Mais um texto do Žižek sobre o movimento Occupy, desta vez caracterizando-o como parte de um movimento que deve erodir, por vez, o conceito tradicional de burguesia. Um trecho:
Está claro, obviamente, que o enorme renascimento dos protestos no último ano, da Primavera Árabe ao Leste Europeu, do Occupy Wall Street à China, da Espanha à Grécia, não devem definitivamente ser desconsiderados como uma revolta da burguesia assalariada – eles guardam potenciais muito mais radicais, de forma que devemos nos engajar numa análise concreta caso a caso. Os protestos estudantis contra a reforma universitária em curso no Reino Unido são claramente opostos às barricadas do Reino Unido em agosto de 2011, este carnaval consumista de destruição, a verdadeira explosão dos excluídos. Em relação aos levantes do Egito, pode-se argumentar que, no começo, houve um momento de revolta da burguesia assalariada (jovens bem educados protestando contra a falta de perspectiva), mas isto foi parte de um amplo protesto contra um regime opressivo. Entretanto, até que ponto o protesto conseguiu mobilizar trabalhadores e camponeses pobres? Não seria a vitória eleitoral dos islâmicos também uma indicação da base social estreita do protesto secular original? A Grécia é um caso especial: nas últimas décadas surgiu uma nova “burguesia assalariada” (especialmente na administração estatal superdimensionada) graças à ajuda financeira e empréstimos da União Europeia, e muitos dos protestos atuais, mais uma vez, reagem à ameaça de perda destes privilégios.
A íntegra pode ser lida abaixo ou no blog da Boitempo.
O Link dessa semana ainda traz a primeira colaboração da querida Thais Caramico para o caderno – ela que se picou da redação rumo a Londres me cutucou no final do ano passado quando soube que o primeiro livro do Tom Rachman, que já havíamos publicado na capa de uma edição do caderno em setembro do ano passado, iria sair no Brasil. Armou a conexão com o autor e marcou uma prosa que foi além do tema de seu livro (Os Imperfeccionistas trata de personagens que orbitam ao redor de uma redação de jornal) e estendeu o assunto iniciado naquele artigo Romantismo Offline, em que ele antevia o surgimento de uma geração avessa ao digital nos próximos anos:
É comum ouvir que a tecnologia nos torna mais produtivos e nos põe em contato com o mundo, mas ele tem certeza de que nem todos pensam assim. A enciclopédia da internet e todas as suas possibilidades funcionam como uma injeção de ansiedade e trazem forte sentimento de solidão. Basta ver um grupo de amigos no bar. Sempre tem alguém que está ali, mas não está, pois está online. Ele chama isso de falta de presença.
Estar ativo nas redes sociais, muitas vezes mais preocupado com a foto que será postada do que o momento em que algo está sendo vivido, é um dos pontos sobre os quais Tom discorre. Mas o que está mesmo em questão é essa necessidade que as pessoas têm de ser reconhecidas. “O ser humano é incrivelmente sociável e essas ferramentas parecem melhorar essa vontade de se comunicar, mas, na verdade, só estimula esse desejo ainda mais. Não acredito que a rede faça você se sentir mais comunicativo. Não é uma resposta porque só gera angústia”, diz.
O papo continua no Link. E o livro de Rachman é excelente – além de feito para ser engolido, ainda mais se você trabalha com jornalismo ou comunicação.
Calma gente, é só boato.
“Estava tudo acertado para tocarmos no primeiro semestre, mas tivemos problemas de agenda. Mas nos vemos no segundo, sem falta”, disse Dan Auerbach ao Estadão. SWU ou Planeta Terra? Eu ainda acho que o Terra vai de Pulp…
O governador do Sergipe, Marcelo Déda, comentou o ocorrido no show de Rita Lee, no fim de semana, no blog do Jorge Bastos Moreno, no Globo. Segue o trecho final, depois que ele tece (bem) todas suas considerações sobre o que aconteceu:
Não sei se foi Chico Buarque quem disse certa vez que nem toda loucura é sinônimo de genialidade e nem toda lucidez é sinal de velhice. Ouso dizer que viver o equilíbrio entre ambas – loucura e lucidez – produz grandes obras e eterniza grandes artistas. Continuarei a aplaudir e respeitar todos os que na vida e na arte constroem essa maravilhosa síntese.
Vale ler a íntegra. E a foto que ilustra o post foi postada no Facebook na tarde de segunda por Roberto de Carvalho.
Rob Beschizza resolveu por em prática um dica sugerida por John Waters (“Por quê só fazem remakes de filmes bons? Por quê não tentam consertar filmes ruins?” – algo nesse naipe) e resolveu retrabalhar um dos piores filmes de David Lynch, sua bisonha adaptação para o filme Duna. Sua premissa? Tirar os diálogos do filme. Todos. O resultado, que não dá pra embedar no post, é uma espécie de Moebius steampunk, um Cronenberg rococó, um Jodorowski felliniano, dirigido por um sueco com poucos amigos, e a primeira cena do filme pode ser assistida abaixo.
TENSO.
Ninguém lembra de como certas coisas são difíceis para um tiranossauro. Veja só:
Conversei com o David Haynes, um dos donos do Soundcloud e uma das atrações na Campus Party 2012, para a capa da edição do Link desta semana. E ele me falou que o site, que aos poucos se firma como a principal rede social de música atualmente, aspira ir para muito além do mercado fonográfico, apostando na voz como principal meio de comunicação online dos próximos anos.
A voz do som
O Soundcloud tem mudado a relação das pessoas, artistas e gravadoras na internet e é uma das atrações da Campus Party 2012
“Não acho que somos apenas uma rede social de música”, explica, pelo telefone, Dave Haynes, vice-presidente de negócios do Soundcloud, uma das atrações da Campus Party 2012, que começa na semana que vem.
Haynes pode até desconversar, mas o fato é que, aos poucos, seu site vem se estabelecendo como a principal rede social de música na internet, título que já foi do MySpace, quando este aspirava a ser maior rede social do mundo. Enquanto este último deslizou ao deixar a música em segundo plano – e aos poucos perder a relevância digital –, o Soundcloud restringiu seu foco e dedicou-se apenas ao compartilhamento de arquivos de áudio.
Esta definição rendeu bons frutos. Menos de dois anos depois de ter sido criado em 2009 pelo engenheiro de som Alex Ljung e pelo artista Eric Wahlforss na Suécia, já conseguiu atrair grandes nomes do mercado musical. Hoje o site é baseado em Berlim, na Alemanha. E diferentemente do MySpace, que começou a ganhar fama ao revelar artistas independentes como Lily Allen, Arctic Monkeys e Mallu Magalhães, o Soundcloud teve a facilidade de ser reconhecido mais naturalmente por artistas já estabelecidos. Eles começaram a usar a plataforma para mostrar, em alguns casos na íntegra, lançamentos inteiros em streaming, como foi o caso do Foo Fighters. A banda deixou seus fãs ouvirem todo seu disco mais recente, Wasting Light, na mesma semana em que ele foi para as lojas – digitais ou não. E não são apenas artistas cujos fãs já estão habituados a baixar músicas online, como é o caso do ex-beatle Paul McCartney. Ele encerrou o ano passado apresentando a primeira faixa de seu próximo disco – Kisses on the Bottom, na rede social. O disco será lançado no mês que vem.
E não são apenas artistas que se prontificaram a estabelecer perfis na rede social. Muitas gravadoras – principalmente selos pequenos – já o utilizam como base para lançamento de seus artistas, apresentando canções, discos e até mesmo promoções, como foi o caso da gravadora nova-iorquina DFA Records. Ela abriu no mês passado um concurso de remixes para a música “How Deep is Your Love”, do grupo Rapture. Na outra ponta do espectro, a tradicional gravadora alemã de música erudita Deutsche Grammophon também tem seu perfil no site.
Mas se Haynes não acha que o Soundcloud é uma rede social de música, então o que é este site, que, na semana passada, comemorou a marca de 10 milhões de usuários? “Somos uma plataforma de criadores de áudio”, diz. “É natural que nos associem a artistas, afinal música é muito popular e vários nomes – tanto estabelecidos quanto iniciantes – já ajudaram o público a entender a natureza do site. Mas achamos que música é só uma pequena parte de nosso potencial. Hoje, graças aos celulares, todos carregamos uma câmera no bolso, também temos um microfone à nossa disposição o tempo todo. E é nisso que apostamos.”
O executivo do site lista que as pessoas já usam o Soundcloud para publicar comentários falados, fazer diários em áudio, entrevistas e ler textos em voz alta. “E não são apenas pessoas comuns, mas jornalistas, comediantes, editoras de livros, radialistas, escritores, emissoras de rádio e TV”, continua Haynes.
Não é pouca coisa: nomes como a editora Penguin, a revista Vanity Fair, a emissora de rádio norte-americana ABC, a Sociedade Real pela Literatura inglesa e a BBC também utilizam a plataforma para priorizar mais a voz do que canções. E Haynes concorda quando pergunto se aos poucos vamos ver a voz substituir o texto como principal meio de comunicação na rede.
“Acho que isso é uma tendência que ainda vai se estender por alguns anos. A revolução da telefonia móvel está apenas começando”, diz, citando que só agora estamos vendo a ascensão dos smartphones para as pessoas que até outro dia apenas trocavam SMS e conversavam pelo celular. “Acredito que é uma tendência sem volta”, diz.
Na Campus Party, Haynes vai presidir o Music Hack Day, maratona de programação que o Soundcloud promove, com sucesso, em vários países. A competição reunirá programadores que terão de criar, em cima da API aberta do site, “a nova geração de aplicativos de música”, como gosta de falar.
“A antiga indústria musical – o rádio, as lojas de discos e as gravadoras – sempre impôs a forma como a música deve ser criada, distribuída e consumida. Isso acabou. Vivemos numa era em que todos colaboram com essa indústria, desde os programadores que participam destes Hack Days – que outros sites também fazem – até o ouvinte, além dos artistas e novos players no mercado de música. É um ecossistema em constante formação que não está restrito à definição de alguns poucos executivos com bons contatos.”
Mas ele não crê que o novo cenário deste mercado tenha aberto uma cisão entre duas gerações. “Acredito que a revolução digital a que estamos assistindo hoje é muito mais importante do que aquela que aconteceu há dez anos. Todos já entendemos que a internet chegou para ficar e há uma nova geração de executivos que entende a rede como um leque de novas oportunidades e não mais como uma ameaça. Eles estão dispostos a fazer novas parcerias, a dialogar com músicos, a ouvir o público, a criar novas ferramentas de interação entre os diferentes lados do mercado. Nós somos apenas uma peça neste novo cenário”, conclui.
Pintou esse vídeo no site oficial do mestre:
Nos créditos:
“Horse Back”
Engineered and mixed by John Hanlon at Audio Casa Blanca Jan 6, 2012, assisted by Mark Humphreys and John Hausman
Video by Ben Johnson
Music by Crazy Horse
Como disse o Danilo: é um sinal.







