Trabalho Sujo - Home

Triste e certo

Bem bonita a primeira apresentação do duo Triste, criado pelo casal Rafael Brasil e Brenda Mayer como um passatempo caseiro mas que aos poucos ganhou forma e força, começando por singles lançados esporadicamente nas redes e tornando-se um projeto musical com formação de banda, convidados especiais e um forte espetáculo ao vivo. O som intimista e delicado do casal ganha corpo e presença com os graves eletrônicos disparados pelo produtor e baterista Bruno Pelloni, além do belíssimo vocal de Brenda ganhar uma camada de profundidade com os vocais de apoio da baixista Luísa Phoenix, discreta e precisa. A guitarra de Raffa ganha texturas detalhistas mais palpáveis ao vivo do que em disco e tanto as versões de autores alheios escolhidas para a noite (“Ceilings” de Lizzy McAlpine e a minha favorita das Spice Girls, “2 Becomes 1”) e as participações especiais abriram ainda mais os horizontes do grupo, que escolheu o título De Perto para a apresentação como se quisesse mostrar o quão amplo eles podem ser sonoramente, mesmo soando frágeis e melancólicos: primeiro veio o multiinstrumentista Tereu tocar uma música novíssima com eles ao piano e depois o vocalista dos Menores Atos, Cyro Sampaio, dividiu sua canção solo “Viu?” com o grupo, antes de cantar “Secret Intentions”, uma das primeiras faixas da dupla, lançada ainda quando se chamavam Tigres Tristes (e o travalíngua os obrigou a reduzir o nome da banda). Ameaçando o lançamento iminente tanto de um clipe quanto do primeiro álbum (mas sem confirmar datas), eles encerraram a apresentação com a música que consideram seu principal trunfo, “Falta”, que Brenda não teve modéstia (e precisa?) para reconhecer que “no meu universo, essa música é um hit pra todo o sempre”, antes de resumirem a própria sonoridade com guitarras pós-punk, groove eletrônico, alma de trip hop e vocais pop. Começaram – e terminaram – bem.

#tristenocentrodaterra #triste #centrodaterra ‘#centrodaterra2026 #trabalhosujo2026shows 144

Delicado batismo

Carox e Flávio Particelli estavam animados mas nervosos com o primeiro show do A Ride for Two, projeto que criaram durante a pandemia para compor canções introspectivas e bucólicas distantes das músicas que fazem em seus projetos até então, quando a velocidade e o ruído do hardcore encobre letras e melodias para valorizar a energia da performance. Mostrando pela primeira vez ao vivo o novo duo, eles sentiram o peso de ouvir as próprias vozes e instrumentos sem distorção ou volume, o que a princípio os deixou tensos no começo da apresentação desta terça-feira, no Centro da Terra. Mas à medida em que iam desbravando as canções e se acostumando ao ouvir as respectivas vozes num contexto longe do caseiro iam ganhando confiança e fazendo o show crescer. Amparados por uma banda afiadíssima, formada por Marcelo Crispim (guitarra), David Margelli (baixo), Thales Stipp (bateria) e Luiz Viola (piano), que nunca transbordava o som de forma a sobrepor-se à dupla vocal, os dois entrelaçavam violão e guitarra (era a primeira vez que Carox tocava o instrumento em público) e os dois belos timbres de vocais nas canções que formam o repertório de seu único EP e algumas inéditas, além de contar com duas participações especiais, cada uma delas trazendo uma referência musical diferente: ao lado de Cyz Mendes, do grupo Plutão Já Foi Planeta, os dois cantaram “Wildflower”, do disco novo da Billie Eilish, e ao lado de Cyro Sampaio tocaram “Miopia”, da banda do convidado, Menores Atos. Um show bonito e delicado, que logo livrou-se do clima de batismo de fogo que tensionava a dupla no início para entrar num portal de sutilezas e melodias que, apesar de estranho às carreiras anteriores dos dois, fez muito sentido para ambos – e para o público, que embarcou na carona proposta pelos dois.

Assista abaixo: