jackson Browne compôs com 16 anos e que ficou eternizada pela Nico, além de um bis em cima de outra joia, “Desenredo”, de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro. Fizeram bonito e estão prontas.

Depois de Nalu & Annina a festa seguiu com um dos pés em Minas Gerais, mas sai a delicadeza folk para entrar o peso jazz rock da banda Caruma, liderada pelos compositores Tom dos Reis (vocais e baixo) e Pedro Caldeira (vocais e guitarra), que já começou o show, ainda que na brincadeira, usando “Don’t Let Me Down” pra mostrar a dupla formada à frente do grupo, que ainda conta com sopros de Ma Vettore (flauta), Vinícius França (sax) e Daniel Gerecht (sax e flauta) e a bateria absurda de Tommy Coelho. Mas a canção dos Beatles acidental foi só pra esquentar os instrumentos e começar a tocar sério. E põe seriedade nisso porque quando entram no território que estão mapeando como seu (e só tocaram músicas autorais), criam um universo sonoro particular a ponto de incluir todo o jazz mineiro descendente do Clube da Esquina (dá pra ouvir de Toninho Horta a Novelli, passando por Beto Guedes, Tavito e Flávio Venturini) mas misturando com linhagens de rock progressivo que passam pelas vertentes brasileiras (Mutantes fase Sérgio, Som Imaginário, Moto Perpétuo e Terreno Baldio) e estrangeiras (e de todo tipo, indo de Rush a King Crimson, passando por Geneis e Yes). E além da verve instrumental de todos os integrantes, destaca-se o entrosamento dos dois compositores, tanto em termos vocais quanto instrumental, e o baixo inacreditável de Tom, que é puro carisma tanto quanto canta quanto quando toca. A banda tá prontinha, só decolar!

E a noite de sexta fechou com Pra Sempre Pepito, projeto autoral do guitarrista Pedro Amaro, o próprio Pepito, que também é baterista da banda Florextra (que inclusive já tocou no Inferninho). Lançando seu EP A Vida é Muito Vibes, ele equilibra-se entre a seriedade e a ironia com o mesmo senso lúdico e bem humorado que desafia um meio-termo entre o indie rock e o jazz pop, com o auxílio luxuoso de uma banda formada por Pedro Abujamra (teclados), Toti Villares (sax), Ma Vettore (que estava tocando flauta no Caruma e agora assumiu o baixo) e Luigi Delphino (bateria). Tocando inéditas e uma (ótima) música instrumental, encerrou a noite colocando o astral lá em cima, numa sexta-feira muito, como ele mesmo diz, ~ vibes ~.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Nalu & Annina, Pra Sempre Pepito e Caruma @ Porta Maldita (15.5)

A próxima edição do Inferninho Trabalho Sujo acontece nesta sexta-feira, dia 15, quando reunimos na Porta Maldita as bandas Caruma, Pra Sempre Pepito e a dupla Nalu & Annina, todos fazendo suas primeiras apresentações na festa. A Porta Maldita fica no número 400 da rua Luiz Murat, em frente ao cemitério de Pinheiros, abre a partir das 20h e os ingressos já estão à venda. Vamos?

Duas estreias numa mesma sexta-feira

Na edição desta sexta-feira do Inferninho Trabalho Sujo no Redoma, duas atrações estrearam na festa mostrando seus primeiros trabalhos solo. A noite começou com uma versão reduzida do show de Joni, que em vez de trazer sua banda completa, optou por ele mesmo tocar guitarra enquanto cantava e contar com as participações do baterista Biel Moreira e da tecladista Priscila Rosa, com um repertório inteiro autoral de canções que vão do R&B moderno ao soul clássico, com toques de samba e uma pitada de rap.

Depois foi a vez de Lara Zanon mostrar as canções de seu primeiro disco pela primeira vez ao vivo, no palco do Redoma. Acompanhada de Laura Mendes (vocalista da banda Nevoara), do próprio Joni que abriu a noite na guitarra, do baixo de Rafaela Reoli (que também toca na Malvada) e da bateria de Thamires Miranda, ela preferiu não tocar todo seu álbum Venusa – que, ainda em fase de mixagem, deve chegar às plataformas nos próximos meses – e passear por canções de outros autores mostrando a amplitude de suas influências, passando pela banda Zimbra (“Breve”), por Sophia Chablau e Uma Enorme Perda de Tempo (“Segredo”) e Paramore (e justo duas pra deixar escancarada sua principal referência, “(One Of Those) Crazy Girls” e “Parachute”). Revezando-se entre o teclado e à linha de frente do palco, ela esbanjou voz, carisma e está pronta para mostrar seu primeiro trabalho.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Lara Zanon e Joni @ Redoma (1º.5)

O próximo Inferninho Trabalho Sujo acontece na sexta que vem no Redoma, quando a cantora Lara Zanon mostra seu primeiro álbum, Venusa, com influências de Fiona Apple e Hayley Williams, antes de seu lançamento. E para começar a noite, ela chamou seu amigo Joni, que vem do R&B, para fazer o show de abertura. Como sempre, discoteca antes, entre e depois dos shows. O Redoma fica na Rua Treze de Maio, 825-A no Bixiga e a casa abre a partir das 21h. Quem vem? Os ingressos já estão à venda.

Indie paulistano em dois tempos

Duas instâncias do novo indie rock paulistano passearam pelo Inferninho Trabalho Sujo nesta quinta-feira, no Picles. A noite começou com Isabella Sartorato subindo pela segunda vez no palco da festa e a evolução desde a primeira apresentação, em novembro do ano passado, quando fez seu primeiro show autoral da vida, pode ser traduzida pelo fato de que ela não só está lançando seu primeiro single (a grudenta “Os Meninos”, com a qual encerrou o show) como deixou de assinar com seu próprio nome, batizando a banda que a acompanha (formada, nesta ocasião, pelo baterista João Vítor Aredes, pelo baixista Fran Nogueira e pelo guitarrista João Di Pierro), com o nome que seus amigos se referem a ela, Isinha. E além da presença de palco que ela vai afiando aos poucos e de sua exímia condução musical do grupo através de seu instrumento (que ela domina), ela vai mostrando as pérolas pop que atravessam seu repertório e misturam indie rock, rock pesado com nu metal e música pop sem que isso soe indigesto como a descrição. A salada musical pode ser resumida pelas versões que ela escolheu para tocar no bis, quando deixou a guitarra de lado para cantar “Territorial Pissings” do Nirvana e “Meiga e Abusada” da Anitta.

Depois foi a vez da Celacanto voltar ao palco do Picles mais uma vez para comemorar o aniversário de seu disco de estreia, Não Tem Nada Pra Ver Aqui, e é muito bom ver como a banda formada por Miguel Lian (guitarra e vocal), Eduardo Barquinho (guitarra e acordeão), Matheus Costa (baixo) e Giovanni Lenti (bateria) está cada vez mais entrosada e como estão perdendo o pudor de tocar alto, o que abre uma nova dimensão para a amplitude musical de suas canções. Com o público cantando várias músicas junto, o quarteto ainda mostrou algumas músicas novas que estão trabalhando para um lançamento futuro, mas que ainda não está em seu horizonte prático. Showzão.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Isabella Sartorato e Celacanto @ Picles (23.6.2026)

O próximo Inferninho Trabalho Sujo vai acontecer no Picles e ainda demora um tempo pra acontecer, mas já deixa anota aí na agenda porque dia 23 de abril vamos reunir a banda de indie-prog Celacanto com o trabalho indie pop de Isabella Sartorato, que deve ter novidades até a semana do show. Os ingressos já estão à venda e se você já reservar o seu online e chegar antes das 21h30 não paga pra entrar! Depois dos shows, eu e Francesca incendiamos a pista do sobrado mais freestyle daquele canteiro de obras chamado Pinheiros. Os ingressos já estão à venda. Vamos!