Vida Fodona #663: Ensaio pra quando for ao vivo

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Da pista de dança para uma viagem pesada.

Franz Ferdinand – “Lucid Dreams”
Chemical Brothers – “Got To Keep On”
Avalanches – “Since I Left You”
Spoon – “Hot Thoughts”
Jamie Xx + Romy – “Loud Places”
Jay-Z – “Tom Ford”
Tove Lo – “Habits (Stay High)”
M.I.A. – “Paper Planes”
Warpaint – “Disco/Very”
Metá Metá – “Oba Koso”
E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante – “Como Aquilo Que Não Se Repete”
Rakta – “Fim do Mundo”
Atønito + Luiza Lian – “Sentido”
Kalouv + Dinho Almeida – “Talho”

Os 75 melhores discos de 2018: 61) E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante – Fundação

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“Se a resposta gera dúvida, então não é a solução”

Vida Fodona #580: Clima de retrospectiva

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A música mais uma vez como metáfora.

Lupe de Lupe – “Midas”
E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante – “Se Fosse Assim, Onde Iríamos Parar?”
Josyara – “Solidão Civilizada”
Gilberto Gil – “Sereno”
Edgar – “Adorno”
Teto Preto – “Pedra Preta”
Against All Logic – “Some Kind Of Game”
The Internet – “Roll (Burbank Funk)”
Kali Uchis – “Your Teeth in My Neck”
Karol Conká – “Vogue do Gueto”
Nill – “Bessie Coleman”
Bruno Bruni – “Linda”
Djonga – “Junho de 94”
Mestre Anderson Miguel + Juçara Marçal – “O Cirandeiro”
Stephen Malkmus + The Jicks – “Rattler”

Os 25 melhores discos brasileiros do 2° semestre de 2018

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Mais uma vez, o Pedro Antunes (que agora está na Rolling Stone) revela a lista com os vinte e cinco indicados a melhor disco de 2018 deste semestre de acordo com a comissão julgadora de música popular da Associação Paulista de Críticos de Arte, da qual faço parte ao lado ao lado de Marcelo Costa, Lucas Breda, Roberta Martinelli e José Norberto Fletsch. Coube tudo: experimentalismo e MPB tradicional, música instrumental e dance music, indie rock e rap, música eletrônica e pós-rock. A lista está ótima – como a produção musical brasileira tem sido nos últimos anos.

Ana Cañas – Todxs
Baco Exu do Blues – Bluesman
Bixiga 70 – Quebra Cabeça
BK – Gigantes
Cacá Machado – Sibilina
Carne Doce – Tônus
Diomedes Chinaski – Comunista Rico
Duda Beat – Sinto Muito
E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante – Fundação
Edgar – Ultrasom
Gilberto Gil – Ok Ok Ok
Josyara – Mansa Fúria
Karol Conká – Ambulante
Laura Lavieri – Desastre Solar
Luiza Lian – Azul Moderno
Lupe de Lupe – Vocação
Mahmundi – Para Dias Ruins
Marcelo D2 – Amar É Para Os Fortes
Mulamba – Mulamba
Pabllo Vittar – Não Para Não
Phill Veras – Alma
Quartabê – Lição#2 Dorival
Rodrigo Campos – 9 Sambas
Samuca e a Selva – Tudo Que Move é Sagrado
Teto Preto – Pedra Preta

A lista com os indicados do primeiro semestre está neste link.

Vida Fodona #574: Direto pra ação

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Sem muita conversa.

Can – “Future Days”
Chubby Checker – “Misrilou”
Clara Nunes – “O Mar Serenou”
BNegão + Seletores de Frequência – “Enxugando Gelo”
Alan Parsons Project – “Eye in the Sky”
Toro y Moi – “New Beat”
Ike + Tina Turner – “Whole Lotta Love”
Isley Brothers – “That Lady, Parts 1 & 2”
Simian Mobile Disco – “Hustler”
Yo Majesty – “Club Action”
Kelela – “Frontline”
Letrux + Marina Lima – “Puro Disfarce”
Ava Rocha – “Periférica”
Courtney Barnett – “Crippling Self Doubt and a General Lack of Self Confidence”
E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante – “Como aquilo que não se repete”
Negro Leo – “Lek Lover”

A estreia do E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante

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“É o começo de algo sólido. Nosso primeiro disco de fato. A idéia de Fundação vem desse conceito de erguer algo a partir de uma estrutura firme”, explica a banda paulistana E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante sobre o título de seu novo disco, Fundação, em entrevista por email. Formado por Lucas Theodoro (guitarra, synth e programações), Luccas Villela (baixo e guitarra), Luden Viana (guitarra e synth), e Rafael Jonke (bateria e MPD), o EATNMPTD está prestes a lançar seu novo álbum, no próximo dia 14, e antecipa tanto a capa (acima) quanto um curta sobre as gravações do disco (abaixo) em primeira mão para o Trabalho Sujo.

“Não seguimos um conceito, as ideias foram propostas e construídas de forma natural durante nossos ensaios. São músicas em que todos exploramos mais os ritmos e novas sonoridades, até trocando de instrumentos, saindo de uma zona de conforto do que se espera de um quarteto de baixo, guitarras e bateria”, explicam coletivamente, sem dizer quem responde qual pergunta. O grupo existe há cinco anos e já lançou alguns EPs, mas desde o início de 2016 não lançou mais nada, adiando o lançamento de seu primeiro álbum por mais de dois anos. “Na maior parte desse tempo entre um lançamento e outro nós tivemos um grande período em que mais fizemos shows, rodamos por festivais e novas cidades no Brasil. E quando achamos que havia chegado a hora, nos concentramos em produzir novas músicas, experimentar e fazer algo novo. Ao mesmo tempo que o disco tem uma sonoridade diferente, é uma mudança natural considerando todo esse processo e tempo que tivemos acumulando e absorvendo novas inspirações.”

Lucas Theodoro, Luden Viana,  Rafael Jonke e  Luccas Villela (foto: Larissa Zaidan)

Lucas Theodoro, Luden Viana, Rafael Jonke e Luccas Villela (foto: Larissa Zaidan)

A espera valeu à pena. Fugindo do guarda-chuva genérico chamado pós-rock, a banda vai para além da sonoridade épica, esparsas e barulhenta que a fez ganhar fama no circuito independente brasileiro. “Só tivemos vontade de entregar uma nova proposta sonora. O pós-rock de uma certa forma ainda está la, é perceptível, mas quisemos sair da fórmula mais notória do estilo, formar algo que fale por nós, pela nossa vivência musical, e consequentemente isso veio naturalmente nas composições”, explicam. O resultado pode ser conferido nas duas músicas que o grupo já lançou, “Daiane” e “Como Aquilo Que Não Se Repete”.

“Fundação se deu por conta de um processo muito específico e novo para nós. Pela primeira vez tivemos a oportunidade de ensaiar mais regularmente em um espaço nosso. Ter todos nossos equipamentos sempre montados em uma mesma sala e não ter restrição de horário foi um privilégio muito grande e afetou diretamente esse processo. Foram seis meses criando em um ambiente que nos deixou mais livres para experimentar estruturas de música, testar novas formas de compor e incorporar momentos espontâneos que acabaram por virar músicas inteiras. No final das contas, esse processo todo influenciou o resultado final muito mais do que referências musicais pontuais”, continuam. O disco foi gravado em duas fases, a primeira num estúdio em Araraquara e o restante na casa do guitarrista Lucas Theodoro. A produção ficou a cargo de Gabriel Arbex. “A escolha desses lugares foi para preservar uma relação mais íntima com o processo. O Sunrise (em Araraquara) tem uma estrutura de casa mesmo. Nós dormimos lá todos os dias, cozinhamos, fizemos churrasco… É um processo bem imersivo estar em outra cidade. Em São Paulo no tempo em que ficamos no Theodoro também teve um clima diferente de poder parar pra fazer um café, sentar no quintal pra conversar, etc. Enfim, o processo foi todo um pouco mais leve e pessoal/humano nesse sentido.”

Além de novas sonoridades, os quatro testaram novos instrumentos. “Quase todos gravamos synth e o disco tem baterias eletrônicas, sequencer, congas, músicas com várias guitarras…”, prosseguem. “A participação mesmo foi a de Vini Rodrigues, de apenas 20 anos, que gravou saxofone em uma das faixas. O Arbex não chegou a tocar nenhum instrumento no disco, mas adicionou muitas camadas na hora da mixagem que abriram bastante o ambiente sonoro do disco.”

Há inclusive uma faixa com vocais (“Se a resposta gera dúvida, então não é a solução”, que também contém vocais do produtor e de Fernando Dotta, capo da gravadora do grupo, a Balaclava), mas seguem firmes como uma banda instrumental, o que está longe de ser uma questão para a banda. “Desde o começo sempre nos adaptamos muito bem nos ambientes pelos quais passamos, inclusive, sempre estivemos muito mais em meio a bandas não-instrumentais, o que foi positivo para o nosso desenvolvimento por não estarmos completamente atrelados a apenas um nicho. Hoje, cinco anos após o início da banda, seguimos com a mesma mentalidade, que é a que não segrega, e sim ajuda a somar na cena em que estamos inseridos. Além de tudo, é importante ter noção que temos muito privilégio por sermos uma banda que está localizada em São Paulo.”

Vida Fodona #568: Só tem música de 2018

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Pra aproveitar esse domingo de sol…

Rodrigo Campos – “Clareza”
Ava Rocha – “Maré Erê”
Melody’s Echo Chamber – “Visions of Someone Special, On a Wall of Reflections”
Tatá Aeroplano – “Os Novos Baianos Sapateiam Na Garoa dos Sex Pistols”
Stephen Malkmus + The Jicks – “Kite”
Marcelo Cabral + Ná Ozzetti – “Osso e Sol”
Bixiga 70 – “Pedra de Raio”
Glue Trip – “Time Lapses”
E A Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante – “Como Aquilo Que Não Se Repete”
Spiritualized – “Let’s Dance”
Elza Soares + Edgar – “Exú nas Escolas”
Djonga – “Atípico”
Blood Orange – “Take Your Time”
Betina + Boogarins – “Ruido Tropical”
Gorillaz – “Magic City”
Mombojó – “Ontem Quis”

Centro do Rock 2017: E a Terra Nunca… + Ventre

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E a primeira semana do Centro do Rock no Centro Cultural São Paulo termina com uma noite que promete ser memorável: o encontro das bandas Ventre e E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante tocando juntas no palco da Adoniran Barbosa, uma apresentação que só aconteceu uma única vez. Os ingressos estão terminando (mais informações aqui), não dê mole!

O rock brasileiro do século vinte e um

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O UOL celebrou o dia do rock e me pediram pra elencar dez bandas de rock para calar a boca de quem diz que não existe mais rock feito no Brasil lá no meu blog.

Uma reclamação constante que ganha força no infame “dia do rock” é que não há mais rock bom sendo feito no Brasil. Normalmente esta reclamação vem de gente que se acostumou a acompanhar as novidades pelo rádio, um meio que, infelizmente, preferiu optar pela redundância comercial do que pela curiosidade artística. E o próprio rock preferiu se distanciar. Se escondendo em rótulos e nichos, várias bandas conseguem se estabelecer longe das massas, criando carreiras e discografias sólidas em anos de trabalho. Algumas até flertam com o mercado pop mas acabam sendo ofuscada pela ostentação intensa de artistas de forte apelo popular. Mas, sim, há muita banda boa fazendo rock atualmente. Separei dez das que considero mais representativas na atual cena do Brasil, mas quem quiser citar mais nomes, por favor, use a área de comentários para isso (e não para seguir reclamando de que não há nada de novo, sem nem se dar ao trabalho de ouvir as bandas).

Autoramas
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A decana banda liderada por Gabriel Thomaz – que hoje conta com a esposa Érica Martins (ex-Penélope) na formação – já pode ser considerada um clássico do atual rock brasileiro. Contemporânea do grupo Los Hermanos, o hoje quarteto começou como um trio e rebola entre o rock mais dançante e sujo dos anos 60 e a new wave e o punk rock dos anos 70, com letras em português e refrões grudentos. Seu disco mais recente, O Futuro dos Autoramas, prova que é possível ser pesado e fazer dançar sem deixar de soar rock.

The Baggios

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A dupla sergipana – que agora é um trio – lançou um dos discos mais pesados do ano passado, o excelente Brutown, e aos poucos também se estabelece como uma das bandas que mais circulam pelo circuito independente do país. Rock bruto e cru com letras em português para não deixar ninguém parado.

Boogarins

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A principal banda da nova cena psicodélica brasileira, o grupo goiano Boogarins foi responsável por dar origem a toda uma nova safra de bandas que bebem tanto no rock lisérgico dos anos 60 quanto no indie rock deste século. Vocais sussurrados, guitarras derretidas e uma cozinha precisa cravam a precisão do grupo, que acaba de lançar o ousado Lá Vem a Morte, flertando com a eletrônica e a pós-produção. Seu disco anterior, o já clássico Manual Guia Livre de Dissolução dos Sonhos, é um dos principais trabalhos de rock brasileiro deste século.

Cidadão Instigado

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Liderada pelo guitar hero Fernando Catatau, a banda cearense Cidadão Instigado já se estabeleceu como uma banda contemporânea de rock clássico e completa, neste ano, duas décadas de atividade. Com os pés no rock dos anos 70 e a cabeça entre praias ensolaradas e a o concreto quente, o grupo é conhecido por viagens instrumentais pesadas que orbitam entre o rock psicodélico, o rock progressivo e o art rock, com um sotaque definitivamente brasileiro. Seu disco mais recente, o manifesto Fortaleza, também é seu disco mais pesado.

E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante

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Quarteto paulistano de pós-rock, o grupo E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante explora paisagens sonoras com timbres pesados e levada ambient, criando pinturas instrumentais de texturas pesadas e forte carga emotiva. Estão lentamente compondo e gravado seu disco de estreia, e seu lançamento mais recente (o single com as músicas “Medo de Morrer” e “Medo de Tentar”) captura sua intensidade melancólica.

Far from Alaska

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Reconhecidos inclusive no exterior, a banda potiguar Far from Alaska é um dos principais nomes do nu metal brasileiro e acaba de gravar seu segundo disco, Unlikely, que será lançado ainda neste semestre. O single de “Cobra”, igualmente pesado e melódico, é uma ótima amostra do que podemos esperar deste novo disco.

Maglore

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Banda baiana liderada pelo compositor Teago Oliveira está prestes a lançar seu quarto disco e o culto ao redor de suas canções e apresentações segue crescendo. Com fortes cores melódicas, o grupo segue a trilha abandonada pelos Los Hermanos no terceiro disco, sem perder a força elétrica dos riffs e solos de guitarra. O terceiro disco da banda, chamado apenas de III, é uma ótima porta de entrada para o trabalho do grupo.

Rakta

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Banda paulistana de formação feminina, o Rakta é minha banda brasileira de rock favorita atualmente. Sem guitarra, concentram o ruído entre as linhas de baixo de Carla Boregas e os teclados de Paula Rebellato, que também tocam percussão no meio do show, transformando a apresentação em um ritual de bruxaria elétrica. As influências vão da no wave ao krautrock, passando pela psicodelia e pelo pós-punk – e seu terceiro disco, batizado apenas de III, é uma obra-prima.

O Terno

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Trio liderado por Tim Bernardes (filho do Mulheres Negras Maurício Pereira), O Terno é uma usina de som e seus shows são catárticos. Entre o rock épico, a psicodelia e a música brasileira, eles bebem tanto em bandas clássicas dos anos 60 quanto em ícones dos anos 80 e malditos da MPB, fazendo um amálgamo sonoro intenso, elétrico e com letras que apelam para a metalinguagem. Seu disco mais recente, Melhor do Que Parece, é mais melancólico que as apresentações do grupo – por isso escolho o segundo disco, batizado apenas com o nome da banda.

Ventre

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Outro grupo que segue levantando a bandeira do rock melódico que já foi dos Los Hermanos, o trio carioca Ventre é conhecido por suas apresentações intensas e por entortar soluções pop de forma inusitada, além da presença carismática da baterista Larissa Conforto, gigante em seu instrumento. Seu disco de estreia, homônimo, já é um dos grandes discos de rock brasileiro desta década.

Ventre + E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante ao vivo

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Uma das atrações que mais meu deu orgulho em trazer para o Centro do Rock é o encontro das bandas E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante e Ventre, que acontece no próximo domingo (mais informações aqui). As bandas, duas novas forças em ascensão do rock independente brasileiro, se juntaram a partir de uma sugestão que o Fabricio Nobre, dono do festival goiano Bananada, fez à Kátia Abreu, do Dia da Música – apresentar um showcase para seu festival. Kátia foi além e imaginou algo inédito a partir da junção de duas atrações que ele já havia convidado para a edição do evento deste ano. Conhecendo bem as bandas e sabia da afinidade musical e pessoal entre os integrantes, ela propôs um show conjunto, com o trio carioca e o quarteto paulistano tocando músicas ao mesmo tempo. O resultado foi um show que, quem pode assistir, descreveu como intenso e emocionante, qualidades dos shows das duas bandas, registrado no curta que os grupos lançam com exclusividade aqui no Trabalho Sujo.