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Prazer e gozo

E corre pra Casa de Francisca pra pegar o aniversário de 69 anos da maga Alzira E, comemorados numa festa inacreditável em que seu repertório foi revisto por algumas de suas pessoas mais queridas, com a própria Alzira assistindo tudo na frente do palco. A festa começou com “Nosso Presente” cantada por Gustavo Galo, que já deixou a banda que acompanharia os outros intérpretes (Chicão Montorfona e a cozinha da banda Corte da própria Alzira, com o bixiga 70 Marcelo Dworecki no baixo e Fernando Thomaz na bateria), em ponto de bala. Depois a filha de Alzira Luz Marina subiu com Lucinha Turnbull para tocar “Já Sei” com o próprio Galo, Curumin hipnotizou o público esticando as vogais de “Beijos Longos”, Tulipa e Gustavo Ruiz continuaram apimentados com “Ladainha”, Negro Leo seguiu com “Itamar É”. O clima familiar ficou ainda mais intenso à entrada irmã Tetê Espíndola, que veio arrasando com “Rio Vermelho”, a filha Iara Rennó, que subiu com Ava Rocha para cantar “Mulher O Suficiente” e a noite ainda teve participações do filho Joy Espíndola, Peri Pane e chegou ao ápice quando o saxofonista Cuca Oliveira e o trompetista Daniel Gralha subiram ao palco com a própria Alzira e seu baixo elétrico, fechando a formação de sua banda Corte, para tocar uma música inédita, a composição mais recente feita pela aniversariante, que estava esfuziante com a noite. Dali pra frente, o Corte seguiu incendiando tudo com direito a todo mundo subindo no palco numa grande catarse ao final, sublinhada pela fala da própria Alzira ao final: “Pra mim é só prazer e gozo”. Evoé!

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Ava coletiva

Ava Patrya Yndia Yracema é um dos discos brasileiros mais importantes da década passada não apenas por revelar sua autora, Ava Rocha, como uma supernova de criatividade intensa, mas por reunir, ao seu redor, a cena que orbitava ao redor da primeira encarnação da casa de shows Audio Rebel e que, a partir deste disco, começou a explodir, por isso o show de aniversário que fez neste sábado frio e chuvoso na Casa Rockambole foi uma celebração coletiva. Ava estava à frente da mesma banda que tocou no disco – Marcelo Callado na bateria, Marcos Campello e Eduardo Manso nas guitarras (o último também tocando synth), Felipe Zenicola no baixo e participações do baixista Pedro Dantas e do percussionista e baterista Thomas Harres – e convidou um grandessíssimo elenco para a festa que anulou o tempo feio do lado de fora, transformando a noite numa extensa ebulição criativa (mais de duas horas de show!), tocando o disco com uma constelação absurda de astros: do produtor Jonas Sá ao eterno companheiro Negro Léo, passando por Iara Rennó, Assucena Assumpção, Brisa Flow e Ana Frango Elétrico, esta última caçula daquela geração que entrou para acompanhá-la numa versão “London Calling” para “Hermética” e emendaram a parceria que fizeram juntas anos depois daquele disco, “Mulher Homem Bicho”. Mas mais do que músicos e convidados, a força da noite era Ava, esse vulcão humano que domina o palco e transforma qualquer gesto em performance, dando vida a qualquer objeto (uma taça de vinho, um lenço ou sua clássica máscara de facas), transcendendo a racionalidade enquanto faz o público levitar apenas com sua voz (não por acaso terminou o show puxando o clássico suspiro de Zé Celso). Além do repertório do disco, ela também passou por “Canoa Canoa” de Milton Nascimento (que estava no repertório do show original, dez anos atrás) e encerrou a noite puxando todos os convidados – e alguns da plateia, como Juliana Perdigão, Dinho Almeida e Luiza Lian – para o bis, que começou com “Beijando Todos Vocês” (de seu último disco, Néctar), passou por uma das recém-lançadas parcerias com os Boogarins (“Memórias”) e encerrando com o hit “Você Não Vai Passar”, quando dividiu os vocais com Luiza Lian. Que noite!

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Missa à música

Na última noite da temporada Aprendendo a Rezar, Luiza Brina reuniu duas sacerdotisas da canção como ela para transformar um conjunto de orações em uma missa à música. Ao lado de Iara Rennó e Josyara, ela passou por músicas de seu terceiro álbum Prece, que será lançado neste mês de abril, e por rogos escritos pelas duas convidadas, harmonizando cordas e vocais de três mulheres fortes de nossa música de forma sublime. A noite começou e terminou com a mesma canção, a prece “Oração 18”, que ela apresentou na terceira noite da temporada no Centro da Terra, e que será lançada ainda esta semana. Um desfecho divino.

>Assista abaixo:  

Luiza Brina: Aprendendo a rezar

Com imenso prazer que recebemos a mineira Luiza Brina para a primeira temporada do Centro da Terra em 2024. Integrante do grupo Graveola, Brina comemora dez anos de carreira fonográfica este ano e prepara-se para lançar seu próximo álbum, batizado de Prece, exercitando-o em diferentes formatos às segundas-feiras de março. Na primeira delas, dia 4, ela apresenta as canções cruas, apenas com sua voz e violão, misturando suas próprias orações com as de compositores que a inspiraram neste projeto. Depois, dia 11, ela vem acompanhada de Charlie Tixier, produtor do próximo álbum, que liga os instrumentos eletrônicos para acompanhá-la no palco. Dia 18 ela vem acompanhada do cantor e compositor Castello Branco e com o multiinstrumentista e produtor Batataboy, que costura as vozes e violões dos dois primeiros. Luiza encerra sua temporada no dia 25, quando reúne, na mesma noite, a paulistana Iara Rennó e a baiana Jadsa para saudarem suas fés com seus instrumentos. As apresentações começam sempre, pontualmente, às 20h, e os ingressos podem ser comprados antecipadamente neste link.

Suíngue irrefreável

Que beleza o show que Rubinho Jacobina fez no Centro da Terra nesta terça-feira, desfilando seu repertório balançado com dois compadres de longa data, cuja química musical vem de tempos imemoriais: quando Gustavo Benjão assumiu o baixo e Marcelo Callado a bateria, metade do quarteto Do Amor tornou-se base para o show do compositor carioca, que não teve dificuldade para se soltar. Seu suíngue irrefreável conduzia a apresentação sempre cima e para a frente, mesmos nos momentos mais delicados, quando, por exemplo, convidou Iara Rennó para sua participação a partir da música que compuseram juntos para seu disco mais recente, Amor Universal, a hipnótica e triste “É Demais”. Mas logo o show partiu literalmente para memórias de outros carnavais e os quatro dispararam marchinhas modernas de um carnaval do século 21 com tempero do século passado, numa noite muito astral.

Assista aqui:  

Rubinho Jacobina: Desembaraço

Encerrando a temporada de música em agosto no Centro da Terra, chega a vez do carioca Rubinho Jacobina estrear em nosso palco, trazendo músicas de seu disco mais recente, Amor Universal, e outras de sua carreira ao lado de uma banda que é metade do grupo Do Amor: Marcelo Callado na bateria e Gustavo Benjão no baixo. Rubinho repassa os dez anos que esteve na França num show que ainda terá a participação de Iara Rennó. O espetáculo começa pontualmente às 20h e os ingressos podem ser comprados neste link.

Corpo de todos

Finalmente Guilherme Held pode lançar seu Corpo Nós devidamente no palco. Fora parcas aparições com uma banda reduzida em que pode mostrar músicas de seu disco primeiro solo lançado em 2020, um dos grandes nomes da guitarra elétrica de sua geração debutou seu álbum como se deve, nesta quinta-feira, no Sesc Pompeia. Puxando uma banda formada por Fábio Sá (baixo), Sergio Machado (bateria), Rômulo Nardes (percussão), Cuca Ferreira (sax), Allan Abadia (trombone) e Dustan Gallas (teclados), Held ainda contou com as presenças de quatro vocalistas para representar os inúmeros convidados que recebeu em seu disco – e um time considerável, com Ná Ozzetti, Iara Rennó, Marcelo Pretto e o diretor artístico do álbum, Rômulo Fróes -, podendo finalmente considerar seu disco efetivamente lançado numa apresentação cheia de músicos na platéia. Foi demais.

Assista aqui.  

Trabalho Sujo apresenta: Estado de Suspensão

Quase sempre a música nos leva para outras dimensões, mas em alguns casos ela apenas nos suspende a realidade para que consigamos ver o mundo a partir de novos pontos de vista. Em Estado de Suspensão, minha primeira parceria com a Casa Natura Musical, proponho o encontro de quatro artistas que expandem nossas consciências a partir de desdobramentos musicais em quatro apresentações distintas, que também se conectam entre si. O encontro acontece num domingo, dia 3 de julho, a partir das 16h20. São quatro artistas que buscam diferentes searas estéticas, mas que contam com pontos em comum – incluindo integrantes de suas formações. Cada um deles nos abre uma janela sensorial diferente a partir de suas assinaturas musicais e estão em momentos de transição, tateando novos repertórios a partir deste momento que estamos atravessando atualmente. O baixista, produtor e arranjador Marcelo Cabral, o guitarrista e produtor Guilherme Held, a produtora, musicisita, cantora e compositora Maria Beraldo e o cantor e compositor Negro Leo mostram diferentes facetas de seus trabalhos. Cabral busca os limites entre seus dois discos solo, Motor e Naunyn, Held coloca seu primeiro disco solo Corpo Nós em movimento pela primeira vez em São Paulo, Beraldo burila o sucessor de seu festejado Cavala enquanto Leo passeia por seus diferentes discos solo. Os shows ainda terão participações de alguns dos principais músicos em atividade atualmente, como Sérgio Machado, Chicão Montorfano, Dustan Gallas, Gabriel Balleste, Pedro Dantas e Iara Rennó, que participarão em diferentes momentos destas quatro apresentações, que serão costuradas pela discotecagem da socióloga e jornalista Pérola Mathias, do site Poro Aberto. A arte do poster é da Aline Paes e os ingressos já estão à venda neste link.

Sotaques YB: Siba + Iara Rennó

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Seguindo as comemorações dos 20 anos da Ybmusic, a série de encontros Sotaques YB segue às quartas-feiras com música no Centro da Terra com apresentações que promovem encontros inéditos entre duplas de artistas do elenco da gravadora (mais informações aqui). Na segunda noite, dia 9 de outubro, assistiremos ao encontro inédito entre a paulistana Iara Rennó e o pernambucano Siba, que misturarão repertórios e sotaques pela primeira vez juntos no palco. Conversei com os dois sobre o encontro, e antes pergunto ao capitão da YB, Maurício Tagliari, sobre a ideia de fazer este encontro.