…não é ruim, não. Mas falta refrão.
E está mais próxima da carreira solo da Gwen Stefani do que dos anos de ouro da banda, há quinze anos.
Comemorar o aniversário de 69 anos só vale de verdade quando é de uma pessoa próxima, mas o Dangerous Minds aproveitou que hoje Mick Jagger completa idade para resgatar essa pérola do meio de Performance:
Tudo foda. Mick Jagger não é Mick Jagger à toa.
E por falar em Mick Jagger, vou puxar a sardinha pro Brasil pra lembrar do clássico episódio em que Caetano Veloso entrevistou o vocalista dos Rolling Stones para a TV Manchete, nos anos 80. O surgimento da Manchete, lançada numa década em que só haviam três ou quatro canais da TV (internet? hahaahahah), foi saudado na época mais ou menos como o lançamento da revista Piauí no mercado editorial brasileiro. Além de revelar novos talentos (Angélica e Xuxa são crias de lá) e explorar novos rumos para a telenovela (culminando na épica e memorável Pantanal), a emissora também investia no telejornalismo em diferentes frentes – de um lado havia o Documento Especial, que apresentava o submundo da cidade grande para o resto do Brasil, do outro o Conexão Internacional, programa de entrevistas capitaneado pelo Roberto D’Ávila, que abriu uma edição do programa para Caetano Veloso entrevistar Mick Jagger. Só achei esse trecho da entrevista no YouTube, que a descrição diz ser do filme Cinema Falado, do próprio Caetano Veloso (que nunca tive coragem de assistir).
Devia ter na íntegra, ninguém sabe onde tem isso?
A entrevista é clássica por ter dado origem a uma das principais polêmicas cultivadas pela Ilustrada, na Folha de S. Paulo, o embate memorável de Paulo Francis e Caetano Veloso. Afinal, olha como Francis tratou a entrevista de Caetano em sua coluna:
“É evidente, por exemplo, que Mick Jagger zombou várias vezes de Caetano na entrevista na TV Manchete. O pior momento foi aquele em que Caetano disse que Jagger era tolerante e Jagger disse que era tolerante com latino-americanos (sic), uma humilhação docemente engolida pelo nosso representante no vídeo.”
Além de ter tripudiado da ingênua pergunta de Caetano sobre a importância do rock para a história da música:
“Essa pergunta simplesmente não se faz em televisão, ou até em jornal. É de um amadorismo total. Só serve para seminários de ‘comunicação’ no interior da Bahia. Não é uma pergunta jornalística. Jagger começou a debochar aí.”
Caetano ficou putaço, chamou Francis de “bicha amarga” e Francis não deixou barato:
“Duas sorridentes cascavéis deste caderno me comunicaram hoje que Caetano Veloso me agrediu numa coletiva. Outro tema de debate: cantor de samba fazendo show vale uma coletiva? Por quê? Bem, fiz críticas culturais ao estilo de personalidade de Caetano, o flagelado milionário de ‘boutique’, servil como um escravo diante do condescendente Mick Jagger. São críticas, certas ou não, mas culturais. Qual é a resposta de Caetano? Diz que sou uma bicha amarga e recalcada. É puro Brasil. Ao argumento crítico, o insulto pessoal. Mas o insulto é o próprio Caetano. Afinal, o que ele quer dizer é que sexualmente sou igual a ele, e usa isso como insulto.”
A história virou pauta em que o intelectualismo cultural brasileiro foi submetido à enquete “Paulo Francis ou Caetano Veloso?” – e essa história está toda contada melhor aqui.
Em tempo, eu sou time Caetano.
E por falar no Caetano, que versão horrorosa essa que os Magic Numbers fizeram pra faixa que abre o Transa…
E eu até acredito que a intenção seja boa, mas ficou bem palha.
Liv entrevistou o “mago”:
“Acho que os escritores simplesmente não entendem o que está acontecendo e sofrem da síndrome de Van Gogh: ‘Vou morrer e as pessoas vão descobrir minha arte’, o que é um equívoco. Ou eles se adaptam a essa realidade ou não vão sobreviver. Recentemente li uma reportagem no Guardian que dizia que eu só podia agir assim porque sou rico, o que não é exatamente verdade. Quando eu comecei, tudo o que eu mais queria era ser lido, se existisse e-book naquela época, eu certamente apoiaria.”
A entrevista inteira tá no site do Globo.
Na edição dessa semana do Link, publicamos um texto do Cory Doctorow em que o editor do Boing Boing fala sobre o porquê do papel central da música, desde o Napster, na discussão em relação às liberdades digitais:
Então, por que a indústria musical continua a ser vista como o bicho-papão das disputas políticas da internet? Brown chamou o ato de baixar músicas de “o pecado original da internet”, imaginando que continuaremos a falar de música por bastante tempo.
Acho que ele está certo. A música existe num ponto especial de intersecção entre o comércio e a cultura, entre o esforço individual e o coletivo, entre a identidade e a indústria, e entre o digital e o analógico. Ela é a forma de arte perfeita para criar uma controvérsia infinita na internet.
O texto inteiro tá no site do Link.
É nisso que o Dodô tá apostando – e quer botar a menina pra cantar.
Será?
Os Beatles lançaram mais uma coletânea, desta vez apenas via iTunes (portanto, digital), chamada Tomorrow Never Knows, como foco no caráter pioneiro e vanguarda da maior banda de todos os tempos. Além do vídeo acima de “Hey Bulldog”, que já circulava via YouTube e agora foi oficializado, o disco ainda conta com a seguinte seleção de faixas:
“Revolution”
“Paperback Writer”
“And Your Bird Can Sing”
“Helter Skelter”
“Savoy Truffle”
“I’m Down”
“I’ve Got a Feeling” (Let It Be… Naked version)
“Back in the U.S.S.R.”
“You Can’t Do That”
“It’s All Too Much”
“She Said She Said”
“Hey Bulldog”
“Tomorrow Never Knows”
“The End” (Anthology 3)
É uma coletânea besta, as músicas só conseguem ser costuradas pelo fato de não serem as músicas mais conhecidas do grupo, e não traz nada de novo, só compila coisa que todos os fãs já conhecem. Mas o detalhe é a capa:
Não duvide que Tomorrow Never Knows seja apenas um teste de mercado da banda em 2012 para saber qual o impacto do lançamento da discografia do grupo em vinil… Se uma coletânea meia-boca (meia-boca dos Beatles, né…) em MP3 vender bem, quem sabe…
E não custa lembrar que o Yellow Submarine está às vésperas de ser relançado em blu-ray… e será que vai passar nos cinemas daqui? Imagine só…
Foi de perder a noção do tempo, como dá pra ver por essas fotos da Bárbara, aí embaixo. E a próxima é com o chapa Danilo!
E por falar em Beatles, que tal essa versão visual do designer italiano Stefano Agabio para “Hey Jude”?
Ficou demais.









