Xuxa featuring Emicida

Antes que comecem a desancar o Emicida ou chamá-lo de vendido, não custa dizer que o MP3 abaixo é um mashup feito pelo Lethal Inversu.

Antes que comecem a desancar o Emicida ou chamá-lo de vendido, não custa dizer que o MP3 abaixo é um mashup feito pelo Lethal Inversu.
O setembro do Prata da Casa começa com o primeiro lançamento do selo de Emicida, chamado Laboratório Fantasma, que é a banda Mão de Oito – que teve seu disco de estréia produzido pelo Ganjaman. O show começa às 21h e os ingressos – gratuitos – começam a ser distribuídos uma hora antes, no Sesc Pompéia. Abaixo, o texto que escrevi para o projeto.
Como quase todas as bandas, o Mão de Oito começou tocando músicas alheias e escolheu beber na fonte da música brasileira para dançar, caçando a essência de artistas tão diferentes quanto Roberto Carlos, Luiz Melodia e Chico Science. Mas aos poucos foram descobrindo seu próprio som e afinando suas influências em composições próprias que aos poucos os colocam no mesmo cânone dos artistas que eram inspirações iniciais. Os paulistanos foram curando seu próprio somo autoral e, misturando grooves mansos, letras apaixonadas e suingue maneiro, e aos poucos incluíam influências estrangeiras, que vão desde a black music que inspirou seus primeiros ícones até o bom e velho rock clássico, passando por outras referências de balanço, de Fela Kuti a Bob Marley. As coisas ficaram sérias mesmo quando foram escolhidos pelo rapper Emicida para ser o primeiro lançamento de seu próprio selo, o Laboratório Fantasma. Vim, o primeiro EP, já está disponível para download através da página da banda no Facebook e foi teve a produção regida pelo maestro Daniel Ganjaman, do Instituto, um dos nomes mais respeitados da nova música brasileira.
Corajoso, Emicida reinventa “Sinal Fechado” na Globo. A tarefa não é fácil – e ele não faz feio.
O vídeo ainda tem versões para “Pra Não Dizer que Não Falei de Flores” e “BR3” (com o próprio Tony Tornado), mas nenhuma tão inspirada quanto a versão para a música do Paulinho da Viola. Vi no Bracin.
Essa imagem apareceu online hoje, será que é isso mesmo?
Pulp, M83, Grouplove, Mumford & Sons, Klaxons, Oh Land e Hives até seguram a onda de um festival que ainda vai ter Kasabian, Kings of Leon e Gotye. Mas Mundo Livre S/A e Emicida é muita preguiça na hora de procurar banda brasileira nova, hein. E o Gossip e o Garbage não tavam “quase certos”?
Os detalhes do vídeo acima, o clipe novo do Emicida, começam com o elenco desse Kill Bill paulistano:
Elenco: Emicida, Neymar, Fióti, Eiryo Okura, Alan Antunes, Gaby Amarantos, Sandro Dias, Rael da Rima, Kamau, Projota e Rashid.
E por mais onipresente que Emicida possa parecer, também há uma sensação de que ele tá só começando…
O primeiro grande momento de 2012
Sesc Pompéia @ São Paulo
5 de janeiro de 2012
Showzaço do Criolo com o Emicida no Sesc Pompéia nesse fim de semana, com a banda do Criolo – regida pelo Ganjaman – servindo de base para o encontro dos dois principais nomes do rap nacional atualmente. Velhos de guerra, os dois dominaram os dois últimos anos desbravando novas fronteiras para o velho gênero – que, por mais que já tenha seu quarto de século de vida, ainda está preso ao estigma da periferia e no estereótipo paulistano do gênero. Embora tanto Criolo quanto Emicida não neguem suas origens (não é este o ponto), eles impulsionam o diálogo da cultura hip hop para frente, para o alto e além, puxando novos ouvintes para a cena e fazendo questão de ter assento no conselho de segurança da música brasileira, exigência que já deveria ter sido feita há pelo menos dez anos.
Daí a importância do encontro que não foi propriamente um encontro, mas uma seqüência alternada de músicas de cada um dos dois, com o outro por vezes dando o ar de sua graça, quando não ficava, em geral, na posição de backing vocal. Meu excesso de expectativa talvez esperasse Emicida rimando sobre “Não Existe Amor em SP” ou Criolo cantando o refrão de “A Cada Vento”, mas a primeira parte do show foi basicamente um revezamento dos talentos de ambos, passando por seus principais hits. Confesso minha empatia maior por Emicida – seu flow é equivalente à sua presença de palco e ele não parece ser muito diferente dentro e fora de cena. Já Criolo parece assumir um personagem, que dança esquisito e faz poses e caretas. Há quem diga que aí reside parte de seu carisma (a outra vem inegavelmente quando ele canta e conversa com o público), mas, comigo, não bateu.
Emicida + Criolo – “Fogo na Bomba” / “Tik Tak” / “Sr. Tempo Bom” / “Os Mano e As Mina” / “Capítulo 4 Versículo 3” / “UBC” / “Pule ou Empurre” / “Sou Negrão” / “Rap é Compromisso”
Num show surpreendetemente longo, o groove foi comendo lentamente, com todos os músicos trabalhando para não se superporem ao vocalista. Mas as coisas desequilibraram mesmo a partir da segunda parte do show, quando os dois passaram ao centro do palco continuamente, chamando outros vocalistas convidados (os dobras de Criolo e Emicida, Dandã e Rael da Rima, respectivamente, além de Juçara Marçal) para o meio da roda e, finalmente, emendar uma seqüência inacreditável de clássicos do rap brasileiro, recapitulando a história do gênero dos Doctors MC’s ao Sabotage, passando pelos Racionais, RPW, Thaíde & DJ Hum, SNJ, Xis e Rappin Hood, no primeiro grande momento musical de 2012. Showzaço.
Tem mais vídeos que eu fiz do show aí embaixo:
Ronaldo e Biancamaria fizeram um dos eventos mais interessantes de São Paulo esse ano, o Goma-Laca.
O evento aconteceu no sábado passado no Centro Cultural Vergueiro, e além do site, dos programas de rádio e da exposição de discos, ainda promoveu um show-tributo aos tempos em que a música brasileira era registrada em discos de goma-laca (muito antes do acetato e da cera de carnaúba), nas décadas de 30, 40 e 50.
A banda-base era ninguém menos que o Sambanzo (a banda do Thiago França com o Kiko Dinucci) e um dos convidados foi o Emicida, recriando Moreira da Silva. Segura:
Repare como o breque do Morengueira muda completamente a rima de Leandro Roque. Emicida vem correndo o risco de virar caricatura de si mesmo se não começar a se reinventar – justamente como fez nesse improviso. Mandou benzaço.
E Ronaldo avisa que dentro em breve tem o volume 2…
Enquanto isso, no SBT…
Vi na Soma.
We are the world of coxinhas
O vídeo acima resume como uma parte das cabeças que pensam o pop brasileiro entendem o significado de rock’n’roll ou mesmo de música pop hoje – e sempre. É só um desfile vergonhoso de gente que entende a própria carreira como cotista do mercado de atenção de hoje em dia – um show de celebridades querendo aparecer a qualquer custo. Dá pra tecer teses inteiras sobre quais são os artistas envolvidos e o que eles têm a ver com o assunto principal do festival ao mesmo tempo em que dá pra entender porque o Rock in Rio ainda pesa no imaginário brasileiro. E é claro que não deixa de ser constrangedor ver o Emicida surfando nessa onda, mas ele sempre quis ir nessa direção, não vamos culpá-lo por isso. Ele iria se fosse no Faustão, na Xuxa ou na Hebe, sua meta sempre foi o pop. O fato de seu momento pula-tubarão ser no meio desse febeapá do século 21 é só mais uma lembrança do velho deitado chinês: cuidado com o que tu sonha.