Uma produção History Channel em conjunto com o Twitter:
Publicamos mais um texto do Morozov no Link – e desta vez ele fala sobre como o Facebook está matando a idéia de se perder na internet. Um trecho:
Na segunda metade do século 19, Paris passou por profundas mudanças. As reformas na arquitetura e no planejamento urbano promovidas pelo barão Haussmann no governo de Napoleão III foram particularmente importantes: a demolição de estreitas ruas medievais, o estabelecimento de praças amplas (construídas em parte para melhorar a higiene e em parte para impedir barricadas revolucionárias), a proliferação da iluminação de rua a gás e as crescentes vantagens de passar o tempo em ambientes fechados transformaram radicalmente a cidade.
A tecnologia e as mudanças sociais também tiveram seus efeitos. O tráfego de carros na rua fez de passeios contemplativos uma atividade perigosa. Galerias foram substituídas por lojas de departamentos. A racionalização da vida urbana conduziu os flâneurs ao subterrâneo, obrigando-os a se refugiar num tipo de flanar interno, cujo apogeu é o exílio autoimposto de Marcel Proust em seu quarto (situado, voilà, no bulevar Haussmann).
Algo parecido aconteceu na internet. Transcendendo sua brincalhona identidade original, a rede não é mais para passear – virou lugar de cumprir tarefas. Ninguém mais navega. A popularidade dos aplicativos – que conduzem àquilo que queremos sem que seja necessário abrir o browser, faz do flanar online algo cada vez menos provável.
O fato de uma parte tão preponderante da atividade contemporânea na rede envolver compras não ajuda em nada. Passear pelo Groupon não é tão divertido quanto caminhar por uma galeria, eletrônica ou não.
O ritmo da internet mudou. Dez anos atrás, um conceito como o tempo real, em que cada tweet e atualização de status é automaticamente indexada, atualizada e respondida, era impensável. Hoje, este é o termo do momento no Vale do Silício. Não se trata de algo surpreendente: as pessoas gostam de velocidade e eficiência.
Mas as páginas de outrora, que abriam lentamente ao som de estranhos ruídos do modem, tinham um inusitado lado poético. Ocasionalmente, a lentidão chegava a nos alertar para o fato de que estávamos sentados diante de um computador. Bem, esta tartaruga não existe mais.
Enquanto isso, o Google, ao tentar de organizar a informação do mundo, vem tornando desnecessária a visita a sites individuais assim como, gerações atrás, o catálogo da Sears tornou desnecessária a ida a lojas físicas. A atual ambição do Google é responder nossas perguntas – sobre o clima, as taxas de câmbio, o jogo de ontem – ele mesmo, sem levar a nenhum outro site. Digite a pergunta, e a resposta aparece no topo da lista de resultados.
(O impacto de atalhos deste tipo nas buscas não interessa aqui; quem imagina a busca por informações em termos tão puramente instrumentais, enxergando a internet como pouco mais do que um gigante FAQ, dificilmente criará espaços que convidem ao flanar online.)
Mas, se há um barão Haussmann na internet hoje, ele é o Facebook. Tudo aquilo que torna possível o flanar online – solidão e individualidade, anonimato e opacidade, mistério e ambivalência, curiosidade e o desejo de correr riscos – está sob o ataque desta empresa. E não estamos falando de uma empresa qualquer: com 845 milhões de usuários ativos espalhados pelo mundo, dá para dizer que aonde quer que o Facebook vá, a internet irá atrás.
É fácil culpar o modelo de negócios do Facebook (a perda do anonimato permite que ele lucre mais com os anunciantes), mas o problema é mais embaixo. O Facebook parece acreditar que os peculiares elementos que tornam possível o flanar devem ser eliminados. “Queremos que tudo seja social”, disse Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook, em entrevista ao programa de TV Charlie Rose alguns meses atrás. Na prática, isso foi explicado pelo chefe dela, Mark Zuckerberg, no mesmo programa. “Preferimos ir ao cinema sozinhos ou com amigos?”, perguntou, respondendo imediatamente: “Com amigos”.
As implicações são claras: o Facebook quer construir uma internet na qual ver filmes, ouvir música, ler livros e até mesmo navegar sejam atividades desempenhadas não só abertamente como social e colaborativamente. Por meio de parcerias com empresas como Spotify e Netflix, ele cria poderosos incentivos que fariam os usuários adotarem ansiosos a tirania do “social”, a tal ponto que desempenhar qualquer uma dessas atividades sozinho seria impossível.
Ora, se Zuckerberg de fato acredita no que disse sobre cinema, há uma longa lista de filmes que eu gostaria de sugerir aos amigos dele. Por que ele não leva a turma para ver Satantango, sete horas de filme de arte branco e preto do húngaro Bela Tarr? A resposta: se fizéssemos uma pesquisa de opinião entre os amigos dele, ou um determinado grupo numeroso de pessoas, Satantango seria quase sempre derrotado por um título que pode não ser o filme preferido por todos, mas que também não vai incomodar ninguém. Eis um exemplo da tirania do social.
O texto todo pode ser lido aqui.
Suspendo as atividades até terça, quando retorno com o CARNAVALANALÓGICODIGITAL. Cuidem-se e até lá!
É carnaval dude! E a Noite Trabalho Sujo de hoje celebra um dos melhores filmes de todos os tempos à base da folia. Na segunda Fuckin’ A – a única festa dedicada ao filme The Big Lebowski do Brasil -, convoquei meus chapas Danilo, Rafa e Wilsera pra tocar a zona regada à White Russian. E quem começa os trabalhos é a querida Amaiti, que você já deve ter visto quando foi pagar a conta no Alberta. E como o clima é de carnaval, sugiro que todos aproveitem esses dias de desbunde para vir à festa fantasiado – se não rolar fantasia de Lebowski (tem algumas boas sugestões aqui), venha com a fantasia que der na telha, afinal, a idéia é se acabar de tanta felicidade. As coordenadas você já sabe, né? Se não, dê uma sacada no site do Alberta ou na página do evento no Feice para sacar qualé. E o nome na lista você manda para o email noitestrabalhosujo@gmail.com, até às 19h da sexta. E não custa lembrar que tem double White Russian (o drink oficial Lebowski) até à 1h da madruga – pediu um, ganhou o segundo de graça! E não se esqueça que na terça-feira tem outra esbórnia master pra quem ficar em São Paulo…
Há tempos já associo a ida ao cinema a ir a um brinquedo de parque de diversões. Claro que o cinema segue independente desta mudança – boas histórias ainda serão contadas em uma grande tela por muito tempo -, mas a experiência de fechar-se em uma sala escura para entregar-se à visão de um diretor, para mim, hoje em dia tem um efeito mais sensorial do que propriamente narrativo, principalmente a partir da forma que o som conduz a narrativa deste cinema de explosão. E aí vem este vídeo-ensaio do alemão Matthias Stork chamado Cinemacaos, que explica como o atual cinema de ação abandonou completamente a edição lógica da narrativa visual para deixar esta lógica por conta do som. Bem didático.
Você deve lembrar do Rob Ager das análises sobre o Big Lebowski e o 2001 que eu já postei por aqui. Seu objeto mais recente de estudo é o filme O Iluminado, do mestre Kubrick, em que ele, além de cogitar que boa parte das cenas de loucura de Jack são apenas devaneios de um escritor em frente a uma página branca, ainda traça uma complexa e sensata relação entre a lógica de Kubrick, elementos do filme que não estavam no livro original de Stephen King e a criação do atual sistema financeiro global. A primeira parte segue abaixo, as outras três vêm logo depois:
Charlie Brooker é um dos caras mais massa na Inglaterra hoje.
Dica da Gi, que é tão fã quanto eu (ou mais).
E por falar na Gi, ela viu algumas cenas do novo filme do Homem-Aranha lá em Londres e avisou pra gente ficar tranquilo que o filme tá ficando foda. Abaixo, o relato que ela mandou com exclusividade pra cá. Valeu, Gi!
Ufa – The Amazing Spider-Man tá ficando… Incrível
Por Giovana Ruaro
The Amazing Spider-Man chega aos cinemas apenas seis anos depois do último filme da trilogia de Sam Mendes Raimi. Seria mesmo necessário um reboot da franchise que fez US$ 2,5 bilhões nos cinemas? Os dois primeiros filmes eram realmente muito bons e o terceiro – aquele do Homem-Aranha emo que dançava, eca – foi uma decepção. Mas mesmo assim: por que queremos um novo filme sobre Peter Parker em um ano que teremos The Avengers, Dark Knight Rises, The Hobbit e Prometheus nos cinemas?
O primeiro trailer era promissor, mas não mostrava muito. O hype ao redor do Homem-Aranha não era dos melhores, então a Sony resolveu contra-atacar e chamou alguns jornalistas e vários fãs do herói para uma espiada no novo filme no mesmo dia que o segundo trailer era lançado.
Chegando ao cinema, a estrutura era grande: várias câmeras filmando tudo, fotógrafos e um clima de segredo. Logo via-se que não era apenas uma preview comum – e não foi mesmo. O evento estava sendo transmitido ao vivo para 20 cidades, e em quatro delas tinham apresentadores: Londres, Los Angeles, Rio de Janeiro e, claro, a cidade onde o filme se passa, Nova York. Em Los Angeles estava o diretor Marc Webb, no Rio a gatinha da Emma Stone desfilava um visual super acabei-de-sair-da-praia e estava acompanhada dos produtores, em Londres tínhamos a prata da casa Rhys Ifans e em NY podíamos ver a estrela da noite – Andrew Garfield.
Emma falou sobre Gwen Stacey e como a relação dela com Peter é diferente. “Mary Jane se apaixonou pelo Homem-Aranha, a diferença de Gwen é que ela se apaixonou por Peter”. O pai de Gwen é um policial que está em busca do herói-vigilante: “Gwen tem uma relação muito próxima com o pai – de novo, o oposto de Mary Jane – e isto vai causar um conflito de sentimentos no filme”.
Andrew Garfield não falou muito sobre o filme, apenas agradeceu aos fãs por estarem neste evento mundial e disse que era uma honra ser o novo Aranha. Quando perguntaram porque ele aceitou o papel, Garfield respondeu na lata: “Eu não sou idiota, né?”
Em Londres, Ifans falava com seu sotaque carregado: “O Lizard é diferente de todos os outros vilões do Homem-Aranha porque há um elemento emocional nunca explorado antes – o Lizard e o pai de Peter Parker eram amigos e trabalhavam juntos. Isso vai mexer com a cabeça de Peter”.
Depois de todas as perguntas respondidas, foram apresentado oito minutos do filme em 2D – já que os efeitos especiais em 3D ainda não estão finalizados. “Não se preocupem, o filme foi feito com câmeras 3D, aquelas bem grandes e difíceis de usar. Os efeitos vão ser 3D de verdade”, disse Webb, tranquilizando a audiência.
Se quiser evitar spoilers, pule os próximos dois parágrafos.
Uma das cenas que vimos foi o primeiro encontro de Gwen e Peter nos corredores do colégio. “Que tal a gente fazer alguma coisa um dia desses, ou talvez um outro treco, sei lá.” Gwen diz que ok, bora lá. Peter sai de cena saltitando. Esse estilo de romance da vida real vem da experiência em comédias românticas de Webb – (500) dias de Homem-Aranha? O romance é um gancho muito importante no filme, como podemos ver na cena em que Peter vai jantar na casa de Gwen para conhecer os pais dela e nos outros momentos da transformação de Peter em Spidey.
O momento em que Peter descobre seus novos poderes é muito diferente da versão de Raimi, mais natural, desajeitado e engraçado. Depois mostraram várias sequencias do homem-Aranha pulando de prédio em prédio, lutando contra bandidos, correndo em pontes (alguns momentos ainda com a tela azul atrás dos atores) e – surpresa – várias falas e cenas engraçadas! É uma nova maneira mais ‘vida real’ de mostrar um adolescente que, erm… sobe em paredes.
Final dos spoilers.
Conclusão: tá ficando massa. Andrew Garfield é bem mais charmoso e natural do que Toby Maguire – e o cabelo dele é um sonho (N. do Matias: “kkkkkkkkk”). Webb é descolado e divertido, aliás se a trilha sonora for semelhante a de 500 dias de Verão vai ser um bônus. Emma Stone está linda e engraçada como sempre. Rhys como vilão foi um acerto na mosca – nada como um vilão charmoso a la Magneto em X-Men: First Class. O filme está se vendendo como “a história do Homem-Aranha nunca antes contada” – já que eles vão tratar da relação de Peter Parker com seus falecidos pais.
Interessante… Ou seja, bring it on. O Aranha voltou ao topo da lista de filmes para ver em 2012 junto com o Morcego, a liga dos Avengers e os seres da Terra Média. O meio do ano promete!
Consegue identificar todos os filmes?
Alexandre Matias, Ronaldo Evangelista, Lucas Santtana, Kubrick e O Iluminado, o dia em que Fela Kuti conheceu Paul McCartney e o som no cinema de Lucrecia Martel.
Aqui tem o MP3 pra download e aí segue a lista de citações deste programa: • Cigarros Pradense • Lucrecia Martel: El sonido en la escritura y la puesta en escena • Cinemacaos • O Iluminado e o mercado financeiro global • Sherlock • A trilha sonora do Espião Que Sabia Demais, por Alberto Iglesias • Fela x Paul no Diginois e no Guardian • Cisne Negro • New World Order • Beleleu • O vazamento do disco da Céu • O terceiro disco do Curumin • Steampunk • El Perseguidor •







