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…porque se você parar pra pensar…

roboto

Enquanto isso, em 1998…

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Finalmente uma faixa nova boa do Primal Scream, coisa que eles deviam há um bom tempo. Tudo bem que parece que saiu de um EP deles por volta de 1994, mas diverte mesmo assim. Olha o clipe aí embaixo:

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Contenha-se, diz o anúncio.

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Afinal são 15 novos episódios, dia 26 de maio, via Netflix. Nunca escrevi sobre Arrested Development, né? Bem lembrado…

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Que beleza foi o show do Toro y Moi na noite desta quarta-feira. Auxiliado por uma banda precisa, Chaz Bundick mostra como está evoluindo seu som, que originalmente era feito sozinho num quarto, para algo mais orgânico e arredondado, deixando a eletrônica mais como ferramenta que conteúdo. Enquanto revezava-se entre teclados, efeitos e vocais, era acompanhado de perto pelo pulso firme do baterista Andy Woodward. Ao segurar timbres, melodias e ritmos, Chaz e Andy deixavam o guitarrista e tecladista Jordan Blackmon e o baixista Patrick Jeffords livres para explorar seus instrumentos – enquanto Jordan, que também fazia os vocais de apoio, preferia uma guitarra mais ruidosa e rítmica que melódica (ecos inevitáveis do pós-punk – é um guitarrista indie), Patrick deslizava linhas de baixo que às vezes eram firmes às vezes esparsas e fluidas (um músico que veio do conservatório).

E no equilíbrio entre estes dois músicos, Chaz destilava suas canções doces e tímidas, que, contrastadas ao groove cada vez mais intenso de seu grupo, ganham uma nova dimensão (“High Living”, que infelizmente não filmei, ganhou até um inusitado, mas coerente, peso de rock clássico, perto do final). O som da banda está cada vez mais soul com toques de jazz elétrico, fazendo o black power e o vocal macio do senhor Toro y Moi me lembrar do R&B do final dos anos 90. Mas há uma feliz estranheza que não deixa o som soar fácil ou descartável – é música de pista, mas há ênfase nos trabalho humano e na presença dos músicos, portanto é um show para ser assistido e não apenas curtido.

Embora houvesse ênfase natural em relação ao material de seu disco mais recente, Anything in Return desce cada vez mais suave, o show percorreu as diferentes fases da curta carreira do Toro y Moi, como se fosse a primeira vez que a banda tocasse em São Paulo. E levando em consideração que suas outras apresentações foram em festivais para dezenas de milhares de pessoas (no Terra em 2011 e no Lollapalooza deste ano), um show feito para poucas centenas de felizardos talvez tenha sido o melhor cartão de visitas que Chaz Bundick poderia deixar no país. Muito prazer e venha mais vezes.

Abaixo, umas músicas que filmei.

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jamesblake

Overgrown está prometendo, vamos ver se ele cumpre

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Deal with it:

Um dos assuntos que pintaram quando o show do Sabbath no Brasil foi anunciado dizia respeito à sua localização – quais seriam os palcos que abrigariam a turnê dos pais do heavy metal? É papo pra estádio, mas em ano pré-Copa e estádios pela metade, as opções são bem restritas – não apenas para o Black Sabbath, mas também para outros artistas de médio e grande porte que podem passar por aqui.

A outra questão que surgiu, claro, diz respeito sobre o preço do ingresso. A discussão sobre o mercado de shows no Brasil, com o cancelamento do Sónar e a transferência do Cure do Morumbi para o Anhembi, voltou à pauta no último mês e, inevitavelmente, cai-se no círculo vicioso que, não importa quanto for o ingresso, “tem quem pague”. Até que chega o Skol Sensation desse ano com um ingresso que custa

RS12500

R$ 12.500. Doze mil e quinhentos reais. Isso é o equivalente a quantos salários mínimos? “Mas é pra seis pessoas”. Ah tá, fica só dois mil e oitenta e três reais por cabeça. E isso não parte de um evento “diferenciado”, em que o clima importa mais que as atrações estrangeiras. Poderia vir num musical da Broadway adaptado para São Paulo e Rio de Janeiro. Num concerto de música erudita ou num show de dance music qualquer. O “tem quem pague” não existe sem o “tem quem cobre” – e neste caso o Skol Sensation ultrapassou a barreira dos cinco dígitos no preço de um ingresso. Infelizmente, não vai parar por aí.

Há quem urubuze e diga que a bolha dos shows internacionais vai estourar e o país vai sair da escala de muitos artistas, caso os cachês diminuam, por exemplo. Sim, há uma bolha financeira, principalmente no que diz respeito ao preço que se paga pelos artistas e aos preços de ingressos repassados para o público, mas isso não significa que os shows internacionais vão parar de acontecer no Brasil, principalmente às vésperas de Copa do Mundo e Olimpíada.

E essa bolha financeira não tem a ver apenas com shows, claro. Tem a ver com ascensão da nova classe C também, mas também tem a ver com o tal “capital cultural” que eu citei outro dia. Mas o principal é essa elite de araque que se mede por dinheiro, que escaneia qualquer pessoa pelas marcas que ela tem ao seu redor, do relógio no pulso ao carro na garagem. Gente que usa o dinheiro para se diferenciar dos outros. Devíamos fazer como sugeriu o Knife naquele quadrinho que linkei ontem – tratar essas pessoas como portadoras de um problema psicológico, uma compulsão psicótica por acumular dinheiro e precificar tudo.

Isso também não é restrito ao Brasil, é um problema mundial. Que tem mudar.

robert-smith

Excelente a entrevista que a querida Tramontina fez com o Bob Smith, que se apresenta no Brasil essa semana, depois de 17 anos da última vez. Destaco o trecho em que ela pergunta sobre os heróis do homem-Cure:

Sempre fui inspirado por David Bowie, Jimi Hendrix e Alex Harvey, o cantor escocês. Todas estas pessoas me inspiraram ao longo dos anos –grandes guitarristas, grandes compositores, grandes cantores. Eu me inspiro em grandes escritores também. Há escritores realmente bons, mas eles não são verdadeiros heróis. Eu desisti de saber mais sobre as pessoas que poderiam ser meus heróis há muito tempo porque elas sempre me decepcionam. Eles sempre fazem algo, em algum momento, que me faz pensar: “Ah, p***, que inferno! Isso é terrível!” E isso tira do coração o seu amor por eles. Então, eu meio que estou dividido entre querer saber sobre as pessoas que eu admiro, na esperança de que eles serão indivíduos realmente bons, e temendo que eles, na verdade, vão me chocar por serem idiotas, mesmo que eles façam uma bela arte.

A primeira vez que eu encontrei David Bowie eu o entrevistei para uma estação de rádio. Nós tivemos uma discussão sobre o valor da arte, e se seria o próprio artista a validade daquilo ou a obra em si. Eu disse que o artista é inteiramente responsável pela arte e, portanto, você tem que respeitá-lo e amar o artista se você respeitar a arte. E Bowie argumentou que o trabalho artístico era tudo o que importava, e não a pessoa. Na verdade, eu não acho mesmo que muitas pessoas estão qualificados para serem grandes. Você tem que saber que muitos artistas realmente grandes são totalmente idiotas na vida real. É um truque. Se eu tenho herói é David Bowie, mas eu discordo completamente de suas opiniões sobre a própria arte, assim como para outras coisas na vida. Então, como é que ele pode ser o meu herói? É muito difícil. E o herói, para mim, é a pessoa que você gostaria de ser. Então eu não tenho um herói. Eu nunca tive ninguém que eu acho que é realmente grande. E eu ainda não tenho certeza se há um ser humano sobre a Terra para ser isso.

A entrevista é inteirinha boa e vale conferir na íntegra.

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E aí, conseguiu digerir o disco novo do The Knife? Não é fácil, mas tem compensado. Pra quem não pescou ainda, segue a íntegra de Shaking the Habitual.

O disco tem como tema um de seus conceitos a ideia que acabar com a riqueza extrema pode melhorar a vida no planeta – e para isso, postou em seu site uma história em quadrinhos irônica mas bem didática sobre a questão que querem discutir – que reproduzo abaixo. Se alguém quiser traduzir, colo o texto logo abaixo. O Rená traduziu (valeu!), colo as legendas embaixo de cada quadrinho:

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