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Carnaval fritação

Uma segunda de Carnaval tão improvável quanto insana – assim foi o Inferninho Trabalho Sujo na Porta Maldita, quando reunimos duas amostras da melhor nova fritação musical paulistana atualmente. A noite começou com o prog jazz do Besta Fera, que reúne dois integrantes da Mee – o guitarrista Arthur Sardinha e o baterista João Pedro Dentello – ao tecladista André Damião e ao baixista absurdo Tom dos Reis, encontrando uma incerta encruzilhada instrumental entre o jazz funk, o prog metal e o fusion, com tempos quebrados e timbres pesados. E pensar que era só o começo da noite…

Depois veio o sexteto Pé de Vento, segundo show do baixista Tom dos Reis na noite, quando ele tocou ao lado do baterista Tommy Coelho, desta vez tocando guitarra, do impressionante Antonio Ito na batera, do ás das teclas Pedro Abujamra, o violão preciso de Arthur Scarpini e os sopros – e o carisma irrefreável – de Leonardo Ryo. Jazz brasileiro com “a” aberto e “j” maiúsculo, o grupo passeia por composições instrumentais próprias que abrem solos maravilhosos para todos seus integrantes, que comportam-se ainda mais afiados quando atacam ao mesmo tempo. Além dos próprios temas, o grupo ainda passeou por suas já conhecidas versões para Arthur Verocai (“Dedicada a Ela”) e Milton Nascimento (“Vera Cruz”), além de voltar com “Cissy Strut”, dos Meters, no bis. Absurdo!

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Chama mais!

Mais uma edição do Chama que funcionou lindamente, mas noutra escala. Além de ter mais público que a primeira (em setembro de 2025), as bandas desse ano entenderam a chance de trazer participações como convites para shows espetaculares – e todos fizeram apresentações quentíssimas a partir de desafios que se propuseram. Desde a peça de teatro que intercalou as músicas do primeiro show do Copo e Água – que deixou o convidado Rafaekx o tempo todo no palco – à invasão do Nigéria Futebol Clube, que transformou sua apresentação num misto de happening e fluxo, subvertendo expectativas com inúmeros de convidados a mais, além dos anunciados J.Cruz e Tuzin. O trio Los Otros seguiu confiante de seu rockinho básico e a presença da guitarra endiabrada do Fepa deixou-os ainda mais à vontade para conquistar o público, seguido do Celacanto que fez seu show hipnótico e preciso de sempre com direito ao Giba no theremin (e soltando a voz em “Desamarrado”), Yma entregue ao grupo por três canções (incluindo a linda versão para “Queremos Saber” do Gil) e a aparição surpresa da clarinetista Laura Santos. A Nevoara fez um show absurdo, em especial pela presença e magnetismo da guitarrista Duda Freitas, uma guitar heroine de outro planeta. Com a presença de outro ás da guitarra, Samuel Xavier, do Naimaculada, e o coro formado por Rita Martinez, Naty Oliveira e Lara Zanon, o grupo fez um dos shows mais fodas da noite, também graças ao carisma da vocalista Laura Mendes. Depois foi a vez do prog purinho baixar com toda a intensidade do Baile do Peixe, que ainda convidou Sol para várias canções, inclusive trechos do musical Jesus Christ Superstar. Na finaleira, a Cianoceronte fez seu melhor show, com a mesma Duda do Nevoara fazendo a guitarra da banda, e a participação incendiária do poeta Igor Celestino, enquanto o Naimaculada encerrou a noite em seu espetáculo mais ousado, cheio de participações especiais (Dinho dos Boogarins, Cyro do Menores Atos, Francisca Barreto, Nabru e a Sol em sua segunda apresentação na noite) e completamente entregues ao público, tirando onda em tocar “Saídas e Bandeiras” do Milton Nascimento ao lado de Dinho e Chica. Uma noite que terminou em êxtase e exaustão, todos felizes de terem visto e participado das oito apresentações que reunimos neste sábado. Vamos ao próximo! Quando seria bom?

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Inaugurando o Inferninho 2026 no Picles!

A primeira edição do Inferninho Trabalho Sujo no Picles em 2026 começou com um show assertivo de Leon Gurfein, que cada vez mais toma conta do percurso que está disposto a recorrer, seja com suas canções próprias, tocando guitarra e baixo ou músicas alheias. Acompanhado do guitarrista Marcos M7i9 (que depois seguiria no palco acompanhando Lauiz) e do beatmaker Charles Tixier, Leon derramou sua carga dramática em canções “Escândalo” imortalizada por Ângela Ro Ro, “Little Trouble Girl” do encontro de Kim Deal e Kim Gordon no Sonic Youth em uma versão em castelhano, a argentina “Viento Helado” da líder da banda Suárez Rosario Bléfari e até David Lynch, quando cantou “In Heaven (Lady in the Radiator Song)” do filme Eraserhead para encerrar sua apresentação, seu melhor show até aqui.

Depois foi a vez de Lauiz assumir o palco do Picles e pela primeira vez fazer um show tocando guitarra, apontando os rumos para seu próximo álbum, inevitavelmente mais rock. Mais uma vez tocando ao lado da cozinha do Celacanto (Giovanni Lenti na bateria e Matheus Costa no baixo) e do eterno compadre Marcos M7i9, que havia acabado de tocar com Leon Gurfein e se revezava entre os eletrônicos e a guitarra. Além de tocar músicas antigas (cantadas a plenos pulmões por seus fãs enlouquecidos), Lauiz preferiu mostrar algumas novas e exibir-se na guitarra, chegando até a usar um slide para deixar o som mais Estados Unidos, como foi a tônica da noite. Que encerrou com outra música do mesmo país, quando resolveu encarnar os White Stripes na clássica “Fell in Love With a Girl”. Depois coube a mim e a Fran a segurar uma pista de quinta até quatro e pouco da manhã, mas o que não é uma festa em janeiro, né?

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Lauiz e Leon Gurfein @ Picles (29.1)

Não para, não para, não para! Nesta quinta-feira tem mais uma edição do @inferninhotrabalhosujo, a primeira de 2026 no querido Picles, que quando trago dois shows daqueles: estreando no palco da casa e da festa vem o drama pop performático de Leon Gurfein, seguido de uma apresentação experimental do programador dos Pelados Lauiz, que mostrará novas músicas! O Picles fica no número 1838 da Cardeal Arcoverde, no canteiro de obras chamado Pinheiros, e a festa começa às 20h – quem pegar o ingresso online não paga pra entrar se chegar antes das 21h30. Os shows começam às 22h! E depois, eu assumo a discotecagem da noite ao lado da querida Francesca Ribeiro. Vai ser daquele jeito, vamos lá!

Encerrando 2025 com os olhos em 2026!

Encerrando a programação de 2025 do Inferninho Trabalho Sujo pegando fogo, com duas bandas novíssimas no Redoma apontando para um 2026 que promete! A noite começou com o sexteto instrumental Pé de Vento, que começou a tocar há pouco mais de um ano em uma pizzaria clássicos do jazz brasileiro e que há menos tempo ainda passou a compor as próprias músicas, apresentadas num primeiro show apenas autoral nesta sexta-feira. São jovens cobras em seus instrumentos que tocam em outros grupos: o tecladista Pedro Abujamra toca na Orfeu Menino ao lado de Tommy Coelho, que deixa a bateria para tocar guitarra e percussão, enquanto Antônio Ito, da Saravá, segura o groove da banda, acompanhado do baixista Tom dos Reis, do saxofonista e flautista Leonardo Ryo e do novo integrante Arthur Scarpini, no violão. O encontro feroz dos músicos mostra que o jazz à brasileira segue à toda nas novas geraçõe e além das próprias composições, o grupo encerrou a noite com dois standards do gênero, “Dedicada a Ela” do Arthur Verocai e “Vera Cruz” de Milton Nascimento, ambas em versão instrumental. Coisa fina.

Depois foi a vez de uma banda ainda mais nova, formada neste semestre, a Monolitos, encerrar a noite, mostrando uma amplitude de gêneros que também passa pelo jazz brasileiro, mas com foco maior no cancioneiro típico da MPB, no soul, na psicodelia e no rock nacional, bebendo tanto dos anos 70 e 80 quanto de contemporâneos do novo indie daqui. Igualmente formada por integrantes de outras bandas da nova geração, a banda conta com a vocalista Bru Cecci toca no Devolta ao Léu e o baixista Roberth Nelson também toca na Saravá, além da presença do tecladista Miguel Marques, do baterista Gui Dias e Arthur Jé na guitarra, que divide os vocais e as composições com Bru. E além de suas próprias composições, que também passeiam por gêneros tradicionais brasileiros, como baiões e forrós, encerraram a noite evocando a fase prog dos Mutantes ao tocar “Uma Pessoa Só” no bis.

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Pé de Vento e Monolitos @ Redoma (12.12)

O último Inferninho Trabalho Sujo do ano acontece nessa sexta-feira, dia 12 de dezembro, quando reúno duas bandas novíssimas para apresentar-se pela primeira vez na festa. A primeira delas é a instrumental Pé de Vento, ancorada no jazz brasileiro dos anos 70 e com integrantes das bandas Orfeu Menino e Saravá, que tocará suas músicas autorais pela primeira vez na festa. Depois é a vez de outra banda formada por integrantes de bandas que já passaram pelo palco do Redoma (como a própria Saravá e a Devolta ao Léu), quando recebemos pela primeira vez um dos primeiros shows da banda Monolitos. O Redoma fica no número 825-A da rua Treze de Maio, no Bixiga, a casa abre às 21h e a partir das 22h começam os shows. Os ingressos já estão à venda!

Chama Festival – Segunda Edição

Marque na sua agenda: a segunda edição do Chama Festival acontece no dia 7 de fevereiro, quando A Porta Maldita e o Inferninho Trabalho Sujo juntam suas forças de novo para mostrar as novas bandas que estão surgindo na cena musical brasileira. Novamente teremos oito bandas, cada uma delas trazendo um convidado, nos dois palcos da Casa Rockambole, mostrando como a cena musical brasileira está quente nesta terceira década do século. Vamos anunciar os nomes ainda este mês, mas quem comprar o ingresso antes de mostrarmos o elenco paga mais barato. Vamos nessa!

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Voa Varanda!

Encerrando a temporada 2025 do Inferninho Trabalho Sujo com o melhor show do Varanda que eu já assisti – e é muito bom poder constatar isso. A primeira vez que o grupo de Juiz de Fora tocou em São Paulo foi justamente no começo do Inferninho, na terceira edição (!), e de lá pra cá pude fazer outros quatro shows deles na festa – três no Picles e no carnaval que fiz na Casa Natura Musical no começo deste ano -, além de vê-los lançando seu ótimo Beirada no Sesc Vila Mariana no ano passado. Em cada um desses shows dava pra ver como a banda evoluía a olhos vistos, desde a química entre os músicos ao desempenho individual de cada um deles: o baterista Bernardo Merhy cada vez mais presente e preciso, sempre entretendo o público com piadas infames; o baixista Augusto Vargas firmando-se como segundo vocalista enquanto debulha seu instrumento como se solasse uma guitarra e o guitarrista Mario Lorenzi a cada show mais livre e solto entre solos, dedilhados e espasmos de microfonia, todos preparando terreno para os vôos teatrais de Amélia do Carmo. A vocalista é um pequeno fenômeno à parte, carisma equilibrando-se entre delicada fada e bruxa intensa, atiçando o público a convulsões melódicas, choques de refrão, doces canções ou simplesmente jogando-se nele. Este, por sua vez, estava entregue à banda. Numa das maiores lotações que já vi no Picles (par apenas para os shows da Enorme Perda de Tempo ou quando os Boogarins estiveram no primeiro aniversário da festa), o público dessa sexta não era apenas obcecado pela banda como cantou todas as músicas em uníssono, aos berros, às vezes sozinhos, com a banda apenas assistindo seus versos ganharem vida na voz dos fãs sem precisar tocar seus instrumentos. E ao lembrar que o próximo show que farão em São Paulo será na edição que vem do Lollapalooza dá pra ver o quanto eles estão fazendo seu trabalho direitinho. A satisfação de vê-los voar mais alto é tão gratificante quanto saber que eles têm ninho nessa festa que inventei há dois anos e que podem voltar sempre que quiserem. E também é bom saber que eles sabem disso. Pra coroar a noite, eu e Fran fizemos uma de nossas melhores discotecagens, que terminou com o dia claro! 2026 promete!

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Inferninho Trabalho Sujo apresenta Varanda e Rã @ Picles (5.12)

A festa não para! Dessa vez o Inferninho Trabalho Sujo acontece no Picles, quando chamei mais uma vez os queridos Varanda, desta vez para fazer a primeira festa de fim de ano da firma. Quem começa os trabalhos é a banda Rã, que toca pela primeira vez na festa. E depois dos shows, eu e a Fran transformamos o palco do Picles em nossa cabine de DJ para fazer todo mundo dançar sem parar até às quatro da madruga. E quem comprar ingresso antes paga mais barato pra entrar. Vamos?

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Inferninho clássico

Um festa clássica nessa sexta-feira quando baixei o Inferninho Trabalho Sujo no Picles trazendo duas bandas que já haviam tocado em outras edições da festa, mas nunca no sobrado da Cardeal Arcoverde. A noite começou com o trio Saravá em ponto de bala, incendiando a sexta-feira com seus hits instantâneos que em breve estarão prontos para conhecer seus ouvintes para além dos shows quando Joni, Roberth e Ito finalmente lançarem seu primeiro álbum, no começo do ano que vem. Sua apresentação ainda contou com duas participações já conhecidas de seus shows, quando primeiro trouxeram Bru Cecchi, vocalista da banda irmã Devolta ao Léu para o palco para em seguida chamar outra participação familiar, essa literalmente cossanguinea, quando a irmã do baixista subiu no palco para cantar duas músicas. E a galera foi ao delírio.

Depois foi a vez do quarteto de Maringá Tutu Naná soltar sua bruma densa e doce sobre o público, hipnotizando a todos com doses cavalares de microfonia entremeadas por canções sussurradas. A química entre os integrantes da banda é invejável e eles mal precisam se olhar para cavalgar sobre o pulso de suas canções. E sempre é impressionante ver como suas personalidades individuais musicais crescem à medida em que se amalgamam ainda mais: Akira deixando sua guitarra mais pesada e clássica, com solos e riffs que vão do virtuosismo hard rock ao ruído branco elétrico, Jivago alternando entre o baixo e a guitarra e buscando os pontos em comum entre os dois instrumentos, com graves linhas circulares de ritmo, Fernando alternando entre os espasmos de rock clássico, bossa nova acelerada e free jazz e Carol enfeitiçando todos com seu vocal, flauta transversal e efeitos sonoros, várias vezes ao mesmo tempo. O grupo ainda ousou embarcar na onda do Massive Attack ao reler a versão que o grupo inglês fez para “Girl I Love You” do Horace Andy na apresentação que fizeram esse mês em São Paulo e não deixaram a bola cair. Absurdo. Depois restou a mim e a Fran domar a rebelde pista daquela noite, visitando extremos distintos da música para dançar.

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