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Shoegaze eletrônico

Saí correndo do show do Kiko Dinucci pra pegar o finzinho do último dia do festival da Balaclava e consegui pegar a parte final do bom show do Beach Fossils e a apresentação da Sudan Archives, nome artístico da violinista americana Brittney Denise Parks, que transformou o segundo palco do Tokio Marine Hall (que, felizmente, estava com um som ótimo) numa pequena rave com um pezinho no erudito. Mas o festival foi coroado com uma apresentação fantástica dos nova-iorquinos DIIV, possivelmente a melhor banda de shoegaze atual, que, em mais uma apresentação no Brasil, honraram o título com um show hipnotizante e avassalador. O vocal soterrado do líder Zachary Cole Smith conduzia as canções sobre um volume cada vez mais pesado de microfonia, cortesia de seu instrumento e do segundo guitarrista, Andrew Bailey, que não para no palco, enquanto a cozinha formada pelo baixista Colin Caulfield e pelo baterista Ben Newman mantém o terreno firme para o grupo expandir fronteiras sônicas. A novidade deste novo show é que, prestes a lançar seu próximo disco, chamado de Zirp! e produzido pelo mesmo A.G. Cook que acompanha Charli XCX, o quarteto pode mostrar, pela primeira vez, não apenas as duas músicas que lançaram para antecipar o novo álbum, os singles “The Fountain” e “Kid”, como músicas que o público nunca ouviu, como “The Crash”, “Dare Me”, “My Star” e ‘Trillions”, mostrando interferências eletrônicas e ruídos digitais sobre o barulho macio tradicional do grupo, que também tocou uma versão ainda mais acelerada de “Playboy Bunny” da própria Charli, em mais uma amostra da influência do novo produtor no disco. Sempre tocando abaixo de uma estrela torta tirada da capa do novo disco (que desconstrói a bandeira dos EUA), o grupo ouviu o público cantando riffs e refrões inteiros, numa nítida devoção à banda, que fez por merecer. Bom demais.

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Quando o shoegaze encontra o hyperpop

Depois de instigar seus fãs com um cartão de visitas em que anunciavam um disco chamado Zirp! produzido por ninguém menos que A.G. Cook, a banda nova-iorquina de shoegaze Diiv oficializou o lançamento de seu quinto disco nesta quinta-feira, ao mostrar o primeiro single e confirmar que, sim, gravou seu novo disco com o produtor de hyperpop e capo da PC Music que acaba de lançar mais um disco com Charli XCX. O primeiro single, “The Fountain”, dá uma ideia de como o produtor inglês de música eletrônica filtrou as camadas de microfonia em câmera lenta do grupo norte-americana, numa abordagem parecida com o que o grupo Primal Scream se submeteu à eletrônica no começo dos anos 90 com o imortal Screamadelica. Parece promissor…

Ouça abaixo:  

Balaclava Fest 2026 traz Blonde Redhead, Diiv, Dry Cleaning, Beach Fossils, Wednesday, Bar Italia e muito mais!

Blonde Redhead, Diiv, Dry Cleaning, Beach Fossils, Pedro The Lion, Wednesday, Bar Italia e High Vis: eis o elenco da décima sexta edição do Balaclava Fest, que segue no Tokio Marine Hall, mas pela primeira vez em dois dias. O festival acontecerá nos dias 26 e 27 de setembro e infelizmente não terá os nomes que vínhamos especulando (como My Bloody Valentine ou Geese, ambos mais torcida que especulação), mas mesmo assim o selo paulistano realiza sua edição mais robusta e mais ousada, trazendo nomes clássicos do indie das últimas décadas. Além dos gringos, o festival ainda terá os brasileiros Ludovic, Adorável Clichê e Budang. Os ingressos já estão à venda.

Veja o trailer abaixo:  

Gosto de sonho

“São Paulo tem a melhor plateia da turnê”, disse Colin Caulfield, baixista do Diiv, que apresentou-se neste domingo no Cine Joia. Entre camadas pesadas e oníricas de microfonia e sussurros adocicados, a banda nova-iorquino apresentou-se pela segunda vez no país desfilando as músicas de seu disco mais recente, o excelente Frog in Boiling Water. Liderada pelo guitarrista e vocalista Zachary Cole Smith, a banda ainda conta com o segundo guitarrista Andrew Bailey e o baterista Ben Newman na formação, todos trabalhando nessa mistura de ruído com gosto de sonho que caracteriza o som do grupo, que localiza-se entre o noise, o shoegaze e o dream pop, com altas doses de guitarras pós-punk que ecoam do Cure ao Sonic Youth. Sem trocar muitas palavras com o público, a banda preferiu colocar imagens no telão, que misturavam infomerciais com sites com teoria da conspiração, trechos de telejornais e registros de redes sociais, marcas e logotipos, além de textos que explicavam, de forma irônica, o que a banda estava fazendo. O som do Joia, que normalmente pena quando recebe este tipo de artista, estava jogando bem a favor e, mesmo não estando muito alto (talvez exatamente por isso), deixava tanto a banda se ouvir quanto o público identificar cada instrumento e as contribuições de cada músico para o a carga sonora do grupo. Ao final da apresentação, pouco antes de anunciar a última música, o grupo engatou “Blankenship” e fez a plateia jogar-se numa imensa roda de pogo, a maior que já vi no Cine Joia – além de puxar um coro “olê olê olê Diivêêêêê Diivêêêêê”, o que encantou a banda a ponto do baixista fazer o comentário do início do texto. Noitaça!

Assista abaixo:  

Primavera Sounds Barcelona 2022: Dia 3 – Nick Cave ao vivo

Exausto depois do terceiro dia do Primavera Sound de Barcelona, nem filmei o Tyler the Creator porque assisti de longe, mas mesmo destruído, foram três dias mágicos que terminaram com uma missa pagã. Pulei o Gorillaz pra fritar numa improvável e soberba pista de drum’n’bass (tocada pelas DJs Crystallmess e Cõvco), pra sacar mais uma vez com o Diiv, meu primeiro show do Beach House e o vocalista do Idles botando o público todo pra sentar no chão. Mas a noite não teve outro dono: Nick Cave com seus Bad Seeds mais uma vez hipnotizou o público de Barcelona num ritual sagrado e profano, dando-se como se fosse a hóstia de sua própria missa. “Este é meu corpo, tomai e comei”, parecia dizer ao se jogar nos braços do público.

Assista aos vídeos aqui.