
Mais uma música do disco novo do Blur, definitivamente uma nova banda. “Lonesome Street” até engana com o riff e as primeiras estrofes, mas o refrão psicodélico logo afasta qualquer noventismo de cena.
E tá sendo bem interessante acompanhar a forma como a banda está trabalhando seu novo disco…

Thomas Pappon tomou finalmente teve a disposição pra criar a página oficial do Fellini no Facebook ao mesmo tempo em que pôs toda a obra de seu mítico Fellini pra download no Bandcamp. São sete discos ao todo, conte comigo: seus quatro clássicos primeiros discos (O Adeus de Fellini, Só Vive 2 Vezes, 3 Lugares Diferentes e Amor Louco), o disco póstumo que Cadão Volpato e Thomas gravaram em Londres e lançaram pelo Midsummer Madness em 2001 (Agora é Tarde), um disco registrando a banda ao vivo no estúdio em 2010 (Você Nem Imagina) e uma coletânea de sobras de estúdio, shows, ensaios e demos (Posta Restante, compilada em 2007). O Fellini, pra quem não sabe, é um dos pilares de fundação disso que chamamos de indie brasileiro hoje.

Disco novo do Hot Chip não tem erro, né?

E no episódio de hoje de “tem alguém com muito tempo livre na internet”, um tal de Jack Dudley teve a manha de fazer um mashup de “King Kutta”, do disco novo do Kendrick Lamar, com a abertura do Seinfeld.
Que porra…

Mais uma música nova do disco novo do Built to Spill, que sai no mês que vem. “Never Be the Same” é mais pé no chão que a anterior “Living Zoo” – e ambas mostram que a banda segue em forma.

Há exatamente 50 anos Bob Dylan lançaria o disco que mudaria completamente sua carreira e inaguraria os anos 60 como nós os conhecemos hoje. Escrevi sobre o Bringing it All Back Home na Ilustrada deste domingo, mas o texto inteiro não coube no papel, por isso publico a íntegra abaixo:
Trazendo tudo de volta para casa
Há 50 anos Bob Dylan lançava o disco que mudou sua carreira e a história da música pop, além de inaugurar os anos 60
Bob Dylan entrou no estúdio da Columbia naquele dia 13 de janeiro de 1965 exatamente doze meses depois de mudar drasticamente sua carreira. Há um ano ele lançara o disco The Times They Are a-Changing e e seu encontro com os Beatles, seis meses depois, lhe obrigou a repensar seus próprios rumos. O resultado daqueles três dias de gravação seria um disco que mudaria completamente sua biografia e a história da música pop, além de inaugurar os anos 60 como o conhecemos hoje em dia – Bringing it All Back Home foi lançado há exatos 50 anos, no dia 22 de março de 1965.
No fim de 1963 Dylan começou a abandonar o personagem “gente humilde” com o qual conquistou a cena folk nova-iorquina, que lhe elegeu herdeiro de Woody Guthrie, o bardo folk americano que era o símbolo da música do povo oprimido dos EUA. Em vez de músicas contemplativas e resignadas, ele começara a apontar o dedo desafiadoramente para as autoridades, com músicas que começavam a capturar o inconsciente coletivo norte-americano após o assassinato de John Kennedy, como “Masters of War” e faixa que iria batizar seu terceiro disco, lançado no início do ano seguinte.
Aquele novo repertório mudara completamente a relação de Dylan com seus fãs, que passavam de admiradores a devotos. Em poucos meses ele era eleito voz de sua geração e aos poucos começou a ver que havia se metido em uma enrascada. Para fugir deste papel, deu mais uma guinada, desta vez para dentro, cantando canções de amor mais introspectivas e com uma banda, ainda acústica. A nova fase foi registrada no disco Another Side of Bob Dylan, lançado em agosto daquele ano, que foi suficiente para causar reclamações dos fãs. Eles mal sabiam o que viriam.
No final daquele agosto, no dia 28, Dylan encontrou John, Paul, George e Ringo num quarto do hotel Delmonico em Nova York, onde fumaram um baseado juntos, o primeiro dos Beatles. Os quatro de Liverpool haviam tomado os EUA de assalto, preenchendo o vácuo afetivo do assassinato de Kennedy com gritos, guitarras e muito ritmo. Aquela mudança de sonoridade afetou diretamente Dylan, que antes de tornar-se centro da cena folk nova-iorquina, havia sido filhote dos primeiros dias do rock’n’roll. “Quando ouvi Elvis pela primeira vez”, repetiu em várias entrevistas, “sabia que nunca iria trabalhar na vida e que ninnguém iria ser meu patrão.” Dylan foi líder de bandas de baile nos anos 50 – como Shadow Blasters e Elston Gunn & The Rock Boppers – e desistiu do rock quando Buddy Holly morreu. Mas o sucesso e a energia dos Beatles o reanimaram – sem contar que eles eram ingleses inspirados por música americana. Era hora de trazer aquela energia de volta pra casa.
E foi com essa disposição que entrou no estúdio nova-iorquino em 1965. Na mesa de comando, o produtor Tom Wilson, que havia trabalhado nos discos anteriores de Dylan, estava disposto a fotografar o que quer que Dylan trouxesse. E ele trouxe um calhamaço de canções completamente novas, que misturavam citações bíblicas, a história dos Estados Unidos e poesia francesa do final do século 19, empilhando citações de forma cínica, completamente distante do Dylan heróico do ano anterior.
O primeiro dia de gravação foi um aquecimento, em que Dylan testou formações e sonoridades. Colocou o guitarrista John Sebastian, que nunca havia tocado baixo, para assumir o instrumento, sentou-se ao piano na maior parte do dia, o novato Kenny Rankin para tocar guitarra elétrica, que também nunca havia feito. A torrente de palavras das canções era reflexo de uma viagem de carro pelos Estados Unidos de costa a costa, quando, no banco de trás do carro, Dylan ia datilografando poemas, letras de músicas e comentários aleatórios. As novas canções foram apresentadas por um Dylan sempre de terno preto e RayBan Wayfarer, rindo e sorrindo muito mais do que o normal.
Nos dois dias seguintes, gravou o disco, composto quase inteiro por clássicos, em pouquíssimos takes. Seu lado A, elétrico, começa com a avassaladora “Subterranean Homesick Blues” confundindo completamente os fãs ao misturar política, frases de efeito e a paranoia da guerra fria. Na mesma linha, a cáustica “Maggie’s Farm” e a épica “Bob Dylan’s 115th Dream” (que é interrompida logo no início por uma crise de riso pois a banda não conseguiu acompanhar Dylan) mostravam que a eletricidade e histórias criadas a partir do imaginário norte-americano eram um caminho sem volta.
No lado B, acústico, o disco trazia músicas que mostravam que Dylan, mesmo só ao violão, estava indo muito além do folk, graças a canções como a enigmática “Mr. Tambourine Man” e as cruas “Garden of Eden” e “It’s Alright Ma (I’m Only Bleeding)”. O disco terminava com uma de suas canções mais emblemáticas, “It’s All Over Now, Baby Blue”, que antes de repetir seu título pela última vez, desafia o ouvinte ao mostrar que as regras haviam mudado: “Strike another match, go start anew” – “risque outro fósforo (ou comece mais uma briga), vamos recomeçar tudo de novo.”
Mal sabiam – Dylan e fãs – como tudo iria mudar no decorrer de 1965. “Mr. Tambourine Man” iria parar no topo da parada dois meses depois graças a uma versão dos Byrds que inaugurava o folk rock. Os Rolling Stones gravariam “Satisfaction” inspirados pelo pedal fuzz que Dylan usara em “Subterranean Homesick Blues”. O próprio Dylan gravaria sua canção-símbolo – “Like a Rolling Stone” – em menos de um semestre, além de fechar a tríade de discos que o consagrou (Highway 61 Revisited e Blonde on Blonde) em pouco mais de um ano. O rock começava a deixar de ser visto como música de adolescente e os anos 60 começavam a mudar inesperadamente. E está tudo ali em Bringing it All Back Home.

Dentro da capa
- A criação da cena da capa do disco de 1965 é considerada transgressora no mercado fonográfico por tratar-se como parte da criação artística e não como rótulo de um produto à venda. Sem esta mudança, capas de clássicos como Sgt. Pepper’s e Dark Side of the Moon seriam bem diferentes.
- Foi o primeiro disco de Bob Dylan sem nomes de canções na capa. A gravadora Columbia não gostou da mudança, mas o empresário de Dylan, Albert Grossman, foi categórico e não quis negociar.
- É a primeira vez em que Dylan não posa como um personagem do povo, usando roupas de popstar.
- Também é o primeiro disco em que Dylan olha para a câmera na foto da capa, dando origem a um padrão reconhecido por seus fãs: que quando Dylan reconhece a grandiosidade de seus discos, ele revela isso olhando para o ouvinte em sua capa.
- A mulher que olha desafiadoramente para a capa é Sarah Grossman, esposa do empresário de Dylan. A foto foi tirada na sala de estar da casa de campo do casal, em Woodstock.
- Bem antes do Photoshop, o fotógrafo Daniel Kramer criou um aparato para girar lentamente a lente da câmera e embaçar os cantos da foto, para causar a sensação do “universo estar se movendo ao redor” de Bob Dylan.
- Espalhados entre Dylan e Sarah estão discos dos Impressions (Keep on Pushing), de Robert Johnson (King of the Delta Blues Singers), de Ravi Shankar (India’s Master Musician), de Lotte Lenya (Sings Berlin Theatre Songs by Kurt Weill) e de Eric Von Schmidt (The Folk Blues of Eric Von Schmidt).
- No fundo da cena, seu disco anterior, Another Side of Bob Dylan, está próximo a uma lareira que fica em uma parede cheia de referências do século 19. É como se Dylan dissesse que, alé de pertencer a um passado distante, sua carreira anterior poderia ser jogada no fogo.
- Dylan segura um gato cinzento chamado Rolling Stone. Sete meses depois ele gravaria sua maior canção, chamada “Like a Rolling Stone”.

É bem inofensiva essa música do Tricky com a Mallu Magalhães, mas o cruzamento dos dois flagra um ponto em comum entre as duas carreiras: se a base do velho trip hopper (que toca no Sesc Pompéia no fim deste mês) é genérica e sem inspiração, o vocal de Mallu está na medida para esse tipo de música, pedindo uma produção mais caprichada, que possa a levar para um mundo de música eletrônica distante do chacundum do violãozinho folk-indie-brasil ao redor do qual ela construiu sua carreira. Quem se dispõe?

Desde que J.J. Abrams pegou a série Missão Impossível com o Tom Cruise que a grife deu uma bela melhorada. E por mais que pareça só uma versão genérica e norte-americana para o que deveriam ser os filmes de James Bond atualmente, os filmes funcionam. Como parece ser o caso do quinto filme da série, que não usa mais números para contar a quantidade de continuações.

Nesta sexta-feira o Blur estreeou ao vivo em 2015 tocando num clube em Londres para 300 fãs um show em que mostraram a íntegra do novo disco da banda, chamado The Magic Whip. Ainda finalizaram o show com “Trouble In The Message Centre”, que a banda não toca há vinte anos. Eles também liberaram o vídeo de mais uma música de seu novo disco, “There Are Too Many of Us”. Uma música que começa parecida com as do disco solo de Damon no ano passado, até que a banda entra inteira – e com cordas – no meio da canção.
Os relatos do show já estão chegando…
Won tickets to a secret intimate Blur gig – their first play of their new album, The Magic Whip. It. Is. Awesome. pic.twitter.com/WEYZ5g8gV3
— Kaya Burgess (@kayaburgess) March 20, 2015
Still can't believe I was lucky enough to go to the secret Blur gig last night. It was brilliant! #blur #themagicwhip pic.twitter.com/NHsiWl92SJ
— Amie Crago (@cragamuffin) March 21, 2015
…já já aparecem os vídeos. Vamos aguardar.

E depois de ter virado o baú do Chic atrás de pérolas do passado, Nile Rodgers começa a desovar suas pérolas. A primeira é essa irresistível “I’ll Be There”.