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Roda de samba sem percussão

Finalmente consegui ir ao Quinta Lapa que a Anna Vis está organizando na galeria Lapa Lapa (no bairro paulistano de mesmo nome), quando Douglas Germano e Thiago França se encontraram para uma noite de violão e sax sobre os sambas do primeiro. Apesar da entrada discreta – uma escadaria que dá para uma sobreloja em uma rua pouco movimentado -, o espaço é pequeno e ao mesmo tempo amplo, permitindo que umas quarenta ou cinquenta pessoas se reunissem para assistir ao encontro, tocado sem amplificação, pressuposto da noite, e com uma iluminação indireta e colorida, criando uma sensação que tendia a um silêncio temeroso, logo quebrada pelo balanço dos sambas e sintonia entre os dois músicos – Douglas criando um chão sempre firme e constante para os voos de Thiago, por vezes melancólicos e taciturnos, outras completamente audazes e vertiginosos. No repertório, a sequência de novos clássicos paulistanos passeou por pérolas dos discos de Douglas (“Àgbá”, Guia Cruzada” e “Golpe de Vista”), algumas de seu novo disco, o ótimo Branco (como “Zelite” e “Bala Perdida”), parcerias dele com Kiko Dinucci (“Oranian” e “Por Favor”), outras imortalizadas pelo Metá Metá (“Damião”, “Sozinho”, “Canção Para Ninar Oxum” e “Oba Iná”, que encerrou a noite como bis) e outros clássicos imbatíveis como “Tempo Velho” e a definitiva “Vias de Fato”. E o que começou quase como uma missa quieta regida pelos dois, terminou como uma roda de samba sem percussão, despida da aura sacra original, pronta para cair na gandaia – mas sem exagerar. Grande noite.

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A segunda temporada do Quinta Lapa

Anna Vis antecipa em primeira mão para o #trabalhosujo a programação da seu Quinta Lapa, quando reúne mais duplas de peso – como Maurício Takara e Maria Beraldo, Douglas Germano e Thiago França e Felipe Vaqueiro e Luíza Brina – em shows inéditos na galeria Lapa Lapa, como vem fazendo desde 2025, quando reuniu Giovani Cidreira e Negro Leo, ⁠Juçara Marçal e Marcelo Cabral, ⁠Yma e Fernando Catatau, ⁠Jadsa e Nina Maia, ⁠Sophia Chablau e Juliana Perdigão e ⁠Ava Rocha e Caxtrinho. Lembro quando ela me falou de fazer uma noite mais experimental na Lapa, bairro da zona oeste paulistana que está começando a se movimentar. Moradora do bairro, ela pensou na proposta a partir de uma conversa com Giovani Cidreira e Filipe Castro no bar da Lôra e aos poucos foi formatando a iniciativa, que aconteceu no segundo semestre do ano passado em parceria com a galeria Lapa Lapa, que também fica no bairro. “Eu tinha assistido a um show do Zelo na galeria umas semanas antes e saquei que o som da sobreloja tinha um reverb próprio, bonito, e de cara pensei em fazer um encontro totalmente desamplificado”, me explica Anna, que já havia feito curadoria de noites no Porta e na Associação Cecília, além de ter sua própria carreira solo. “Consegui o contato do Gabriel Roemer, fundador e idealizador da galeria, marcamos um café, contei minha ideia que ainda não tinha nome, mas já tinha uma noção formal de como se daria: seriam duos totalmente acústicos misturando canção e música experimental, dois artistas que tenham trabalhos solos e que topem se encontrar pra fazer um show inédito ali. Gabriel adorou a ideia, ele já queria produzir noites de música lá, tava caçando esse assunto. Quer dizer, nos encontramos na hora certa.” Ela juntou outros talentos – como a iluminadora Marcela Katzin e o fotógrafo Bruno Prada – e agora vem com essa nova safra de encontros, que começam no dia 19 do mês que vem (Maria Beraldo e Maurício Takara) e continuam em abril (Douglas Germano e Thiago França dia 2 e Luíza Brina e Felipe Vaqueiro dia 16). A Galeria Lapa Lapa fica na Rua Afonso Sardinha, 326, e o lugar é bem pequeno, por isso corre que os ingressos pra primeira noite já estão à venda!

Veja abaixo: