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Refletor #001: O Próximo Dia

Hoje também estreei a coluna Refletor (a citação desta vez é do disco mais recente do Arcade Fire) no site Brainstorm9. Esta é semanal e nela vou falar de música e tecnologia. E começo juntando Daft Punk com Aphex Twin, Boards of Canada com My Bloody Valentine, David Bowie com Beyoncé e o desafio de chamar atenção na internet.

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O próximo dia
Entre lembranças de acesso aleatório e a colheita do amanhã

Antes era fácil: lançar disco e fazer show, esperar que toque no rádio ou que alguém goste e conte pros amigos, que irão comprar o disco e ir ao show. Felizmente isso é passado. A facilidade de antes tinha um preço: havia menos gente no jogo da música. No novo século há cada vez mais gente produzindo música por inúmeras razões diferentes. Haja rádio e casas de show pra tocar todos os artistas que existem no mundo hoje – as que existem não dão conta.

Por isso a internet tornou-se não apenas a grande plataforma de lançamento de novos artistas – superando o rádio, a TV, os jornais, as lojas e as gravadoras – mas também seu grande palco. É na rede que surgem e se apresentam os grandes e pequenos novos gênios ou picaretas do mercado da música no século 21.

As rádios ainda tocam novatos que são ouvidos diariamente por milhares de pessoas do mesmo jeito que as lojas de disco ainda vendem novos nomes que importam para alguns milhões de pessoas pelo planeta. Mas os números de hoje não são nada se comparados com os do passado, quando milhões de pessoas conheciam as poucas centenas de artistas verdadeiramente populares no mundo, escolhidos por algumas dezenas de executivos que, em muitos casos, nem se importavam com música.

Hoje vivemos num outro mundo. A facilidade de se expressar artisticamente – não apenas musicalmente – vem acelerando na mesma velocidade em que a facilidade de distribuir sua produção artística, seja ela filme, tweet, livro, aplicativo, festa, perfil em mídia social, seriado, peça publicitária, graphic novel, evento, game, clipe, álbum, tirinha, monólogo, site, canção, crônica, reality show, comentário, festival ou a fusão de cada um destes itens uns com os outros. O consumidor/produtor do início da década passada, motor da infância e adolescência da web 2.0, banalizou tanto o conceito de celebridade quanto o de artista.

Assim todos somos artistas o tempo todo, sempre mais conscientes deste papel e das necessidades de atingir um novo público. E este – que nos inclui – cada vez mais disperso, exposto a mais música – nova e velha, ambas vindo às torrentes – e engolindo tudo que seus ouvidos podem ouvir. Antes era caro conhecer muita música – uma boa discoteca requer um senhor investimento -, hoje basta conexão com a internet e disposição para fuçar ou para levar-se pela transmissão. Não há mais um veio principal a ser perseguido e a tempestade de som nos persegue para onde quer que vamos.

Por isso se antes o processo de voltar a se comunicar com o público exigia apenas mostrar serviço – faixas novas, novas fotos de divulgação, notícias sobre um novo disco – agora é um trabalho que exige dedicação, estratégia e imaginação.

No ano passado, o Daft Punk começou o processo de divulgação de seu disco lançando um teaser de segundos num comercial de TV (um microtrecho que chegou a render remixes!) para depois lançar o refrão do primeiro single no intervalo entre shows de um grande festival, revelando as participações do rapper Pharrel e de um dos pais da disco music comercial, Nile Rodgers, do Chic. A estratégia funcionou – e quando “Get Lucky” começou a ser vendida, puxando o ótimo e retrô “Random Access Memories”, já era uma das músicas mais ouvidas de 2013.

Outro grupo, mais obscuro mas igualmente eminente, optou por uma caça ao tesouro. No Record Store Day do ano passado, a dupla Boards of Canada espalhou pistas de seu novo disco em lojas de discos, no YouTube e em sites de fãs da banda. Ao juntar os pedaços os fãs ouviam um trecho do novo disco, além de descobrirem o título e a data de lançamento de seu “Tomorrow’s Harvest”, que figurou entre os melhores discos do ano passado em diferentes listas.

2013 também viu o lançamento repentino de discos de gente como David Bowie (com “The Next Day”), My Bloody Valentine e Beyoncé (em discos homônimos), que anunciaram seus álbuns mais recentes ao mesmo tempo em que os lançaram – uma tática semelhante à do Radiohead em 2007, com seu “In Rainbows”. Mas naquela época o grupo inglês era a exceção – e por sua natureza experimental seria natural experimentar também na estratégia de lançamento. Bowie, MBV e a senhora Carter fizeram semelhante caminho e tiraram seus coelhos das cartolas antes que alguém pudesse cogitar que discos novos estavam sendo produzidos.

Quem puxa esse carro em 2014 é o produtor inglês Richard D. James, o enigmático Aphex Twin, que desde 2001 não lança material novo e, de uma hora pra outra, apareceu com novo disco na área. Primeiro soltou um zepelim de brinquedo nos céus londrinos com seu logotipo num sábado, depois o mesmo logo apareceu pixado nas calçadas de Nova York num domingo. Na segunda twittou um endereço que só podia ser acessado usando o navegador Tor, que permite conectar-se à chamada “deep web”, recanto digital da rede por onde armas, pornografia e drogas correm soltas. O endereço anunciava o título do novo trabalho – “Syro” – e a data de lançamento, confirmada pela gravadora Warp como sendo em outubro.

E isso por que estamos falando de nomes como Daft Punk, Beyoncé, Aphex Twin, My Bloody Valentine, Boards of Canada e David Bowie. Nomes que, mais ou menos conhecidos, são gigantes para seus séquitos de fãs. Gente que não teria dificuldade para emplacar a notícia sobre um disco novo. Mas se até os grandes se sentem desafiados e instigados a repensar seus lançamentos à era digital, que dizer dos pequenos que não correm nenhum risco e não têm nada a perder?

O século digital ainda está engatinhando, apesar de já acharmos que já o conhecemos faz tempo.

[* O nome desta coluna é uma referência ao álbum Reflektor, do grupo canadense Arcade Fire, um disco que, apesar de não parecer à primeira vista, fala justamente sobre a época digital em que vivemos. Música e tecnologia são os assuntos aqui.]

Obama x Ariana Grande

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Nem o presidente norte-americano resistiu a um dos grandes hits de 2014 – e saiu cantando “Problem”, da Ariana Grande.

Na verdade, o paciente projeto Barackdubs, que picota discursos presidenciais e os encaixa em hits do momento, já colocou Obama cantando “Fancy” da Iggy Azalea, “Call Me Maybe” da Carly Rae Jepsen, “Get Lucky” do Daft Punk, entre outras… Saca só:

 

Finalmente! Human After All remixado, do Daft Punk

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O Daft Punk lançou sem a menor cerimônia o disco de remixes feito em cima de seu terceiro álbum, Human After All. É o trabalho mais mecânico da dupla, mas conta com clássicos de seu repertório que hoje são indistinguíveis à sua própria sonoridade, como “Technologic”, a faixa-título, “Make Love” e “Television Rules the Nation”. O disco de remixes não é inédito – foi lançado apenas no Japão em uma edição em CD limitada (veja acima) -, mas finalmente chega aos consumidores do mundo todo via iTunes. Só bordoada, saca só aí embaixo:

 

Vida Fodona #437: Simplesmente aperto o rec

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Olha aí de novo.

Beastie Boys – “Mark on the Bus”
Walter Franco – “Feito Gente”
Nirvana – “All Apologies”
Daft Punk + Julian Casablancas – “Instant Crush”
Bárbara Eugênia – “Sozinha (Me Siento Solo)”
Garotas Suecas – “Bucolismo”
Hall & Oates – “Kiss On My List”
Robin Thicke + Pharrel + T.I. – “Blurred Lines”
Spice Girls – “Never Give Up On the Good Times”
N.W.A. – “Express Yourself”
Racionais MCs – “Pânico na Zona Sul”
Newcleus – “Computer Age (Push the Button)”
Disclosure – “When a Fire Starts to Burn”
Jimi Hendrix Experience – “Still Raining, Still Dreaming”
Chocolate da Bahia – “Ele Guenta”
Planet Hemp – “Contexto”
João Bosco – “Cobra Criada”

Vamo?

Vida Fodona #430: Tacale pau

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Trago-lhes boas notícias!

Outkast – “Chronomentrophobia”
Electric Guest – “American Daydream”
Caxabaxa – “Vizualizada”
Meters – “Come Together”
Souleance – “Segrados do Samba”
Gilberto Gil – “Toda Menina Baiana (Tahira Re-Edit)”
Tim Maia – “Brother Father Mother Sister”
David Bowie – “Golden Years”
Steely Dan – “Rikki Don’t Lose That Number”
Alvvays – “Archie, Marry Me”
Unknown Mortal Orchestra – “So Good At Being In Trouble”
Daft Punk – “Giorgio by Moroder”
Sonic Youth – “Becuz”
King Crimson – “Sailor’s Tale”

Aqui.

Vida Fodona #429: Inverno solar

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Deixando as hérnias no passado.

Mausi – “Losing You” / “Say My Name”
War on Drugs – “Red Eyes”
Disclosure + Friend Within – “The Mechanism”
Michael Jackson + Justin Timberlake – “Love Never Felt So Good”
Daft Punk – “Give Life Back To Music”
Stromae – “Alors on Danse”
Will Smith – “Gettin’ Jiggy with It”
Jagwar Ma – “The Throw”
Iggy Azalea + Charli XCX – “Fancy”
Haim – “Send Me Down (Dan Lissvik Remix)”
Don L – “Chips (Controla Ou Te Controlam)”
Criolo – “Duas de Cinco”
Chico Science & Nação Zumbi – “Baião Ambiental”
Bixiga 70 – “Ocupai”
Caribou – “Can’t Do Without You”
Lana Del Rey – “Brooklyn Baby”

Vem aqui.

Se o Daft Punk não toca ao vivo:”Get Lucky” com o Chic; “Instante Crush” com o Julian Casablancas

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Já que o Daft Punk não toca “Get Lucky” para o grande público (apenas em eventos da indústria), cabe a Nile Rodgers levar essa tarefa adiante. O guitarrista do Chic foi chamado para tocar com a dupla francesa em seu último disco devido à sua importância na ascensão da disco music – e foi natural que ele levasse o hit para quem ele emprestou sua maestria do groove para seus próprios shows, como este em Montereau Fault-Yonne, na França.

O Julian Casablanca tem feito o mesmo e tocou “Instant Crush”, sua colaboração com os robôs, no show que deu no Governors Ball Music Festival, em Nova York, no início do mês.

Vida Fodona #412: No cômputo geral

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Um balanço rápido do Lollapalooza 2014 e um programa um tanto quanto pensativo.

Afghan Whigs – “Matamoros”
How to Dress Well – “Repeat Pleasure”
Daft Punk + Julian Casablancas – “Instant Crush”
Leo Cavalcanti – “O Momento”
Castello Branco – “Necessidade”
Metronomy – “The Most Immaculate Haircut”
Angel Olsen – “Stars”
Warpaint – “CC”
Madlib – “What Can U Tell Me”
Weeknd + Drake – “Live for”
Daughter – “Get Lucky”
N.A.S.A. + Karen O – “I Shot the Sheriff”
Tears for Fears – “My Girls”
Sérgio Sampaio – “Não Tenha Medo, Não!”
Bonifrate – “Aldebaran”

Por aqui.

Vida Fodona #411: Noites Trabalho Sujo @ Alberta #3 (2011-2014)

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Esse é dedicado pra quem já se acabou numa sexta-feira no porãozinho da São Luiz…

Gossip – “Heavy Cross”
Rapture – “Miss You”
Metronomy – “The Bay”
Azealia Banks – “212”
Two Door Cinema Club – “What You Know”
Knife – “Heartbeats”
Lorde – “Royals”
Daft Punk + Pharrell – “Lose Yourself to Dance”
M.I.A. – “Paper Planes”
Black Keys – “Lonely Boy”
Blondie – “One Way or Another”
Joan Jett – “Bad Reputation”
Elastica – “Connection”
Franz Ferdinand – “This Fire”
Rita Lee & Tutti-Frutti – “Jardins da Babilônia”
Maroon 5 + Christina Aguillera – “Moves Like Jagger”
Macklemore + Ryan Lewis + Ray Dalton – “Can’t Hold Us”
Icona Pop – “I Love It”
Rage Against the Machine – “Killing in the Name of”
B-52’s – “Rock Lobster”
Queen – “Don’t Stop Me Now”
Will Smith – “Get Jiggy With It”
Lulu Santos – “Sereia”
Kendrick Lamar – “Bitch Don’t Kill My Vibe”

Recordar é viver.

Daft Punk direto dos anos 70

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Incríveis esses anúncios retrô que o Daft Punk fez para comemorar a inauguração de sua lojinha virtual (que por enquanto só vende roupas). Dá uma sacada aí embaixo:

Deu vontade de fumar um Charm…