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Destaque

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Pra comemorar mais um aniversário, duas horas só com músicas de 2015!

Brian Wilson + Al Jardine – “Right Time”
Yumi Zouma – “Song For Zoe & Gwen”
Warpaint – “No Way Out (Redux)”
Chvrches – “Cry Me A River”
Le Volume Courbe + Kevin Shields – “The House”
Adriano Cintra – “Alprazolam”
Modest Mouse – “The Best Room”
Will Butler – “Anna”
Charli XCX – “Shake It Off”
Stephen Malkmus & the Jicks – “Blank Space”
Royal Blood – “Roxanne”
Rafael Castro – “Ciúme”
Blur – Go Out”
Twin Shadow – I’m Ready
Todd Terje – Preben Goes To Acapulco (Prins Thomas remix)
Florence & the Machine – “What Kind of Man (Nicolas Jaar Remix)”
Miami Horror + Cleopold- “Love Like Mine”
Skylar Spence – “Practice”
Kendrick Lamar – “The Blacker The Berry”
Unknown Mortal Orchestra – “Multi-Love”
Giorgio Moroder + Kylie Minogue – “Right Here, Right Now”
Hot Chip – “Huarache Lights”
Diogo Strausz + Keops + Raony – “Narcissus”
BaianaSystem – “Playsom”
Sants – “Chavoso”
Daniel Johns – “Aerial Love”
Beyonce – Crazy In Love (Fifty Shades of Grey Boots Remix)
Guizado – “Tigre”
Emile Haynie + Lana Del Rey – “Wait For Life”
Bob Dylan – “Stay With Me”

Chegaqui.

xicosa

Depois de uma tumultuada saída da Folha de S. Paulo, Xico Sá estréia como colunista da versão brasileira do jornal El País, onde promete “juntar reportagem e crônica, escrever sobre assuntos que vou presenciar“. Boa!

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Jonny Greenwood aproveitou as férias do Radiohead – que voltam agora em março a gravar o próximo álbum – pra se enfurnar em um castelo na Índia com 12 músicos locais e o israelense Shye Ben Tzur e gravar um disco. Sobre a experiência, ele disse em entrevista ao Sunday Guardian “é difícil tocar com músicos indianos e não parecer que você está arruinando algo ao pendurar acordes ou deixar as coisas mais brutais ou menos ambíguas. Isso é o que é ótimo na música indiana, a forma fluida das melodias, como elas respiram e vivem. O rock é muito rígido.” Abaixo uma apresentação de Greenwood ao lado de Shye Ben no ano passado.

E não custa lembrar que, além do disco novo do Radiohead, Greenwood ainda encontra tempo pra trabalhar com a London Contemporary Orchestra e fazer trilhas pro amigo Paul Thomas Anderson.

Spock x Spock

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Atenção: comercial de carros com alto grau de nerdismo.

Ave, Nimoy.

Kraftwerk-email

A piada recorrente em qualquer show do Kraftwerk desde que eles passaram a usar tecnologia digital é que em vez de tocar instrumentos, sincronizar música com vídeo ou disparar samples, os quatro alemães ficam apenas em seus laptops checando emails, navegando a esmo na internet ou conversando com amigos online, fingindo fazer um show enquanto passam uma hora em pé na lan house mais restrita – e vigiada – do mundo. A revista alemã Faze descolou imagens da banda se apresentando em Amsterdã em janeiro, com imagens de cima do palco, que torna visível o equipamento dos integrantes do banda. Inclusive o de Falk Grieffenhagen, que visita um site que parece ser uma espécie de tutorial do iPhone ou coisa do tipo. Confira a partir de quatro minutos e meio:

Mas se você se der ao trabalho de assistir ao vídeo todo, vai ver que a banda está realmente tocando e mexendo em equalizadores digitais, teclados e outros instrumentos eletrônicos. São quatro caras trabalhando na sincronia de beats e imagens, então tudo bem se um deles quer entrar na internet mesmo que pra checar emails. Se tem gente que tira foto do Instagram no palco durante o show, não acho que isso seja tão diferente assim. E, porra, os caras são os Kraftwerk e inventaram tudo isso, afinal de contas…

sacolaalternativa

Participo mais no final da tarde do primeiro Sacola Alternativa, evento sobre cultura independente organizado pelo Dotta e pelo Rafael da Balaclava Records, que reúne diferentes iniciativas de produção cultural feita na raça em uma feira, debates, filme, show e, claro, muita gente interessada na cena. O evento ocorre durante todo o sábado e a minha participação acontece na mesa “Indie Brasil: de onde viemos, para onde vamos” às 18h30, ao lado do Thiago Ney, do Dago Donato, do Mancha Leonel, do Diogo Valentino dos Supercordas e do Tim d’O Terno, com mediação do Mac do Scream & Yell. Tirando o show do Séculos Apaixonados, todo o evento é gratuito. Mais informações aqui.

nimoy

Escrevi sobre a morte do ator que encarnava a essência de Jornada nas Estrelas e ajudou a popularizar a ficção científica pro UOL.

Sem Nimoy, reencontro de Kirk e Spock em novo filme não acontecerá

É inegável a importância de Leonard Nimoy para a cultura ocidental da virada do milênio. A representação magistral do alienígena mestiço Senhor Spock de “Jornada nas Estrelas” não só trouxe uma profundidade complexa, e às vezes ambígua, para a ficção para as massas como criou um ícone pop da estatura dos arcos do McDonald’s, das orelhas de Mickey Mouse ou o bigode do Super Mario.

Toda uma discussão que já existia nas páginas dos livros de ficção científica foi para a televisão e a presença pensativa e distante do vulcano de orelhas pontudas dava uma abordagem mais séria e filosófica para temas que estavam explodindo nas ruas no final dos anos 60, em protestos pela igualdade de direitos e contra a guerra.

Mas infelizmente ele não vai poder reencontrar sua dupla William Shatner no que poderia ser a grande celebração da história de “Jornada nas Estrelas”: o reencontro de Kirk e Spock revividos por seus atores originais em mais um filme bem sucedido da série reanimada por J.J. Abrams.

Nimoy já havia participado da franquia desde o primeiro filme, de 2009, quando o criador de Lost zerou a cronologia da série original. Mas uma série de mal entendidos com William Shatner o deixou de fora dos dois novos filmes, que são os únicos em toda a cronologia da série no cinema sem o Kirk original. No segundo filme, Além da Escuridão, de 2013, Nimoy ainda marca presença, mas apenas com sua voz.

As filmagens do terceiro “Jornada nas Estrelas” desta vez estão com Justin Lin, de quatro “Velozes e Furiosos” e dois episódios da próxima temporada de “True Detective”, deixando J.J. apenas na produção. Elas começariam no meio do ano e William Shatner já estava dando entrevistas e comentando em aparições em público que havia sido convidado para participar do novo filme. A volta de Shatner poderia marcar o reencontro de uma dupla central para a história da cultura pop.

Pois o equlíbrio da série era dado pelo antagonismo entre Spock e Kirk. Instinto e racionalidade, coragem e cálculo, intensidade e frieza. A dualidade elemental entre os dois personagens era enfatizada pela figura estranha criada por Nimoy, um híbrido de ser humano e alienígena que causava estranhamento e fascínio. O escritor de ficção científica Isaac Asimov detectou isso assim que a série estreou em 1967, ao escrever um artigo sobre o personagem inspirado por uma frase de sua filha adolescente: “Senhor Spock é um sonho!”, em que dizia que sua filha gostava do personagem porque ele era inteligente, não importa que ele tenha orelhas pontudas.

Spock é um de nós mas ao mesmo tempo não é, o que causa um curto circuito no conceito de “nós” que nos obriga a expandir nossa noção de humanidade para outras raças alienígenas. A metáfora clara é a própria condição humana, fragmentada entre biotipos, arquétipos e estereótipos que dividem mas que deveriam unir. Spock é um dilema que nos desafia a transpor conceitos de países, raças, religiões, gêneros ao sentar-se ao nosso lado, na mesma nave, não como antagonista, opositor, vilão.

O personagem é a encarnação do momento antropológico em que se percebe que o outro sou eu, e isso está mais na atuação e performance de Nimoy do que propriamente no texto do criador da série, Gene Roddenberry. Detalhes marcante do personagem – como a saudação judaica ancestral que o judeu Leonard trouxe para a contemporaneidade como cumprimento vulcano e a forma ambígua que pronunciava o adjetivo “fascinante” – foram criados pelo ator.

Spock era a essência da série. A tripulação da Enterprise era mais do que multirracial – era multiespécie e incluía até robôs, o que levava detratores a comparar episódios das diferentes encarnações da série com tediosas reuniões da ONU. Essa lentidão cheia de frases de efeito e lições de moral ganhou uma dinâmica completamente nova ao ser posta nas mãos de J.J. Abrams, a partir da década passada.

O diretor deu movimento e juventude à franquia, contando a história da tripulação clássica desde os primeiros dias. Isso apresentou a série para milhões de novos fãs e o trekker, antes a caricatura mais radical e extrema do conceito de nerd, tornou-se mais sociável e “humanizado”, num irônico encontro entre as personalidades do próprio Spock e do personagem Sheldon de “Big Bang Theory”, ele mesmo um trekker que encontra o ídolo Nimoy em um dos episódios do seriado.

(Parêntese rápido: Abrams ainda teve tempo de celebrar a persona de Nimoy ao criar um outro personagem icônico para seu ídolo: o doutor William Bell, da saudosa série “Fringe”, que também era dupla de um dos protagonistas da série, o excêntrico e adorável Walter Bishop vivido por John Noble, o melhor cientista louco da história da TV. Bell, como Spock, era frio e calculista, mas Abrams resolveu explorar os limites ambíguos do ator e criou um personagem que lentamente torna-se um grande vilão.)

O terceiro filme do novo “Jornada nas Estrelas”, portanto, poderia reunir Spock e Kirk mas entra para a série de reencontros que nunca veremos na história da cultura pop, como a volta dos Beatles (“Free as Bird” com o recado da secretária eletrônica no papel do John Lennon não rola, vai), do Clash, do Pink Floyd, dos Trapalhões ou do Monty Python (sem Graham Chapman não é Monty Python).

Mas não era uma volta de uma banda ou de um grupo, mas um reencontro de dois amigos que encarnavam como o estranhamento inicial de um encontro pode ser superado para se tornar uma sólida amizade.

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O Is Tropical incluiu a cantora Kirstie Fleck (que cantou o hit deles “Dancing Anymore” em 2013) em sua formação e o clipe de “On My Way” é um dos primeiros registros da banda neste formato. Pena que a faixa é fraca, mas faz parte do início do novo disco da banda, Black Anything, que será lançado em cinco discos de vinil no decorrer do ano.

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Esqueci de comentar a sonzeira que o BaianaSystem lançou antes do carnaval começar. “Playsom” (que pode ser baixada de graça no site da banda) não só é a primeira amostra do som da banda sob a tutela do produtor Daniel Ganjaman (que começa a esmerilhar todo seu know how jamaicano no que pode ser o seu grande disco de dub brasileiro) como foi trilha sonora pra folia no carnaval de Salvador deste ano.

O BaianaSystem é uma importante ponta do iceberg das mutações que estão acontecendo no cenário pop em Salvador e não por isso escolhi conversar com seu líder e guitarrista Beto Barreto na matéria que fiz pro UOL sobre a crise da axé music.

 

O Baiana – como é conhecido pelos fãs – está puxando uma lenta transformação no carnaval de Salvador que tem a ver com o desgaste artístico e econômico do modelo de negócios criado com a axé music e no carnaval deste ano arrastou multidões ao tocar em trios sem cordas, fazendo a muvuca misturar públicos e estilos musicais na melhor concepção da convulsão cultural que deveria ser o carnaval. Olha só essa foto do iBahia da banda sobre o trio Nave Pirata:

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E a massa cantando o refrão de “Terapia“, música sampleada na própria “Playsom”?

#baianasystem #viradonumagoteira #carnaval2015

Um vídeo publicado por BaianaSystem (@baianasystem) em

 

O sucesso do BaianaSystem está ligado não só à crise da axé music mas também da crise do modelo de camarotização/área VIP que tem se tornado tradicional no Brasil nos últimos 20 anos e que, não por acaso, teve uma forte popularização a partir da Bahia (não apenas no carnaval de Salvador mas também na transmutação de Trancoso numa “Cannes tropical”, como nos lembra a Marina Rossi neste texto pro El País). Tomara que se espalhe pelo país essa noção de que, no fundo, todos somos pipoca.

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Se tivéssemos Instagram nos anos 90, talvez nenhum dos quatro personagens principais de Seinfeld usaria o aplicativo – mas discutiriam furiosamente pais que tiram fotos de bebês, gente que tira foto de comida, a pretensão artística de pseudofotógrafos e a necessidade registrar qualquer milímetro do cotidiano. Mas isso não tira a graça da homenagem que o Buzzfeed ao cogitar uma conta de Instagram na mão de Elaine Benes.

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Tem outras lá.