
O trio neozelandês Yumi Zouma começa 2015 com uma deliciosa “Catastrophe”, mais um tijolinho na lenta construção de uma reputação que promete…

No final do ano passado, eu já vinha conversando com o Diego pra começar a colaborar com o UOL quando, na véspera da véspera do Natal, ele me ligou me convocando para uma missão: fazer uma matéria especial sobre os 30 anos da axé music. O desafio foi mais logístico do que propriamente conceitual – tinha que marcar entrevistas em vídeo em pouco tempo com grandes nomes da música baiana no mês que antecede o carnaval (com o agravante de ter as duas semanas entre o natal e o ano novo no meio). Pessoalmente, acompanhei a evolução do gênero bem de perto, pois Brasília – onde nasci – foi um dos primeiros lugares para onde Salvador exportava aquelas bandas e era inevitável saber todas as músicas e bandas dessa época. A parte logística foi resolvida com o auxílio da querida Carol Morena, que humilhou na produção, mais do que profissa.
A partir daí parti para uma imersão em um rótulo que descreve um gênero e um modus operandi e tenta se confundir com a magia do carnaval baiano, que mexeu com a indústria do entretenimento brasileiro e revelou a primeira safra de artistas que não eram do Rio ou de São Paulo e que não precisaram se mudar para estas cidades para manter seu sucesso nacional. Um gênero que cresceu junto com a world music e reinventou a identidade global brasileira. E rendeu uma hora de bate-papo no estúdio na casa de Luiz Caldas, outra hora e meia de conversa na varanda da casa de Daniela Mercury, uma visita ao WR Estúdio e uma hora de conversa com o dono do Abbey Road da axé music, Wesley Ranger, vinte minutos com Bell Marques antes de assistir a um show do ex-Chiclete com Banana e uma hora de conversa com Armandinho, filho de Osmar, um dos criadores do trio elétrico, além de discussões sobre política, estética e carnaval com o jornalista Luciano Mattos, a antropóloga Goli Guerreiro (autora do livro A Trama dos Tambores) e o guitarrista do BaianaSystem Beto Barreto – e incontáveis moquecas e passadas em pontos turísticos para fazer o cinegrafista Rodrigo Ferreira, fiel escudeiro desta trip, fazer imagens de cobertura.
O especial rendeu uma matéria sobre a gênese do gênero, uma longa conversa com Daniela, uma discussão sobre a atual crise na axé music (negada por seus protagonistas), uma linha do tempo, além de galerias de fotos, quiz e entrevistas mais curtas em vídeo. Dá pra ver tudo a partir daqui. E é a primeira de muitas outras colaborações com o portal, aguardem.

E como Damon Albarn não consegue parar quieto, além da volta dos Gorillaz, outro projeto em que ele já se meteu em 2015 é sua terceira ópera, depois de Monkey: Journey to the West (de 2007) e Dr. Dee (de 2011). Desta vez o popstar pega como gancho a comemoração da publicação da obra mais clássica de Lewis Carroll há um século e meio (Alice no País das Maravilhas, ora bolas) e a revive como um musical que se passa nos dias de hoje. Nele, uma protagonista chamada Aly cria uma personalidade digital batizada de Alice e deixa-se perder no mundo virtual de Wonder.land. A terceira ópera de Albarn veio da terceira colaboração do vocalista com o Manchester International Festival e o diretor do evento, Rufus Norris, que já havia trabalhado com Albarn em Monkey, será o diretor da nova obra, cujas letras e roteiro ficam a cargo de Moira Buffini. A apresentação deverá acontecer em julho deste ano. As informações são da BBC.

Ninguém duvida da força do Red Hot Chili Peppers – só que há uns 15 anos eles preferiram se tornar o novo Aerosmith em vez de continuar a constante evolutiva que marcou os 15 primeiros anos anteriores da banda. Mas agora uma novidade pode mudar esse horizonte, quando o baixista Flea twittou que eles estão no estúdio gravando seu próximo disco com ninguém menos que o produtor Danger Mouse.

Logo após postar o tweet, Flea o apagou, não a tempo de fugir do radar da revista Alternative Nation, que registrou o anúncio antes de ele ter sido deletado, e ainda linkou uma entrevista que o baterista do grupo Chad Smith deu à Rolling Stone gringa no fim do ano passado sobre o próximo disco em que ele menciona um “produtor anônimo”:
“The new album is shaping up good, man. We’ve got lots of songs, and we’re working with an unnamed producer who is really challenging us to find new ways to come up with new music. We’ve done the “guys get in the room and jam out songs, everybody playing together all at once” thing. And we wrote a bunch of songs that way. And we’re now going to try another method that will be really challenging for us and will bring new, exciting results for the band. We’ve written and recorded in a way that we’ve never done before, so the record is going great. We all have high hopes that it’s going to take off and we’re going to do something very different and unique for the Red Hot Chili Peppers.”
Não que Danger Mouse seja infalível. Por mais que seu toque de Midas tenha provocado hits e álbuns memoráveis ao lado de nomes como Rapture, Gorillaz, Beck, Black Keys e Norah Jones, além de suas próprias travessuras com o Gnarls Barkley, Danger Doom e o Broken Bells, lembre-se que ele é um dos produtores do Songs of Innocence do U2, um disco que ficou mais conhecido como spam do que como uma obra para ser ouvida. Mas tomara que ele consiga tirar algo dos Red Hot.

A primeira matéria que fiz para o especial de 30 anos de axé music do UOL foi sobre a origem do gênero. Quando comecei a pesquisar o assunto notei que havia uma lacuna histórica entre os Novos Baianos e os primeiros hits da axé music que me fizeram investigar junto aos protagonistas do gênero o que estava acontecendo na Bahia entre o Jubileu de Prata do Trio Elétrico, em 1975 (quando pela primeira vez alguém canta num trio elétrico, que até então eram instrumentais), o surgimento dos blocos afro e o hit “Fricote”, de Luiz Caldas, dez anos depois.
“Conquistamos o Brasil pela simplicidade”, diz produtor do hit nº 1 do axé
Em 1985, recém-saído da ditadura militar, o Brasil estava em plena adolescência pop. Rio, São Paulo e Brasília curtiam o rock, como trilha sonora da abertura. O que ninguém esperava era que um guitarrista descalço e com cara de índio estivesse colocando nas ruas, desde Salvador, uma nova revolução musical que mudaria para sempre o mercado do entretenimento no país. Seu nome era Luiz Caldas, e a novidade levava o título de “Fricote”.
Conhecida pelos versos “Nêga do cabelo duro, que não gosta de pentear…”, a faixa que é considerada oficialmente o marco zero do axé music foi lançada no disco “Magia”, de 1985, e fez um sucesso inesperado em todo o país já nos primeiros meses daquele ano.
“Gravamos no final de 1984, e logo depois viajei aos Estados Unidos para comprar discos e revender nas rádios de São Paulo. Cheguei no final de janeiro para fevereiro, e o disco de Luiz Caldas já era sucesso nacional. Foi num intervalo de 30 a 60 dias que realmente conquistamos o Brasil. E pela simplicidade”, lembra Wesley Rangel, produtor musical e dono do estúdio WR, que se tornaria o berço de todos os nomes da cena axé em Salvador, de Olodum a Ivete Sangalo.
“As pessoas usam ‘Fricote’ como emblemática desses 30 anos porque foi a música que abriu portas para outros artistas e para que esse mercado se transformasse no que é hoje”, explica Luiz Caldas, em entrevista ao UOL, em sua casa, em Salvador. “Mas o embrião do axé music nasce comigo de 1978 para 1979 com a música ‘Oxumalá’ do disco ‘Ave Caetano’, gravado em nome do Trio Tapajós”, lembra o músico.
Ele também cita outras produções próprias anteriores, como “Axé pra Lua”, como passos na formação deste novo gênero. A faixa, uma homenagem baiana a Luiz Gonzaga, enfileira títulos de músicas do Rei do Baião, cita o termo “axé” no título e inspirou o nome do Bloco Qualé? por causa de seu refrão.
“Luiz Caldas conseguiu fazer a síntese dele de um novo tipo de música que estava surgindo, que a gente chamava de ti-ti-ti, deboche, fricote”, revela ao UOL Daniela Mercury, fazendo referência à levada caribenha no contratempo que unia os universos dos blocos afro e dos trios elétricos e aproximava as duas metades do Carnaval de Salvador.
Com 400 mil cópias de “Magia” vendidas em todo o país e a presença constante de Luiz Caldas e da cantora Sarajane no programa do Chacrinha, na Globo, naquele ano, o Brasil percebeu que havia algo diferente acontecendo no Carnaval baiano.
Raízes
As raízes do axé music podem ser encontradas no início dos anos 50, quando Dodô e Osmar resolvem usar suas noções de elétrica para inventar uma nova forma de pular Carnaval em Salvador. Inspirados nas charangas do Carnaval pernambucano, eletrificaram um cavaquinho e um violão (batizando-os de “pau elétrico”) e subiram em um velho Ford Bigode (que ficou conhecido pelo apelido de “Fobica”) para tocar frevos que, na versão pernambucana, eram executados por metais.
No Carnaval de 1950, desfilaram pela primeira vez com o trio elétrico, que ganhou esse nome por ter um trio tocando instrumentos elétricos em cima do carro, e se tornaram a sensação da folia daquele ano.
A primeira grande mudança rumo ao axé music aconteceu quando o guitarrista Armandinho, filho de Dodô, resolveu homenagear o pai no aniversário de 25 anos do primeiro trio. Por mais que tivesse crescido junto ao trio (Dodô montou, inclusive, um trio mirim, onde o filho estreou na guitarra aos 10 anos), o rapaz também tinha influência do rock daquela década. “Eu via naquele cavaquinho elétrico a minha guitarra”, lembra Armandinho. “E aí comecei a fazer o trio elétrico nesse formato de rock, tipo Beatles, Jimi Hendrix: guitarra, baixo e bateria.”
O formato banda também foi influenciado por outra transformação crucial daquele ano. “No meio do Carnaval, o Moraes [Moreira] estava em cima do trio com a gente. Tinha um microfone que era só para o meu pai dar o ‘boa noite’, mas o Moraes pega, começa a cantar a música ‘Jubileu de Prata’ e se torna o primeiro cantor de trio elétrico”, atesta Armandinho.
A novidade do vocal mudou completamente a cena baiana, porque, se antes era preciso ser um exímio guitarrista para tocar a recém-batizada guitarra baiana, abria-se então espaço para que cantores se transformassem nas estrelas dos trios.
Foi nesse momento que começaram a surgir os trios que hoje tomam conta do Carnaval baiano, que haviam incorporado uma novidade criada pelo trio elétrico dos Novos Baianos: os amplificadores, cada vez mais altos. Se, antes, o som do trio era o barulho distante dos instrumentos elétricos, agora ele se tornava um palco móvel cada vez mais agressivo.
No batuque que balança
Também por força dos Novos Baianos -que lançariam a cantora Baby Consuelo, além do próprio Moraes Moreira-, as influências da música africana começaram a se misturar à sonoridade dos futuros músicos de axé. O fenômeno coincidiu com o resgate de blocos afro como o Filhos de Ghandy, apoiado por Gilberto Gil desde sua volta do exílio, e a criação de novos, como o Ilê Ayê e o Olodum.
Daniela Mercury lembra como ficou sabendo, do alto de um trio elétrico, de uma nova música do grupo Olodum que estava se espalhando pelo povo: “A gente estava descendo pelo (largo do) São Bento, eu vinha com a Banda Eva, no Carnaval de 87, quando um amigo cantor chamado Marcio Muller me perguntou, na hora em que a gente chegou na praça Castro Alves: ‘Daniela, você já ouviu ‘Faraó’?’ E eu disse ‘Não, meu filho’. ‘Pois é, o povo só está cantando na rua, espera aí que você vai ver’. E cantou: ‘E eu falei Faraó-ó-ó’, só com a voz. E o o povo todo, solenemente, respondeu ‘Êêêêê, Faraó’. Eu falei ‘O que é isso?’. E ele explicou que era um tal Bloco Olodum, um bloco novo, afro, da turma lá do Pelourinho. Me arrepio só de lembrar.”
No compasso do sucesso da nova febre musical baiana, que com a chegada dos tambores mais lentos ganhava também o nome de samba-reggae, o gênero finalmente ganhou seu rótulo: “axé music”. O batismo feito ironicamente pelo jornalista baiano Hagamenon Brito, ao internacionalizar o rótulo de forma jocosa, previu sem querer a carreira internacional do gênero.
“Foi batizado de forma pejorativa, mas foi apropriado porque é uma música mundial”, enfatiza Luiz Caldas. “Nós precisávamos dizer o que nós fazíamos”, concorda Bell Marques, ex-vocalista do grupo Chiclete com Banana, que se tornou um dos principais embaixadores do Carnaval baiano no país e no mundo afora com as chamadas “micaretas” fora de época. “Isso acabou facilitando as coisas para a gente.”
Espalhando-se pelo Brasil
Capitaneada pela força de Daniela Mercury, que em 1992 fez um show para 30 mil pessoas que parou a avenida Paulista, o axé music espalhou-se definitivamente para o resto do Brasil, vendendo milhões de discos e lançando dezenas de novos artistas, que então experimentavam algo inédito: era a primeira vez que artistas de outra cidade não precisavam mudar-se para o Rio ou para São Paulo para atingir todo o país. Pelo contrário, o sucesso do axé music ajudou a transformar Salvador e outras cidades do litoral baiano na meca turística dos anos 90 -quantas viagens de formatura não miraram seus destinos para o Estado naquela década?
Nesse mesmo tempo, a recém-batizada world music ganhava força como nicho de mercado e abraçava a música que vinha de Salvador. E assim Carlinhos Brown ganhou um Grammy em um disco de Sergio Mendes e foi indicado para outros prêmios internacionais. Salvador recebeu então a visita de ilustres “popstars” como Paul Simon e Michael Jackson, que vieram gravar com o Olodum no Pelourinho (sem contar as inúmeras celebridades internacionais que visitavam a cidade durante o Carnaval, apenas pelo turismo).
O axé atingiu o seu ápice comercial na virada do século, quando Ivete Sangalo deixou a Banda Eva e saiu em carreira solo e a internet começou a fazer as vendas de discos despencarem pelo mundo. Incorporando outros gêneros musicais à sua vasta mistura de ritmos (uma mutação que começou ainda com a inclusão do velho pagode e do samba de roda na safra de bandas puxadas pelo sucesso “Segura o Tchan”, do Gera Samba), o axé music começou a se diluir e perder seu impacto nacional.
Ivete disparou como grande artista pop desta nova fase, lançando discos e DVDs ao vivo (pela MTV, no Maracanã e no Madison Square Garden, em Nova York) e reunindo convidados que mantinham o pé da cantora no axé music (Margareth Menezes, Tatau, Durval Lélys, Davi Moraes, Gilberto Gil, Daniela Mercury, Olodum, Bell Marques e Saulo Fernandes), mas miravam no estrelato pop independentemente do gênero musical (Alejandro Sanz, MC Buchecha, Seu Jorge, Nelly Furtado, Juanes, Diego Torres, Alexandre Pires, Samuel Rosa, Sandy & Júnior e o grupo Stomp).
A carreira solo de Claudia Leitte, que deixou o grupo Babado Novo já nesta década, também se refletiu nessa nova fase pop do gênero, que, sem novas estrelas, começou a buscar referência em gêneros marginais de Salvador, conseguindo hits nacionais esporádicos como “Rebolation”, do grupo Parangolé, “Lepo Lepo”, do grupo Psirico, e a recente sofrência do cantor Pablo, com sua “Porque Homem Não Chora”, provável hit do Carnaval de 2015 na Bahia e um sugestivo retrato da situação desse gênero musical em seus 30 anos.

Fui ao estúdio na casa de Luiz Caldas para entrevistar o pai da axé music para o especial de 30 anos do gênero que fiz para o UOL e o resultado foi a entrevista a seguir:

Geral saca que qualquer coisa que venha das bandas do Animal Collective não me descem. E não é preconceito – as resenhas de discos, entrevistas, nomes de música, a direção visual, os títulos dos discos, toda a mitologia, referências… Tudo me leva a ouvir os discos e sempre fico com a sensação de estar sendo enganado, que tem alguém rindo escondido pregando uma peça. Mas sigo tentando e não descarto só pelo meu próprio gosto musical. Eis que finalmente uma música deles bateu – não da banda, mas de “Mr. Noah”, de um de seus integrantes mais prolíficos, Noah Lennox, também conhecido por Panda Bear.
Já posso me dar por satisfeito.

Já sabemos que Chaz Bundick estava com disco novo na agulha – a novidade é que ele apareceu online.
Acho que nem Chris Pratt conseguirá salvar Jurassic World, a nova franquia da série Jurassic Park, que estréia no meio do ano a ser mais do que um desses filmes blockbusters que estreiam fazendo o maior barulho e em mil salas em um fim de semana e desaparece no outro.
Dinossauros vilões? Dinossauros modificados geneticamente? Jurassic Park aberto ao público? É muita idéia ruim…

