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A força e a poética do norte do Brasil

“Viva o povo tucuju!”, gritou alguém do público no meio da primeira apresentação da temporada Planeta Arrepiado que Patrícia Bastos começou nesta segunda-feira no Centro da Terra, reforçando a presença da cultura do norte brasileiro naquela noite. Transitando no epicentro das três raças que fundaram o país, a cantora amapaense trouxe canções que sintetizam diferentes tradições musicais de sua região, como marambiré, cacicó, batuque e marabaixo, cantadas tanto em português (como “Rodopiado”, cujo primeiro verso – “veneno, veneno, veneno pinga da boca daquela cobra” – já deixa o público aceso), como no português de corruptela de seu estado, em que as pessoas falam rapidamente engolindo sílabas e encurtando palavras mais pela fonética do que pelo sentido. Sempre acompanhada por Dante Ozzetti ao violão, que é seu produtor, arranjador e diretor musical há três discos, como, ela ainda trouxe a comadre Ná Ozzetti para dividir vários momentos no palco, muitas vezes ficando à distância para mostrar que a estrela da noite era Patrícia, além de ter um convidado surpresa com a presença de Mario Manga, que alternava entre a guitarra e o violoncelo, encorpando ou diluindo com precisão o violão minucioso de Dante. Tudo isso só reforçando a voz e presença de palco da cantora do Amapá, que ainda contou histórias e chamou duas amigas da plateia para cantar uma outra música com ela e começou lindamente esta série de apresentações no teatro.

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