
Strangers to Ourselves, o novo disco do Modest Mouse, só sai em março, mas eles já vêm antecipando o lançamento: primeiro com a elétrica “Lampshades on Fire” e agora com uma bucólica balada chamada “Coyotes”, que é lançada num simpático clipe que acompanha um coiote no metrô de Portland.

1980 talvez seja o grande ano do Talking Heads, quando o quarteto de Nova York abraça completamente as explorações musicais rítmicas, abraçando África e Caribe como se a new wave tivesse sido inventada por Fela Kuti numa tentativa de ironizar o ocidente. Além de consagrar a parceria do grupo com o produtor Brian Eno (que forjou suas duas obras-primas, Fear of Music e Remain in Light), o grupo ainda trouxe o ás da guitarra Andrew Belew para apresentações ao vivo e incorporava percussionistas, tecladistas e vocalistas negros para encorpar o som. Uma de suas apresentações mais memoráveis (em Roma) é deste ano, como este show recém-descoberto de Nova Jérsei, gravado no Capitol Theatre, uma das poucas casas da época que tinha um sistema de multicâmeras.
O setlist segue abaixo e o show foi uma dica do Dangerous Minds.
“Psycho Killer”
“Warning Sign”
“Stay Hungry”
“Cities”
“I Zimbra”
“Drugs”
“Once In A Lifetime”
“Animals”
“Houses In Motion”
“Born Under Punches (The Heat Goes On)”
“Crosseyed And Painless”
“Life During Wartime”
Refrão 1
“Take Me To The River”
Refrão 2
“The Great Curve”

Quando lançou a música “Golden Facelift” no final de 2014, o coletivo canadense Broken Social Scene anunciou a nova/velha faixa (que havia sido gravada para o disco da banda de 2010) como uma espécie de exorcismo da barra pesada que foi 2014. Ouvindo apenas a música, ela não parece carregar o peso do ano passado – por isso eles lançaram, no calar do ano, o clipe para a música – e esse sim dá uma bela idéia do que foi o inferno astral coletivo que foi 2014.

Um dos motivos do sucesso de Guardiões da Galáxia é seu roteiro essencialmente simples contando com personagens coloridos e hilários. Nesse sentido, não é de se estranhar que ele funcione tão bem como um jogo do Nintendinho, como sugere o pessoal do CineFix que fez essa adaptação…
Se ligou na trilha sonora, né?

É muito bom saber que as Sleater-Kinney estão de volta. E pra gravar o primeiro clipe da volta, elas chamaram um monte de amigos (dos comediantes Fred Armisen, Sarah Silverman e Andy Samberg ao Gerard Way do My Chemical Romance, passando pelo J. Mascis do Dinosaur Jr., a multiartista Miranda July e a atriz Ellen Page) para cantar a música em frente à webcam, num vídeo baratíssimo e quase sem a música original.
E na semana passada elas se apresentaram pela primeira vez ao vivo em anos, tocando a faixa “A New Wave” no programa do David Letterman.
Já disse e repito: tomara que alguém as traga pro Brasil. O show deve ser incrível.

Frank Ocean tá que não se aguenta pra lançar música nova. Primeiro foi a vinheta esticada “Memrise”, que lançou no ano passado, como uma espécie de prenúncio de seu próximo disco. E na semana passada ele aproveitou que no último dia 16 a cantora Aaliyah completaria 36 anos se estivesse viva para regravar um clássico do repertório da musa R&B, “At Your Best (You Are Love)“, dos Isley Brothers, que Aaliyah puxou para si. Frank tira os beats, os samples, os vocais de apoio e deixa apenas o piano para acompanhar seu vocal choroso.

Do mesmo jeito que Twin Peaks aos poucos ensaia sua inusitada volta para 2016, outra série dos anos 90 que foi crucial para tornar a paisagem televisiva mais interessante no século 21 também começa a cogitar sua volta. A Fox anunciou interesse em voltar a fazer novas temporadas de Prison Break, 24 Horas e… Arquivo X! Tanto o criador da série Chris Carter quanto seus dois protagonistas David Duchovny e Gillian Anderson são simpáticos à idéia – e recriar o universo de paranóia e conspiração do seriado original parece fazer ainda mais sentido no século 21. O problema é que tanto Anderson quanto Duchovny têm compromissos com a NBC (David estará num seriado que ainda irá ser lançado chamado Aquarius enquanto Gillian segue na segunda temporada de Hannibal) e os dois só poderiam voltar à Fox caso terminem suas obrigações contratuais. O que não é o caso de Chris Carter, que teve um projeto de série (The After) recentemente dispensado pela Amazon e está mais do que disposto a voltar àquele FBI que encobre contatos de seres humanos com alienígenas. Mas, pensando bem, não seria mais interessante criar novos agentes para voltar a fuçar nas pastas secretas que Mulder descobriu nos anos 90, requentando o tema com novos personagens? Talvez com pontas de Mulder e Scully em vez de simplesmente apelar para o revival? Imagina o Mulder apenas como fonte, só passando informações pela metade sobre casos que assistimos na primeira encarnação da série… Mas, por enquanto, só temos especulações. E torcida, claro.

Mal Björk anunciou que iria lançar disco novo em 2015 e Vulnicura já vazou. O que poderemos esperar do novo disco de nossa islandesa favorita?


Dylan continua sua saga de trovador do século 20 e no mês que vem lança mais um disco de canções alheias – no caso, músicas consagradas por Frank Sinatra no disco Shadows in the Night. Já tínhamos ouvido “Full Moon and Empty Arms” no ano passado e agora ele vem com a bucólica “Stay With Me”. Eu sou fã, então já sabem o que achei…

Fonte interminável de inspiração, o blog Letters of Note (sempre comentado aqui no Trabalho Sujo) virou livro e foi lançado no Brasil. Escrevi sobre o belíssimo Cartas Extraordinárias – A Correspondência Inesquecível de Pessoas Notáveis do inglês Shaun Usher para a Ilustrada deste sábado. E a imagem que ilustra esse post é uma carta que Charles Schulz mandou para uma fã irritada com uma nova personagem chamava Charlotte Brown, que era o oposto do protagonista da tira Peanuts, Charlie Brown. Schulz concordou com a morte, não antes sem responsabilizar sua leitora pelo feito, ilustrado pelo pai do Snoopy como um machado da cabeça da ex-personagem.
Livro reúne pérolas emocionantes do universo das cartas
Versão em papel do blog Letters of Note, compilação traz correspondência enviada por pessoas notáveis
Um jovem chamado Leonardo oferece seus préstimos para o governador de Milão. Para isso, cita suas aptidões numa lista, sendo que só o décimo item comenta suas inclinações artísticas.
O líder de um movimento pela independência de um país asiático escreve para o líder de um país europeu, pedindo para que não vá além com suas intenções imperialistas.
O mundo digital ilude com a ideia da hiperconexão. Não é que não estejamos cada vez mais interligados graças à troca compulsiva de mensagens eletrônicas de toda espécie.
Mas nos esquecemos que, antes da internet, as pessoas também viviam conectadas.
E não deixa de ser irônico que um site tenha que virar livro para reforçar a importância das cartas. “Cartas Extraordinárias – A Correspondência Inesquecível de Pessoas Notáveis” é a versão impressa do blog “Letters of Note”, criado pelo inglês Shaun Usher.
Desde 2009, ele reúne pérolas emocionantes do universo da correspondência. A maioria delas é escrita por personalidades históricas de toda a sorte –políticos, artistas, cientistas, escritores, atores– em diferentes períodos de suas vidas, além de relatos anônimos de cortar o coração.
Dez dólares
Não faltam momentos históricos. Lemos um jovem Fidel Castro, aos 12 anos, em 1940, pedindo, em inglês, uma nota de dez dólares ao recém-reeleito presidente norte-americano Franklin Roosevelt.
Duas cartas são endereçadas a Marlon Brando: numa delas, de 1957, o escritor Jack Kerouac suplica para que o ator faça parte da adaptação de seu recém-lançado livro “Pé na Estrada”. Noutra, de 1970, Mario Puzo faz pedido semelhante para a versão cinematográfica de “O Poderoso Chefão”.
Há relatos tocantes, como uma carta de um ex-escravo para seu antigo dono. Outros hilários, como o do gerente de produto da Sopa Campbell a Andy Warhol, comentando o uso das latas da empresa em suas obras. Ele lhe oferece caixas com o enlatado.
Alguns outros são repugnantes, como a carta em que Jack, o Estripador, se apresenta à polícia londrina enviando um pedaço de uma de suas vítimas. Outros curiosos, como o de uma criança que sugere ao presidente norte-americano Abraham Lincoln que deixe a barba crescer.
Algumas cartas não são manuscritas. Um telegrama avisa aos militares na base de Pearl Harbor que as sirenes que estavam ouvindo não eram um teste –e sim o ataque que motivou a entrada dos EUA na Segunda Guerra Mundial.
“Cartas Extraordinárias”, que traz fac-símile da maioria das 125 epístolas reunidas, é prazer tanto para ser folheado e lido casualmente quanto para ser devorado.
E entre as inúmeras surpresas pelo caminho, descobrimos que foi graças à uma carta que o governador de Milão contratou Leonardo da Vinci em 1483 e, dez anos depois, lhe encomendou a “Última Ceia”.
E que Gandhi tentou, por meio de uma carta, fazer com que Hitler desistisse de dominar a Europa e não provocasse a Segunda Guerra Mundial. “Pelo bem da humanidade.”
CARTAS EXTRAORDINÁRIAS
Organização Shaun Usher
Tradução Hildegard Feist
Editora Companhia das Letras
Quanto R$ 99,90

O autor Mario Puzo escreve ao ator Marlon Brando, 1970.
Caro sr. Brando, Escrevi um livro chamado “O Poderoso Chefão” que teve algum sucesso e acho que o senhor é o único que pode fazer o papel Chefão com a força e a ironia (o livro é um comentário irônico sobre a sociedade americana) que o papel exige. Espero que o senhor leia o livro e goste dele o suficiente para usar todo o seu prestígio para conseguir o papel. Com essa finalidade estou escrevendo para a Paramount; pode ser que ajude. Sei que é muita presunção de minha parte, mas o mínimo que eu posso fazer pelo livro é tentar. Acho que o senhor seria fantástico. Não preciso dizer que admiro sua arte. Mario Puzo Um amigo comum, Jeff Brown, me deu seu endereço.
Carta enviada pelo gerente de produto das sopa Campbell ao artista Andy Warhol, em 1964.
Prezado sr. Warhol: // Venho acompanhando sua carreira há algum tempo. Sua obra tem despertado grande interesse aqui na Campbell Soup Company por motivos óbvios. Já tive a esperança de adquirir um de seus trabalhos com o rótulo de Campbell Soup, porém receio que seja caro demais para mim. Quero dizer-lhe, no entanto, que admiramos sua obra e que eu soube que o senhor gosta de sopa de tomate. Tomo a liberdade de enviar-lhe algumas caixas de nossa sopa de tomate, que serão entregues nesse endereço. Desejamos-lhe constante sucesso e boa sorte. Cordialmente, William P. MacFarland // Gerente de produto
