Vários Artistas: Fabio Bianchini

Mais uma conversa boa sobre música, desta vez com meu velho compadre Fabio Bianchini, o Mutlei ou “Mumu” para os mais próximos. Conversamos sobre seus anos de formação e quase sempre resvalamos numa outra entrevista que faremos no futuro, já que Bianchini cobre música há décadas. E o papo inevitavelmente visita shows que assistimos juntos, suas duas estadas em São Paulo, como ele conheceu suas bandas favoritas – Cure, Echo & The Bunnymen, Beatles e Teenage Fanclub -, como o Dear Wareham lhe falou para ele ficar de olho numa banda nova chamada Strokes, entre outros causos que lembramos no caminho…

Assista aqui.  

DM: Freestyle

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No nosso décimo programa, eu e Dodô finalmente começamos a conversar sobre o Juntatribo, embora sugerimos apenas o início de algo maior, e contamos com a participação do grande Fabio Bianchini numa edição do DM que retoma as raízes dos primeiros episódios: longos papos sem rumo que vão da eleição deste ano ao drama da passagem de som, passando por Ernesto Lecuona, 1984, a volta da inflação, mulheres negras, o palco que caiu, a demo do Astromato, o pato da Fiesp na testa, o gorro dos Beastie Boys, a árvore do Fabio Leopoldino, o prenúncio da geração digital e até Engenheiros do Hawaii.

Seis anos do 7 a 1

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O Gambitos de Fabio Bianchini lembra a data do vexame da seleção brasileira de 2014 ao lançar o clipe de um single que traduz o espírito dos dias de hoje, “Uma Palavra em 7a1emão”, nesta quarta-feira, 8 de julho. “Não tem como dar tudo certo; tudo errado também não vai dar; tentar um média decente é a história de qualquer lugar”, ele sussurra sobre uma base indie-pop com guitarra praiana, lembrando que desde então “todo dia é um 7 a 1”.

O clipe ainda tem uma versão instrumental, pra você cantar com os amigos.

“Uma Palavra em 7a1emão” faz parte do EP Ilha de Pathos pt. 2 que ele lançou no final de abril pelo Midsummer Madness.

Todo o show: Teenage Fanclub no festival de Reading, 1992

Mais uma pérola desenterrada pelo Mutlei: a íntegra do show do Teenage Fanclub no festival de Reading em 1992, aquele que, por algum motivo estranho e aleatório, passou na Bandeirantes naquele mesmo ano, causando comoção em quem acompanhava as notícias de música no conta-gotas da imprensa imprensa (lembre-se que não havia a internet como a conhecemos hoje naquele momnento). Showzão.

“So Far Gone”
“Mr. Tambourine Man”
“What You Do to Me”
“Star Sign”
“God Knows It’s True”
“Take the Skinheads Bowling”
“The Concept”
“Everything Flows”
“Satan”

Cartola tem uma novidade pra mostrar pra vocês…

cartola

Imagine você ligar o rádio e ouvir “As Rosas Não Falam” mostrada em público pela primeira vez por seu próprio autor – foi isso que aconteceu em 1974, quando Agenor de Oliveira, o Cartola, comentou sobre o presente que fez de aniversário aniversário para si mesmo na rádio JB FM.

Dica preciosa do Mumu.

E essa versão do Mercury Rev tocando “Planet Caravan”?

MERCURYREV

Não conhecia essa versão da balada psicodélica “Planet Caravan” do Black Sabbath que o Mercury Rev gravou numa Peel Session em 2001.

Dica do Mumu.

Gambitos com sangue nos olhos

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Meu compadre Fabio Bianchini lança “Notícias Tuas”, um esporro elétrico triste e raivoso cantado em português por sua banda bissexta Gambitos para sublinhar a tenebrosa importância do momento histórico que vivemos às vésperas desta dura eleição. Ele diz que está entrando “aos 49 do segundo tempo de uma partida que a gente tá perdendo e em que tá apanhando, mas a bola ainda não parou de rolar. Talvez seja atrasado. Na verdade, a vontade de escrever sobre o momento histórico já vinha de algum tempo; pelo menos desde o golpe de 2016 e seus desdobramentos. Mas sempre ficava algo entre uma explicação do que todos víamos e uma imagética ao mesmo tempo cafona e que não falava de verdade do que se queria falar. O fortalecimento do bolsonarismo, principalmente para quem mora em Santa Catarina, criou um viés diferente, e bem mais pessoal, que, portanto, faz mais sentido explorar. É a frustração de ver pessoas amadas endossando ideias truculentas de combate às mais básicas noções de liberdade pessoal, dignidade, respeito mútuo, civilização e humanidade. É inevitável sentir decepção, descaso, até desamor mesmo e, a partir daí, algum ressentimento ao perceber são negligenciados os avisos de que isso coloca ameaças sérias à nossa liberdade, nossa integridade física e até nossa existência.”

Palavras duras que precisam ser ouvidas. Abaixo, a letra da música, para ficar bem claro o recado:

Quero muito que estejam vivos, com saúde e lucidez pra lembrar
qual foi a atitude quando ele disse que o correto é me exterminar

Quando disseram que gay tem que tomar um couro
Que deviam ter matado mais
Quando rasgaram a placa da Marielle
Quando disseram pra acabar os ativismos

Quero que tu esteja lá
sabendo bem de que lado ficou
Mas se não eu vou lembrar o teu lugar nesse horror

Quando sabiam que espalhavam mentira, pouco ligando se é verdade ou não
Não se importando com as consequências
Pra poder pensar que até tem razão

Quando mediram quilombola em arroba
Diz que não estupra porque não merece
Quando negaram qualquer terra pros índios
Quando mataram Mestre Moa

Quero que tu esteja lá
sabendo bem de que lado ficou
Mas se não eu vou lembrar o teu lugar nesse horror

E muita gente vai sumir e morrer
Antes de ser a minha vez
Mas quando eu não estiver mais aqui
Quem vai lembrar vai ser vocês

O medo nos sufoca
O choro nos afoga
Não tenho mais o que perder

Meu pai nem pediu desculpas por me botar nessa catapulta
que nos lançou na escuridão

Eu tenho tanto pra dizer
Eu tenho medo de viver
Não tenho medo de morrer por nós

A volta dos Gambitos

gambitos

O jornalista e herói indie Fabio Bianchini estava entretido com uma possível volta de sua mítica banda Superbug, mas resolveu voltar a lançar hinos através de seu alter ego Gambitos. “‘Pop Songs Your Tinder Match Is Too Stupid to Know About’ é a primeira música do terceiro EP dos Gambitos, Politics of Post Modernism Pool Party of One. Quer dizer, talvez vire um álbum, mas provavelmente não, deve ser EP mesmo. Os dois primeiros saíram, simultaneamente, em 2008, e antes disso teve uma faixa isolada, Mik and Honey”, ele me explica por email, antes de dizer que tudo pode ser encontrado em sua conta no Soundcloud. E é com essa faixa nova que ele recebe 2018:

“Como dá para notar, Gambitos é um negócio intermitente, se materializa bem de vez em quando”, explica, resumindo que a banda é basicamente ele e quem estiver a seu lado. “Nas atuais gravações, até o momento os Gambitos são também André Seben, ex-Superbug e talvez o mais clássico dos guitarristas de Florianópolis, Paula Ende, ex-vocalista das Borboletas Acrobáticas e o Menino Isoladinho e mais outras, Márcio Bicado, ex-Motel Overdose, ex-Verano, mais um monte de coisa, toca nuns lances da Camerata também, Cicero Bordignon, ex-Maltines, Casablanca, e Jean Gengagnel, Moebiius, ex-Mottorama. E dessa vez vai rolar também formação pra uns shows ao vivo, mas ainda não dá pra falar.”

Noites Trabalho Sujo Clube #003

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A terceira edição semanal das Noites Trabalho Sujo, no ímpeto de retomar o título de melhor sexta-feira de São Paulo, acontece mais uma vez no Plu-Bar, ali, no cruzamento da Araújo com a Ipiranga, no Centro. E pra garantir a presença de todos, não há lista de convidados – à exceção daqueles indicados pelo convidado da vez, o grande Fábio Bianchini (mais informações aqui).

Noites Trabalho Sujo Clube #003
20 de outubro de 2017
No som: Alexandre Matias e Fabio Bianchini
Plu Bar. Rua Araújo, 155.
23h45
R$ 30
Entrada sujeita à lotação da casa – chegue cedo

Como foi a edição de março das Noites Trabalho Sujo