
E essa versão avacalhada do hit da Nicki Minaj só peca ao trocar o breque freak “higher than a motherfucker” por um forrózim, mas de resto, ficou altos.

O norueguês Lindstrøm lançou dois discos esse ano – Smalhans e Six Cups of Rebel – e os dois estão bem cotados nas listas de melhores do ano. Destaco o primeiro, que teve a faixa “Ęg-gęd-ōsis” remixada por seu conterrâneo Todd Terje, que ajudou-o a mixar o disco (que já toquei em dois Vidas Fodonas).

E com o clipe de “Wait”, o M83 de Anthony Gonzalez encerra a trilogia de ficção científica feita com a dupla de diretores franceses Fleur & Manu. Abaixo, os três clipes que foram feitos esse ano, na ordem: “Midnight City”, “Reunion” e “Wait”. Grande feito, vale conferir:

Outro Vida Fodona feito sem planejar nada.
Tame Impala – “Feels Like We Only Go Backwards”
Memory Tapes – “Let Me Be”
How to Dress Well – “Cold Nites”
Kendrick Lamar – “Bitch, Don’t Kill My Vibe”
Lindstrøm – “Eg-ged-osis (Todd Terje Extended Mix)”
Prins – “Søt Kløt”
Jon Talabot – “Journeys”
Yo La Tengo – “Ohm”
Hurtmold – “Chavera”
Gui Amabis – “Crepúsculo”
Metá Metá – “Cobra Rasteira”
Goat – “Let it Bleed”
Grimes – “Genesis”
XXYYXX – “DMT”
Curumin – “Selvage”

Tudo mentira, mas essa história que o Edmundo publicou no Estadão é genial.
Não era mais possível falar das flores no país tropical, mas ainda havia algum alento. Se quatro rapazes ingleses mostraram que era possível existir sargentos preocupados com corações solitários, o sonho ainda não havia acabado. Esperar o próximo disco dos Beatles era uma válvula de escape prazerosa. O que poderia vir depois de Sgt. Pepper’s? Conseguiria o grupo superar a obra em todo revolucionária?
Com as notícias da tensão entre os integrantes, as especulações sobre o que viria a ser o Álbum Branco causava ansiedade geral. Foi quando veio a bomba: os Beatles gravariam Asa Branca, lançada pelo velho Luiz Gonzaga.
“Ninguém sabia ao certo de onde veio a informação, mas sei que me disseram por aí e foi gente séria que falou”, garantiam todos que contavam a história num telefone sem fio que não demorou para ganhar destaque no rádio e na TV e páginas de quase toda a imprensa brasileira.
O próprio Gonzagão e seu parceiro Humberto Teixeira na autoria do lamento contra a desgraça da seca na vida dos caboclos do norte se surpreenderam. O velho Lua, que não se cansava de destilar ressentimento contra o iê-iê-iê que coroou outro rei em um trono que fora seu, mostrava um autêntico orgulho de tamanha honraria. “Os meninos ingleses têm muito sentimento e não avacalham a música. A toada deles parece bastante com as coisas do Nordeste. Até as gaitas de fole lembram a nossa sanfona”, publicou a revista Veja numa reportagem sobre a volta ao sucesso do sanfoneiro por causa da gravação de sua canção pelos artistas mais famosos do planeta. “Agora que eu quero ver se os Beatles vencem mesmo”, provocou, evocando os mais de 2 milhões de discos em quase 30 anos.
O clima era de festa e o orgulho brazuca foi às alturas. Mas cadê a Asa Branca tocada pelos Beatles? Após a euforia inicial, a imprensa começou a fazer o seu dever e foi perguntar à gravadora. Ninguém sabia de nada e um desmentido publicado alguns dias depois no Estado dava mais um toque surreal: “O empresário dos Beatles, Don Kass, desmentiu ontem que o conjunto inglês tivesse gravado Asa Branca, de Luiz Gonzaga, ou mesmo convidado Baden Powell para ensinar-lhes a tocar berimbau, como foi diversas vezes noticiado. Explicou que Paul McCartney compôs um samba, ainda sem nome, que será incluído no próximo long-play do conjunto”.
A essa altura, Gonzagão já sabia que tudo não passava de uma cascata inventada pelo agitador cultural, compositor e pai da pilantragem, Carlos Imperial, como conta Denilson Monteiro na biografia do homem que era mestre em espalhar lendas, nem sempre com a melhor das intenções.
Mas dessa vez, a causa de Imperial era nobre: resgatar o prestígio de Gonzaga ante um público que o desprezava. Imperial tinha uma tese de que havia semelhanças musicais entre o rock e o baião e depois de convencer um desconhecido grupo de rock que acompanha Ronnie Von a gravar Asa Branca, usou o tape para espalhar a notícia sobre os Beatles. Vendo que a mentira ficara fora de controle até para um pilantra de primeira grandeza como ele, procurou Gonzaga para contar a verdade e esclarecer a coisa publicamente. O sanfoneiro, que também gostava de contar das suas, não quis nem ouvir. Agradeceu ao Gordo, mandou às favas os pudores e aproveitou a maré. “Aquilo foi mentira, foi cascata bem favorável para mim”, declarou à edição brasileira da revista Rolling Stone: “Ganhei dinheiro, ganhei programa, dei entrevistas”.
Muito bom. A foto da página saiu do Instagram dele.

Que tal Yoko Ono cantando a versão lenta de “Firework“?
Não parece, mas é piada: o vídeo original é esse.

A correria, a pressa, a falta de tempo, a mudança na rotina, a preguiça, a procrastinação… Tudo isso pode servir de desculpa para o fato de eu não ter apresentado os novos blogueiros dOEsquema, que já estão em plena produção (se você freqüenta nossa home, já deve ter reparado). Peço desculpa aos novatos, que já deviam ter sido apresentado há eras, e aos leitores, que trombaram com estes novos blogs sem entender direito o que estava acontecendo. Vamos aos quatro:
A única menina desta leva, a vinda da Tati prOEsquema também foi uma maneira de não perder o contato diário com esta que é um dos grandes talentos do atual jornalismo brasileiro – e uma das pessoas mais fodas que eu conheço. A descobri nos tempos em que trabalhava na Trama, onde foi estagiária da agência de notícias que eu coordenada no projeto Trama Universitário, e acompanhei seu trabalho de conclusão de faculdade tornar-se o livro fundamental que ainda não havia sido escrito sobre a psicodelia brasileira. Chamei-a para trabalhar no Link assim que virei editor do caderno e pilhei-a para ter um blog que logo tornou-se a coluna que leva seu nome no jornal. Esta semana ela tornou-se editora-assistente do Link, mesmo cargo que eu tinha quando entrei no Estadão, e seu Esquina, já com atualizações à toda, mostra um lado mais íntimo e trivial de uma autora que, aos poucos, gabarita-se nos Grandes Temas. É ótimo ser vizinho dela.
Outro novo vizinho que também era colega de Estadão é o Ramon Vitral, mais um talento em ascensão no jornalismo brasileiro – e suas especialidades, como pode-se perceber pela pauta de seu veloz Vitralizado, são quadrinhos, cinema e a extensão área de intersecção entre estas artes irmãs (ou, como ele descreve no subtítulo do blog, “conteúdo aleatório justaposto em sequência deliberada”). Ramon já era leitor e comentarista do Sujo muito antes de sair de sua Juiz de Fora em Minas Gerais rumo a São Paulo, mas só o conheci pessoalmente nos corredores do Limão, quando dividimos algumas pautas no Divirta-se (o caderno de programação cultural do jornal em que Ramon trabalha), como a capa sobre as referências do Super , do J.J. Abrams.
O terceiro integrante da nova turma é velho conhecido dos leitores de blog no Brasil e parceiro de longa data. O jovem mestre Fred Leal também passou pelo Estadão e ficou por quase dois anos no Link e depois de uma temporada por Buenos Aires voltou à sua cidade-natal, a mítica Paracambi no interior do Rio de Janeiro, de onde posta seu Axioma. Fred é um dos capos da Fundação para o Amparo e Bem Estar Psicodélico – a Fubap, onde mantenho o Vida Fodona, e depois de roubar alguns talentos e amigos de seu celeiro de talentos (Babee, Pattoli e Silvano tinham blogs por lá antes de vir para OEsquema) resolvi cooptar o próprio dono do time. Bom estar mais uma vez ao lado de Fred.
O caçula da leva eu só conheci pessoalmente – e brevemente – este ano, mas acompanho de perto o trabalho de Tomás Pinheiro tanto em seu Tumblr original (o Entretenedor, que virou o nome oficial de seu site nOEsquema) quanto suas contribuições para o carioca Party Busters (ele também era, ao lado de mim, do Pattoli e do Bracin, um dos entusiastas das t-girls – quem lembra delas?). Seu faro para a boa música e antena ligada para novidades pop e cabeça na mesma medida tornam seu Entretenedor – sua “chautauqua pessoal”, como descreve – uma visita obrigatória pra quem quer saber quem faz música boa hoje em dia.
Devidamente apresentados, eis nossos novos blogueiros, sejam bem-vindos, sintam-se à vontade e, leitores, tratem-os bem. Eles, no entanto, não serão os últimos a entrar em 2012. Completamos, com o fim deste ano, o primeiro ano de expansão dOEsquema, em que deixamos de ser apenas quatro vozes (eu, Bruno, Arnaldo e Mini, os Founding Fathers deste Novo Mainstream) e nos tornamos um coletivo de indivíduos incríveis. Outros nomes virão até o fim do ano – quando terminaremos nossa fase 2.
E a fase 3 começa em 2013…
Demorou, mas finalmente apareceu online. E o disco é bom, viu…

Vi lá no Hominis Canidae.
Minha coluna na edição de segunda do Link foi sobre a contribuição de Oscar Niemeyer para nossa concepção de futuro.

A contribuição de Oscar Niemeyer para o futuro
Amplitude: Prédios parecem suspensos pelos pilares
No início do documentário belga Oscar Niemeyer – Un Architecte Engagé Dans Le Siècle (Um Arquiteto Engajado no Século, 2001), de Marc-Henri Wajnberg, um disco voador sobrevoa o Rio de Janeiro. A espaçonave circular é branca e de concreto e paira tranquilamente sobre a antiga capital brasileira, passando pelo Cristo Redentor, o Maracanã, as praias, o Pão de Açúcar até entrar na Baía de Guanabara e pousar em Niterói.
Uma rápida cena mostra o então quase centenário arquiteto contemplando a cidade por uma janela, como se estivesse pilotando o tal disco – que, na verdade, é o Museu de Arte Contemporânea de Niterói. Não foi a primeira nem a última vez que os traços do arquiteto foram associados a um futurismo muito próximo da ficção científica do meio do século 20, período em que Niemeyer começou a despontar no mundo como um prodígio do modernismo brasileiro.
Nasci na cidade que foi imaginada por este que é um dos grandes brasileiros do século passado. A ideia de Brasília não é de Niemeyer. Suas origens remontam à visão de um santo italiano, São João Bosco, que em agosto de 1883 sonhou que havia visitado a América do Sul (onde nunca havia estado) e, depois de visitar vários pontos do continente, viu uma cidade no meio do planalto central, entre os paralelos 15o e 20o, que, segundo um anjo que lhe servia de guia, seria a “terra prometida”.
A profecia ajudou o presidente Juscelino Kubitschek a cumprir sua promessa de tirar a capital brasileira do Rio de Janeiro. Mas a ideia de criar uma cidade do nada não partiu apenas de sua imaginação. JK teria se inspirado no faraó egípcio Akhenaton que, no século 14 antes de Cristo, mudou a capital de seu governo para uma cidade criada artificialmente, Akhetaton, a Cidade do Sol.
Duas visões do passado, dois artistas do futuro: o urbanista Lucio Costa foi escolhido para colocar o plano da cidade no papel (com o formato de um avião) e Oscar Niemeyer, o nome eleito para populá-la. E em vez de replicar outras cidades, o arquiteto resolveu imaginar como seria uma metrópole do século seguinte. Do milênio seguinte.
E assim ergueu palácios com colunas que pareciam suspendê-los no ar. E o amplo horizonte da nova capital passava a acolher uma catedral ecumênica, sem torres, aberta para a luz. Todos os ministérios reunidos como pilares monumentais em uma ampla esplanada. Uma praça que reúne as sedes dos três poderes numa mesma perspectiva horizontal. Construções austeras e pesadas eram reimaginadas por completo. Assim, prédios arredondados que se misturavam a ângulos retos e edifícios de concreto pesado ganhavam leveza graças às suas curvas. Somados às avenidas sem sinais de trânsito, às ruas sem esquina e às superquadras imaginadas por Lucio Costa, eles criaram uma cidade literalmente imaginada.
Muitos autores descreveram cidades imaginárias em livros, filmes, quadrinhos, animações. Poucos conseguiram tirá-las da imaginação. Niemeyer pertence à seleta categoria dos que executaram a cidade que pensaram. E talvez esteja dentro de um nicho ainda menor: os que imaginaram cidades do futuro.
Pois a capital de nosso país é uma cidade do futuro. E Oscar Niemeyer, eterno nesta Brasília, talvez seja, além de todos os epítetos e hipérboles que já carrega, nosso maior artista de ficção científica.
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Torno públicos os parabéns que dei ao Filipe Serrano e à Tatiana de Mello Dias, os novos editor e editora-assistente da melhor publicação de tecnologia e cultura digital do Brasil. Conheci ambos no início de suas carreiras – Filipe era estagiário no Link quando entrei, em 2007, e depois virou repórter, editor-assistente e agora chega ao comando do caderno. Tati foi minha estagiária na Trama e foi a primeira repórter que contratei quando virei editor, em 2009. É uma felicidade vê-los chegar a tais posições e um alívio saber que o caderno que acalentei por tantos anos está nas melhores mãos possíveis. Boa sorte aos dois!
