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Entrevista

Tulipa_Ruiz_2018

Tulipa encerra o ciclo de seu ótimo Dancê neste fim de semana, quando consegue reunir todos os convidados de seu terceiro disco no palco do Sesc Pompeia. É um senhor time: o trio Metá Metá, pai e filho Cordeiro (seu Manoel e Felipe), o baterista Sergio Machado e o guru João Donato juntam-se à banda dela – que ainda conta com seu pai Luiz Chagas numa guitarra e seu irmão Gustavo Ruiz na outra – para tocar músicas do álbum de Tulipa e outras de seus repertórios – e é caminho natural para o disco de encontros que foi Dancê, nas palavras da própria cantora, que, à distância, consegue entender o EP Tu, lançado no ano passado, como desdobramento deste processo. Bati um papo com ela sobre o show destas noites de sábado e domingo (mais informações aqui) e ela chegou até a falar em disco novo…

Três anos depois, como você vê Dancê?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/tulipa-ruiz-2018-tres-anos-depois-como-voce-ve-dance

Qual foi o principal aprendizado deste disco?
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Como o disco conversa com Tu, que você lançou antes de encerrar o Dancê?
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Fazer um show com todos os convidados sempre esteve nos planos?
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Dá pra esperar alguma surpresa deste show?
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E quais os próximos passos a partir deste show de encerramento?
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ourband

Quando este livro de capa azul foi lançado, a cena independente brasileira já tinha entendido a internet (que ainda estava em seus primeiros passos, o Napster ainda existia e a banda larga era uma novidade – e ninguém usava celular) e começava a ligar os pontos tanto internamente – conectando capitais entre si – quanto com o que acontecia nos mercados independentes em outros países. E foi muito significativo perceber que aquele período conversava bastante com o que havia acontecido nos EUA nos anos 80, quando a lógica do faça-você-mesmo do punk persistiu depois que o hype do punk esfriou. Atravessando o país em vans apertadas, de ônibus ou de carona, bandas brasileiras suspiravam aliviadas ao saber que grupos como Sonic Youth, Black Flag, Hüsker Dü, Fugazi e Mudhoney passaram por perrengues parecidos antes de se estabelecerem como artistas consagrados. Não que o estrelato fosse meta, pelo contrário: todos – os brasileiros e os gringos – queriam apenas viver de música, do jeito que dava.

Mas não havia informação sobre estas bandas – até a chegada de Our Band Could Be Your Life. O livro de Michael Azerrad, lançado em 2001, funcionou como uma bíblia para pelo menos duas gerações de bandas independentes do Brasil, que ajudaram a moldar a paisagem atual. E por mais que o livro já tenha sido lido e relido por várias pessoas, a barreira do idioma ainda é um entrave – até que a produtora Powerline resolveu traduzir e lançar o livro no país. A primeira atividade do lançamento acontece nesta quinta-feira, às 13h30, na Sim São Paulo, quando seu autor, Michael Azerrad, fala pessoalmente sobre aquela cena com mediação feita pelo Dago Donato e pela Raquel Francese, também da Powerline, com a participação de ninguém menos que o baterista do Sonic Youth, Steve Shelley (mais informações aqui).

E é muito legal ver que o Nossa Banda Poderia Ser Sua Vida – que pode ser comprado neste link – está sendo lançado no Brasil pela editora do Leandro Carbonato, o bom e velho Emo, que foi estagiário do próprio Dago na Trama Virtual, há uns quinze anos. Dago – como muitos da nossa geração – tinha o livro como referência para quem queria trabalhar com música e obrigava todos que trabalhavam com ele a lê-lo, como um manual de instruções. Deu certo: além de lançar o livro, Emo hoje está por trás de turnês de bandas indies como Built to Spill e L7 – só pra ficar nas mais recentes – e promete mais novidades por aí. Michael ainda participa de uma tarde de autógrafos na sexta, às 19h (mais informações aqui) e possivelmente fará alguma outra atividade para lançar o livro. Bati um papo com ele por email sobre seu livro e sua relação com a cena independente brasileira – e lá embaixo tem um trecho do capítulo sobre o Sonic Youth.

Foto: Haley Dekle

Foto: Haley Dekle

Qual é a sua relação pessoal com o período que você retrata no livro?
Eu tocava bateria numa banda nesta época – chamávamos Love Gods e poderia dizer que éramos influenciados pelos Talking Heads, Meat Puppets e Violent Femmes, mas nunca diria que éramos parte da comunidade sobre a qual escrevo no livro – apesar de termos aberto uma vez para os Flaming Lips no CBGB’s e eles foram muito legais com a gente. Eu vi a maior parte destas bandas do livro, mas, mais uma vez, não diria que eu fazia parte desta comunidade – eu só gostava da música.

Como você teve a ideia para escrever este livro?
Uma noite há vinte anos, eu estava no sofá vendo um documentário – em uma fita VHS – sobre a história do rock. A parte sobre punk rock começava com os Ramones, os Sex Pistols e tudo mais, mas de repente ia direto dos Talking Heads para o Nirvana. Não fazia sentido. Cadê o Black Flag? Os Replacements? Sonic Youth? Tantas outras grandes bandas que aconteceram entre os Talking Heads e o Nirvana. Eles simplesmente pularam os anos 80!
Eu não conseguia acreditar. Achava que alguém deveria fazer algo em relação a isso. Então eu mesmo decidi fazer. E fazia muito sentido: seria uma introdução à minha biografia sobre o Nirvana (Come As You Are: The Story of Nirvana) que é o único livro sobre a banda que contou com a cooperação de todos seus integrantes. Escrever sobre isso foi uma experiência transformadora para mim. Documentar a história anterior ao Nirvana seria uma boa forma de devolver à altura – foi como quando Kurt Cobain começou a usar camisetas de seus músicos favoritos, como os Melvins ou Daniel Johnston. Era um trabalho enorme, mas eu tinha de fazê-lo.

Quais foram as melhores e piores surpresas que você descobriu ao fazer este livro?
Acho que a melhor e pior surpresas foi descobrir que os Butthole Surfers enfiaram cinco pessoas, duas baterias, dois amplificadores, duas guitarras, duas luzes de estrobo e uma pitbull fêmea chamada Mark Ferner of Grand Funk Railroad num Chevy Nova 71, que é um carro muito pequeno. E eles fizeram isso sem cortar a separação entre o porta-malas e o banco de trás, de forma que três pessoas poderiam deitar no banco de trás com a cachorra. Eles viajaram por todos os Estados Unidos assim, o que é tão horrível quanto maravilhoso. Isso é dedicação!

Como você vê esta cena hoje em dia? Estas bandas são uma espécie de novo rock clássico?
Tem gente que diz que o Nossa Banda… estabeleceu um cânone do indie rock norte-americano dos anos 80, um conjunto de bandas que são amplamente reconhecidas como ótimas. Mas não acho que elas formam um “novo rock clássico”, porque o rock clássico é a música comercialmente bem-sucedida mais pesadamente hypada em toda a história da humanidade. O rock independente americano dos anos 80 era muito obscuro e até hoje, comparando, poucas pessoas sabem que ele existiu. Mas as pessoas que sabem o lembram com muito carinho, talvez por isso você esteja falando disso.
Mas muitas bandas daquela comunidade ou continuaram trabalhando ou voltaram quando esta música voltou a ser falada e é bom saber que eles tiveram reconhecimento – e um pouco de dinheiro também – que eles mereciam. Mission of Burma, Dinosaur Jr e Mudhoney fizeram ótimos discos e fazem shows incríveis neste novo milênio.
Quando olho para esta comunidade hoje, penso na música, nos shows e nas histórias, mas também penso na forma como eles foram tremendamente influentes na cultura como um todo: na época, muito pouca gente sabia o que “indie” queria dizer, mas agora é uma palavra muito atraente para vender tudo, de filmes a cosméticos. Movimentos culturais grandes normalmente são antecipados pela música e a cena indie não foi nenhuma exceção.

nossabanda

Como você vê a evolução desta cena nos EUA desde a chegada da internet?
Responder isso tomaria muito tempo. Mas uma grande coisa que aconteceu foi que a amplitude musical explodiu. Como a distribuição física não é mais a única forma de vender música, selos podem trabalhar em uma escala bem menor, de forma que eles podem tratar de subgêneros musicais bem específicos. Então agora existem 50 tons de black metal, por exemplo, todo o tipo de música eletrônica, toneladas e toneladas de subgêneros do hip hop e por aí vai. E isso é bom para a música.

Os termos “indie”, “alternativo” e “college rock” significam alguma coisa hoje em dia quando falamos sobre música?
“Indie” era usado para designar selos que trabalhavam fora do sistema das grandes gravadoras. Depois virou um termo para descrever um tipo de som – normalmente pop-rock barulhento tocado com guitarras e cantado por pessoas que não cantavam bem. E agora se tornou uma descrição para um estilo de vida.
Ninguém usa mais o termo “alternativo”. Acho que, por um lado, devido ao fato da mídia digital ter nivelado os campos de atuação e não haver mais distinção entre música mainstream e independente. E era um termo besta, pra começar. Quando você queria soar esperto, você respondia “alternativo a quê?”
Já o termo “college rock” eu não ouço há década.

O que você sabe sobre a cena indie brasileira?
Eu não sei nada sobre a atual cena independente brasileira, mas estou querendo ouvir na minha visita à Sim São Paulo. O Brasil produz uma das melhores músicas do mundo, por isso acho que esta música deve ser espetacular.

Você está trabalhando em algum novo livro?
Eu acabeui de publicar Rock Critic Law, que é um compêndio de clichês de introdução à crítica de rock, cada um deles ilustrado por Edwin Fotheringham. Eu não sei o quanto as pessoas escrevem sobre rock em português, mas em inglês existem muitas, muitas construções preguiçosas usadas pelos escritores. Eu vinha percebendo isso há anos, até que finalmente coloquei todos eles num livro de forma que ninguém mais precisasse usá-los.
Agora estou trabalhando em uma versão em áudio para o Nossa Banda, com as pessoas que foram inspiradas por estas bandas lendo um capítulo cada. Jeff Tweedy do Wilco está lendo o capítulo sobre o Minutemen, Colin Meloy dos Decemberists está lendo o capítulo sobre o Hüsker Dü, o comediante Fred Armisen está lendo o dos Butthole Surfers chapter e anunciaremos mais nomes nas próximas semanas. É muito divertido e eu não vejo a hora de lançá-lo – dia 21 de maio.

Um trecho do capítulo sobre o Sonic Youth
Tradução de José Augusto Lemos e Marina Melchers

sonicyouth

No mundo mainstream do início dos anos 80, uma mulher tendo papel de destaque em uma banda ainda era novidade. Mas não no punk rock.

Tanto Moore quanto Ranaldo vinham tocando guitarra desde o ensino médio, já Gordon estava recém aprendendo a tocar baixo, e foi necessário um salto relativamente grande para que ela subisse no palco. “Eu pensei nisso mais como sendo algo emocional, e não em termos de tentar tocar música”, diz Gordon. “Eu não conseguiria fazer nada se eu pensasse nesses termos — eu sempre preciso criar uma visão diferente para mim mesma.”

“Como mulher eu me sentia um pouco invisível no meio de tudo aquilo, de qualquer jeito”, continua Gordon. “Eu estava lá praticamente na posição de voyeur”, ela acrescenta com uma risadinha. Não muito confortável em estar sob os holofotes, Gordon preferia ter um papel principal que não fosse obviamente principal, o que descreve perfeitamente o baixo. “É tão importante — é um instrumento de apoio mas é…”, ela diz, sua voz desaparecendo. “Gosto de coisas assim. É algo que se encaixa com minha personalidade.” Gordon preferia ser uma força sutil porém decisiva fora do palco também, então enquanto Moore geralmente instigava tudo, desde a composição das canções aos contratos com gravadoras e Ranaldo operava como o maestro, Gordon era geralmente a consciência estética (e de negócios) da banda.

Logo no início, Moore a ensinou a tocar partes simples no baixo. Ele mostrava discos de reggae, para ilustrar o quão eficazes mesmo apenas algumas notas poderiam ser. A abordagem simples funcionou a favor deles mesmo assim — linhas de baixo mirabolantes teriam criado confusão nas composições que já eram carregadas.

Ainda que nem Moore nem Ranaldo tivessem uma técnica refinada para tocar seus instrumentos, isso não impedia que criassem densos dilúvios de som. “E ela nunca toca dessa maneira”, diz Ranaldo sobre Gordon. “As coisas que ela faz são todas frugais e minimalistas e ainda assim são complexas. Existe algo na maneira como ela pensa, tanto em ritmo quanto em harmonia, que é realmente incrível para mim.” Como vocalista, Gordon desenvolveu uma espécie de grito indiferente, como uma criança chamando os amigos para falar de algo incrível que encontrou mas tentando não parecer empolgada demais com o assunto.

Gordon era uma artista que simplesmente transferia sua estética altamente refinada para o rock, um gênero que, como o punk provou, exigia sensibilidade além de técnica. “Ela vinha completamente de um background de escola de arte”, diz Bert. “E era isso que fazia a banda.”

dez-argumentos-para-deletar-agora-suas-redes-sociais

Conversei com o filósofo digital Jaron Lanier, que está lançando no Brasil um livro cujo título é auto-explicativo: Dez Argumentos para Você Deletar Agora Suas Redes Sociais, que está sendo lançado no Brasil pela Editora Intrínseca – a entrevista saiu no site da editora. Um trecho:

Realmente acho que não devemos entrar em pânico ou ficar desesperados, especialmente agora. Estamos entrando em uma era em que o mundo será comandado por esses caras mal-humorados e paranoicos e ela pode durar muito tempo; talvez seja uma época em que não tenhamos democracia. E a única coisa que podemos fazer de verdade por ora é tentar nos preparar para a próxima época, quando as coisas talvez melhorem. Esse é um projeto meu. É o que estamos tentando fazer aqui nos Estados Unidos e vocês precisam fazer no Brasil e os europeus na Europa. Todos temos que tentar atravessar este período e não podemos perder a fé nem nossa imaginação para encontrar o caminho para a nova era.

Leia a íntegra da entrevista aqui.

coisas-2018-centrodaterra

É com imensa satisfação que anuncio que o último show do Centro da Terra em 2018 é a primeira apresentação paulistana de um ousado projeto que finalmente é lançado. Depois de anos recriando em estúdio Coisas, disco clássico que o músico e arranjador pernambucano Moacir Santos lançou em 1965, o produtor conterrâneo Rodrigo Coelho, que apresenta-se sob a alcunha de Grassmass, por fim lança seu Coisas2018, em que revisita uma das mais importantes obras do jazz brasileiro à luz da música contemporânea, injetando elementos de música eletrônica e de pós-produção. Nesta primeira apresentação, que acontece nesta terça-feira, dia 4 (mais informações aqui), ele contará com as presenças de Bruno Bruni e Thomas Harres para transpor este monumento a um dos maiores – e infelizmente ainda pouco conhecido do grande público – nomes da música brasileira para o palco. Conversei com Coelho sobre este projeto e a primeira incursão ao vivo no ano de seu lançamento – e ele antecipa uma das faixas em primeira mão para o Trabalho Sujo.

https://soundcloud.com/uivorecords/grassmass-coisa-n-5/

Como você conheceu o Coisas?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rodrigo-coelho-como-voce-conheceu-o-coisas

Como surgiu a ideia de fazer um tributo a este disco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rodrigo-coelho-como-surgiu-a-ideia-de-fazer-um-tributo-a-este-disco

Como foi o desafio de recriar o Coisas neste outro contexto?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rodrigo-coelho-como-foi-o-desafio-de-recriar-o-coisas-neste-outro-contexto

Como é o Coisas2018 ao vivo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/rodrigo-coelho-como-e-o-coisas2018-ao-vivo

redemunho-centro-da-terra

Semana que vem encerramos os trabalhos de música em 2018 no Centro da Terra e a primeira atração desta semana de conclusão de ano é a estreia do projeto Redemunho, da baterista do Quartabê Mariá Portugal. Concebido originalmente para ser realizado na rua, o projeto abre conversas musicais de improviso livre com artistas convidados e para esta primeira edição, Redemunho Zero, ela convidou os músicos Maurício Takara, Marcelo Cabral, Joana Queiroz, Bella e Thomas Rohrer para um salto no abismo dos sons (mais informações aqui). Bati um papo com ela sobre o projeto, sua relação com os outros músicos e sobre o conceito de improviso livre no contexto de sua sessão.

O que é o Redemunho Zero?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/maria-portugal-o-que-e-o-redemunho-zero

Fale sobre os músicos que participarão desta primeira edição.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/maria-portugal-fale-sobre-os-musicos-que-participarao-desta-primeira-edicao

Improviso livre é vale tudo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/maria-portugal-improviso-livre-e-vale-tudo

Há algo pré-definido antes de vocês entrarem no palco?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/maria-portugal-ha-algo-pre-definido-antes-de-voces-entrarem-no-palco

coquetelmolotov2018

Depois de uma bem sucedida edição em 2018, o Coquetel Molotov finalmente chega a São Paulo. Depois de se espalhar por algumas cidades do país (como Salvador e BH) e namorar a vinda pra São Paulo há um tempão, o festival pernambucano realiza sua primeira edição paulistana com gosto e reúne Boogarins, Tuyo, Baco Exu do Blues, Maria Beraldo, Edgar, Coletividade Namíbia e um encontro incrível entre Alessandra Leão, Karina Buhr e Isaar nesta sexta-feira, dia 30, no espaço The Week, pertinho do Sesc Pompeia (mais informações aqui). Bati um papo com a criadora do festival, Ana Garcia, que também antecipou os horários dos shows em primeira mão para o Trabalho Sujo (veja abaixo), além de liberar um par de ingressos para sortear entre os leitores do site. Para concorrer, basta comentar abaixo qual a atração que você mais gostaria de assistir e por quê (e não se esqueça de incluir seu email para que eu possa entrar em contato).

O que é a edição paulistana do Coquetel Molotov?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-o-que-e-a-edicao-paulistana-do-coquetel-molotov

Desde quando você quer trazer o festival para São Paulo e quais foram as principais dificuldades?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-desde-quando-voce-quer-trazer-o-festival-para-sp-e-quais-as-principais-dificuldades

O que caracterizaria o Coquetel Molotov para o público paulistano?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-o-que-caracterizaria-o-coquetel-molotov-para-o-publico-paulistano

Fale um pouco de cada uma das atrações e o que esperar de cada show.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-fale-um-pouco-de-cada-uma-das-atracoes-e-o-que-esperar-de-cada-show

Em que outras cidades você está fazendo mais edições do festival este ano?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-em-que-outras-cidades-voce-esta-fazendo-mais-edicoes-do-festival-este-ano

A intenção é manter a edição paulistana anual?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ana-garcia-a-intencao-e-manter-a-edicao-paulistana-anual

Horários do Coquetel Molotov em São Paulo

19h: Boogarins (Palco Coquetel Molotov)
20h: Tuyo (Palco Monkeybuzz)
21h: Karina Buhr + Alessandra Leão + Isaar (Palco Coquetel Molotov)
22h: Maria Beraldo (Palco Monkeybuzz)
23h: Edgar (Palco Sonic)
0h: Baco Exu do Blues (Palco Monkeybuzz)
1h: Coletividade Namíbia (Palco Sonic)

Bonifrate-2018

O supercorda Pedro Bonifrate manda notícias ao anunciar um single inesperado no fim de ano: “Alfa Crucis” é o início de uma nova fase de composições e gravações que ele começou a desenvolver no meio do ano, depois do que ele chama de “inferno astral elétrico”. “Apliquei um método mega lo-fi nisso, parece mais primitivo que as últimas coisas”, ele me explica sobre a nova música, que define como um “single de consolação, pra ajudar a renovar as energias de forma sonhadora”. Ele aproveita para estrear o clipe em primeira mão no Trabalho Sujo – e explica o novo single logo abaixo:

“Em julho de 2018 aconteceram coisas que eu defini em parte como um inferno astral elétrico: minhas caixas queimaram, minha guitarra caiu e quebrou o nut, a captação do meu violão queimou, um amplificador também, e finalmente meu computador pifou. Eu faria um show solo na Biblioteca Maria Angélica Ribeiro, aqui em Paraty durante a Flip, e felizmente consegui dar um jeito no violão, porque descobri um muito improvável vizinho que trabalhou anos com luthieria e eletrônica. Então eu consegui ensaiar pro show, com o mínimo que eu tinha funcionando, e nesse esquema de trabalhar com loops que ando fazendo ao vivo.”

“Brincando com o velho tecladinho Casio e um delay analógico eu criei esse loop básico de ‘Alfa Crucis’, e a canção foi feita em poucos dias a partir daí, até cheguei a incluí-la nessas últimas apresentações que fiz aqui. Como eu tenho um gravador Fostex de 4 pistas em cassete e ele pareceu imune ao caos eletrônico, eu resolvi gravar tudo nele. Depois, com um computador novo, exportei os canais, fiz umas poucas edições e mixei digitalmente, mas sem interferir muito no som de fita original, então ficou muito low-fi, como há tempos eu não soava.”

“A vontade de lançar logo essa canção, como um single isolado, veio do fato de ela estar pronta e de eu acreditar que ela pode consolar e energizar alguns corações apreensivos e partidos pela nossa conjuntura política. É uma canção que procura contemplar um futuro em que possamos todos observar as estrelas do nosso céu do sul, apesar de toda a loucura das nossas vidas materiais, e nos entregar ao mistério que é estarmos vivos. Há uma relação temática com um álbum que estou começando a gravar, e provavelmente uma nova versão dela estará nessa coleção, mas não há previsão de que fique pronto tão cedo.”

alfacrucis

Já não tem mais quem possa encontrar a medida das coisas
Só os lábios fônicos e vibrações das baleias dentadas

Já não tem mais quem vá suspeitar da folia
Só você e eu a lamentar a ausência de um disco hipotético

Preguiçosos vimos Alfa Cruz brilhar sobre a casa, nossa casa
Você regalou e pegou no sono a declamar asterismos

Polaris
Urodelos
Eridamus
Afa Al Farkadain
Monoceros
Almagesto

Já não tem mais quem possa encontrar a medida do planeta
Já não tem mais
Já não tem mais
Já não tem mais

felipecordeiro

O jovem mestre da guitarrada Felipe Cordeiro prepara-se para lançar seu terceiro álbum, Transpyra, produzido por Kassin, no início de 2019, e resolveu antecipar aqui no Trabalho Sujo, o primeiro alento deste trabalho: “Demais”. A faixa, cujo clipe foi filmado no Minhocão paulistano, flerta com a new wave (sem abandonar as raízes paraenses) e tem cores explicitamente políticas, mas olhando para o futuro com esperança. “Corpo é nosso núcleo de desejo, resistência e liberdade. Levo para a minha música o corpo, o movimento, a provocação, o pensamento”, explica o músico e compositor.

ruido-mm-2018

Sem aviso, a banda curitibana Ruído/mm anuncia que lançará seu novo disco nesta quinta-feira e antecipa a penúltima faixa, “Jacó”, em primeira mão para o Trabalho Sujo. Seguindo instrumental, como sempre, o novo disco segue uma linha bem diferente dos trabalhos anteriores, embora os fortes ataques em câmera lenta ainda predominem o cenário do álbum. Felizmente A é Côncavo, B é Convexo foge bastante da fórmula conhecida do pós-rock, gênero sem fronteiras em que a banda normalmente é encaixada. “O disco orbita se relacionando e fugindo do que já fizemos, ora se aproximando ora se aventurando”, tenta explicar Pill, enquanto Liblik tenta racionalizar a distância entre os dois álbuns: “Eu diria que são quatro anos-luz – cerca de 37.842.921.890.323 quilômetros. Pensemos em quanto o Brasil de 2014 se distancia do de 2018.” “Jacó” é uma boa amostra deste novo rumo – que não é um só.

A é Côncavo, B é Convexo é o trabalho mais recente do grupo desde o ótimo Rasura, de 2014, e o primeiro desde que um de seus guitarristas, André Ramiro, mudou-se para os Estados Unidos, mas a mudança não interferiu o processo de criação da banda. “Dois países é moleza”, me conta o tecladista Alexandre Liblik por email, “o problema é a distância dos seis mundos e as realidades diferentes que cada um de nós vive”. “Temos trabalhado remotamente via internet desde o Rasura, então é algo que já nos acostumamos”, completa o outro guitarrista, Ricardo Pill. “O papel fundamental do Ramiro nas composições só segue possível porque a sintonia dele com a banda é muito grande, de verdade. Felizmente, as agendas bateram e ele pôde estar presente para gravar conosco pessoalmente.”

As agendas não bateram, no entanto, para o lançamento do novo álbum – e o grupo mostra o disco ao vivo neste domingo, no Teatro da Reitoria da UFPR, em Curitiba (mais informações aqui). A resposta para como lidar com a ausência do guitarrista tem a ver com a proposta do grupo: “Emaranhamento quântico. Nós estamos em estado de sobreposição – é ritual. O Ramiro sempre chega junto quando tocamos, seja como espectro ou mesmo compartilhando alguns spins em comum”, completa Liblik. A banda ainda conta com Felipe Ayres na guitarra, Rafael Panke no baixo e Giovani Farina na bateria.

No entanto, esta comparação não é apenas política. “É uma da possíveis leituras, mas definitivamente não se resume a isso”, conta o baixista. “Estamos estarrecidos com os rumos que História tem tomado, mas o A/B que exploramos vai além, dizendo respeito às ambiguidades, aos paradoxos e às aparentes dualidades presentes nas categorias elementares do pensamento humano. A complexidade derivada das paralaxes de percepção é estonteante e melhor expressada sem o uso de palavras.”

Pill deschava melhor este conceito: “Entendo essa interpretação, mas acredito que o título, o nome das músicas e principalmente o som reflete muito mais o microcosmos da banda. Como se expressar de forma subjetiva através de um ser coletivo? Como lidar com prismas onde o apreço estético não tem valor de juízo? E no final caímos no abismo do ‘eu prefiro’. O disco é, mais uma vez, um exercício de diálogo, uma busca de um chão comum ou de uma divergência válida, interessante. É claro que não somos imunes ao que está acontecendo na política brasileira e isso em algum grau deve estar presente na música. O quanto, não sabemos.”

“O Agambem traduz Política no sentido de Aristóteles como o (co)partilhamento da existência”, amplia ainda mais a discussão o tecladista. “Não pode haver nós versus eles quando temos tão somente nós-que-compartilhamos-o-mundo. Em nosso processo específico para a criação deste disco, tivemos que lidar com toda a gama de dificuldades possíveis – já aqui, uma micropolítica da convivência foi essencial. Em primeiro lugar, cada um cuidando do seu jardim, buscando o Eu-Tu nas relações. Saindo dessa micropolítica da banda, podemos admitir que a música instrumental só pode acontecer num espaço coletivo, em que o emaranhamento de pessoas que estão concentradas e focadas nos epifenômenos, nas sutilezas, nas profundidade, é o que torna a experiência subjetivamente importante e “maior” – gestalt. É uma definição perfeita do que seria esse compartilhar da existência. Na macropolítica, somos entusiastas desse compartilhamento – acredito que haja mais política numa experiência xamânica do que em um ano de discursos e argumentação politica.”

O disco estará disponível em todas as plataformas digitais a partir desta quinta. Abaixo, a capa (feita por Jaime Silveira sobre uma gravura de Maikel da Maia) e o nome das músicas do disco, na ordem.

ruidomm-2018

“Niilismo”
“Volca”
“Antílope”
“Ourobouros”
“Tesserato”
“Esporos”
“Jacó”
“MMC”

ricardoalexandre

O jornalista Ricardo Alexandre lança neste sábado, às 18h, seus dois novos livros sobre crítica cultural em uma conversa gratuita com o público a partir das 18h, na Praça das Bibliotecas do CCSP (mais informações aqui). Tudo é Música e Nem Tudo é Música são lançamentos da editora Arquipélago e reúnem textos de opinião que Ricardo escreveu em sua trajetória profissional e que não são mais encontrados online. Conversei com ele sobre os dois livros e o estado do jornalismo cultural no Brasil neste início de século.

tudoemusica-ricardoalexandre

Por que lançar dois livros de opinião numa época em que todo mundo tem opinião sobre tudo?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ricardo-alexandre-por-que-lancar-livros-de-opiniao-numa-epoca-em-que-todos-tem-opiniao-sobre-tudo

Como você vê a crítica musical brasileira atualmente? O que você lê?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ricardo-alexandre-como-voce-ve-a-critica-musical-brasileira-atualmente-o-que-voce-le

E sobre a crítica cultural?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ricardo-alexandre-e-sobre-a-critica-cultural

Você encerra um dos livros falando sobre as eleições de 2018. A falta de pensamento crítico nos trouxe até aqui?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ricardo-alexandre-este-cenario-nas-eleicoes-de-2018-e-fruto-da-falta-de-pensamento-critico

Como anda o jornalismo musical brasileiro?
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ricardo-alexandre-como-anda-o-jornalismo-musical-brasileiro

Fale sobre seus próximos projetos.
https://soundcloud.com/trabalhosujo/ricardo-alexandre-fale-sobre-seus-proximos-projetos