Entrevistei Fernando Dotta e Rafael Farah para a revista Trip, fundadores da Balaclava Records, núcleo de produção indie que, com a nova edição de seu festival, dá passos firmes para se estabelecer como um dos principais players do mercado independente brasileiro. Um trecho da conversa com os dois:
O selo ainda contou com a sorte ao fechar a vinda de sua primeira turnê com um artista gringo poucos meses antes de seu disco projetá-lo para um público maior: “Foi um choque”, lembra Dotta. “Era uma aposta, a gente fechou o show dele um mês antes do lançamento do disco Salad Days e o disco tinha acabado de vazar na internet. No dia do show todas as pessoas estavam cantando todas as músicas no Sesc Belenzinho”. Farah completa ao lembrar de outro momento emblemático com o indie alto astral. “Um ano depois tínhamos a Audio lotada para ver o show dele e uma turnê que passava por sete cidades do Brasil — e isso só um ano depois do primeiro show. E o mais legal foi que o Mac era o único headliner gringo e o povo chegou cedo, pra ver as outras bandas brasileiras”.
A segunda vinda de DeMarco para o Brasil foi na segunda edição do Balaclava Fest, que o selo lançou em abril de 2015 no Centro Cultural São Paulo, ao trazer o fundador do Superchunk e dono da gravadora Merge para apresentar-se sozinho em São Paulo. Em novembro daquele ano, trouxeram Mac DeMarco acompanhado de artistas como Mahmed, Terno Rei, Séculos Apaixonados, Jovem Palerosi e Nuven. As outras edições do Balaclava Fest trouxeram o Swervedriver (no Cine Joia, em maio de 2016), Mild High Club (no Clash Club, em novembro daquele ano), Slowdive, Clearance e Widowspeak (no Cine Joia, em maio de 2017) e Washed Out e Homeshake (no Tropical Butantã, em novembro do ano passado), além de uma edição em Porto Alegre (com Yuck e Tops, em novembro de 2016). Todas as edições do Balaclava Fest contaram com pelo menos duas bandas brasileiras em cada show, e não apenas bandas que pertenciam ao selo. Além dos artistas do festival, também fizeram shows do Sebadoh e do Tycho, além de levar as bandas Câmera e Terno Rei para tocar no festival espanhol Primavera em 2015.
Mas eles sabem que não conseguiriam fazer o que fazem se não fossem os pioneiros do rock independente brasileiro, como o selo carioca Midsummer Madness, que citam como referência. “Um cara que nos ajudou muito foi o [produtor mineiro Marcos] Boffa, que nos ajudou muito e deu várias consultorias, e também o [produtor sergipano] Bruno Montalvão, que já tinha uma expertise de produção, a gente não sabia como começar uma planilha”, reconhecem. Mas mesmo estando numa fase relativamente estável, sabem que não é fácil. “É mais insistência. A gente sabe que não pode deixar a bola baixar, porque senão acaba”, resume Dotta.
A íntegra pode ser lida aqui.
O Brasil ainda tem um enorme débito com o resto da América Latina, para quem historicamente sempre deu as costas, mas a música parece estar disposta a reverter esse processo. Enquanto os hermanos da América espanhola bem conhecem os grandes nomes da nossa música – os históricos e os atuais -, aos poucos nomes manjados no resto do continente dão as caras por aqui graças a iniciativas heroicas de produtores, músicos e outros agentes deste novo mercado independente brasileiro. É o caso dos Meridian Brothers, um dos grandes nomes da música colombiana, que passeia pelo Brasil durante a semana, com passagens pelo Rio de Janeiro (onde tocam nesta quarta, na Audio Rebel), Goiânia (sexta no festival Bananada) e Brasília (domingo na Cervejaria Criolina). No meio do percurso, passam por São Paulo nesta quinta, quando tocam no lançamento da festa WahWah, que também é o nome de guerra da dupla de DJs Maurício Fleury (tecladista e guitarrista do Bixiga 70) e Giu Nunes, dedicada à expansão do conceito de psicodelia para além do padrão sessentista, “forma antropofágica e sincrônica, buscando a transcendência dos sentidos no som de sintetizadores, ecos de fita, instrumentos ancestrais e distorções de guitarra”, como explicam (mais informações aqui). Os dois conversaram com o guitarrista, produtor e compositor Eblis Álvarez dos Meridian Brothers, e mandam o papo direto aqui para o Trabalho Sujo e o show ainda contará com a participação da Ava Rocha.
O Meridian Brothers é um projeto que já tem seus vinte anos e passaram de um projeto solo e laboratório de sonoridades para uma banda. Quando começaram estes experimentos com a música latina?
Meridian Brothers é um grupo que começou como uma espécie de laboratório, um lugar de experimentação de diferentes ideias que eram alternativas para o momento nos anos 90 e que, aos poucos, foi virando uma banda com exatamente a mesma intenção: tocar ao vivo certas ideias que não tinham nada a ver com os formatos tradicionais do rock ou a música de canção. Depois, paulatinamente, fomos incluindo a música latina na ideia como resultado de uma investigação que havíamos começado a fazer em Bogotá, com muitos músicos indo a festivais, comprando discos de música tradicional. Eu fazia parte desse movimento e tive também essa mesma ideia dos músicos dessa época de começar a incluir música latina em formatos de rock experimental.
Quais são as suas maiores influências na música?
As influências são muitas. No entanto, para apontar, digamos que o que mais influencia os Meridian Brothers, mais que os artistas, são os formatos. Existem certos tipos de formato como a música eletrônica, o rock, certos gêneros que vão se transformando de disco para disco e de época em época que nos influenciaram, de formatos de música latina a formatos de rock experimental, experimentos com eletrônica, além da relação entre esses formatos e certos artistas importantes, mas que foram muitos. De qualquer forma, quanto a essa pergunta, sobre o que nos influencia, pode-se ver que também há um pensamento originário da música acadêmica ocidental, a música clássica, porque dentro de tantos anos de transformação sempre se volta às músicas populares e seu papel nos contextos sociais e no contexto fonográfico.
Há uma presença psicodélica muito forte na sonoridade de vocês e também a utilização de recursos eletrônicos. Como isso se mistura aos elementos latinos? Existe diferença entre o que fazem no estúdio e no palco?
Sim, temos muitos componentes eletrônicos que, imediatamente, podem bem remeter ou ir até a psicodelia. No entanto, são mais experimentos de programação, esquemas técnicos ou de ‘settings’ e portanto é um pouco casual que se chegue à psicodelia. Quanto à diferença entre o estúdio e ao vivo, sempre tive a ideia do estúdio como um espécie de espaço ideal com todas as possibilidades dentro dele e a ideia é fazer ao vivo o máximo possível parecido com o que se fez no estúdio.
Este esforço para fazer com o que ao vivo soe como em estúdio nos levou a muitas possibilidades e desenvolvimentos técnicos que não seriam possíveis se não houvesse esse rigor para fazer as coisas ao vivo parecidas com o que tivemos no estúdio, então desenvolvemos várias técnicas como as transformações da voz, novas coisas dramáticas, tocar com sequências que se combinam com a percussão… Todo esse tipo de coisa surgiu a partir de querer imitar tudo o que se faz em estúdio e quando você está em estúdio, não pensa em como vai ser ao vivo, a solução vem depois.
Vocês têm influência da Tropicália? O que conhecem e gostam da música brasileira atual?
Perfeitamente, somos muito influenciados pela Tropicália, pessoalmente penso que a Tropicália é uma das respostas mais perfeitas à combinação de rock global e músicas tradicionais e por isso realmente nos interessa muito esse movimento e o que ouvimos, ou o que eu, como compositor, ouvi foi todo o básico como Gilberto Gil, de Caetano Veloso, Novos Baianos, Gal Costa etc. E sobre o que eu gosto mais das coisas novas: eu sou muito fã da Ava Rocha, que vai participar do show com a gente, ultimamente tenho ouvido muito a cantora Soledad, que me parece ser de São Paulo (ela é do Ceará)… O Terno também me parece um grande grupo, gosto muito dos Boogarins, gosto muito da Tulipa também e por aí vai…
É fácil encontrar temas religiosos e ligados ao sofrimento em suas composições, existe uma relação entre esses temas e questões sócio-políticas? É possível traçar um paralelo entre Brasil e Colômbia nesse sentido?
Em nossa música criamos cenas fictícias e personagens às vezes esquisitos, às vezes bizarros, e sim, há um inconsciente político, um inconsciente também um pouco de sofrimento em parte porque as situações latinoamericanas atuais são bem difíceis em nosso país e então ficamos tocados pelas coisas que acontecem na Colômbia e isso termina se ligando a diferentes temas das canções. Quanto ao paralelo entre Brasil e Colômbia, digamos que em toda a América Latina estamos sofrendo uma entrada forte da exploração de recursos por parte de grandes grupos econômicos estrangeiros com a permissão de políticos de tendências de direita e o que fazem é privatizar várias entidades que antes eram do Estado, o que permite a entrada de monopólio, há crescimento da desigualdade social. Esse é o paralelo que encontro entre Brasil e Colômbia e que está acontecendo muito também no resto da América Latina.
O que podemos esperar desta primeira apresentação em São Paulo?
O que o público de São Paulo pode esperar é uma varredura por muitas das composições dos últimos quatro discos dos Meridian Brothers e que são bastante variados, com focos diferentes: o disco Desesperanza, de 2012, é um disco dedicado à salsa, Los Suicidas, de 2015, é um disco de órgão instrumental, Salvadora Robot, de 2014, é um disco com um escopo mais amplo, influenciado por músicas do caribe colombiano e, por último, ¿Donde Estás Maria?, de 2017, que é um disco muito inspirado nos formatos da Tropicália brasileira e de MPB, vamos tocar umas três canções deste último trabalho. Então, o que se pode esperar é um resumo de todas essas coisas que fizemos nos últimos anos, mostrar a nossa música no Brasil é uma honra para nós do Meridian Brothers.
Maior satisfação em deixar o grande Guizado tomar conta das terças-feiras de maio, com a temporada O Multiverso em Colapso, feita durante a gravação de seu próximo disco, no Centro da Terra. O disco foi pré-produzido pelo grande Miranda e deverá ser gravado exatamente no meio do mês, quando a banda formada por Guizado (um time de peso que inclui nomes como os guitarristas Regis Damasceno e Allen Alencar, o baixista Meno Del Picchia no baixo, Zé Ruivo nos sintetizadores e Richard Ribeiro na bateria) recebe diferentes convidados para visitar os multiversos abertos pelo trompetista durante estas quatro terças: na primeira, dia 8, ele reúne Maurício Takara, Negro Leo e Kiko Dinucci; para a segunda, dia 15, ele chamou o rapper Edgar, de Guarulhos; na terceira terça é a vez de uma sessão descarrego com Junior Boca e Thiago França; para terminas na última terça do mês com as presenças de Ava Rocha, Sandra Coutinho das Mercenárias e as meninas do Ema Stoned (mais informações aqui). Conversei com o Guizado sobre este novo trabalho, com influência de free jazz, política e histórias em quadrinhos.
O que é o Multiverso em Colapso?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/guizado-multiverso-em-colapso-o-que-e-o-multiverso-em-colapso
Como a temporada se relaciona com o seu próximo disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/guizado-multiverso-em-colapso-como-a-temporada-se-relaciona-com-o-seu-proximo-disco
Fale sobre as noites. Como será a primeira terça-feira?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/guizado-multiverso-em-colapso-fale-sobre-as-noites-como-sera-a-primeira-terca-feira
Quem é o convidado da segunda terça?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/guizado-multiverso-em-colapso-quem-e-o-convidado-da-segunda-terca
Quem fará as participações na terceira terça?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/guizado-multiverso-em-colapso-quem-fara-as-participacoes-na-terceira-terca
Quem são as convidadas da última terça?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/guizado-multiverso-em-colapso-quem-sao-as-convidadas-da-ultima-terca
Quem são os músicos que tocarão em todas as apresentações?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/guizado-multiverso-em-colapso-quem-sao-os-musicos-que-tocarao-em-todas-as-apresentacoes
Em todas as noites vocês tocarão o mesmo repertório?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/guizado-multiverso-em-colapso-em-todas-as-noites-voces-tocarao-o-mesmo-repertorio
Fale sobre o papel do Miranda na pré-produção deste disco?
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Um dos grandes nomes da música popular contemporânea, o músico e compositor Edgard Scandurra é mais conhecido como a força cerebral e emotiva do Ira!, mas tem uma carreira solo paralela que ergue-se tão importante, embora não tão popular, quanto o trabalho de sua banda original. Um dos principais nomes da música paulistana desde os anos 80, Edgard Scandurra trilhou uma carreira solo ímpar, com projetos paralelos, tributos e discos solo que flertam com o rock clássico, o punk, a música eletrônica, o pós-punk, o noise e a canção francesa. Convidei-o para dissecar sua musicalidade solo na programação do Segundamente do mês de maio e ele dividiu suas quatro segundas em quatro shows diferentes: na primeira segunda, dia 7, ele recria seu primeiro disco solo, Amigos Invisíveis, de 1989; na segunda, dia 14, ele volta para o início dos anos 80, quando fez parte das bandas Mercenárias e Smack; na terceira segunda-feira, dia 21, ele visita suas canções de formação apenas no piano e guitarra (indo de Aphrodite’s Child a Eric Carmen) no espetáculo Lembranças Afetivas; e ele finalmente encerra seu mês no Centro da Terra mostrando sua faceta eletrônica ao tocar com os filhos no projeto Benzina aka Scandurra. Conversei com ele sobre estas quatro apresentações, que ele batizou de Operário do Rock (mais informações aqui).
Quando foi que você se viu como um operário do rock?
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Como Operário do Rock virou o o mote da temporada?
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Fale sobre a primeira noite, Amigos Invisíveis.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-fale-sobre-a-primeira-noite-amigos-invisiveis
A segunda noite é Smack e Mercenárias.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/edgard-scandurra-operario-do-rock-a-segunda-noite-e-smack-e-mercenarias
E a terceira noite? É a primeira vez que você usa esse formato?
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A última noite é do Benzina aka Scandurra. Como ele funcionará ao vivo?
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Quais projetos ficaram de fora dessa temporada?
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Você acredita que a temporada funcionará como uma terapia?
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Prestes a lançar seu sétimo álbum nas vésperas de uma Copa do Mundo, Maurício Pereira não esconde sua paixão pelo futebol e dedica uma faixa inteira de seu Outono no Sudeste, que será lançado ainda este mês, ao belo jogo. “Eu adoro futebol”, me escreve o Pereirão. “Mas o futebol como ele é hoje, veloz, racional, às vezes me enche um pouco o saco. Não sou nostálgico, mas sinto falta de um pouco de fuleiragem, sonho, molecagem.”
“Então um dia – um pouco antes do famoso 7 a 1 – catei um groove do Tonho Penhasco e viajei em cima dele. Pensei no Tião, parceiro clássico do Rivelino no meio campo do Corinthians. Bola no chão, olhar no infinito, cadência, respiro. No arranjo, um toque precioso do Gustavo: a bateria do Biel (Basile) e o baixo do Henrique (Alves) é que iam conduzir o groove, deixando espaço vazio pra a conversa do piano do Pedro (Montagnana) com o violão do Tonho. Nos coros, novamente os Pereirinhas (os filhos de Maurício: Tim, Chico e Manuela) – e de quebra ainda matei a vontade de fazer uma locução de futebol nos moldes do mestre Fiori Gigliotti.”
Ele mostra a futebolística “Quatro Dois Quatro” em primeira mão no Trabalho Sujo – e a ação nas quatro linhas é só mais uma canção que usa o futebol como metáfora para a vida em versos como “buscar o espaço, se apresentar”, “levantar a cabeça e imaginar”, “sentir que tudo tem seu tempo”, “coração é o nosso escudo e um par de asas, o único peso que devemos carregar”, “beber com o inimigo”, “atirar todo o dinheiro pela janela e depois sair correndo atrás dele feito louco”, “perder o medo de perder”, “bola pra frente, sem nostalgia nenhuma”, entre outras pérolas líricas.
O disco foi produzido por Gustavo Ruiz – sugerido por seu filho Tim – e ainda conta com parcerias de Maurício com Skowa, Edson Natale, Lu Horta (a já lançada “Mulheres de Bengalas“) e Arthur de Faria. Eis a capa (da artista plástica Biba Rigo) e a ordem das músicas do novo disco:
“A Mais (Rubião Blues)”
“Tudo Tinha Ruído”
“Cartas Pra Ti”
“Florida”
“Os Amigos ou O Coração é Um Órgão”
“Mulheres de Bengalas”
“Outono no Sudeste”
“Não Me Incommodity”
“Piquenique no Horto”
“Quatro Dois Quatro”
“Maldita Rodoviária”
“Uma Pedra”
Um dos nomes mais ativos da cena carioca, o baterista Marcelo Callado – integrante do grupo Do Amor e ex-baterista de Caetano Veloso – lançou seu segundo disco solo no fim do ano passado, coletando canções de diferentes épocas de sua carreira num ousado álbum duplo. Musical Porém, lançado fisicamente apenas em vinil (além de estar nas plataformas digitais), é uma viagem por diferentes gêneros musicais e formatos de composição em que o músico mostra toda sua amplitude musical. O disco começa a ser mostrado visualmente com o clipe de “Fica”, que ele mostra em primeira mão no Trabalho Sujo:
Aproveitei para bater um papo com o Marcelo sobre este novo disco e saber o que mais ele anda aprontando.
Como Musical Porém começou?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-como-musical-porem-comecou
O disco sempre foi pensado como tendo diferentes facetas musicais?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-o-disco-sempre-foi-pensado-como-tendo-diferentes-facetas-musicais
O fato do disco em vinil ser duplo divide o álbum em quatro capítulos específicos.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-o-fato-do-disco-em-vinil-ser-duplo-divide-o-album-em-quatro-capitulos-especificos
Como aconteceram as participações especiais?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-como-aconteceram-as-participacoes-especiais
Como você relaciona esse disco com seus trabalhos anteriores?
Marcelo Callado: Como você relaciona esse disco com seus trabalhos anteriores?
É um disco influenciado por outros discos?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-e-um-disco-influenciado-por-outros-discos
Por que lançar em vinil em vez de CD?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-por-que-lancar-em-vinil-em-vez-de-cd
Como é esse disco ao vivo? Quem mais toca contigo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-como-e-esse-disco-ao-vivo-quem-mais-toca-contigo
E o que mais você anda fazendo, além deste seu disco solo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-callado-e-o-que-mais-voce-anda-fazendo-alem-deste-seu-disco-solo
Musical Porém: Faixa a faixa
Aproveitei a conversa com Callado para que ele dissecasse o disco faixa a faixa:
Acompanho o trabalho de paranaense Rosanne Machado desde quando ela surgiu com seu Rosie & Me no meio pro fim da década passada, resvalando nos saudosos blogs de MP3 e emplacando alguns minihits das paradas de sucesso do Hype Machine e do Last.fm (quem viveu lembra). De lá pra cá, trouxe-a para São Paulo quando fui curador do Prata da Casa do Sesc Pompeia em 2012 e ela seguiu com a banda de forma bissexta, até que passou a compor e gravar sons por conta própria, deixando o antigo grupo em estado de hibernação para focar em uma nova persona, Rosie Mankato, há uns três anos. E quando soube que ela finalmente lançaria um disco com seu novo trabalho, marquei um papo em que ela terminava falando que “sempre vai ser uma honra participar do Trabalho Sujo. Você, sem saber, foi a primeira pessoa a lançar Rosie Mankato quando tocou um cover bizarrissimo que eu fiz de ‘You’re Laughing at Me‘ na rádio Eldorado, mil anos atrás”. É, realmente eu não sabia disso. Vai ver por isso que ela liberou o clipe de “Don’t be Mad”, faixa de trabalho do EP Palomino, em primeira mão para o Trabalho Sujo.
Aproveitei para conversar com ela sobre toda a transformação de vida que resultou nessa nova personalidade musical (e ela ainda descolou um cover que fez de Ru Paul lá no final do post).
Como aconteceu a transição Rosie & Me para Rosie Mankato?
Comecei a experimentar com gravações lo-fi quando tinha 11 anos de idade. Meu pai sempre foi um cara da tecnologia e, como o pai dele proibiu ele de qualquer envolvimento com música, ele sempre me apoiou a seguir essa carreira como podia. Sempre foi uma característica minha ser mais reclusa e brincar com música. O Rosie and Me me pegou de surpresa porque naquela época, 2006 e 2007, a internet era muito mais aberta, livre de algoritmos do mal – haha! – e as bandas tinham muito mais chance de viralizar. Foi o que aconteceu com a gente num ponto importante do meu desenvolvimento como produtora musical e acabei me prendendo demais à banda nesse processo e tudo que ele envolvia: shows, agentes, ouvintes, ensaios, drama… Claro que a banda foi extremamente importante pra mim, e sempre me emociono em pensar nas coisas incríveis que a gente viveu, mas eventualmente todo aquele profissionalismo frio começou a limitar minha criatividade e isso só não me servia mais.
O EP Palomino representa exatamente essa transição. Nesses últimos anos, aceitei minhas fragilidades e pontos fortes pra fazer música com minha “verdade” e, principalmente, me divertir com isso, com leveza. Não queria voltar a tocar e produzir sem antes concluir essas tracks que ficaram esquecidas – e só consegui quando parei de levar isso tão a sério.
O que muda em termos de sonoridade?
Tudo, principalmente minha voz. Quando comecei a cantar em público, algumas pessoas próximas comentavam que eu tinha uma voz muito estranha e que “parecia um homem cantando”. Isso me fez desenvolver uma pira errada de cantar agudo demais pro meu tom natural pra evitar ouvir coisas do tipo – erro terrível da minha parte que só me atrasou na vida. Demorei pra entender que aquilo não era uma crítica produtiva, e sim uma galera nada a ver que só queria me ver mal. Quando a gente cresce um pouco – e assiste todas as temporadas de RuPaul’s Drag Race -, é normal desenvolver uma surdez seletiva pra comentários negativos e o resultado disso é muito mais produtivo. A sonoridade sempre vai ter um toque de estranheza, com um fundinho de country, dreampop e futurepop.
Há uma personalidade Rosie Mankato?
Tô num ponto da vida que só quero voltar a ter a criatividade que tinha quando era criança. Faz sentido? Só posso esperar que minha personalidade transpareça nas minhas atitudes e nas coisas que faço. Todo mundo tem alguma característica especial e eu acho demais quando conseguem aplicar isso no mundo real.
Como o disco Palomino surgiu? Por que demorou para ser lançado?
Ele surgiu em 2012, pra me lançar como “solo”. Não sabia que ia virar uma jornada de desenvolvimento pessoal no caminho. O que mais pesava era a constante insatisfação com a qualidade. E é claro, o EP envolve áudios super antigos gravados de forma aleatória e fora dos padrões. Tive que fazer as pazes com isso e fazer o melhor com o que tinha disponível. Hoje moro num casarão/estúdio que é beeem mais adequado pra captar e experimentar num nível mais elevado e não vejo a hora de compartilhar o que tá saindo disso tudo – mas aí já é assunto pro próximo álbum.
Fale sobre o clipe de “Don’t Be Mad”.
O clipe é bem pessoal e foi gravado nos arredores do estúdio – que fica numa área rural no meio do nada. São lugares que visito sempre e significam muito pra mim. Como artista independente, não disponho de muitos recursos pra esse tipo de material, então quis fazer o melhor possível com o que tinha. A Raysa Fontana – fotógrafa de moda – é quem cuida de todas as minhas imagens e vídeos. “Don’t be Mad” é sobre um dia de inverno, em que ela me pediu pra ser modelo e entrar num lago pra uma foto mas eu não tive coragem – meu, tava 2 graus! A música era pra ser uma piada com essa história e acabou se tornando uma das minhas preferidas. Ela criou esse conceito de monstro que, quando a cabeça gira, os olhinhos dele ficam bravo/triste/bravo/triste e a gente quis se divertir com isso, filmar e envolver a família na construção da máscara e das fantasias. No fim, eu pulei na água e congelei meus cambitos.
Você irá apresentar-se ao vivo? Qual a formação?
Sim! Já tenho alguns músicos envolvidos pra shows futuros e sempre quero tocar com pessoas diferentes. Ainda toco com os meninos do Rosie and Me, pra quem tem saudade da banda. Sempre vou ter interesse em tocar com pessoas diferentes que gostem do som. Vão ter dois shows de lançamento do Palomino no Teatro Paiol, em Curitiba, dias 25 e 26 de maio. Quem vai tocar comigo nessa formação são os músicos: Gabriel Eubank na bateria, Felix Cecílio na guitarra e Fabrício Rossini no baixo.
Rodolfo Krieger, baixista da banda gaúcha Cachorro Grande, está começando a trabalhar em sua carreira solo ao anunciar o lançamento de um EP no segundo semestre com a faixa “Louvado Seja Deus”. De inspiração psicodélica – bebendo tanto na fonte inglesa clássica dos anos 60 quanto em sua versão dance que aconteceu duas décadas depois -, o single, cujo clipe é apresentado em primeira mão no Trabalho Sujo, é a semente de uma conexão com um dos maiores nomes de nossa psicodelia – e do rock brasileiro -, o mutante Arnaldo Baptista, que é sampleado na frase que batiza a canção, extraída do disco Let it Bed, de 2004.
“Eu ainda estava morando em São Paulo, desfrutando das noites frenéticas da Rua Augusta, e entrei em uma fase Arnaldo Baptista, daquelas que vem de tempos em tempos”, me explica Rodolfo por email. “As audições eram diárias e constantes, em uma dessas viagens em meu apartamento, decidi escrever uma carta à mão para ele. Na carta escrevi sobre discos voadores, equipamentos valvulados e também contei um pouco sobre as canções que eu estava compondo, inclusive algumas muito influenciadas por ele, devido às exaustivas sessões do ex-mutante no meu toca-discos. O tempo passou e um dia, quando estava voltando de um show da Cachorro Grande, o porteiro do meu prédio me entregou um pacote com o nome da Lucinha – esposa do Arnaldo – como remetente. Quando eu abri me deparei com uma camiseta pintada a mão por ele, uma carta e um pequeno quadro que ele pintou com a seguinte frase ‘creia em seus sonhos’ aí foi o start para dar inicio às minhas gravações e começarmos a trocar alguns manuscritos e presentes!”
Sarau o Benedito?
A conexão já gerou frutos para além do single, quando o cachorro grande participa de uma homenagem feita ao mutante no dia 20 de maio, quando ele dirige um show-tributo a Arnaldo com a presença do próprio e de outros convidados como China, Karina Buhr, Hélio Flanders e Lulina na Caixa Cultural, em São Paulo. A homenagem encerra o ciclo Sarau o Benedito? que também terá apresentações solo do mutante nos três dias anteriores. “Quando surgiu o convite para fazer a homenagem, pensei logo de cara que tinha que fazer algo diferente. Como um bom fã do Arnaldo, sempre vou em homenagens que vez ou outra acontecem e a maioria dos repertórios dão ênfase ao Loki?! e aos discos dos Mutantes. Então, montei o repertório baseado apenas nos álbuns Elo Perdido, Singin’ Alone e Let it Bed. E confesso que esse é um show que eu sempre quis fazer, aquelas musicas do Elo Perdido são uma paulada!”
Ele antecipa algumas pérolas desta noite ao instigar um pouco sobre quem toca o quê: “Posso te adiantar que o Helio Flanders vai aparecer com um trompete em ‘I Fell in Love One Day’ e a Karina Buhr, aniversariante do dia, vai cantar a musica ‘Oh Trem’ numa versão explosiva tipo ‘Yer Blues’, do White Album, do Beatles.”
“Venho da geração da fita K7, quando na zona sul de Porto Alegre tinha um grupo de amigos que sempre pirateavam algumas fitas e em uma das milhares dessas fitas, encontrei algumas dos Mutantes”, Krieger lembra de como conheceu o grupo. “Mas foi no final dos anos noventa que adquiri a discografia em CD. Nessa época já fazia alguns covers com os conjuntos locais e sempre acabava rolando músicas deles nas rodas de violão. Hoje tenho tudo em vinil e que não sai da minha vitrola, assim como os Beatles, David Bowie e todos aqueles clássicos que a gente é fã desde moleque. Já o trabalho solo do Arnaldo só tive acesso quando pisei em São Paulo pela primeira vez, em 2005. Meu sonho era conhecer a galeria do rock e no dia que entrei lá enlouqueci, o primeiro álbum que eu comprei foi o Lóki. Foi amor à primeira vista e agora estamos aqui, nós dois juntos reunidos em uma música só!”
Ele não esconde a vontade de colaborar com o mestre: “Estou deixando o universo conspirar. Eu não vou negar que adoraria fazer alguma coisa com ele, tanto no palco, quanto no estúdio. Foi dada a largada e existe muita energia na nossa relação, algo que eu acredito que possa jogar a favor. Mas só de ele ter liberado o sample e topado participar do clipe já é um sonho realizado.”
“Os Mutantes são o nosso maior patrimônio musical, sem dúvida nenhuma”, empolga-se. “Aquela frase que o Rogério Duprat fala no documentário Lóki é muito certeira: ‘o Arnaldo Baptista é o responsável por quase tudo que aconteceu no Brasil de 67 para frente’.
Lenda-viva do skate paulistano (quando subia e descia as ruas usando o pseudônimo de Cabralha), o baixista Marcelo Cabral atualmente é mais conhecido pela precisão incisiva das linhas de baixo do Metá Metá ou pelos arranjos que faz nos discos em que trabalha (de Criolo a Elza Soares). Ele está prestes a lançar seu primeiro disco solo, batizado de Motor, em que reforça este seu lado arranjador e mostra sua faceta de compositor num álbum sensível, delicado e minimalista, sem baixos elétricos ou acústicos, tocado apenas no bass synth. O disco foi produzido por Daniel Bozzio, Romulo Fróes e pelo próprio Marcelo, e conta com músicas compostas pelo baixista ao lado dos colaboradores Clima, Rodrigo Campos, Alice Coutinho e Romulo, além de participações de velhos chapas como Ná Ozetti, Maria Beraldo, Cuca Ferreira, Criolo e Guilherme Held, além dos broders de Metá Metá, Sérgio Machado, Kiko Dinucci, Thiago França e Juçara Marçal. Motor chega nesta terça-feira nas plataformas digitais e ele antecipa a faixa-título, cantada por Romulo, com exclusividade para o Trabalho Sujo:
A capa de Motor, mostrada também em primeira mão para cá, foi feita pela companheira de Marcelo, Manuela Eichner, com quem ele vai passar uma temporada na Alemanha logo após o lançamento do disco. Conversei com o Cabral sobre este novo trabalho, em que ele também assume os vocais de suas canções:
Como esse disco surgiu?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-cabral-2018-como-esse-disco-surgiu
Ele é um disco mais de arranjador do que de baixista, concorda?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-cabral-2018-ele-e-um-disco-mais-de-arranjador-do-que-de-baixista-concorda
Como foi o processo de composição e produção de Motor?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-cabral-2018-como-foi-o-processo-de-composicao-e-producao-de-motor
Como você começou a trabalhar com arranjos?
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É um disco de despedida do Brasil? Ou de encerramento de ciclo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-cabral-2018-e-um-disco-de-despedida-do-brasil-ou-de-encerramento-de-ciclo
Você já pensou num show deste disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/marcelo-cabral-2018-voce-ja-pensou-num-show-deste-disco
Depois de quinze anos fora de atividade, a histórica Orquestra Santa Massa do DJ Dolores, grupo que segurou o brasão da música pernambucana após a implosão do mangue beat, no fim dos anos 90, volta a dar notícias. O grupo anuncia o lançamento de um novo disco, o primeiro desde Contraditório?, de 2003, para este ano e antecipa as novidades com o single “A Casta”, que lançam em primeira mão no Trabalho Sujo.
Carregando nas tintas políticas, o single parece comentar o Brasil de 2018, mas apenas reforça uma tendência que está em nosso DNA e repete-se por toda a história do país. É o primeiro aperitivo de uma nova temporada, que deve prosseguir com um EP lançado por aqui ainda neste semestre, e um álbum lançado primeiro no exterior mais para o final do ano (seguindo o padrão dos outros trabalhos da banda). O grupo volta com sua formação clássica: a vocalista e percussionista Isaar França, o guitarrista Fábio Trummer (líder de outro novo mito nordestino, a banda Eddie), o percussionista Mr. Jam, o rabequeiro Maciel Salu e, claro, o capitão DJ Dolores, com quem conversei sobre essa nova encarnação da banda.
Como que a Orquestra Santa Massa terminou e retornou?
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“A Casta” é uma resposta à situação do Brasil atual. Era inevitável recomeçar por aí?
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Há quanto tempo vocês estão parados? O que vocês fizeram neste meio-tempo?
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Mais uma vez a Santa Massa sai antes no exterior do que no Brasil.
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O que você tem achado da música brasileira atual?
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A música brasileira pode ajudar a tirar o Brasil desta situação atual?
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