
A caixa 7in-83-88 reúne 11 compactos em vinil que foram lançados pelo R.E.M. entre 1983 e 1988, quando a banda era contratada da I.R.S. Os singles reproduzem a arte e o selo da versão original de cada lançamento e a caixa ainda traz dois singles lançados apenas na Inglaterra. A caixa já está em pré-venda e os compactos contam com as seguintes músicas, cada um deles:
“Radio Free Europe” / “There She Goes Again”
“So. Central Rain (I’m Sorry)” / “King of the Road”
“(Don’t Go Back To) Rockville” / “Catapult” (ao vivo)
“Can’t Get There From Here” / “Bandwagon”
“Driver 8” / “Crazy”
“Wendell G” / “Crazy” + “Ages of You” / “Burning Down” (single inglês)
“Fall On Me” / “Rotary Ten”
“Superman” / “White Tornado”
“The One I Love” / “Maps and Legends” (ao vivo)
“It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)” / “Last Date”
“Finest Worksong” / “Time After Time” (ao vivo) (single inglês)

“Entre 15 e 20 vezes”, Peter Hook puxa pela memória, ao tentar lembrar-se de quantas vezes veio ao Brasil – seja com o New Order, o Revenge ou simplesmente discotecar. “Parecia bem mais selvagem naquela época”, diz ao lembrar-se dos anos 80, quando vieram pela primeira vez, “mas acho que é porque não estávamos acostumados. Sempre tivemos uma reação maravilhosa do público e tocamos para mais gente do que quando tocamos em casa, o que é estranho, mas não reclamo. Também passamos por alguns apuros, mas o quanto menos se falar sobre isso, melhor.”
O baixista fundador do Joy Division e do New Order vem mais uma vez ao Brasil com sua banda The Light no longevo projeto de tocar toda sua discografia ao vivo: começou com os discos do Joy Division em 2011 e emendou com os dois primeiros discos do New Order no ano passado. Dessa vez ele vem tocar a transição do rock para a música eletrônica, quando o grupo fundou a base para a cena indie dance que nasceu em Manchester no final dos anos 80. Lowlife e Brotherhood são o tema do show que ele apresenta sexta-feira no Clash. No mesmo dia ele bate um papo com fãs na Casa do Mancha, às duas tarde, e eu que vou intermediar essa conversa. Como as vagas são limitadas é preciso inscrever-se para participar da conversa e as instruções estão na página do evento do Facebook.
“Gravar Lowlife foi particularmente bom, pois ainda estávamos curtindo e nos divertindo”, lembra-se Peter, em entrevista por email. “No Brotherhood as coisas começaram a ficar mais fracionadas, especialmente a divisão entre as canções acústicas e eletrônicas. Não tocamos muitas o Brotherhood ao vivo, o que torna delicioso tocá-lo agora, tenho que dizer”. Ele gosta de ser visto como um roqueiro clássico (“mas prefiro o termo lenda viva, em especial na parte viva!”), mas escuta muita música nova, especialmente porque também discoteca. “Atualmente tenho ouvido muito Metronomy, The National, Tinie Tempah, Drake, Asap e Everything Everything.”
Tenho um par de ingressos para o show de sexta. Para concorrer é só dizer qual sua música favorita do New Order de um desses dois discos (Lowlife e Brotherhood) e explicar o porquê – além de deixar seu email para entrar em contato.

No aniversáro de primeiro ano da morte de Lou Reed, seu velho parceiro John Cale sente a dor da perda na bela “If You Were Still Around”, lançada com um clipe que mistura imagens de Lou com de outros amigos daquele círculo que já se foram – o guitarrista do Velvet Underground Sterling Morrison, a cantora Nico, o papa Andy Warhol e a modelo Edie Sedgwick. A faixa foi lançada com uma declaração que resume a relação espinhosa entre Lou e John, que brigaram e voltaram a se conversar por várias vezes em suas vidas:
“A Moth and a Candle met. They decided to become friends. Everyone enjoyed watching their discourse – especially the risk takers. Then one day a big rain came. The Moth couldn’t fly and the Candle puttered out. Everyone laughed in bitter awe and blamed the rain. Most however knew the deeper truth – the Candle remains lit and the Moth will stay close.”

As irmãs suecas do First Aid Kit lançaram um clipe lindaço para a faixa-título de seu disco mais recente, “Stay Gold”, saca só:

Dessa vez é a NPR que recebe 12 faixas das 138 composições que formam o conjunto mais abrangente sobre um único período de criação de Bob Dylan. As Basement Tapes são aquele momento mágico em que Dylan salta do carrossel do showbusiness em movimento e esconde-se numa fazenda em Woodstock para não embarcar no oba-oba hippie do meio dos anos 60. Larga dinheiro e fama para fundir-se musicalmente com a banda canadense The Hawks, que torna-se The Band neste processo, gravando canções tradicionais e clássicos do cancioneiro norte-americano em busca das raízes daquela música popular que na época ganhava os rádios, a TV e o mundo. Escrevi sobre esse período na última encarnação da Bizz.
As primeiras gravações desse período a sair da fazendo em pouco tempo compuseram o primeiro disco pirata da história, ao mesmo tempo em que deu início a uma lenda a respeito do mergulho cultural na história dos EUA que eram aquelas canções. Parte delas foi oficializada quase dez anos depois de sua gravação, no disco The Basement Tapes, mas o conjunto da obra continuava circulando em gravações não-oficiais, caixas e mais caixas de CD que reuniam, sempre com longos textos de apresentação, dezenas de músicas – e a cada ano mais um punhado delas aparecia. O décimo primeiro volume da Bootleg Series de Bob Dylan reúne nada menos que 138 canções, sendo 30 delas inéditas, no registro mais completo daquele período. Algumas faixas já vinham circulando online (uma logo no anúncio oficial, outra logo em seguida, mais cinco na semana passada e doze neste fim de semana).
Já já a caixa inteira aparece aí.

A segunda Trabalho Sujo Subsolo aconteceu suave nesse sábado – quem foi se divertiu, como dá pra ver nas fotos da Natália. E a festa volta no sábado que vem, no mesmo porão do Subterrâneo Toronto…

Além do filme novo do Jason Reitman, a Gi Ruaro também viu outro filme promissor no London Film Festival, The Imitation Game, em que o nosso querido Benedict “Sherlock” Cumberbatch vive o maior nome inglês da história da computação (desculpa, Tim Berners-Lee) – Alan Turing. Eis o trailer e, a seguir, o comentário da Gi sobre o filme:
Sabe o Turing? Morreu. Faz tempo, mas o mundo está redescobrindo o matemático e herói da Segunda Guerra no novo filme The Imitation Game. Benedict Cumberbatch é o jovem Alan Turing, contratado em 1939 para quebrar o código Enigma e salvar a humanidade. Parece coisa de filme de Hollywood.
Colocando em miúdos: os nazistas usavam a máquina Enigma para codificar todas as mensagens na Segunda Guerra. Era até então a máquina perfeita, capaz de encriptar comunicação e modificar o segredo a cada 24 horas com 150 trilhões de regulagens. Os ingleses conseguiam ver as mensagens, sem entender o sentido.
Turing, fã de palavras-cruzadas e desafios lógicos em geral, acreditava que para possamos entender uma máquina temos que criar uma outra máquina. Elas conversam melhor entre si do que conosco.
Depois de três anos construindo uma máquina automática, apelidada no filme carinhosamente de Christopher, Turing conseguiu desvendar o segredo em 1943. Mas, ainda em meio a guerra, este virou o maior segredo. Afinal, se os nazistas soubessem que os Aliados tinham a solução do Enigma, inventariam uma nova versão.
Ou seja, todos os movimentos de Hitler entre 1943 e 1945 estavam sendo interceptados pelos aliados e monitorados. Havia também um grande cuidado de inteligência para justificar ações que vinham das mensagens do Enigma. O Dia D não teria sido possível sem Turing. A Guerra teria se arrastado por mais alguns anos. A blitz poderia ter acabado com Londres. Hitler poderia ter vencido. 150 trilhões de possibilidades de um futuro bem diferente.
A Segunda Guerra acabou em 1945, então era hora de contar pro mundo como Turing salvou a pátria. Mas o medo de uma nova guerra mundial fez os ingleses destruírem todos os registros de guerra de Turing, para que os nazistas não soubessem que Enigma era kaput.
De maneira simplista como o meu texto, é essa a história que The Imitation Game quer contar. E conta de maneira bem Escola Weinstein de Oscar Garantido, tipo O Discurso do Rei. Ruim, não é. É breguinha. Fofinho. Bonitinho.
Mas vamos falar do que o filme quase não fala. Além de quebrar o Enigma, Turing era gay. Christopher era o nome do seu amor de adolescência e o apelido da máquina (será isso real ou invenção do filme?). Turing se encontrava com garotos de programa em Londres e em 1952, foi condenado a dois anos de prisão por sair com um garoto. A alternativa ao tempo em prisão era tratamento hormonal – ou castração química. Turing optou pela castração porque na prisão ele não poderia continuar seu trabalho, e depois de um ano de tratamento, os efeitos colaterais ficaram cada vez mais difíceis de aceitar. Tremores, dificuldade de concentração ou de raciocínio. Turing não aguentou e em 1954, se suicidou.
Nesta época, 49 MIL gays foram condenados a prisão ou castração química por serem homossexuais. Em 2013, a rainha finalmente o perdoou pelo seu crime. Em 2013, ano passado. Ser homossexual era ilegal na Inglaterra até 1967, na Escócia até 1980 e Irlanda do Norte, 1982.
É claro que os direitos LGBT evoluíram muito na última década, mas há ainda 76 países onde ser gay é ilegal. A Europa é o único continente em que nenhum país tem leis contra homossexualidade. O fato de ser ilegal ser gay destruiu a carreira de um dos grandes heróis ingleses e no fim acabou matando-o. Turing tinha 41 anos e muitos anos de estudos pela frente – num mundo que parece tão distante, mas na verdade está tão perto. Nossos pais cresceram neste mundo.
Uma máquina entende outra máquina e apenas uma pessoa pode entender outra pessoa (filosoficamente falando, tipo Samantha em Her). O grande jogo da imitação foi de Alan Turing, que usou seu autismo para criar uma nova maneira de entender o mundo. Imitando colegas, amigos e familiares, conseguiu se ver normal numa sociedade em que não era.
A máquina automática de Turing evoluiu e agora você está lendo este texto dentro dela. Com inúmeros uns e zeros, Turing criou o primeiro computador.
The Imitation Game é um filme mais baunilha pra agradar uma audiência maior e este é o primeiro passo: conhecer Turing e reconhecer seu trabalho.

Acho que vamos ter alguns dias de rusgas e brigas nas redes sociais, provavelmente algum confronto físico isolado nas grandes cidades, seguindo o clima da última semana antes da eleição, além de textos infelizes escritos por fãs dos dois lados e leituras e análises de toda sorte sobre esse momento histórico que estamos vivendo. Mas é importante botarmos a mão na consciência e nos vermos como um país só, deixarmos de picuinhas e torcidas para percebermos que estamos todos no mesmo barco – ricos e pobres, pretos e brancos, arrogantes e humildes, românticos e agressivos. Ontem na Paulista o prefeito paulistano Haddad sublinhou a importância disso no discurso da recém reeleita à presidência Dilma Rousseff.

Caso alguém tenha alguma dúvida…
“Vai abaixando!”
Outra Trabalho Sujo SUBSOLO que lhe convida para descer para baixo da superfície em mais uma noite naquele porão entre a Santa Cecília e o Pacaembu. Vamos mais uma vez para baixo da terra desenterrar hits de todas as épocas e apontar novos clássicos naquele inferninho delícia que você conheceu no início do mês. Eu, Danilo Cabral, Luiz Pattoli e Babee estamos prontos para te levar a mais uma noite de delírio sonoro e calor humano num sábado que promete! Os nomes pra lista de desconto podem ser mandados para o email noitestrabalhosujo@gmail.com até às 20h. Vambora!
Trabalho Sujo Subsolo
Sábado, 25 de outubro de 2014
Projeto Subterrâneo Toronto
Rua Tupi, 832. Higienópolis. 30628200.
Com: Alexandre Matias + Luiz Pattoli + Danilo Cabral + Babee
R$ 20 (com nome na lista através do email noitestrabalhosujo@gmail.com)/ R$ 30
