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Aquele baile do norte

Patrícia Bastos encerrou sua temporada Planeta Arrepiado nesta segunda-feira no Centro da Terra transformando o teatro num grande baile nortista. Como sempre acompanhada pelo violão de Dante Ozzetti, que desta vez contrapôs às guitarradas do filho de Patrícia Skipp e à percussão de sua própria filha, Thata Ozzetti , a cantora do Amapá veio acompanhada dos belíssimos vocais dos cantores congoleses Leo Matumona e Hidras Tuala, que superpuseram seu africanto por cima das referências caribenhas e amazônicas da dona da noite, que ainda trouxe um convidado surpresa, quando contou com a presença do multiinstrumentista Zé Pitoco, que desta vez assumiu a zabumba. A presença do grave instrumento de percussão foi a deixa para Patrícia deixar sua apresentação ainda mais dançante, fazendo até o público se levantar para dançar em pleno teatro. Noite linda!

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Um tom melancólico

Outra noite linda ao lado de Patrícia Bastos, que trouxe mais uma vez um punhado das suas canções do norte para encantar o público que compareceu à mais uma data em sua temporada Planeta Arrepiado, que está fazendo nas segundas-feiras de julho no Centro da Terra. Mais uma vez acompanhada de Dante Ozzetti ao violão, ela veio com outros dois novos músicos convidados ao chamar o guitarrista Guilherme Held, que cedeu sua guitarra tropicalista – menos psicodélica e mais bluesy que de costume, como pediam as canções de Patrícia – e a vocalista e flautista Tarita de Souza, que, como Ná Ozzetti na semana anterior, preferia ficar em segundo plano para deixar a luz da vocalista da noite brilhar ainda mais forte. Ela repetiu canções da semana anterior nesta nova roupagem e trouxe outras tantas, aproveitando a presença de Held para pressionar mais na linha melancólica e noturna que na segunda passada, em mais uma noite reluzente.

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A força e a poética do norte do Brasil

“Viva o povo tucuju!”, gritou alguém do público no meio da primeira apresentação da temporada Planeta Arrepiado que Patrícia Bastos começou nesta segunda-feira no Centro da Terra, reforçando a presença da cultura do norte brasileiro naquela noite. Transitando no epicentro das três raças que fundaram o país, a cantora amapaense trouxe canções que sintetizam diferentes tradições musicais de sua região, como marambiré, cacicó, batuque e marabaixo, cantadas tanto em português (como “Rodopiado”, cujo primeiro verso – “veneno, veneno, veneno pinga da boca daquela cobra” – já deixa o público aceso), como no português de corruptela de seu estado, em que as pessoas falam rapidamente engolindo sílabas e encurtando palavras mais pela fonética do que pelo sentido. Sempre acompanhada por Dante Ozzetti ao violão, que é seu produtor, arranjador e diretor musical há três discos, como, ela ainda trouxe a comadre Ná Ozzetti para dividir vários momentos no palco, muitas vezes ficando à distância para mostrar que a estrela da noite era Patrícia, além de ter um convidado surpresa com a presença de Mario Manga, que alternava entre a guitarra e o violoncelo, encorpando ou diluindo com precisão o violão minucioso de Dante. Tudo isso só reforçando a voz e presença de palco da cantora do Amapá, que ainda contou histórias e chamou duas amigas da plateia para cantar uma outra música com ela e começou lindamente esta série de apresentações no teatro.

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