O primeiro grande momento de 2012 Sesc Pompéia @ São Paulo 5 de janeiro de 2012
Showzaço do Criolo com o Emicida no Sesc Pompéia nesse fim de semana, com a banda do Criolo – regida pelo Ganjaman – servindo de base para o encontro dos dois principais nomes do rap nacional atualmente. Velhos de guerra, os dois dominaram os dois últimos anos desbravando novas fronteiras para o velho gênero – que, por mais que já tenha seu quarto de século de vida, ainda está preso ao estigma da periferia e no estereótipo paulistano do gênero. Embora tanto Criolo quanto Emicida não neguem suas origens (não é este o ponto), eles impulsionam o diálogo da cultura hip hop para frente, para o alto e além, puxando novos ouvintes para a cena e fazendo questão de ter assento no conselho de segurança da música brasileira, exigência que já deveria ter sido feita há pelo menos dez anos.
Daí a importância do encontro que não foi propriamente um encontro, mas uma seqüência alternada de músicas de cada um dos dois, com o outro por vezes dando o ar de sua graça, quando não ficava, em geral, na posição de backing vocal. Meu excesso de expectativa talvez esperasse Emicida rimando sobre “Não Existe Amor em SP” ou Criolo cantando o refrão de “A Cada Vento”, mas a primeira parte do show foi basicamente um revezamento dos talentos de ambos, passando por seus principais hits. Confesso minha empatia maior por Emicida – seu flow é equivalente à sua presença de palco e ele não parece ser muito diferente dentro e fora de cena. Já Criolo parece assumir um personagem, que dança esquisito e faz poses e caretas. Há quem diga que aí reside parte de seu carisma (a outra vem inegavelmente quando ele canta e conversa com o público), mas, comigo, não bateu.
Emicida + Criolo – “Fogo na Bomba” / “Tik Tak” / “Sr. Tempo Bom” / “Os Mano e As Mina” / “Capítulo 4 Versículo 3” / “UBC” / “Pule ou Empurre” / “Sou Negrão” / “Rap é Compromisso”
Num show surpreendetemente longo, o groove foi comendo lentamente, com todos os músicos trabalhando para não se superporem ao vocalista. Mas as coisas desequilibraram mesmo a partir da segunda parte do show, quando os dois passaram ao centro do palco continuamente, chamando outros vocalistas convidados (os dobras de Criolo e Emicida, Dandã e Rael da Rima, respectivamente, além de Juçara Marçal) para o meio da roda e, finalmente, emendar uma seqüência inacreditável de clássicos do rap brasileiro, recapitulando a história do gênero dos Doctors MC’s ao Sabotage, passando pelos Racionais, RPW, Thaíde & DJ Hum, SNJ, Xis e Rappin Hood, no primeiro grande momento musical de 2012. Showzaço.
Alguém tá precisando de trilha sonora pras primeiras horas do ano?
Foster the People – “Pumped Up Kicks”
Bo$$ in Drama – “Disco Karma”
Charlotte Gainsbourg + Beck – “Paradisco”
Cure – “Close to Me”
Domenico Lancelotti – “Cine Privê”
Givers – “Up Up Up”
Spoon – “I Turn My Camera On”
Friends – “I’m His Girl”
Mayer Hawthorne – “A Long Time ”
Holy Ghost – “Wait & See”
Toro Y Moi – “New Beat”
Lana Del Rey – “Kinda Outta Luck”
Mark Ronson + Amy Winehouse – “Valerie”
Maroon 5 + Christina Aguillera – “Moves Like Jagger”
Rapture – “How Deep is Your Love?”
Peter Bjorn & John – “Second Chance”
Pulp – “Common People”
Metronomy – “The Look”
Cut Copy – “Take Me Over”
War – “Low Rider”
Kenny Rogers & The First Edition – “Just Dropped In”
Creedence Clearwater Revival – “Looking Out My Back Door”
Tennishero – “Midnight Love”
Chromeo – “When The Night Falls (Sammy Saxy Bananas Remix)”
Foster the People – “Call It What You Want”
Metronomy – “The Bay”
Neon Indian – “Polish Girl”
Shawn Lee’s Ping Pong Orchestra + Curumin – “Não Vacila”
Tim Maia – “O Trem (Parte 1)”
Rodrigo Ogi & StereoDubs – “Talarico”
Criolo – “Bogotá”
Bixiga 70 – “Dub de Malaika (Afro Dub)”
Mallu Magalhães – “Shine Yellow (Deeplick Remix)”
Beastie Boys + Santigold – “Don’t Play No Games That I Can’t Win”
Juliana R. – “Dry These Tears”
Smash Mouth – “Walking in the Sun”