Guizado e Negro Leo juntos no CCSP

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Guizado está prestes a finalizar seu novo álbum e começa a mostrar as novidades a partir desta quinta-feira, às 21h, no Centro Cultural São Paulo, reunindo uma banda de cobras (Regis Damasceno na guitarra, Zé Ruivo nos teclados, Meno Del Picchia no baixo e Richard Ribeiro na bateria), além de contar com a presença ilustre do mago Negro Leo (mais informações aqui). Vamos lá?

O primeiro semestre de 2018 no Centro da Terra

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É com imensa satisfação que anuncio os donos das temporadas no Centro da Terra neste primeiro semestre de 2018: em março temos a querida Bárbara Eugenia às segundas e o grande MdM Duo dos irmãos Fernando e Mario Cappi, guitarristas do Hurtmold; em abril às segundas temos o sagaz Rico Dalasam e às terças e a forte Luedji Luna; em maio as segundas são do mestre Edgar Scandurra e as terças do voraz Guizado; em junho as segundas são da deusa Cida Moreira e as terças dos ótimos Garotas Suecas e julho tem o sensacional Vitor Araújo nas segundas e o CORTE de Alzira Espindola nas terças. O Pedro Antunes conta mais em seu blog no Estadão.

Quem quer ir no show do Guizado neste domingo?

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O trompetista Guilherme Mendonça – que todos conhecem por Guizado – começa mais uma jornada rumo a um novo disco neste domingo, em São Paulo. Depois de pairar sobre o chão com o Voo do Dragão (de 2015) rumo ao espaço sideral em seu Orbital (do ano passado), ele agora conta com a supervisão do produtor Carlos Eduardo Miranda para a produção do novo disco, a primeira vez que Guizado abre mão de produzir seus próprios discos. O show de início desta nova fase acontece neste domingo, dia 5, na Casa do Mancha (mais informações aqui), quando ele mais uma vez divide o palco com o guitarrista Allen Alencar, o tecladista Zé Ruivo ,o baixista Meno Del Pichia e o baterista Richard Ribeiro e descolou cinco pares de ingressos para sortear por aqui. Basta dizer nos comentários deste post que música que ele poderia interpretar ao vivo e porquê. As cinco respostas mais simpáticas ganham os pares de ingressos. Não esqueça de deixar seu email. Ele escreveu para o Trabalho Sujo sobre sua nova fase:

A preocupação com timbres específicos, como os sintetizadores analógicos da década de 70 e 80, baterias eletrônicas clássicas como a 808 e a Linndrum, o uso de processamentos eletrônicos no som do trompete, o cuidado com uma gravação e mixagem especial, que fuja do convencional: tudo isso junto representa parte fundamental de tudo fui descobrindo e se tornando parte de meu estilo de produção musical.

No meu disco O Voo do Dragão, essa preocupação se mantém super presente: timbres especiais, detalhes interessantes na mixagem e tudo mais. No entanto, esse disco marca uma preocupação maior com a composição, harmonias mais complexas, formas musicais mais estruturadas com diferentes partes. Considero esse disco o início de uma evolução do meu lado compositor.

E a partir do segundo semestre do ano de 2016 até agora venho me dedicando ao trabalho de preparar o meu quinto disco, para ser lançado em 2017. E venho sentindo um claro desenvolvimento em minha forma de criar nesse novo trabalho, uma evolução natural de razões multifatoriais no processo de criação.

Em 2007, mais ou menos na época da concepção do Punx, meu primeiro disco, aprendi a usar samplers e sequenciadores no palco tocando junto com a banda, isso me deu inúmeras possibilidades sonoras, possibilitando criar camadas densas de sinths, baterias eletrônicas e diversos sons sampleados. Isso criou nossa identidade de som: massivo e pesado.

Porém para a arte se desenvolver é necessário agir de forma desconstrutiva, para chegar a lugares aonde a mente com sua racionalidade e logica não são capazes de atingir. Esse pensamento esta bem claro no momento de produção atual, estou pensando muito mais como compositor e como integrante de uma banda, usando menos a máquina, trabalhando de forma muito mais humana, resolvendo questões de timbre junto com meus parceiros durante o ensaio, ao invés de chegar com uma série de sons processados e sequenciados em um sequenciador. Com isso as possibilidades de composição se tornaram ilimitadas, pois a máquina por ser máquina dificulta muito a disrupção da criação, a variação humana, a respiração.

É como na mensagem principal do filme Metrópolis de Fritz Lang que diz que a mente – robô – e a ação devem ter como intermediário o coração. Então, dentro dessa forma disruptiva de criar, descriar e recriar estamos juntos encontrando uma forma muito bonita e estimulante de fazer música.

Os 75 Melhores Discos de 2016 – 65) Guizado – Guizadorbital

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Space is the place.

Tudo Tanto #016: Um 2015 espetacular

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Na edição de janeiro da minha coluna na revista Caros Amigos, eu escrevi sobre o grande ano que foi 2015 para a música brasileira.

A consagração de 2015
O ano firmou toda uma safra de artistas que lançou discos que reverberarão pelos próximos anos

Alguma coisa aconteceu na música brasileira em 2015. Uma conjunção de fatores diferentes fez que vários artistas, cenas musicais, produtores e ouvintes se unissem para tornar públicos trabalhos de diferentes tempos de gestação que desembocaram coincidentemente neste mesmo período de doze meses e é fácil notar que esta produção terá um impacto duradouro pelos próximos anos. O melhor termômetro para estas transformações são os discos lançados durante este ano.

Os treze anos de espera do disco novo do Instituto, o terceiro disco pelo terceiro ano seguido do Bixiga 70, os seis anos de espera do disco novo do Cidadão Instigado, o disco que Emicida gravou na África, um disco que BNegão e seus Seletores de Frequência nem estavam pensando em fazer, o surgimento inesperado da carreira solo de Ava Rocha, o disco mais político de Siba, o espetacular segundo disco do grupo goiano Boogarins, os discos pop de Tulipa Ruiz e Barbara Eugênia, a década à espera do segundo disco solo de Black Alien, o majestoso disco primeiro disco de inéditas de Elza Soares, os quase seis anos de espera pelo disco novo do rapper Rodrigo Ogi, dos Supercordas e do grupo Letuce e um projeto paralelo de Mariana Aydar que tornou-se seu melhor disco. Mais que um ano de revelação de novos talentos (o que também aconteceu), 2015 marcou a consolidação de uma nova cara da música brasileira, bem típica desta década.

São álbuns lançados às dezenas, semanalmente, que deixam até o mais empenhado completista atordoado de tanta produção. É inevitável que entre as centenas de discos lançados no Brasil este ano haja uma enorme quantidade de material irrelevante, genérico, sem graça ou simplesmente ruim. Mas também impressiona a enorme quantidade de discos que são pelo menos bons – consigo citar quase uma centena sem me esforçar demais – e que foram feitos por artistas jovens, ainda buscando seu lugar no cenário, o que apenas é uma tradução desta que talvez seja a geração mais rica da música brasileira. A quantidade de produção – reflexo da qualidade das novas tecnologias tanto para gravação e divulgação dos trabalhos – não é mais meramente quantitativa. O salto de qualidade aos poucos vem acompanhando a curva de ascensão dos números de produção.

Outro diferencial desta nova geração é sua transversalidade. São músicos, compositores, intérpretes e produtores que atravessam diferentes gêneros, colaboram entre si, dialogam, trocam experiências. Não é apenas uma cena local, um encontro geográfico num bar, numa garagem, numa casa noturna, num apartamento. É uma troca constante de informações e ideias que, graças à internet, transforma os bastidores da vida de cada um em um imenso reality show divulgado pelas redes sociais, em clipes feitos para web, registros amadores de shows, MP3 inéditos, discussões e textões posts dos outros.

A lista de melhores discos que acompanha este texto não é, de forma alguma, uma lista definitiva, mesmo porque ela passa pelo meu recorte editorial, humano, que contempla uma série de fatores e dispensa outros. Qualquer outro observador da produção nacional pode criar uma lista de discos tão importantes e variada quanto estes 25 que separei no meu recorte. Dezenas de ótimos discos ficaram de fora, fora artistas que não chegaram a lançar discos de fato – e sim existem na internet apenas pelo registros dos outros de seus próprios trabalhos. E em qualquer recorte feito é inevitável perceber a teia de contatos e referências pessoais que todo artista cria hoje em dia. Poucos trabalham sozinhos ou num núcleo muito fechado. A maioria abre sua obra em movimento para parcerias, colaborações, participações especiais, duetos, jam sessions.

E não é uma panelinha. Não são poucos amigos que se conhecem faz tempo e podem se dar ao luxo de fazer isso por serem bem nascidos. É gente que vem de todos os extratos sociais e luta ferrenhamente para sobreviver fazendo apenas música. Gente que conhece cada vez mais gente que está do seu lado – e quer materializar essa aliança num palco, numa faixa, num mesmo momento. Esse é o diferencial desta geração: ela vai lá e faz.

Desligue o rádio e a TV para procurar o que há de melhor na música brasileira deste ano.

Ava Rocha – Ava Patrya Yndia Yracema
BNegão e os Seletores de Frequência – TransmutAção
Barbara Eugênia – Frou Frou
Bixiga 70 – III
Boogarins – Manual ou Guia Prático de Livre Dissolução de Sonhos
Cidadão Instigado – Fortaleza
Diogo Strauss – Spectrum
Elza Soares – Mulher do Fim do Mundo
Emicida – Sobre Crianças, Quadris, Pesadelos e Lições de Casa
Guizado – O Vôo do Dragão
Ian Ramil – Derivacivilização
Instituto – Violar
Juçara Marçal & Cadu Tenório – Anganga
Juçara Marçal, Kiko Dinucci e Thomas Harres – Abismu
Karina Buhr – Selvática
Letuce – Estilhaça
Mariana Aydar – Pedaço Duma Asa
Negro Leo – Niños Heroes
Passo Torto e Ná Ozzeti – Thiago França
Rodrigo Campos – Conversas com Toshiro
Rodrigo Ogi – Rá!
Siba – De Baile Solto
Space Charanga – R.A.N.
Supercordas – A Terceira Terra
Tulipa Ruiz – Dancê

Os 75 melhores discos de 2015: 54) Guizado – O Voo do Dragão

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Um Japão imaginário.

O Dragão de Guizado

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O trompetista e produtor Guilherme Mendonça – que a maioria de nós conhece por Guizado – segue o fluxo de seu disco mais recente, O Voo do Dragão, lançado digitalmente do início do ano e que agora se materializa em CD. “A saga continua!” ,comemora, “Ainda vem clipe pela frente, vinil, remixes e tudo mais.” O lançamento do CD serviu como gancho para uma série de novos shows no final deste semestre, o próximo deles no Teatro Cacilda Becker, ali na Lapa, no dia 21 de novembro.

A temática oriental do disco – que vai da arte ao nome das músicas – é menos instrumental e mais mental: “Ela parte de um plano mais metafisico, filosófico do que musical”, explica. “Na parte musical continuamos basicamente apoiados na tríade do jazz, do rock e da musica eletrônica, O nome O Voo do Dragão simboliza uma retomada de consciência, uma experiência pessoal na qual me encontro de rever antigos valores e velhos hábitos, uma transformação pessoal. De tempos em tempos o Dragão troca sua pele e se renova, e é assim que me sinto. com mais de vinte anos de carreira e se tudo der certo, terei vinte ou mais pela frente. Com isso me sinto mais maduro e numa linha ascendente de performance musical e criatividade. É um disco em que posso sentir essa superação se refletindo na minha música, do meu jeito de compor e de tocar.”

Ele explica como sua música funciona ao vivo: “As músicas são todas bem estruturadas com temas, riffs de guitarra, pastes definidas, melodias e harmonias bem estabelecidas, porém não de uma totalmente fechada, justamente para que possamos nos shows tocarmos de forma mais solta e inesperada, porém respeitando a forma de cada música… Isso pra nós é algo estimulante, pois nunca sabemios exatamente como uma música pode acabar, mas tambem não nos perdemos em meio ao caos pois temos a compreensão clara das estruturas de cada música. A banda atual é formada por Allen Alencar, excelente guitarrista de Aracaju, que criou os arranjos de guitarrra do disco que norteiam todos os arranjos junto ao meu trompete. Na bateria tem o Thiago Babalu, tambem de Aracaju, e que veio da cena do hardcore, um baterista sólido e criativo, responsável por momentos de intensa massa sonora e peso. No baixo optei por usar um baixo de sintetizador, tocado pelo Thiago Duar, que esta familiarizado com a linguagem da musica eletrônica, com o hip-hop e a bassmusic, linhas simples e de frequencias realmente graves. E nos sintetizadores temos o Caetano Malta, que trabalhas mais nas frequencias medias e agudas, dobrando vozes comigo, reforçano a harmonia e cirando drones e texturas.”

Ele fica feliz de passar por esse processo de transformação e lançar seu Dragão num 2015 tão intenso para música brasileira: “Muitos disco bons foram lançados nesse ano. Gostei muito do disco do Cidadão instigado, Fortaleza, banda que sou fã não é de hoje. E do Rio de Janeiro tenho visto aparecer muita coisa interessante como essa turma do Negro Léo, Ava Rocha, Chinese Cooking Poets e o disco recém lançado do baixista Ricardo Dias Gomes. Fora isso recentemente fui a um show da banda Cão, um projeto do Maurício Ianês que não conhecia e gostei bastante.”

Mas embora não tenha encerrado o ciclo do Dragão, ele já está pensando no quarto álbum: “Esse é um ótimo momento para compor, com o Dragão ja no ar, eu posso me dedicar mais novas pequisas e novas ideias para um disco futuro.”

Vida Fodona #493: O primeiro Vida Fodona do outono de 2015

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Esse sol veio a calhar.

Herb Alpert & the Tijuana Brass – “A Banda”
Bixiga 70 – “100% 13”
Guizado – “Tigre”
Todd Terje – “Preben Goes To Acapulco (Prins Thomas remix)”
Daniel Johns – “Aerial Love”
Beyonce – “Crazy In Love (Fifty Shades of Grey Boots Remix)”
BaianaSystem – “PlaySom”
Yumi Zouma – “Catastrophe”
Blur – “Lonesome Street”
Knife – “Heartbeats”
Frank Ocean – “Lost”
Tame Impala – “Stranger in Moscow”
Vetiver – “Current Carry”
Banda do Mar – “Pode Ser”
Thiago Pethit – “Romeo”

Vem aqui.

Vida Fodona #492: Um pouco antes de ir pra praia

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Tem que descansar, né…

Primitives – “Sneaky Pete”
Bob Dylan – “Bob Dylan’s 115th Dream”
Solomon Burke – “Got to Get You Off My Mind”
Herbie Mann + Bill Evans – “Cashmere”
James Murphy – “Golden Years”
Guizado – “Toro”
Mahmed – “Shuva”
My Magical Glowing Lens – “Windy Streets”
Warpaint – “No Way Out”
Tame Impala – “Let it Happen”
Thee Oh Sees – “Web”
Ava Rocha – “Transeunte Coração”
Le Volume Courbe – “The House”
Supercordas – “Fotossíntese”

Chegaê.

Guizado 2015 e a vinda do Dragão

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Mais um aperitivo de O Vôo do Dragão, disco que Guizado lança nos próximos meses e cuja capa e primeiro single (a psicodélica e eletrônica “Tigre”) ele mostrou primeiro aqui. Agora é a vez de mostrar o lado orgânico no disco, na pesada “Toro”, em guitarra e trompete se enfrentam num embate feroz.