O Cure ia começar seu já tradicional (e aguardado no Brasil) show de quase três horas em um festival em Bilbao, na Espanha, quando o equipamento do tecladista Roger O’Donnell deu pau. E quando a parte técnica estava sendo resolvida, nosso amigo Bob Smith pegou um violão, foi ao microfone e disse “enquanto consertam, vou tocar algo pra vocês” antes de começar a tocar “Three Imaginary Boys”, “Fire In Cairo” e “Boys Don’t Cry” em versões acústicas. Olha só:
De chorar. Depois rolou o show inteiro, normalmente, e o setlist ficou assim:
“Three Imaginary Boys”
“Fire In Cairo”
“Boys Don’t Cry”
“Open”
“High”
“The End of the World”
“Lovesong”
“Sleep When I’m Dead”
“Push”
“In Between Days”
“Just Like Heaven”
“From the Edge of the Deep Green Sea”
“Want”
“Pictures of You”
“Lullaby”
“The Caterpillar”
“The Walk”
“Play For Today”
“A Forest”
“Primary”
“Bananafishbones”
“Shake Dog Shake”
“The Hungry Ghost”
“Wrong Number”
“One Hundred Years”
“End”
“The Same Deep Water As You”
“Dressing Up”
“The Lovecats”
“The Blood”
“Just One Kiss”
“Let’s Go To Bed”
“Friday I’m in Love”
“Doing the Unstuck”
“Close To Me”
“Why Can’t I Be You?”
“Boys Don’t Cry”
Assisti ao Cure ao vivo em Nova York, no ano passado, num dos melhores fins de semana da minha vida, e fiz um monte de vídeos, dá uma sacada. Quem vai trazer pro Brasil?
O Bruno Paes Manso propõe uma leitura sobre uma das músicas novas dos Racionais:
Como se não houvesse muito mais a rimar e declamar, as músicas dos Racionais minguaram e nenhum álbum relevante foi lançado em dez anos. No mesmo período, as periferias foram dominadas pelo funk e pelo pancadão, celebrando o consumo e o prazer em excesso proporcionados pelo sexo casual e pelas drogas. Os anseios da geração de jovens das periferias ficaram mais próximos aos dos jovens da classe média paulistana.
O “sistema”, contudo, continuava a produzir camadas sociais que se movimentavam em sentidos opostos, como placas tectônicas na iminência de produzir terremotos. Brown, o cronista, estava atento e conseguiu compreender que era falsa a sensação de paz que a cidade experimentava. O subterrâneo se movimentava e a opção pelo crime crescia. Sem nenhuma gota de hipocrisia, neste ano descreveu em uma nova canção as sensações e o espírito dos jovens que ingressam e seguem a carreira criminal. Trata-se do rap Marighella, em homenagem ao guerrilheiro comunista, líder da Ação Libertadora Nacional (ALN).
Gravado em maio em uma ocupação no centro de São Paulo, o clipe de Mariguella é a metáfora de Brown para explicar o crime e o criminoso. Brown usa trechos do manifesto do guerrilheiro, transmitido em 1969, para convocar os operários e trabalhadores nas favelas a se armar e a aprender a atirar.
Na voz de Brown, não se trata de Marighela, “assaltante nato”, nem do comunismo, nem dos operários. Mas da revolta, da raiva contra o sistema, dos “correrias”, perseguidos e descriminados, mas com procedimento, devotos do ódio, protagonistas de uma vida sem sentido, que criam meios violentos para suportar a vida na sociedade violenta.
A íntegra do texto tá aqui. E eu filmei a faixa quando eles se apresentaram em abril no Sesc Pompéia, vê só:
Mais uma música nova do Shins…
Bem bonita.
Sério, esse moleque tem talento:
Não é à toa que o Dinâmica de Bruto do Bruno Maron é um dos melhores quadrinhos no Brasil hoje.
Gente Bonita à toda na Noite Trabalho Sujo da sexta passada – sinta o drama nas fotos da Bárbara, logo abaixo. E nessa sexta tem o lançamento do livro do Arnaldo em São Paulo – com o próprio discotecando do meu lado. Imperdível!
Nina me avisou que seu novo disco, gravado com o marido Marcelo Callado simultaneamente à gravidez de sua primeira filha, já começou a existir online, a partir do tumblr batizado com o nome do disco, Gambito Budapeste. Os dois explicam:
Somos dois gambitos, companheiros, Nina e Marcelo. Gambito Budapeste é o disco que fizemos juntos e que vai nascer um pouco antes da nossa filha. Um dia, reparamos que já tínhamos feito várias músicas juntos e resolvemos começar a registrá-las. Gravamos tudo em casa sem termos muita noção de técnicas de gravação, tocamos instrumentos que não são necessariamente o foco de nossas aptidões. Experimentamos sons em vários pedaços da casa, convidamos amigos para uma visita. Esse disco é feito de pequenos momentos do nosso convívio nos últimos anos. Aqui nesse espaço serão colocadas coisas sobre esse Gambito, que fizemos em paralelo aos nossos outros trabalhos. É um pouco do que acabou transbordando pra fora da nossa vida particular. Algumas histórias ou detalhes vão ser contadas pela gente ou por tantas pessoas que estão nos ajudando nesse trabalho. Agora é a vez do Daniel Gnattali, nosso designer da capa, violonista-colaborator e chapa-master, contar em quadrinhos “a pequena história do chacundum”.
E assim começa a história em quadrinhos que conta a história de um disco.
Que já começou com uma música pra download, “Marco Zero”, que dá pra ser baixada no site, mas já é conhecida do público de Nina:
E aqui a versão em estúdio:
E como ela desce bem…
Fora o fato de ele ter saído do armário (situação que, por si só já o tornaria importante, devido ao machismo na cena hip hop / R&B), o cara mais legal da trupe do Odd Future está com um disco novo que já subiu bons degraus rumo ao pódio de melhor disco de 2012. Channel Orange habita a mesma faixa R&B que une alguns dos principais nomes da música da segunda década do século 21 – Weeknd, Xx, JJ – mas a coloca na árvore genealógica do groove norte-americano, soando como filho da cena que deu ao mundo Pharrel, Andrew 3000 e Timbaland e neto do gangsta rap por parte de pai e do R&B dos anos 90 por parte de mãe. Talvez seja o disco com a textura sonora certa para 2012. Ouve aí embaixo:









