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Entrevista

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Depois da live de oito horas e de ter aproveitado a brecha no Faustão para mandar a real, Emicida deu mais um passo na escalada que escolheu subir durante este período de quarentena. Se não pode fazer shows, aproveitou o período para consolidar-se de pensador e provocador de discussões. Em mais uma oportunidade, nesta semana, no Roda Viva da TV Cultura, ele foi bem direto em relação aos pontos que prega.

E, na boa? Ele tá certo. Vai longe, esse Leandro.

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Depois de anos tocando em bandas e apresentando programas sozinho, Luiz Thunderbird finalmente sai solo em um disco. Este Pequena Minoria de Vândalos ainda não tem data para ser lançado, mas foi idealizado quando Thunder juntou músicas para um novo disco e viu que suas duas outras bandas estavam em momentos opostos: enquanto o Devotos de Nossa Senhora Aparecida completa 35 anos no ano que vem, o Tarântulas, que agora chama-se Elektromotoren, viu-se confrontado com a agenda de lançamento do primeiro disco solo de seu outro integrante, o guitarrista Guilherme Held. Assim, Thunder resolveu partir para este álbum, que vem lançando no contagotas. Começou fazendo uma versão para “A Obra“, do grupo pós-punk mineiro Sexo Explícito, e agora vem com “Insuportável”, com sua guitarra ruidosa emulando a de Andy Gill, falecido guitarrista do Gang of Four, cujo clipe estreia em primeira mão no Trabalho Sujo.

“As minhas várias bandas sempre tomaram muito do meu tempo e energia”, ele me explica quando pergunto sobre este primeiro disco. “Eu tinha essa vontade há muito tempo e dei inicio à pré-produção no final de 2019, gravações começando em novembro”, mas como todos em 2020, teve seus planos atropelados pela quarentena. “Estava no meio do processo de gravações e composições”, ele diz, contando que já tem sete músicas prontas e quatro em processo. “Creio que a melhor coisa a fazer é lançar singles, mostrando aos poucos parte do disco. Por enquanto estamos indo bem nessa estratégia. A cada single, produzo um videoclipe. Estou curtindo esse trampo de, após gravar a música, partir pra videografia dela. É muito prazeroso e abriu uma nova frente de trabalho pra mim. Desde sempre dirigi meus programas na internet, desde 2008, pelo menos. Ano passado dirigi, ao lado do Zé Mazzei, um doc sobre a Lucinha Turnbull. Curti estar do outro lado da câmera!”

Os ecos pós-punk dos primeiros singles não vêm por acaso. “Tenho uma relação muito íntima, desde os anos 80, com o gênero e minhas bandas preferidas vêm desse período: Gang of Four, Pixies, James Chance and the Contortions, mais experimental. Eu curto disco-punk do ESG, do Liquid Liquid e até reconheci similaridades do single “Insuportável”com o som do Speedtwins da Holanda.” Mas o disco vai para além do pós-punk e flerta com a poesia concreta, em parceria com Held, com o rock psicodélico, em parceria com a banda Bike, e com o rock clássico, ao lado de Odair José.

Enquanto a quarentena não acaba, Thunder segue lançando o disco aos poucos. “Aguardo com tremenda ansiedade uma vacina para poder voltar aos palcos, adoro ensaiar, arranjar as músicas, pensar no setlist, fazer shows com platéia, excursionar, isso me faz muita falta.” Ele compensa essa falta, como todos, usando a internet. “Tenho me divertido com lives no instagram, faço todas as terças, às 21h, a live do meu podcast Thunder Radio Show, onde entrevisto convidados. Já faz sete anos que faço esse podcast e achei que as lives seriam a continuação desse trabalho, que depois publico no IGTV. Todo domingo, às 19h, eu faço a live Dedo Mingo, tocando violão e cantando. Nunca toquei tanto violão na minha vida. Isso tem me ajudado a encarar essa quarentena.”

Ele acaba de lançar sua autobiografia (Contos de Thunder) e já tem mais dois livros engatilhados. “No mais, eu queria poder passear com minha bicicleta com mais segurança. Eu, às vezes, dou uma volta, mas pareço um astronauta paramentado. É o mínimo que eu posso fazer nesse caso. Responsabilidade comigo e com o próximo.”

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Que prazer ser amigo de um mestre – e poder aprender em papos deliciosos que podem durar horas. Qualquer conversa com o mister Pena Schmidt é uma viagem no tempo e no espaço e começamos falando do mercado da música em plena quarentena, falando de experiências interessantes em transmissões ao vivo e experiências bizarras como o show drive-in em que o buzinaço vira aplauso, mas daí depois deixei ele falar do livro novo do William Gibson, de outras dimensões, de ler ficção científica a luz de velas no sítio da Cantareira quando ele morava com os Mutantes e outras histórias deliciosas. Chega mais.

O Bom Saber é meu programa semanal de entrevistas que chega primeiro para quem colabora com meu trabalho, como uma das recompensas do Clube Trabalho Sujo (pergunte-me sobre como colaborar pelo email trabalhosujoporemail@gmail.com). Além do Pena, já conversei com Fernando Catatau, Mancha, André Czarnobai, Larissa Conforto, Ian Black, Bruno Torturra, Roberta Martinelli, Dodô Azevedo, Negro Leo, Janara Lopes, João Paulo Cuenca e Alessandra Leão – todas as entrevistas podem ser assistidas aqui ou no meu canal no YouTube, assina lá.

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Mancha é mestre. Na raça, ele levantou um dos principais templos da música independente do Brasil neste século, além de inspirar inúmeras iniciativas do tipo em todo o Brasil. A Casa do Mancha é um laboratório de experimentação sonora, palco de shows memoráveis e ponto de encontro de gente fina, elegante e sincera, além de ter sido estúdio de gravação para dezenas de discos. Sem shows, ele pensa o que fazer nos próximos passos e eu aproveito para relembrar sua trajetória frente nossa querida Casinha, que nos deixa tão saudosos daqueles momentos memoráveis, tresloucados e aconchegantes.

O Bom Saber é meu programa semanal de entrevistas que chega primeiro para quem colabora com meu trabalho, como uma das recompensas do Clube Trabalho Sujo (pergunte-me como no trabalhosujoporemail@gmail.com). Além do Mancha, já conversei com Bruno Torturra, Roberta Martinelli, Dodô Azevedo, Larissa Conforto, Ian Black, Negro Leo, Janara Lopes, João Paulo Cuenca, Fernando Catatau, André Czarnobai e Alessandra Leão – todas as entrevistas podem ser assistidas aqui ou no meu canal no YouTube.

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“Não adianta negar as esferas do sistema solar”, canta Betina no refrão de ótima “Onda Errada”, canção psicodélica de protesto que lança nesta sexta-feira nas plataformas digitais e que antecipa aqui no Trabalho Sujo. Gravada antes da quarentena, a canção reúne o boogarin Dinho Almeida, que gravou guitarras e beats, além de assinar a canção com a cantora curitibana, o ex-supercordas Diogo Valentino no baixo e o trumpete do applegate Rafael Penna (o único a gravar depois da quarentena, à distância). O clipe foi feito por Betina, que aprendeu técnicas de animação 3D durante a quarentena.

“A idéia de escrever algo sobre o negacionismo usando o terraplanismo pra ilustrar o conceito começou quando essas posturas chegaram como pauta no governo”, ela me explica por email. “Mas principalmente frente à pandemia ela ganha muita força, se percebe claramente como esse pensamento acaba sendo nocivo para o coletivo e tendo resultados desastrosos. Quis fazer essa música justamente para compor essa memória social e registrar ‘o que pensamos’ para a história que vai ser contada no futuro.”

O novo single faz parte do sucessor de Hotel Vülcânia, que ela lançou em 2018, embora ela ainda não entenda como acontecerá este novo lançamento. “Eu tinha planos para um novo disco esse ano ainda, mas frente a tudo que vivemos, tenho levado mais tranquilamente esse processo. Vou lançar várias músicas esse ano, mas como elas vão se apresentar, se vão vir em formato de disco ou EP ou só como single eu ainda não sei, tô deixando fluir, sem muita pressão”, ela explica. “Encontrei um canal de expressão entre a criação do material visual que tem me encantado muito. O lyric video de ‘Onda Errada’ foi um dos resultados desse canal criativo”, explica, antecipando que não será o último destes experimentos.

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Janara Lopes é dessas pessoas fantásticas que a internet me apresentou. Não bastasse a verve fodona tanto na condução de projetos quanto na execução estética, ela ainda é uma fonte de inspiração, que dispara provocações e cutuca brechas que ou abrem portais interdimensionais ou acendem luzes no fim do túnel, sempre erguendo a bandeira da arte. À frente do coletivo de designers Ideafixa, ela usou a quarentena com desculpa para voltar à sua pequena cidade-natal no cerrado para repensar vários pontos de sua vida e de seu trabalho. E o papo foi por aí, usando o momento que estamos atravessando para tentar vislumbrar um futuro mais otimista para nós – como profissionais de humanas, cidadãos brasileiros e habitantes do planeta Terra.

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Vocês conhecem a entrevistada do Bom Saber desta edição, minha querida amiga Larissa Conforto. Ex-baterista da banda Ventre, ela concluiu o processo de transformação musical ao assumir o nome Àiyé e lançar seu primeiro disco (Gratitrevas) bem no início da quarentena, o que interrompeu seus planos imediatos bem como ressignificou seu trabalho, que visto sob o prisma dos dias que estamos passando ganha uma conjuntura bem mais aprofundada. Falamos sobre isso e sobre todo seu processo de transformação artístico, bem como o impacto que o Brasil e a pandemia têm feito em nosso dia-a-dia e como podemos sair dessa. Sempre uma ótima conversa.

O Bom Saber é meu programa semanal de entrevistas que chega primeiro para quem colabora com meu trabalho, como uma das recompensas do Clube Trabalho Sujo (pergunte-me como no email trabalhosujoporemail@gmail.com). Além de Dodô, já conversei com Bruno Torturra, Roberta Martinelli, Dodô Azevedo, Ian Black, Negro Leo, João Paulo Cuenca, Fernando Catatau, André Czarnobai e Alessandra Leão – todas as entrevistas podem ser assistidas aqui ou no meu canal no YouTube, assina lá.

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“Lançar um disco pra mim é como lançar uma garrafa ao mar com uma mensagem dentro: quem vai achar, quem vai ler, é um mistério, um pouco obra do acaso mesmo. Deixo um pouco à mercê das magias e imantações”, ri Joana Queiroz, clarinetista e saxofonista carioca que integra o grupo Quartabê e lança nesta sexta-feira, seu quarto álbum solo, Tempo Sem Tempo. “Os retornos sempre vêm, mesmo que demore, e isto já me dá a sensação de completar um ciclo. Mas acho que desta vez estou um pouco mais disposta a compartilhar, falar sobre, tentar fazer chegar um pouco mais. No geral faço discos porque sinto que tenho que fazer, pra estar neste estado de criação, mas não sei me colocar muito em estado de ‘divulgação’. Por outro lado é algo importante, comunicar, dialogar, partilhar. Também tem a ver com vento né.”

Gravado ao lado do irmão Bruno Qual, que também produz o disco, Tempo Sem Tempo está pronto desde o ano passado, conta com participações dos bateristas e percussionistas Sergio Krakowski, Domenico Lancellotti e Mariá Portugal (esta última também integrante do Quartabê) e ressalta um lado intimista e introspectivo de sua musicalidade, ai mesmo tempo angular e doce, principalmente por colocar-se quase sozinha em primeiro plano, como dá pra perceber na faixa dupla “Beira de Rio, Beira de Mar””/”Jóia” (esta última de Caetano Veloso), que ela antecipa em primeira mão para o Trabalho Sujo. E não estranha quando comparo o disco com o momento que estamos atravessando nesta estranha quarentena.

“Acho que por ser um álbum intimista, que tem algo bem etéreo, quase místico, ele talvez faça mais sentido neste momento em que todes estamos olhando pra dentro, com mais calma e atenção, do que na correria desenfreada em que estávamos há pouco tempo atrás”, ela explica. “A música pra mim é sempre esta tentativa de sair do caos e olhar pra dentro, respirar – embora o caos também seja bem vindo. Ir pra outros lugares. É um disco que pode trazer calma, acolhimento, como uma meditação. Quis mergulhar mesmo nesta intimidade, é um disco bem pessoal, tem a ver com solidão sim, ou talvez mais com solitude. Isto foi intencional na forma, as músicas e arranjos foram pensados para que eu pudesse apresentá-las sozinha, mas o conteúdo não, foi o que surgiu naturalmente.”

O trabalho também aproximou-a do irmão, velho parceiro que trouxe pela primeira vez para disco seu. “Já fizemos várias coisas juntes ao vivo, e ele trouxe muitas referências deste universo pra mim, lá desde a nossa adolescência”, ela continua. “Mas nunca tínhamos trabalhado juntes num disco e foi uma experiência muito legal. Nos entendemos rápido em relação ao que as músicas precisavam, e ele foi muito assertivo nas suas contribuições. Fluiu super bem. E estamos fazendo um outro disco juntos já, de duo, baseado em sessões de improvisação que fizemos no início deste ano.”

Aproveito para perguntar como tem sido sua quarentena e ela começou justamente bem introspectiva. “Nas primeiras semanas da quarentena mergulhei totalmente pra dentro, foi uma fase intensa e bem importante pra processar este momento do mundo, e conseguir me situar nele. Apesar de todos os lados trágicos, acho que estava mesmo precisando desse respiro, poder rever e resgatar muita coisa.”

“Depois comecei um ciclo bem interessante de conexões, fazendo muita aula de Kinomichi pelo zoom – o que me salva muito – e dando aulas também, o que tem sido surpreendentemente incrível pra mim. Há muito tempo não dava aulas porque não parava de viajar, mas estava sentindo muito esta necessidade de compartilhar, de pensar junto sobre os processos de aprendizagem”, continua Joana. Ela não tem nada marcado sobre shows por enquanto, mas não quer deixar o assunto de lado, mesmo que online. “O disco foi justamente pensado para me apresentar sozinha e é um formato que se encaixa bem nesta possibilidade atual de lives caseiras”, conclui.

Mas não é só isso: Joana ainda tem planejado coisas com o Quartabê, às vésperas de completar seis anos. “Já tínhamos começado a criar nosso próximo projeto, que é o EP com canções do Dorival, vamos ver se achamos uma maneira de retornar a isto”, lembra. “Mas não estamos com pressa não, cada uma está nos seus processos individuais também, mexendo em muita coisa.” E conclui apontando para outros trabalhos futuros: “Uma coisa legal é que tive uma proposta de fazer mais um disco pro selo japonês com o qual trabalho, Spiral, só de canções. Então até o fim do ano vou estar bem dedicada a isto também. Tenho um duo com o Rafael Martini que estamos tentando manter na ativa à distância, e estou compondo em parceria com outro amigo pianista, o argentino Sebastian Macchi. A gente vai reinventando as conexões, é difícil não ter a presença física, não tocar, abraçar, ouvir ali de pertinho, receber os amigos, sentir o público junto. Mas tem muita coisa acontecendo, e muitas revoluções internas também.”

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Meu convidado desta semana consegue no programa de entrevistas Bom Saber consegue ver otimismo no futuro do Brasil, mesmo com a situação que estamos passando. Escritor e cronista carioca, o chapa Dodô Azevedo já fez música (foi baterista do grupo indie PELVs), escreveu livros (DJ Pessoal e Pessoas do Século Passado), produziu festas (Fofoca e Segredo) e dirigiu filmes (Girassol e Memória Tangerina) e atualmente assina a coluna Quadro Negro na Folha de São Paulo. Na conversa, partimos do assunto quarentena para falarmos sobre o momento que o movimento negro atravessa no país a partir da entrevista do filósofo Sílvio Almeida para o Roda Viva e como ele já está transformando o país há décadas. E a conversa com ele sempre abre janelas para outros múltiplos assuntos (até os bastidores da entrevista com o Kurt Cobain, que ele fez quando o Nirvana tocou no Brasil) e pontos de vistas, tanto que foi a mais longa entrevista até agora… E nos deu até uma ideia no final.

O Bom Saber é meu programa semanal de entrevistas que chega primeiro para quem colabora com meu trabalho, como uma das recompensas do **Clube Trabalho Sujo** – pergunte-me como colaborar respondendo a este email. Além de Dodô, já conversei com Bruno Torturra, Roberta Martinelli, Ian Black, Negro Leo, João Paulo Cuenca, Fernando Catatau, André Czarnobai e Alessandra Leão – todas as entrevistas podem ser assistidas aqui ou lá no meu canal no YouTube, assina lá.

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Lucio Ribeiro me chamou pra conversar sobre jornalismo, música e sobre o CliMatias nesta segunda-feira, às 17h, em uma live na conta do Instagram de seu @poploadmusic. Cola lá.Foi assim: