Tudo Tanto #126: Fred Zeroquatro

O papo do meu programa sobre música brasileira desta vez é com o líder e fundador do Mundo Livre S/A Fred Zeroquatro, que está lançando mais um disco com sua banda, Walking Dead Folia, que comenta esse período pandêmico que estamos atravessamos – e aproveitamos para relembrar as décadas de história do grupo que é um dos pilares do mangue beat.

Assista aqui.  

Radiola Urbana em 1973

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Karina Buhr tocando o primeiro disco dos Secos & Molhados, Cidadão instigado relendo a íntegra do Dark Side of The Moon do Pink Floyd, Céu visitando Catch a Fire do Bob Marley & The Wailers e Fred Zeroquatro apresentando a clássica estréia em disco de Nelson Cavaquinho. É um pequeno festival dos sonhos, mas não é tão sonho assim, pois irá acontecer: a nova encarnação do projeto 72 Rotações, realizado no ano passado pelos compadres do Radiola Urbana, ganha uma versão 2013 e mais uma vez o palco do Sesc Santana recebe nomes da nova música brasileira reinterpretando clássicos com 40 anos de idade, no final de setembro. Os shows do evento 73 Rotações acontecem entre os dias 26 a 29 do mês que vem, sempre às 21h (à exceção do último show, no domingo, às 18h), e conversei com os compadres Ramiro Zwetsch e com o Filipe Luna, capitães tanto do Radiola Urbana quanto do festival, sobre o evento que já pode ser considerado histórico. A entrevista segue abaixo:

 

Ocupação Chico Science

E o Carneiro pautou o Clemente para dar uma sacada na Ocupação Chico Science que está acontecendo no Itaú Cultural até o dia 4 de abril e trombou com a quadrilha que armou o mangue beat: Fred Zero Quatro, Jorge Du Peixe, DJ Dolores, Rogê, Paulo André… Só gente fina.

E essa entrevista com o Zero Quatro?

…e parece que o líder do Mundo Livre S/A tá com saudade das gravadoras. É isso?

“Percebo que, a despeito de toda a questão do acesso democrático e da maior visibilidade que chegaram com a internet, um fato inegável é que a web tem desestruturado quase todas as cadeias que se envolvem com a digitalização, do jornalismo à música. Hoje é moda celebrar a web, dizendo que finalmente nos livramos dos malas da indústria fonográfica. Tudo bem, a indústria até tinha um aspecto predatório, mas uma coisa é você defender a ausência da indústria, a ausência da cadeia produtiva. Se o mangue beat tivesse surgido num ambiente parecido com o que rola hoje, com gravadoras em crise, talvez o mangue beat tivesse se limitado a uma ou duas comunidades de Orkut, uma coisa de gueto. (No início dos anos 90) A Sony foi a Recife, contratou o Chico Science e bancou o primeiro clipe da banda, que rodou direto na MTV. Finalmente a indústria olhava para nós. E teve um efeito multiplicador forte. As pessoas esquecem isso. Hoje há uma situação sem indústria, sem cadeia produtiva. Está se instalando uma religião da tecnologia, um fundamentalismo tecnológico. Fala-se muito em economia sustentável, mas na cultura não existe consumo sustentável.”

Será que não? Lembre-se que estamos em fase de transição… A íntegra da entrevista tá aqui e é fechada pra assinantes do UOL.

Manu Bordello S/A

Conheço pessoas que vão sair correndo pros dois lados: um grupo em direção e outro à distância. Mas é isso mesmo, praticamente uma hipérbole de Vila Madalena/Santa Teresa: o show que o Mundo Livre S/A fará no domingo de carnaval no Recife terá participações do cigano Eugene Hutz (o que é que eu tava falando…) e do andarilho Manu Chao. Não é a primeira vez que o Mundo Livre divide o palco com Eugene no carnaval, como Fred 04 lembra em entrevista ao site do Tim Festival – ano passado o vocalista do Gogol Bordello subiu no meio do show da banda pernambucana para cantar “Guns of Brixton”, do Clash. Pra esse ano, falta só a dupla Moretti e Amarante – mas se alguém convidar…