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1975 foi um ano central para o cinema norte-americano

Eis o trailer de Breakdown 1975, documentário de Morgan Neville que mostra como o meio da década de setenta foi um ano crucial para o cinema produzido nos EUA, quando os estúdios cederam à nova geração de cineastas – todos influenciados pelo cinema europeu e asiático da década anterior – e deixaram eles fazerem os filmes que queriam. Assim, 1975 assistiu ao lançamento de obras-primas que eram socos no estômago, além de abandonar regras tidas como pétreas da indústria do cinema daquele país. E assim surgiram Tubarão, Rede de Intrigas, Todos os Homens do Presidente, Nashville, Taxi Driver e Um Estranho no Ninho, entre outros, todos desafiando convenções e desenhando um novo estilo de se fazer cinema, ao mesmo tempo em que diagnosticavam a paranoia psicótica que havia se tornado o dia-a-dia daquela década, quando o sonho americano revelou-se um pesadelo e o cinismo ultrapassou o otimismo dos anos 60 como principal tônica do período. Mais do que um documentário em si, o filme é um ensaio sobre a mudança de narrativa desta mídia cuja indústria quase falira anos antes para ser reinventada com sarcasmo, ironia, mau humor e sem medo de encarar o abismo que os EUA começaram a se revelar. Neville é conhecido por ótimos documentários sobre música (em especial 20 Feet from Stardom sobre vocalistas de apoio de artistas clássicos e o belo Keith Richards: Under the Influence sobre o guitarrista dos Rolling Stones) e o Breakdown 1975 vai ser lançado pela Netflix agora mesmo, no próximo dia 19.

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Ozzy vai fazer você chorar…

Eis o trailer de Ozzy Osbourne: No Escape From Now, o documentário que relata os últimos seis anos do vocalista fundador do Black Sabbath. Dirigido por Tania Alexander, o documentário começou como o registro de turnê de despedida antes da pandemia, que teve de ser interrompida em 2019 após Ozzy ter sofrido uma queda. O acidente trouxe uma série de questões de saúde à tona, tornando-o infeliz e insatisfeito com a vida até que sua esposa Sharon Osbourne propôs que ele fizesse um concerto para despedir-se dos fãs, seu principal arrependimento, além de ter largado os palcos. O filme então conta como Ozzy superou a barra de sua péssima saúde com a ajuda da família e retomou a vontade de viver a partir da realização do espetáculo Back to the Beginning, último adeus do vocalista e de sua banda com a formação original, que aconteceu em sua cidade–natal em julho deste ano, além de mostrar seus encontros com grandes nomes do metal que apresentaram-se no evento para celebrar sua importância até sua morte – previsível mas inesperada – no dia 22 de julho deste ano. O documentário deverá estrear no dia 7 de outubro no canal de streaming Paramount+, mas bem que podia ir para os cinemas para ampliar a catarse – e o luto – coletivo.

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O instante certo para No Céu da Pátria Nesse Instante

Esse novo documentário da Sandra Kogut, No Céu da Pátria Nesse Instante, que estreia no próximo dia 14, promete — e promete chegar em boa hora – pois o julgamento do pior presidente da história começa no dia anterior.

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Um documentário sobre Jeff Buckley

Ficou marcado para o dia 8 de agosto a estreia, nos Estados Unidos, do documentário It’s Never Over, Jeff Buckley, que a diretora norte-americana Amy Berg estreou no circuito de festivais no começo do ano causando comoção durante as sessões. Sua autora especializou-se em documentários sobre temas sensíveis (como Deliver Us from Evil, de 2006, sobre abusos sexuais na igreja católica; Janis: Little Girl Blue, de 2015, sobre a curta vida de Janis Joplin, narrado pela Cat Power; e Phoenix Rising, de 2022, sobre os abusos que Evan Rachel Wood sofreu nas mãos de Marilyn Manson) e ao arriscar-se a contar a história de um dos nomes mais delicados da canção norte-americana do fim do século passado. Jeff, filho do trovador folk Tim Buckley que morreu quando ele tinha apenas 8 anos, também teve uma breve carreira ao morrer afogado poucos anos após ter gravado seu único disco, Grace (1994), obra-prima que a cada novo ano cresce ainda mais em importância e beleza. Berg ganhou a confiança da mãe de Jeff, Mary Guibert, que abriu todo seu acervo do filho para a cineasta, além de ter conversado com suas ex-companheiras Rebecca Moore e Joan Wasser, em entrevistas emocionadas. Ainda sem trailer, a produtora Magnolia Pictures revelou o pôster do filme, para começar a divulgação do filme, que ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.

A volta de Neil Young aos palcos

Mais um documentário sobre Neil Young à vista, mais uma vez dirigido por sua esposa, a atriz Darryl Hannah, que começou a dirigir filmes registrando os passos do marido. Coastal é o quarto longa em que Hannah flagra um momento específico da carreira do mestre canadense, desta vez acompanhando-o na volta aos palcos no período pós-pandêmico e além de trechos de shows, em que Neil toca músicas que não visitava há décadas, ainda traz entrevistas com as impressões do bardo sobre a vida no século 21. O filme estreia em cinemas de todo o mundo no dia 17 de abril, mas não há previsão se vai passar por aqui. Quem sabe num certo festival de documentários…

Assista ao trailer abaixo:  

Virando o Led Zeppelin

Se você é fã de Led Zeppelin, um apelo e uma ressalva meio spoiler, mas vamos lá: VÁ VER BECOMING LED ZEPPELIN SE POSSÍVEL NO IMAX. O documentário oficial sobre a banda é um delírio se visto em uma tela imensa e com o som bem alto, porque boa parte do filme é composto por cenas da banda tocando ao vivo (muitas delas já conhecidas dos fãs). O importante spoiler – e digo isso porque já sabia antes do filme começar, o que me deixou bem menos angustiado do que poderia ficar – é que o filme conta como o grupo surgiu e vai até… o segundo disco. Nada de “Stairway to Heaven”, nada do tempo que a banda era o maior espetáculo da terra, dos discos soberbos, dos excessos e dos limites de estar no alto do panteão do rock clássico em plenos anos 70. Saber disso salva o filme porque, quando ele ultrapassa sua primeira hora de duração a banda começa a decolar e a segunda hora é dedicada ao ano em que eles deixam de ser um delírio de um guitarrista megalomaníaco que não queria que sua banda lançasse singles e se tornam uma das maiores bandas do mundo, em 1969, quando lançaram seus dois primeiros discos e entraram numa turnê interminável pelos EUA e se transformaram num fenômeno. Se você não sabe disso, corre o risco de achar que eles vão reduzir a principal década de atuação da banda a meros quinze minutos, o que felizmente não acontece. Dito isso, o filme é uma aula sobre a banda contada por seus protagonistas e esmera-se ao mostrar – em entrevistas e imagens de arquivo – a formação de cada um dos integrantes e como desde a primeira vez que tocaram juntos, Robert Plant, Jimmy Page, John Paul Jones e John Bonham descobriram que eram uma banda única e que precisavam mostrar isso pro mundo. É um delírio vê-los elogiando sua própria dinâmica ao mesmo tempo em que assistimos a trechos inteiros de suas músicas ao vivo. Por ser chapa branca, derrapa em alguns pontos (não cita, por exemplo, que o nome da banda veio de uma piada incrédula de Keith Moon e esquece de citar John Paul Jones na fase psicodélica dos Stones), mas traz uma banda delirando ao descobrir-se foda ao vivo, junto ao público e apesar da crítica. E como uma das entrevistas é uma gravação em áudio inédita do baterista, morto em 1980, é muito bonito ver Plant, Page e Jones ouvindo a voz do velho amigo falando sobre si mesmo e sobre sua banda. Mas fico aqui pensando se esse documentário não seria o primeiro volume de uma trilogia… Imagina…

Assista a um trecho que é mostrado no filme abaixo, a participação da banda num programa de TV na Dinamarca:  

Mais Sly!

Parece que Questlove conseguiu mais uma vez: lançou o trailer final de seu documentário sobre Sly Stone – o mitológico líder de um dos grupos mais importantes dos anos 60, Sly & The Family Stone – pouco antes da primeira exibição pública do filme, que aconteceu na semana passada no festival Sundance, arrancando excelentes elogios. Sly Lives! (aka The Burden of Black Genius) é o segundo documentário dirigido pelo baterista dos Roots, depois do deslumbrante Summer of Soul, que lhe garantiu seu primeiro Oscar. O novo filme, que estreia nos EUA No canal de streaming Hulu no próximo dia 13 e não tem previsão de lançamento no Brasil, conta com depoimentos de integrantes de sua banda e de discípulos do homem, como Andre 3000, D’Angelo, Chaka Khan, Q-Tip, Nile Rogers e George Clinton, que se aprofundam no legado e no mistério ao redor deste monstro sagrado e, como seu subtítulo em inglês detalha, o fardo de ser um gênio negro nos EUA.

Assista ao trailer abaixo: