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Charli XCX ♥ David Cronenberg

Charli XCX acaba de revelar a lista com o nome das músicas de seu novo álbum e entre títulos como “Card Declined”, “2007”, “Persona” e “Yeah”, destaca-se a faixa de encerramento do álbum, “No One Last Forever”, que conta com a participação de ninguém menos que DAVID CRONENBERG. Quem acompanha o trabalho da Charli sabe o quanto ela é fã do sujeito, mas convidá-lo para participar de uma música foi um golpe ainda mais genial do que colocar John Cale, Marc Jacobs e Martin Scorsese numa mesma cozinha pra ilustrar um disco chamado Music Fashion Film. E ela ainda deixou escapulir um trecho de mais uma música nova, chamada de “Camera”, e avisou que nesta quarta tem mais uma novidade vindo aí… Provavelmente o lançamento de mais um single (justamente este que ela mostrou o trecho), que funcionaria como faixa dedicada ao pilar Filme, como “Rock Music” tinha sido sobre música e “SS26” sobre moda. Eu tinha dito…

Ouça abaixo:  

Charli XCX no armário da Criterion

Um clássico da nouvelle vague, um Cronenberg, um Antonioni e um Bergman: eis as escolhas de Charli XCX no armário da Criterion. Mas ela escolheu filmes bem fora da curva e deu uma das melhores definições sobre o cinema de David Cronenberg, quando explica que saiu do filme escolhido “confusa, por não saber o que eu achava sobre o filme” e que acha que descobriu “um novo sentimento depois de assisti-lo” – e isso vale pra praticamente todos os filmes do mestre canadense.

Assista abaixo:  

David Cronenberg e a amputação de um seio cheio de vespas

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O canadense David Cronenberg, um dos maiores diretores vivos, é tema de uma mostra no Eye Film Institute, em Amsterdã, na Holanda – e além de exibir clássicos da obra do mestre, a exposição também o fez criar o curta The Nest, sobre amputações, psicose e insetos, especialmente para o evento. Com um pingo de nudez para torná-lo NSFW, o curta mistura drama psicológico, paranóia delirante e a tensão em relação à fragilidade do corpo humano para nos lembrar que o horror do diretor está apenas na cabeça.

The Nest ficará online apenas durante o período da exposição, até o meio do mês de julho. Assista enquanto é tempo.

Cronenberg 2014: Maps to the Stars

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Uma família desfuncional em Hollywood parece ser o ponto de partida do novo filme de David Cronenberg, mas o filme parece ser mais uma desculpa conveniente para o diretor canadense brincar com sexo, drogas e violência com rostos conhecidos – no caso, Julianne Moore, Mia Wasikowska, Carrie Fisher e John Cusack, além do motorista vivido por Robert Pattinson, provando que Cosmopolis foi mais que um flerte do diretor com o protagonista da saga Crepúsculo (é um dos poucos atores a repetir um filme com ele). Se preparem, pois o filme promete:

Cosmopolis, por Warren Ellis

Ou, como o próprio autor de Planetary explica no título de seu post, “por que o filme não me deixou odiá-lo“:

I watched this twice, last week. Well, maybe one and a half times. I watched it once and didn’t like it. And the next day I watched some bits again because, for no reason, parts of it were sticking in my head.
It’s stagey. Stilted. Not all the actors can pull off the Don DeLillo dialogue that Cronenberg (ever a writer’s screenwriter) transposed from book to film. It’s short and still feels flabby in places. The thread of a fairly simple plot gets lost. Among other things.

And yet.

There is something almost brilliant in here, in places. The weird back-projection of the world outside the car the film (mostly) takes place in is a great choice. There are ideas, and ambitions, and… I’m going to have to watch the damn thing again. Because it’s making me think about it.

E você, assistiu? Gostou? Odiou?

Impressão digital #122: Cosmópolis – Cronenberg, DeLillo e o futuro que já começou

E na edição dessa segunda do Link, falei sobre o Cosmópolis, do Cronenberg (o anti-Drive ou o anti-Batman?), e sobre a nossa relação com a ficção científica e a sensação de futuro.

Como computadores, tempo e dinheiro moldam nosso futuro
Em ‘Cosmópolis’, Cronenberg analisa a não ficção científica

Há um tempo reparo em como a atual onipresença da tecnologia tende a datar os filmes muito rapidamente. Fã de ficção científica, acompanho de perto a produção cinematográfica do gênero. E o fato de usarmos, a cada ano, versões melhoradas dos comunicadores portáteis vislumbrados nos anos 60 me faz pensar que, cada vez mais, vivemos no século em que o futuro já começou.

Pode reparar: quase todos os filmes cujo futuro se passava no início do século 21 – ou ainda mais no futuro – não cogitaram a existência da internet. Ficam automaticamente obsoletos. O mesmo pode ser dito de filmes de cinco ou seis anos atrás em que os protagonistas sacavam celulares da Nokia cheios de botões – e não touchscreen.

Vivemos as novidades tecnológicas sem nem sequer perceber o quanto elas mudaram a nossa vida. Caso cogitássemos um 2012 como o nosso há dez, quinze anos, poderíamos ser tachados de otimistas demais (ou pessimistas, dependendo do ponto de vista) ou utópicos (ou distópicos). Carregamos computadores nos bolsos, que nos mantêm em contato com notícias do mundo todo e também com amigos e parentes. É possível descobrir como chegar em um lugar a que nunca fomos com alguns toques na tela. Recebemos indicações de promoções de passagens aéreas, filmes para serem vistos. Tiramos foto de tudo o tempo todo. Fazemos todo o tipo de compras sem sair de casa. Controlamos equipamentos com gestos e com a voz.

O presente é pura ficção científica. Ou melhor: uma não ficção científica.

É uma sensação muito próxima à de assistir a Cosmópolis, o novo filme do diretor canadense David Cronenberg, adaptado a partir do livro de mesmo nome, do norte-americano Don DeLillo. Cosmópolis, que estreou sexta-feira, acompanha um dia na vida do jovem bilionário Eric Michael Parker, dono de uma firma de investimento, que atravessa Nova York de limusine para cortar o cabelo no dia em que o presidente dos EUA visita a cidade e um protesto anarquista toma as ruas. É, portanto, a rotina de um magnata mimado e paranoico.

A bordo de sua limusine branca, Parker (interpretado incrivelmente bem por Robert Pattinson, o vampiro bunda-mole da série Crepúsculo) controla o mundo com a ponta dos dedos. Cercado de telas que lhe mostram dados de todo o planeta em tempo real, ele aciona executivos, compra e vende empresas, especula e encontra-se com médicos, conselheiros e funcionários como se o mágico de Oz fosse personagem de 1984, de George Orwell. Ele habita 2012, mas parece estar sempre no futuro.

“Adoro este carro”, diz sua chefe de teoria, Vija Kinski, num dos encontros. “O brilho das telas. O brilho do cibercapital. Tão radiante e sedutor”, suspira. “Você sabe como perco toda a vergonha na presença de qualquer coisa que seja uma ideia. A ideia é o tempo. Viver no futuro. Veja só esses números correndo. O dinheiro faz o tempo. Antigamente era o contrário. O tempo dos relógios acelerou a ascensão do capitalismo. As pessoas pararam de pensar na eternidade. Passaram a pensar em horas, horas mensuráveis, horas-homem, em usar a força de trabalho com mais eficiência.”

Ela segue teorizando: “O tempo agora faz parte dos ativos da empresa. Ele pertence ao sistema de mercado. O presente é mais difícil de encontrar. Ele está sendo eliminado do mundo para abrir lugar pro futuro dos mercados livres de qualquer controle e de imenso potencial de investimento. O futuro se torna insistente. É por isso que alguma coisa vai acontecer em breve, talvez hoje, para corrigir a aceleração do tempo. Trazer a natureza de volta ao normal”.

E conclui: “A potência do computador elimina a dúvida. Toda dúvida é decorrente de experiências passadas. Mas o passado está desaparecendo. Antigamente, a gente conhecia o passado, mas não o futuro. Isso está mudando”.

E assim, descrevendo a relação com computador, dinheiro e tempo, Cronenberg usa palavras de DeLillo para voltar à ficção científica, gênero que abandonou desde que fez eXistenZ (1999). E lembra, subliminarmente, a máxima do escritor William Gibson: “O futuro já chegou. Só não foi distribuído”.

David Cronenberg + Don DeLillo

E depois de filmar o encontro de Freud com Jung, um dos meus diretores favoritos encara um dos grandes escritores vivos.

É com o Robert Pattison, mas ele parece não comprometer, veja abaixo…