
Minha coluna desta edição de segunda-feira do Link (a primeira em que deixo o cargo de editor para assinar apenas como colunista) pega o gancho do título do seriado de Charlie Brooker para comentar nossa relação com as telas que nos cercam…

Como desligar o espelho preto que carregamos no bolso
Fixados à tela, fingimos que nada mais importa
O jornalista, diretor e comentarista inglês Charlie Brooker é uma das melhores cabeças do Reino Unido no século 21. Conhecido por seus comentários ácidos sobre mídia, ele ataca principalmente a televisão em séries produzidas pelos diferentes braços da emissora estatal BBC. No fim da década passada, os episódios de Newswipe, Screenswipe e Gameswipe (sobre, respectivamente, notícias, cinema e videogame) culminaram na série How TV Ruined Your Life (Como a TV Arruinou a Sua Vida, com episódios sobre medo, amor, conhecimento, progresso, aspirações e o ciclo da vida), de 2010. Em 2008, ironizou os reality shows e a mania de zumbis com Dead Set e no fim do ano passado dedicou-se à ridicularizar nossa obsessão pela tecnologia em Black Mirror.
São três histórias independentes que abordam os efeitos que a tecnologia causa ao comportamento humano se a compararmos com uma droga. “Black mirror” é o espelho preto que nos observa e observamos toda vez que uma tela é desligada. Desligamos a TV, o celular, o computador e vemos o nosso próprio rosto em diferentes dimensões, em molduras escurecidas que parecem espelhos em negativo do eu de cada um, como uma espécie de retrato de Dorian Gray de nossos sentimentos.
Desligamos aparelhos e nos vemos mirando para um vazio emocional que parece um abismo, anseios e esperanças refletidos do avesso, mas, ao contrário não é o monstro nietzscheano nos olhando de volta, o desconhecido consciente. É apenas um vazio, como se estivéssemos nos tornando robôs, fazendo o caminho inverso de Roy Batty em Blade Runner.
Não culpe o digital: a tela preta já nos hipnotizava desde os primórdios do cinema e passou a nos refletir a partir da televisão. O computador funcionou como um grilhão da mesa de escritório, uma prisão em forma de horas de trabalho, cuja ilusão de liberdade veio com a chegada dos smartphones.
E chegamos à segunda década do século sem nem sequer olharmos na cara um do outro. Se antes do smartphone uma mesa de bar já poderia criar círculos paralelos de conversa graças à telefonia móvel, com a internet à mão reuniões, encontros e refeições são celebrações de um individualismo autista, em que os presentes fingem presença mas fogem momentaneamente para a porta de entrada de seu umbigo, na palma de sua mão. Fingimos checar as horas e responder um SMS quando, na verdade, estamos vendo reações ao que fizemos nas redes sociais. O espelho negro só reflete aquilo que consideramos “vida” – todo o resto fingimos que não importa não existe, não está lá.
Por isso sonho com um restaurante cujo luxo é não ser interferido por ninguém mexendo no celular. Da mesma forma como deixamos o carro no manobrista ou os sapatos na porta de entrada, poderíamos ter a opção – mesmo que na marra – de deixarmos nossos celulares antes de comer. O restaurante me parece a opção mais viável, mas poderia ser uma academia de ginástica ou uma casa de shows. Nada de fotos, SMS, ligações, redes sociais, notícias, vídeos ou jogos – ficaríamos à disposição daquilo que é nos oferecido. Que, por isso, receberia maior cuidado e atenção.
Acho que isso é uma utopia possível, mas não vejo como regra. Da mesma forma que há restaurantes que não contam com TVs em suas paredes (ainda bem!), cogito a possibilidade de que haja outros que nos despluguem da matrix, mesmo que por algumas horas, para nos conectarmos à vida de fato.
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Esta é a primeira coluna que assino depois de deixar o Link – a partir de hoje, começo uma nova jornada, no comando da redação da revista Galileu, da editora Globo. Troco de pontes (do Limão para o Jaguaré), de marginais (do Tietê para o Pinheiros) e de foco (de tecnologia para ciência), por isso deixo a análise das notícias em segundo plano e passo a dar ênfase à forma como a tecnologia mexe em nossa cultura.

Era só uma versão para “My Way”, mas o baterista queria mostrar serviço… Veja abaixo:

Aproveitando o clima de morre-não-morre em cima do Niemeyer (que eu aposto que ainda vai viver muito tempo), esse tumblr resolveu mostrar o que pode mudar na vida de uma pessoa quando se vive mais de um século, como explicaram no disclaimer: “este blog não é uma piada com Oscar Niemeyer. É, sim, uma tentativa de mostrar como o mundo pode mudar de maneira radical em um período historicamente tão curto de tempo, usando como referência a data de nascimento de nosso velho ídolo.” Dá uma sacada em uns exemplos aí embaixo…

E que tal um set só de Pink Floyd? É o que nos propõe o Peter Kruder, da dupla Kruder & Dorfmeister indicado pelo Camilo…

Deixando a controvérsia teórica sobre o que é o papel de um curador, o fato é que esse ano exerci a função pelo menos duas vezes: na parte musical do Festival da Cultura Inglesa (função que exerci ao lado do compadre Lucio Ribeiro) e na escalação do projeto Prata da Casa do Sesc Pompéia durante esse ano. Conversei com a Gabriela, do Ei Xuxu, sobre como foi este último trabalho, que chega ao fim com este mês de novembro (na próxima terça, dia 20, não haverá Prata da Casa e o da terça seguinte, com o grupo Os Sertões, é o último do ano). Foi um dos trabalhos mais legais que fiz em toda minha vida e trabalhar de perto com o Sesc foi só a confirmação de que não é à toa que a rede é um dos principais méritos da vida cultural de São Paulo. Ainda no início de 2013 haverá a Mostra Prata da Casa 2013, reunindo as melhores apresentações do ano em que fui curador. E como insistem que o trabalho de editor e o de curador são quase o mesmo (a tal controvérsia teórica que citei no início), o YouPix me colocou como um dos indicados ao prêmio de Curador do Twittosfera em 2012, ao lado do Não Salvo, da Rosana Herrman, dos Outros 500 e do Inagaki. Se você concorda, o link pra votar em mim é este.
E a foto que ilustra o post é do show do Dorgas no Prata da Casa, e foi tirada pelo Leo Mascaro, testemunha de quase todos os Prata deste ano…

O pior é que você nem precisa ver o clipe – nem ouvir a música (que é horrível e faz parte do irrelevante último disco da banda, Collapse Into Now, do ano passado) – para captar sua mensagem, resumida no namedropping do título deste post. Um clipe que vale um tweet- eis o R.E.M. em 2012…
Vi no Papel Pop.

Que tal esse Fleetwood Mac azeitado pelos Flight Facilities?

Corações em emoticons, Criolo e a intimidade do Facebook são deixas que a Camila usou para falar do amor em tempos de filtro-bolha. Diga lá:
“Amor é palavrinha fácil, dada e escorrega da boca feito baba de cachorro basset. Dizê-la parece até mesmo deixar-nos mais amáveis.”
“Deve ser por isso que “mais amor”, “muito amor”, “só amor”, “puro amor” virou o substituto de coisas simples como “gostei”, “legal”, “bacana”, “que massa”, “que bonitinho”. Faço aqui a mea culpa, só percebi quando já era tarde demais. Mas me assaltou uma vontade esquisita, retrô ou hipster, como quiserem, de voltar a dar às coisas os nomes que elas têm.”
“Tampouco estou mais tão preocupada em provar para Criolo ou quem quer que seja que “existe amor em SP” ou seja onde for.”
Ela continua lá nO Purgatório. E a imagem que ilustra o post é uma foto que a Carol tirou de um pôster num semáforo da Paulista.

Bem bom esse curta israelense da dupla Eran May-raz e Daniel Lazo sobre a onipresença do digital em nossas rotinas.
