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Guto Graça Mello (1948-2026)

Não é exagero dizer que Guto Graça Mello, que morreu nesta terça-feira depois de um mês internado após sofrer uma queda, é um dos nomes mais importantes da música popular brasileira da segunda metade do século 20. Ele começou como músico e compositor, mas, depois de cair nas graças primeiro de Elis Regina e depois de Nara Leão em 1967, foi descoberto pelo diretor da novata emissora de TV Globo Walter Clark e chegou ao cargo de diretor musical da emissora ainda no começo dos anos 70. Lá criou o formato de trilha sonora de novela como conhecemos até hoje e foi um dos principais fiéis da balança no que Clark, José Bonifácio Sobrinho (o Boni) e Daniel Filho chamavam de “padrão Globo de qualidade”, ao subir o sarrafo de produções da casa para torná-las diferente do resto da produção televisiva brasileira daquele período. Ele foi mestre em convidar nomes como Dorival Caymmi para escrever o tema da novela Gabriela, Paulinho da Viola para criar o tema da novela Pecado Capital e Tom Jobim para fazer a trilha da série O Tempo e O Vento e criou temas clássicos da emissora, além de ser o compositor (ao lado de Boni) da música-tema do Fantástico. Além de dar a cara musical para a crescente emissora, assumiu a gerência da gravadora do grupo, a Som Livre, e juntos fizeram projetos históricos, além de trilhas de novelas imbatíveis até hoje – e de ter lançado as carreiras de Lulu Santos e de Cazuza, desde o Barão Vermelho, e ter feito projetos infantis ao lado de Ezequiel Neves, como Pirlimpimpim e Plunct Plact Zuuum. Também foi produtor de discos de praticamente todo o panteão da MPB, de Milton Nascimento a Rita Lee, passando por Roberto Carlos, Gilberto Gil, João Gilberto, Alceu Valença, Caetano Veloso, Elis Regina, Gal Costa, Maria Bethânia e Xuxa, entre muitos outros. Saiu do grupo Globo em 1989 e na década seguinte passou a produzir outros discos importantes da nossa música como As Canções Que Você Fez pra Mim de Maria Bethânia (1993) e o terceiro disco homônimo de Cássia Eller (1994), além de fazer a trilha de mais de 30 filmes nacionais. Como disse no início, não é exagero.

Punks paulistanos em uma novela da Globo – nos anos 80!

Foi o Bruno Saito que pinçou em sua conta no Instagram a fatídica cena que toda uma geração jurava que havia acontecido mas ninguém tinha provas além da própria memória, quando parte da primeira geração do punk paulistano foi parar numa novela da Globo. No dia 17 de fevereiro de 1984 foi ao ar o último capítulo da novela das oito Eu Prometo, a última escrita pela sumidade do gênero Janete Clair (que morreu no final de 1983, deixando a novata Gloria Perez incumbida de terminar sua primeira novela). E nesse episódio, a noiva Daise (vivida por Fernanda Torres) resolvia se vingar do noivo Albano (vivido por Ney Latorraca) em pleno casamento, quando convidou seus amigos punks de São Paulo para a festa. Como não conseguiam fazer punks convincentes, a produção da novela resolveu chamar os punks de verdade para fazer figuração na cena e assim nomes como João Gordo, Clemente e integrantes das bandas SP Caos, Olho Seco e Kaos 64, entre outros, foram parar no horário nobre da Globo ao som de “X.O.T.”, do Cólera. Gordo lembrou da situação às gargalhadas em uma entrevista ao canal do André Barcinski no YouTube.

Assista abaixo:  

Brisa nova do Bonifrate

bonifrate-brisa

Bonifrate começa seu 2015 pisando no olho do zeitgeist ao musicar esse clássico direito de resposta do velho Leonel Brizola, homenageado também bonifrate-brisano título de sua nova faixa, “Brisa”.

O SBT interior

Quando a Chiquinha do Chaves baixou na Patrícia Poeta: