
Prepare-se, porque esses meninos da Louisville Leopard Percussionists vão te deixar de queixo caído com as versões que fizeram pra “Kashmir”, “The Ocean” e “Immigrant Song”.
Muito foda.

Lá vem San Andreas cogitar a possibilidade do grande terremoto que vai destruir a Califórnia com todos aqueles superlativos cênicos, sonoros e visuais dos filmes de catástrofe de hoje em dia. O mais surpreendente é que, mesmo com todos os clichês (desde o cientista que havia previsto tudo ao elenco cheio de atores medianos que todo mundo conhece), o filme não é dirigido pelo mestre Roland Emmerich (de O Dia Depois de Amanhã e 2012) e sim por um desconhecido chamado Brad Peyton. O que importa é que por mais idiotas, piegas, inverossímeis e exagerados esses filmes sejam, é irresistível assistir confortavelmente à destruição hipotética (e clean, tudo é muito limpo) de cidades inteiras pela força da natureza. Tremei!
(E diz que tem uma molecada putaça, achando que o filme é uma adaptação do capítulo San Andreas da série de games GTA!)

Bonifrate começa seu 2015 pisando no olho do zeitgeist ao musicar esse clássico direito de resposta do velho Leonel Brizola, homenageado também
no título de sua nova faixa, “Brisa”.

As Warpaint lançaram oficialmente a versão completa pra “No Way Out”, que haviam mostrado em versão menor há duas semanas. A versão completa, com letras repetidas em círculo, no entanto, já era conhecida dos shows, como esse vídeo no festival de Bonnaroo do ano passado.
Elas lançaram as duas versões da música e a inédita e surpreendente “I’ll Start Believing”.
O single, o primeiro de vários em 2015, como elas lembraram no lançamento da versão redux de “No Way Out”, pode ser ouvido em diferentes plataformas – e elas mostram quais em seu site oficial.

A cena de Quanto Mais Idiota Melhor em que Wayne, Garth e amigos cantam “Bohemian Rhapsody” já pode ser considerada um clássico quase à altura da própria “Bohemian Rhapsody”. O trio australiano SketchShe deu sua versão para a cena e eu tenho que compartilhar aqui.

Depois da estréia de Strausz, o Rio de Janeiro vem nos dar outro grande disco pra 2015: a estreia de Ava Rocha em seu homônimo Ava Patrya Yndia Yracema (eis seu nome completo), que pode ser baixado gratuitamente em seu site oficial. Um disco intenso, atemporal e sentimentalmente pesado, que nos conduz por um caminho de autoconhecimento próximo do teatro, da performance e das artes plásticas, mas cujo solo é a música, que comporta-se como força da natureza, seja ela uma doce canção ou um espasmo noise.

Escrevi pra Elle do mês passado sobre três pequenos artistas que podem crescer neste ano: a australiana Courtney Barnett, a norte-americana Meghan Trainor e os cariocas do Séculos Apaixonados.
O hit “All About That Bass” concorreu ao Grammy de melhor música de 2014 e explodiu em quase 60 países no ano passado. O talento da norte-americana Meghan Trainor já havia despontado desde a pré-adolescência, quando participou de grupos de jazz e frequentou conservatórios musicais. Mas foi no pop que ela se encontrou, primeiro como compositora (para artistas como Rascall Flats e Sabrina Carpenter) e depois com a pérola grudenta em que canta “mamãe sempre me disse para não ligar para o meu tamanho/ Os garotos gostam de mais quadris”.
Apesar da safadeza, o hit é doce como o melhor soul, e Meghan convenceu o CEO da gravadora Epic a lançá-la tocando a canção apenas em um ukulele. Seu primeiro disco saiu no início de 2015 e promete catapultar uma cantora que tem pitadas de Adele, um quê de Katy Perry, muito ritmo e personalidade.
Uma curiosidade: a blogueira brasileira Camila Coutinho participa do clipe de “Lips Are Movin”, outra canção candidata a hit.
Irônica e ácida nas letras, a australiana Courtney Barnett enverniza seus comentários sobre relacionamentos frustrados com partes iguais de folk rock clássico, indie dos anos 1990 e country – além da personalidade divertida, que parece ser uma de suas principais forças rumo ao topo.
Seu EP duplo A Sea of Split Peas foi lançado em 2013, quando se tornou queridinha dos blogs especializados. Ela passou 2014 colhendo os frutos do sucesso. Em breve, será lançado seu novo disco, gravado no fim do ano passado.
Depois do fim do Dorgas, uma das bandas mais promissoras do Rio de Janeiro, o produtor Guerrinha entou em uma trip existencialista, que o levou aos anos 1980 de sua infância – época marcada pelos timbres sintéticos utilizados pela produção de Liminha para artistas pop, como Marina Lima, Gilberto Gil e Lulu Santos, e pelas trilhas sonoras de programas jovens da Globo.
Com nova banda formada, de nome Séculos Apaixonados, já tem um disco, Roupa Linda, Figura Fantasmagórica, lançado no fim de 2014 pela gravadora Balaclava, a mesma de nomes como Holger, Single Parents e Supercordas.

Sexta-feira 13 é sempre uma boa pedida pra sair de casa à noite – e que melhor lugar pra se acabar na sexta-feira do que nas Noites Trabalho Sujo? A festa mistura hits de todas as épocas para criar uma câmara de alto astral ao redor da pista de dança, em que o que mais importa é dançar até as pernas doerem. E pra ajudá-lo no desfile de hits com ênfase no rock deste século, Larissa Godoi vem mostrar sua coleção de pérolas sonoras pra não deixar ninguém parado! Os nomes podem ser mandados pra lista de desconto até às 20h pelo email noitestrabalhosujo@gmail.com. Simbora!
Noites Trabalho Sujo apresenta Larissa Godoi
Com Alexandre Matias e Larissa Godoi
Sexta-feira, 13 de março de 2015
Alberta #3. Avenida São Luís, 272. Centro.
A partir das 22h.
R$ 35 / R$ 25 (com nome na lista pelo noitestrabalhosujo@gmail.com)
Nick Hornby tem cogitado uma continuação pro seu Alta Fidelidade, lançado há vinte anos (rá!), mas ele tem dúvidas em relação ao que seu protagonista estaria fazendo em 2015. Escrevi sobre isso pro meu blog novo do UOL: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/03/12/nicky-hornby-cogita-continuacao-para-alta-fidelidade-20-anos-depois/

“É assim que você começa uma coleção de música se você nasceu entre 1940 e 1990: você compra um disco e por um algum tempo esse disco é tudo o que você tem. Você gosta de umas faixas mais que outras a princípio, mas como você tinha apenas oito ou 10 ou 12 delas (ou talvez um pouco mais, se foi um recém-lançado CD), você não poderia se dar ao luxo de tocar as favoritas, então você escutava o disco várias vezes até gostar de todas as músicas da mesma forma. Algumas semanas depois, você compra outro disco. Depois de um ano você tem 15 ou 20, depois de cinco anos, algumas centenas.”
“É assim que você começa uma coleção de música nos primeiros anos do século 21: você dá um iPod pra um amigo ou pra um irmão mais velho ou pra um tio e diz ‘enche pra mim’. E de repente você tem alguns milhares de faixas, cuja maior parte delas você nunca iria ouvir. Se você é um adolescente hoje, você nem irá se incomodar com todo esse problema, porque toda a música que já foi gravada na história do mundo está no seu bolso, no seu telefone. Nós sabemos, porque é o jeito que o mundo sempre funciona, que adolescentes daqui a dez ou vinte anos estarão rindo e balançando suas cabeças em relação ao primitivismo e a inconveniência do Spotify – ‘Você tinha que esperar alguns segundos pra baixar?’, ‘Não tinha internet em todo lugar?’, ‘Você tinha que tocar numa tela?’ Mas neste ponto é difícil imaginar como o consumo de música do futuro poderá ser ainda mais rápido e mais barato.”
Esse é Nick Hornby, que, convidado pela revista Billboard, escreveu sobre uma possível continuação do livro que o colocou no mapa pop mundial, Alta Fidelidade, lançado há 20 anos. Pra quem não lembra, o livro inglês conta a história de Rob Fleming, dono de uma loja de discos que vive sua crise do meio dos 30 anos entre listas de “cinco melhores” qualquer coisa – de melhores músicas pra abrir o lado A de um disco a melhores beijos de sua vida. Interrelacionando hits e fracassos da própria vida com compactos raros, edições originais em estado perfeito e capas icônicas, o livro descreve uma adolescência tardia misturada com dramas de relacionamento e uma boa trilha sonora e foi adotado por indies nerds de música que se identificavam com os personagens da loja de Rob, especificamente o próprio.
Hornby acertou um nervo geracional que ecoou por todo o planeta, especialmente em jovens que almejavam virar trintões como Rob – entre coleções gigantescas de discos que justificavam discussões pesadas sobre riffs, formações de banda, significados de letras. O culto cresceu a ponto de transformar o livro em filme, levando a vida de Rob de Londres pra Chicago e “traduzindo” Fleming pra Gordon, vivido por John Cusack. Juntos, filme e livro contavam a mesma história: não dá pra se considerar adulto enquanto escolhas como “qual a melhor fase do David Bowie?” ou “que disco você levaria para uma ilha deserta?” forem questões as mais importantes de sua vida. Mais do que uma fábula sobre amadurecimento masculino, Alta Fidelidade é um clamor pelo fim dessa adolescência esticada, que leva possíveis pais de família a se comportar como crianças antissociais que só ficam à vontade entre seus pares.
20 anos depois, Hornby acha fácil prever algumas questões relacionadas ao fim do livro/filme, mas trava na terceira principal questão. Ele assume que Rob e Laura tiveram filhos mas não são mais um casal, porém não consegue imaginar o que Rob estaria fazendo hoje. E claro que isso está relacionado à mudança de comportamento em relação à forma como consumimos música no século 21 – é o cenário descrito pelo escritor no início do texto que inevitavelmente matou as pequenas lojas de disco. E que fim levaram seus donos e funcionários? Ao procurar pelo destino de seus conhecidos vendedores de discos e vendedores de discos de conhecidos seus não achou nenhum padrão. Cada um tomou um rumo profissional completamente diferente após abandonar o mercado fonográfico: um virou carteiro, outro garçom, outro tem sua vinícola, baterista, terapeuta…
Hornby até comenta a ascensão do mercado de vinis, que movimenta 9 milhões de discos em 2014 só nos Estados Unidos, mesmo sendo mais caro do que o que custava em outra época. E chega a descrever uma pequena loja de discos próxima de sua casa que está abrindo uma filial no bairro londrino equivalente ao Brooklyn nova-iorquino, epicentro hipster. Mas não percebe que, provavelmente é aí que Rob estaria em 2015.
Não necessariamente dono de uma loja de discos, faturando com o revival do vinil. Mas é fácil imaginar que uma vez que sua loja tenha falido que ele tenha buscado outras formas de ganhar dinheiro – até que, de repente, lojas de discos voltam a fazer sentido. E o sentido original: as pequenas lojas que movimentam o cada vez mais agitado Record Store Day em nada se parecem com as megastores que arrasaram as pequenas lojas de discos de vinte anos atrás. Lugares feitos para atrair pessoas ao redor de um certo tema, um mesmo assunto.
Museus, livrarias, bibliotecas, as falecidas locadoras e lojas de disco encaixotam itens lado a lado a partir de uma ordem pré-estabelecida e convidam seus visitantes a navegar por eras e temas diferentes. São espaços de convívio que na maioria dos casos não cobram entrada e deixam a visita ao gosto do freguês. Até uma balada, onde Rob termina o livro, discotecando, tem mais proximidade com uma loja de discos do que espaços como teatros, cinemas ou casas de show, que exigem a atenção para uma atração com duração determinada que raramente ultrapassa as três horas. Uma loja de discos convida os transeuntes a entrar para ouvir música, mesmo que para isso tenha de confrontar esnobes críticos frustrados que trabalham nestes lugares.
Com a digitalização da música, estes lugares desapareceram para serem substituídos por salas de bate papo online, listas de discussão, fóruns e redes sociais, onde fãs de música sozinhos em seus computadores interagem com pessoas do mundo sem o menor contato físico. Os relacionamentos, como a música, perderam o tato e o atrito entre opiniões perde o rumo quando apenas online. Por isso, o revival do vinil não tenha a ver apenas com uma tendência de consumo retrô e sim com uma necessidade de as pessoas voltarem a se encontrar para qualquer coisa, que seja apenas conversar sobre música. Não é um revival de uma mídia pura e simplesmente, mas também de um hábito de consumo Acredito que essa mesma motivação de sair da internet é o que fez manifestações, passeatas, festas na rua e eventos ao ir livre se tornarem cada vez mais populares nos últimos anos.
E voltando para Alta Fidelidade 20 anos depois, é fácil imaginar Rob lendo escondido notícias sobre a volta do LP, comemorando sozinho cada nova loja que abre em Londres ou Chicago e querendo se enturmar com os jovens lojistas, primeiro para entender suas motivações e depois, claro, para esnobá-los com sua sabedoria de vendedor de discos de uma época em que existiam músicas raras. Antes de começar a enumerar os cinco discos mais raros de todos os tempos…
Show secreto do Blur daqui a uma semana, tocando todo o disco novo ao vivo num clube pequeno em Londres! É um show secreto, mas alguma dúvida que ele vai parar inteirinho na internet? Resta saber se por esforço dos fãs ou iniciativa da banda…

