
Nome: André Paste
Ouça: Cid Moreira On The Dancefloor Mixtape
André Paste vai sair do armário. O jovem capixaba que se tornou o principal nome da cena mashup brasileira, começou ainda adolescente, quando, inspirado pelo disco de mashups do carioca João Brasil, resolveu fazer suas próprias fusões musicais. Ele começou usando o funk carioca como base de suas misturas, mas aos poucos foi migrando para outros gêneros musicais e pegou gosto pelo brega paraense na mesma época em que engrossou as fileiras da Avalanche Tropical, coletivo organizado pelo DJ Dago Donato que também incluía nomes como os curitibanos Bonde do Rolê e Drunk Disco e a banda paulistana Holger. Mas Paste nunca havia composto suas próprias músicas, dedicando-se mais a selecionar músicas pop e bizarras em sets memoráveis que misturam os hits da vez, obscuridades brasileiras e clássicos da música pop. Até agora.
É que ele está gravando seu primeiro disco autoral. “O nome é Shuffle”, diverte-se, “Estou produzindo este disco com o Silva, que está funcionando como meu braço direito”. Silva é um dos novos nomes da música pop brasileira desta década que, apesar de ter se estabelecido no Rio de Janeiro, também é do Espírito Santo. Além de coproduzir o disco, ele também toca instrumentos que Paste não sabe tocar.
Ele explica o processo de produção: “Sei programar bateria, escolher exatamente o timbre que quero e cantar todas as partes que quero”, ri, “muito do processo está sendo assim: gravo no iPhone uma linha e ele a transforma em midi e, juntos, vamos editando”. Ele explica que vai ser um disco autoral, mas cheio de participações: “É um disco de featurings, eu faço todos os instrumentais e convido pessoas pra cantar”. Além do Silva, o disco ainda terá participações da banda Holger, do DJ Waldo Squash (da Gang do Eletro), João Brasil, We Are Pirates, Mozine (do Mukeka di Rato), entre outros.
O disco deve ser lançado pelo próprio DJ, ainda no segundo semestre, mas isso não significa que ele abandonará o mashup. “Não cansei não, ainda adoro, mas sempre tive vontade de ter minha música, até pra ver o que as pessoas vão fazer com ela depois. Ia ser demais ter minhas músicas como fonte pra outros mashups”, comemora. Enfatizando que não é um disco de pista, e sim de músicas.
A data precisa ele não consegue estipular: “Como é meu primeiro trabalho autoral tá sendo um parto lançar, sempre quero melhorar, mudar timbre, mas no maximo em dois ou três meses ele
sai”, conclui.
Ouça mais bandas novas aqui.

A notícia que um livro foi apreendido como se fosse arma no Rio de Janeiro (e justo o Mate-Me Por Favor!) é outro indício de autoritarismo latente que ronda esses dias estranhos que estamos vivendo e mais do que motivo para ficarmos atento à tomada de nossas liberdades. O próprio Ivan Pinheiro Machado, dono da L&PM que publicou o livro apreendido, dá o tom de indignação frente uma situação dessas no blog de sua editora:
“Meu pai era um inimigo da ditadura militar de 1964. Por isso nossa família sofreu vários tipos de intimidações e perseguições. Minha casa foi invadida várias vezes pela repressão. A que mais me marcou foi o dia em que a polícia política (DOPS) invadiu nossa casa e prendeu centenas livros da grande biblioteca do meu pai. “Vamos queimar esta imundície comunista”, dizia o delegado, jogando ensaios de Marx e Schopenhauer numa caixa de lixo.
Ontem eu vi um delegado exibindo na TV um livro publicado pela L&PM Editores: Mate-me por favor dos jornalistas e críticos musicais Legs McNeil e Gillian McCain apreendido na casa de um suposto vândalo.
Não me interessa o que o rapaz fez. Mas o que me chamou a atenção foi a naturalidade com que o delegado apreendeu o livro. Um delegado que não serve a uma ditadura e apreende um livro é porque tem a vocação do autoritarismo. E nenhum respeito por um livro. Mate-me por favor é um livro maravilhoso, editado por minha indicação. Não faz a apologia da violência. Muito pelo contrário. Ele trata de jovens que foram abandonados pelo sistema e elegeram a música como uma forma de protesto. E esta música foi uma bofetada no sistema. Esta música fez com que os delegados e os políticos voltassem os seus olhos para uma enorme legião de jovens sem futuro e sem emprego nos idos dos anos 80. A L&PM Editores, meu caro delegado, já foi vítima durante sua história nos anos sombrios da ditadura de vários delegados que odiavam livros.
O que me surpreende é que um bom livro seja alinhado junto a facas e correntes e exibido na TV como se fosse uma arma. E ninguém diz nada. Lembrou-me o tira ignorante que invadiu a casa do meu pai nos anos 70 para prender os “livros comunistas”. Ele não teve dúvidas; atirou-se na estande e pegou o O vermelho e o negro de Stendhal como um símbolo desta “corja vermelha que quer tomar conta do país…”
Inevitável lembrar não apenas da ditadura militar brasileira, mas na viagem que fiz à Berlim há pouco me deparei com uma frase de uma peça de 1821 citada em uma placa no meio da Bebelplatz, a praça alemã que serviu de palco para a fogueira de livros promovida pelos nazistas em maio de 1933:
“Das war ein Vorspiel nur, dort wo man Bücher verbrennt, verbrennt man am Ende auch Menschen.”
Onde começam queimando livros, terminam queimando gente. Não dá pra aceitar isso numa boa.

E aos poucos o Franz Ferdinand começa a mostrar as músicas de seu novo disco… A primeira é boa, a outra mais ou menos, saca só aí embaixo:

A Polysom fechou que vai lançar um dos melhores discos do Erasmo Carlos (Carlos, Erasmo – o outro fodaço é o Sonhos & Memórias) em vinil. O disco reúne nomes como Manuel Barenbein, Nelson Motta, Arthur Verocai, Chiquinho de Moraes, Dinho e Liminha (a cozinha dos Mutantes), além de faixas compostas por Caetano Veloso, Taiguara e pelos irmãos Paulo Sergio Valle e Marcos Valle – e chega às lojas essa semana.

Foi incrível, quem foi sabe – basta ver as fotos da Bárbara, logo abaixo. E nessa sexta a festa segue com o Pattoli, que convida o Nick e a Nath. Vamo lá?

É o inverno que chegou…
Doors – “Strange Days”
Do Amor – “Mindingo”
Feelies – “Fa-Ce-La”
Wilco – “Marquee Moon”
Mahmundi + Silva – “Balada do Amor Inabalável”
Madrid – “The One”
Phoenix – “Trying to Be Cool (Breakbot Remix)”
Daft Punk – “Lose Yourself to Dance”
Hot Chip – “Dark & Stormy”
Daftside – “Giorgio By Moroder”
Knife – “Full of Fire”
Bárbara Eugênia – “Não Tenho Medo da Chuva e Não Fico Só”

O novo disco do Do Amor é estranho e agradável ao mesmo tempo, o que apenas comprova que eles são uma banda new wave temporã. Olha só como Piracema, o novo disco, começa…

Um passeio psicodélico por Tóquio, usando time lapse e uns efeitos básicos de programas de edição de vídeo.

E tem essa sobra do primeiro EP da Mahmundi que o Bruno desenterrou, com Marcela e Silva cantando, junto, uma das melhores músicas do Skank.

O Flesh crava mais uma no Destak: a vinda de Bob Mould para o Rio e São Paulo no próximo mês de outubro. Sem local definido, o show deve ser parecido com o que vi no Primavera na Espanha há pouco mais de um mês, quando, acompanhado do baixista Jason Narduc e do baterista Jon Wurster (o mesmo do Superchunk), o velho indie desfilou músicas do novo disco, canções do Sugar e do Hüsker Dü. Showzaço. Fiz uns vídeos, olhaê embaixo: