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Daft Punk e Jay Z… juntos?

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Aí você fica sabendo que o Jay-Z gravou uma faixa com o Daft Punk e começa a cogitar um melhor dos mundos quase utópico, em que o flow do marido da Beyoncé encaixa-se perfeitamente no groove neodisco da dupla francesa. Aí você aperta o play…

…e parece um mashup completamente sem inspiração de um a capella genérico da fase em que Jay-Z rimava com o Linkin Park em cima de uma base tão obviamente Daft Punk que parece uma sobra da trilha sonora do remake que os dois fizeram pra Tron. Bem fraco e previsível. Vi no Pitchfork.

Vazou o disco novo do Pharrell

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Girl é o segundo disco solo do dono do N*E*R*D e o primeiro depois da altíssima expectativa de um excelente 2013 (“Get Lucky” e “Happy” falam por si) – e o disco ainda conta com participações de Justin Timberlake, Alicia Keys. Miley Cyrus e Daft Punk. Mas Pharrell é um autor de singles ou consegue produzir um álbum marcante? Esperamos um desses desde In Search Of…, um dos grandes discos do início do século. Vamos ver…

Pharrell x Pharrell

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E por falar no Pharrell, não custa sublinhar o ótimo mashup que a dupla Pomplamoose dedicou ao hitmaker do ano passado, reunindo “Get Lucky”, “Happy” e “Lose Yourself to Dance” na mesma faixa.

Ficou foda – e isso sem contar esses truques de câmera e cenário. Vi no Bracin.

Brit Awards 2014: Pharrell + Nile Rodgers & Lorde + Disclosure + AlunaGeorge

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Dois bons momentos da premiação britânica que aconteceu nessa quarta-feira: Pharrell e Nile Rodgers começando com “Get Lucky” e “Good Times” antes de cair em “Happy”…

…e Lorde começou com seu hit “Royals” com o Disclosure tocando a base de sua “White Noise” em câmera lenta num mashup improvável – antes da neozelandesa abrir espaço para a entrada de Aluna Francis, do AlunaGeorge (que compôs a faixa com a dupla), segurar a versão original da faixa.

E, de brinde, os Arctic Monkeys:

Vida Fodona #400: As 75 Melhores Músicas de 2013

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Agora sim, 2014 pode começar.

M.I.A. – “Y.A.L.A.”
Lily Allen – “Hard Out Here”
Lana Del Rey – “Young and Beautiful”
Superchunk – “Me & You & Jackie Mittoo”
Disclosure + AlunaGeorge – “White Noise”
Phoenix – “Trying To Be Cool”
Strokes – “Tap Out”
Dorgas – “Hortencia”
Mac Miller – “Objects in the Mirror”
MGMT – “Alien Days”
Charles Bradley – “Victim of Love”
!!! – “One Boy/One Girl”
Rodrigo Amarante – “Maná”
Anitta – “Show das Poderosas”
Cícero – “Fuga nº3 da Rua Nestor”
Glue Trip – “Elbow Pain”
Toro Y Moi – “High Living”
Jagwar Ma – “The Throw”
Chvrches – “The Mother We Share”
Bruno Mars – “Treasure”
M.I.A. – “Bring The Noize”
Suede – “For the Strangers”
Chromeo – “Over Your Shoulder”
Mayer Hawthorne – “Designer Drug”
Lorde – “Tennis Court”
Weeknd – “Belong To The World”
Metronomy – “I’m Aquarius”
The National – “Graceless”
Caxabaxa – “Vizualizada”
Is Tropical – “Dancing Anymore”
Vampire Weekend – “Diane Young”
Paul McCartney – “New”
Daft Punk – “Giorgio By Moroder”
Blood Orange – “You’re Not Good Enough”
Bárbara Eugênia + Pélico – “Roupa Suja”
Holy Ghost! – “Bridge and Tunnel”
Justin Timberlake – “Take Back The Night”
Boogarins – “Lucifernandis”
Jagwar Ma – “Come Save Me”
Arcade Fire – “Reflektor”
Nick Cave & The Bad Seeds – “We Real Cool”
Warpaint – “Love Is To Die”
Daft Punk + Pharrell + Nile Rodgers- “Lose Yourself to Dance”
Of Montreal – “Obsidian Currents”
Robin Thicke + T.I. + Pharrell- “Blurred Lines”
Drake – “Hold On We’re Going Home”
Justin Timberlake – Mirrors – “”
Garotas Suecas – “Bucolismo”
James Blake – “Retrograde”
Arcade Fire – “Porno”
The National – “Sea Of Love”
My Bloody Valentine – “Only Tomorrow”
Arctic Monkeys – “Do I Wanna Know?”
David Bowie – “Love Is Lost (Hello Steve Reich’ remix by James Murphy)”
Pulp + James Murphy – “After You (Soulwax Remix)”
Blood Orange – “Chamakay”
Beyoncé – “Blow”
My Bloody Valentine – “New You”
Unknown Mortal Orchestra – “Swim and Sleep (Like a Shark)”
Daft Punk + Todd Edwards – “Fragments of Time”
Arctic Monkeys – “Why’d You Only Call Me When You’re High?”
Washed Out – “It All Feels Right”
Yo La Tengo – “Ohm”
Arcade Fire – “Afterlife”
Washed Out – “All I Know”
My Bloody Valentine – “In Another Way”
Emicida – “Crisântemo”
Daft Punk – “Get Lucky”
Darkside – “Paper Trails”
Marcelo Jeneci + Laura Lavieri- “Pra Gente Se Desprender”
Unknown Mortal Orchestra – “So Good At Being In Trouble”
Haim – “The Wire”
Lorde – “Royals”

Por aqui.

13 de 2013: “Get Lucky”

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De Bowie, em janeiro, a Beyoncé, em dezembro, lançamentos-surpresa estiveram na ordem do dia de 2013. É mais um indício que a transição da era analógica para a digital está chegando ao fim. Os artistas, que antes precisavam mover uma enorme máquina de marketing para conseguir ao menos um tijolinho de texto em uma página de jornal, estão fazendo isso sem tanta estrutura, pois falam direto com seus fãs. O álbum-surpresa não é uma novidade de 2013; o Radiohead já fez isso pelo menos três vezes (embora na primeira eles não assumam): no “vazamento” de Kid A no meio do ano 2000, quando o disco estava prometido para setembro; e no lançamento de In Rainbows, de 2007, e The King of Limbs, de 2011, postos para a rua em menos de um mês depois de finalizados em estúdio. A novidade de 2013 é que isso não é mais exceção e, aos poucos, tornam-se regra. Mesmo com gravadoras envolvidas no processo, os artistas querem entrar em contato direto com seus ouvintes e vender seus novos discos sem antecipação. Até o My Bloody Valentine tirou um atraso de mais de duas décadas usando essa fórmula, seguida pelo Boards of Canada, que brincou de quebra-cabeças com ouvintes e ratos de lojas de disco.

Mas ninguém soube faturar tão bem a expectativa como o Daft Punk. Não é de hoje que a dupla francesa experimenta formatos contemplando diferentes mídia e é nítida a ênfase específica que os dois dão à sua criação musical. Ao transformar as antigas máscaras em personalidades-robô, Guy-Manuel de Homem-Christo e Thomas Bangalter ampliaram sua área de atuação para além da música e talvez tenham se perdido no meio do caminho. Entre o soberbo (e lotado de samples) Discovery e a trilha sonora da continuação de Tron, a imagem do Daft Punk chamou mais atenção que suas músicas – e parece que foi com este intuito que Random Access Memories foi gravado. Sem samplear ninguém, a dupla chamou um senhor time de colaboradores (Panda Bear, Julian Casablancas, Giorgio Moroder, Todd Edwards, Chilly Gonzalez) e preferiu centrar fogo em uma música. Ou melhor: quinze segundos de uma música.

Foi o que aconteceu quando ouvimos “Get Lucky” pela primeira vez, num comercial do Saturday Night Live que viralizou no YouTube. 15 segundos e só o riff. A única imagem era o logo da banda, estilizado em prata, seguido das duas metades de cada capacete vindo de cada lado da tela, revelando a data de lançamento do novo disco. Sem vocal. Sem refrão. Só o riff, que depois ficamos sabendo que era tocado por ninguém menos que Nile Rodgers, fundador do Chic, que produziu David Bowie e Madonna nos anos 80. Semanas depois, uma versão esticada do comercial aparecia num telão no festival Coachella não apenas revelando a participação de Rodgers como a do cantor Pharrell, entregando a estrofe pré-verso da música. Ao criar essa expectativa em torno da chegada de uma única canção, o Daft Punk aos poucos foi nos acostumando com sua estrutura, seu ritmo, sua textura musical – essencialmente um flashback literal do final dos anos 70 e início dos anos 80 como o próprio nome do disco deixa claro.

Quando “Get Lucky” apareceu, tudo estava pronto para ela se tornar a música mais ouvida do ano. A expectativa criada em uma única música – e não numa grande volta ou em todo o álbum – colocou o Daft Punk no centro pop de 2013 e transformou seu hit em uma das músicas mais emblemáticas de 2013, mesmo que pareça ter sido feita em 1979. A forma como ela nos foi apresentada é que é típica deste século.