
Taí o terceiro disco do Bixiga 70, composto, arranjado e produzido pelos integrantes, e disponível lá no site deles. E a coisa é séria…

Frank Ocean postou essa foto ao lado de duas pilhas de revistas em seu site com a seguinte legenda:
“I got two versions. I got twoooo versions.” #ISSUE1 #ALBUM3 #JULY2015 #BOYSDONTCRY
#ISSUE1 – Primeira edição
#ALBUM3 – Terceiro disco
Julho de 2015, Boys Don’t Cry
Depois foi revelado que Boys Don’t Cry é o nome da revista que ele deve lançar junto com seu terceiro disco, que não se sabe se terá o mesmo nome da publicação impressa.

Estamos todos sérios falando da volta de Twin Peaks e Arquivo X e aí chega o Netflix falando que Três é Demais pode voltar! Comentei sobre essa possibilidade lá no meu blog do UOL http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/07/mais-nostalgia-anos-90-quem-esta-preparado-para-a-volta-de-tres-e-demais/.
***

Entre a confirmação de uma nova temporada de Arquivo X e o cancelamento da volta de Twin Peaks surge mais um boato sobre outra volta seriados dos anos 90. Desta vez é a vez do pacato Três é Demais, que também é conhecido por seu nome original, Full House, que foi cortejado pelo Netflix para voltar em nova temporada.
A série é mais lembrada pelas tiradas infames do personagem bebê Michelle Tanner, vivido pelas gêmeas Mary-Kate e Ashley Olsen, uma das filhas do protagonista Danny Tanner, interpretado por Bob Saget. Além de Michelle, Danny era pai da adolescente D.J. (Candance Cameron) e a da pré-adolescente Stephanie (Jodie Sweetin) e a série partia da premissa que, logo após a morte de sua esposa em um acidente de carro, Danny mudava-se para uma casa com suas filhas e o cunhado Jesse (John Stamos), que tenta a sorte como músico, e seu amigo Joey (Dave Coullier), um comediante novato. O título em português faz referência aos três adultos e às três crianças, enquanto o título em inglês falava da casa cheia sempre de gente da improvável família.
A série durou entre 1987 e 1995 e emplacou no Brasil como um dos primeiros sucessos da então incipiente TV a cabo, nos anos 90. Antes do Warner Channel repetir Big Bang Theory e Friends sem parar, um de seus principais sucessos era Três é Demais (sempre exibido junto com Step by Step).
Três é Demais é um dos inúmeros exemplos de como eram os programas de TV antes dos anos 90. A lógica dos episódios era repetitiva, os diálogos superficiais, as histórias quase sempre eram conduzidas apenas para alternar momentos de candura, frases de efeito e piadas do tipo “tio do pavê”. As mudanças na série aconteciam em câmera lenta. Por oito temporadas, a única coisa que mudou além da idade das crianças foi a entrada da personagem Rebecca (Lori Loughlin), que começa a namorar Danny na segunda temporada, casa-se com ele na quarta e tem filhos gêmeos na quinta. De resto, dá para assistir à série em qualquer ordem, sem acompanhá-la. Não há nenhum nível de complexidade. Ela é tão rasa – e divertida – quanto os Trapalhões ou Chaves ou qualquer outro seriado de seu tempo. Uma relíquia de quando a televisão era mais inocente.
Vieram os anos 90 e com eles revoluções na narrativa, na linguagem, na tecnologia – e os seriados de TV se reinventaram para o século 21. Os Simpsons, Twin Peaks e Arquivo X começaram a rascunhar o já clássico Olimpo da TV desde século, formado por títulos como Sopranos, Six Feet Under, Lost, Mad Men, Breaking Bad, The Wire, Walking Dead e Game of Thrones. Séries como Full House hoje não passam nem do primeiro estágio de produção, devido à sua simplicidade.
A tentativa do Netflix em emplacar uma nova versão do seriado tem mais a ver com a volta dos anos 90 (que eu comentei outro dia) do que com uma reinvenção de narrativa, como seria o caso dos retornos de Twin Peaks e Arquivo X. As fichas do serviço digital devem ter ido para Três é Demais por uma questão de zeitgeist: há algum tempo uma série de entrevistas e aparições dos atores e personagens da série original têm mostrado que o interesse do público norte-americano em Full House segue à toda.
Primeiro foi a volta da banda do personagem “Tio Jesse” no programa de Jimmy Fallon, em 2013:
Depois, em janeiro do ano passado, foi novamente o personagem de John Stamos quem puxou a conversa, mas Saget e Coullier vieram juntos neste anúncio de iogurte grego veiculado durante o Superbowl:
Também no ano passado, as gêmeas Mary-Kate e Ashley Olsen falaram sobre a série em uma entrevista no programa de Ellen DeGeneres:
E no início deste ano, todo o elenco da série (menos as duas gêmeas) se reuniu para cantar o tema de Full House para o produtor e criador do seriado, Jeff Franklin, em sua festa de 60 anos.
E agora vem esta especulação que, se confirmada, acompanhará a rotina da filha Tanner mais velha, D.J., e sua melhor amiga, Kimmy Gibler (vivida por Andrea Barber), além de ter pontas dos principais nomes da versão original. A nova temporada, segundo o site TVLine, se chamaria Fulller House (Casa Mais Cheia) e teria 13 episódios. Ainda não foi confirmado, mas é questão de tempo, segundo o site. Resta saber se ele manterá a inocência daqueles tempos ou se tentará acompanhar o espírito da TV do século 21.

Parceiros de longa estrada, Nick Cave e Warren Ellis assinam juntos a trilha sonora do novo filme estrelado por Viggo Mortensen, o francês Loin des Hommes, dirigido por David Oelhoffen. O filme é inspirado no conto existencialista de Albert Camus O Hóspede, em que um policial tem que atravessar o deserto da Argélia para levar um condenado ao julgamento. É o segundo filme com Mortensen que tem a trilha da dupla – o primeiro foi outra jornada crua, o distópico A Estrada, de 2009, baseado no livro homônimo de Cormac McCarthy.

Silva explora as fronteiras lusófonas ao escolher Luanda como cenário de seu novo clipe, “Volta”, filmado na capital de Angola.

O pessoal do Cinefix disseca a clássica cena em que somos apresentados ao mítico Indiana Jones pouco antes de vê-lo fugindo de uma pedra gigante descendo a ladeira.
Um clássico.

Eis mais uma música do primeiro disco solo de Mac McCaughan, o líder do Superchunk. Mas o parêntese com “Single Version” ao lado do nome da música parece dizer que essa versão de “Box Batteries”, que será lançada primeiro como um single, não é a versão final do disco, que, pelo anunciado, deve ter uma sonoridade mais próxima à do primeiro single, “Lost Again“. Vamos esperar pra ver…

Tulipa finalmente mostrou a capa de seu terceiro álbum, batizado de Dancê, que será lançado no início de maio e deve contar com umas participações da pesada…

Mais uma bola dentro do pessoal da Balaclava, que, por falar no Mac, vai trazer o vocalista do Superchunk para tocar no Brasil no final deste mês em seu próprio Balaclava Fest. O evento acontecerá em dois dias (25 e 26) no Centro Cultural São Paulo e ainda terá a presença dos americanos dos Shivas e dos brasileiros Sheds e Soundscapes. Lineup redondinho, delimitado numa estética guitar indie limpinha que vem se tornando a marca do selo, um festival com apenas quatro bandas em dois dias com ingressos a vinte reais (a inteira!) é daquelas utopias que, nos anos 90, quando o Superchunk veio para o Brasil pela primeira vez, ninguém botaria fé que ia rolar. Palmas pra Balaclava!

Aproveitei o lançamento do trailer do documentário sobre Amy Winehouse – além do próximo documentário sobre Kurt Cobain – pra falar sobre como os ídolos do futuro serão construídos: http://matias.blogosfera.uol.com.br/2015/04/05/amy-winehouse-kurt-cobain-e-a-criacao-dos-idolos-do-futuro/.
***

Comentei outro dia sobre o documentário sobre Amy Winehouse e o trailer dele apareceu logo em seguida. Vale ver ou rever:
Dirigido pela mesma equipe que produziu o documentário Senna, o filme sobre a cantora inglesa chama-se apenas Amy e carrega uma forte semelhança com outro documentário que mencionei aqui neste blog, Montage of Heck, sobre os anos de formação de Kurt Cobain.
Já escrevi aqui que a atual fase de ouro do cinema documental inevitavelmente nos trará para questionamentos mais frequentes sobre nosso cotidiano, em vez de remoer o passado. Mas os filmes Amy e Montage of Heck são os exemplos mais recentes de uma longa onda de reinvenção pública de personalidades pop, uma tendência que teve início durante os anos 80, quando novas tecnologias como o videocassete, a fita cassete e o compact disc possibilitaram que a indústria do entretenimento começasse a se reinventar a partir de relançamentos.
Foi quando artistas e autores começaram a entender o valor de suas personalidades públicas na hora de se vender um produto cultural. Os precursores desta tendência foram os Beatles, que aproveitaram a chegada do CD para oficializar sua discografia, determinando a versão britânica de seus discos como sendo o catálogo canônico da banda. Mas só foram os Beatles – e não, por exemplo, Elvis Presley, Miles Davis, Frank Sinatra ou o Led Zeppelin – porque durante os anos 80, o grupo completava aniversários de vinte anos de diferentes efemérides em sua carreira. E sempre que uma geração madura olha para sua adolescência, a diferença entre essas duas fases é de vinte anos, o que faz que ela tenha disposição financeira para gastar com produtos culturais dos tempos em que era jovem – e quase sempre não tinha dinheiro para comprar o que gostaria. A interseção entre as novas tecnologias de registro de áudio e vídeo e o início do revival dos anos 60 deu origem à mitificação de toda uma era, que não era tão gigante em seu próprio tempo.
Não é exagero dizer que todos os clássicos dos anos 60 – sejam bandas de rock, filmes emblemáticos, best-sellers, quadrinhos alternativos – são muito maiores atualmente do que em seu tempo. Daria pra dizer o mesmo sobre ícones de outras épocas, mas os anos 60 são uma década muito mais emblemática culturalmente do que as décadas anteriores. Todo o zeitgeist presente na época – a beatlemania, a literatura beat, o free jazz, a Invasão Britânica, a Jovem Guarda, a psicodelia, o black power, a Swinging London, o existencialismo, o feminismo, a nouvelle vague, a contracultura, os movimentos sociais, o situacionismo, o tropicalismo e qualquer outro movimento daquela época – conseguiu consolidar-se vinte anos depois graças a uma onda de relançamentos que só aconteceu graças ao advento das novas tecnologias, especialmente graças à popularização do CD e do VHS.
Como estas novas tecnologias não nos abandonaram – pelo contrário, foram sendo ampliadas as formas de se registrar e relançar produtos culturais -, a consolidação das décadas que vieram após os anos 60 em nosso imaginário aconteceu à medida em que passavam-se vinte anos de cada uma delas: os anos 90 ajudaram a consolidar os anos 70 (dos Beastie Boys a Quentin Tarantino, Boogie Nights e a disseminação da estética vintage) e a primeira década deste século moldou a imagem que temos dos anos 80 (plásticos, eletrônicos, urbanos e cheios de néon). Estamos, nos anos 10, em pleno período de reavaliação dos anos 90, consolidando a última década do século passado em nosso inconsciente coletivo atual, e prestes a começar a tentar a entender os anos 00, que nem sabemos como chamar.
E é aí que entram os documentários sobre Kurt Cobain e Amy Winehouse. Cada vez mais vamos assistir à consolidação de biografias que moldaram suas reputações a partir de registros culturais – tanto ao ser inspirado por discos, livros e filmes quanto por usar gravadores, filmadoras, celulares, máquinas fotográficas e a internet como dispositivos para registrar suas próprias produções caseiras e, portanto, suas próprias vidas.
Em pouco tempo estaremos assistindo a documentários sobre pessoas que tiveram toda sua vida registrada – seja em milhões de fotos tiradas diariamente pelos pais quanto por registros em redes sociais, canais de compartilhamento de conteúdo digital, troca de mensagens instantâneas, cruzamento de contatos via internet. As infâncias de Kurt Cobain e de Amy Winehouse foram muito mais registradas do que as de John Lennon ou de Billie Holiday. Há um ar de mistério nos velhos ídolos justamente por não termos registros de tudo sobre eles.
Será que se tivéssemos redes sociais nos anos 60 assistiríamos aos shows dos Beatles em Hamburgo pelo YouTube? Ou o Velvet Underground poderia ser bem maior graças à máquina de hype de Andy Warhol? Quem sabe? O fato é que quem quiser conhecer melhor qualquer pessoa pública de nossos tempos antes da fama, basta usar a internet para fazer algumas buscas e descobrir fotos, vídeos e, dependendo da idade do artista, posts em redes sociais que podem revelar muito sobre sua produção atual e também sobre sua personalidade.
Cada vez mais os biógrafos do futuro terão menos dificuldade para acessar a acervos pessoais de seus biografados. Talvez a maior preocupação seja conseguir reunir e assistir a tudo – ver, ler, ouvir, catalogar – para chegar a um produto final.
E não acho que isso seja melhor ou pior do que o que tínhamos antes – é apenas como a cultura de nosso tempo se move.