Nossa querida Courtneyzinha transforma um lamento sobre o sentido da vida confundido com tentativa de suicídio em uma oportunidade de estar com seus amigos e compadres ao estilo Saturday Night Live – e assim o clipe de sua “Elevator Operator” é um desfile de participações especiais que incluem o trio Sleater-Kinney e o líder do Wilco Jeff Tweedy como personalidades mais conhecidas, mas também inclui uma série de nomes famosos em sua terra-natal Austrália mas semidesconhecidos (ou simplesmente anônimos) para o resto do mundo. Gostei de ver que ela chamou os líderes de duas bandas de seu país que eu acompanhei em momentos distintos da vida: o Tim Rogers da banda You Am I (fãs de Big Star podem ir atrás) e o Vincent Vendetta do Midnight Juggernauts (minha banda favorita da cena dance local que deu ao mundo nomes como Cut Copy, Miami Horror, Bag Raiders e Van She).
Abaixo, a lista das participações especiais em ordem de aparição, como ela mesma colocou na descrição do clipe:
Sleater-Kinney
Glory! Bangs
Courtney Barnett
Bones Sloane & Dave Mudie
Magda Szubanski
Tim Rogers
The Finks
Tweedy
The Drones
Garret & Will Huxley, Gabi Barton
Sunny Leunig
Vincent Juggernaut
Tain Stangret
Izzi Goldman and John
Nicholas & Thea Jones
Batpiss
Loose Tooth
Camp Cope
Jo Syme (Big Scary)
East Brunswick All Girls Choir
Paul Kelly
Michael Leunig
Meaghan Weiley, Jess Tyler, Thommy Taranto (Milk! Records)
Jen Cloher
Fraser A. Gorman
Ouch My Face
Marni Kornhauser & Radar Rad
Há um mês, a gravadora indie australiana Milk Recordings celebrou o quadragésimo aniversário de Horses, o mítico disco da Patti Smith que inaugura a segunda metade da história do rock, que começa com o punk. O foco do show, que aconteceu no Melbourne Town Hall em sessão dupla, era a nossa querida Courtney Barnett, principal estrela do selo, mas também enfileirou apresentações de outros nomes do catálogo deles, como Jen Cloher, Adalita e Gareth Liddiard, todos acompanhados da mesma banda, formada por Dan Luscombe na guitarra, Ben Bourke no baixo, Stevie Hesketh nos teclados e Jen Sholakis na bateria. A gravação do show finalmente apareceu em grande estilo online e vale cada minuto assistido – as apresentações de Adalina, os mais de dez minutos de Gareth Liddiard em “Birdland” ou Courtneyzinha mandando ver em “Break it Up” são especialmente tocantes:
Quem quiser assistir a algumas apresentações isoladas, elas vêm a seguir:
Gareth Liddiard – “Birdland”
Courtney Barnett – “Redondo Beach”
Adalita – “Free Money”
Jen Cloher – “Land”
Pelo menos um segundo Vida Fodona neste mês.
Style Council – “Shout it to the Top”
Instituto + Tulipa Ruiz – “Tudo Que Se Move”
Deerhunter – “Snakeskin”
Courtney Barnett – “Shivers”
Ryan Adams – “I Know Places”
Karina Buhr – “Conta Gotas”
Bárbara Eugenia – “Doppelganger Love”
BNegão e os Seletores de Frequência – “Mundo Tela”
Kendrick Lamar – “King Kunta”
Rodrigo Ogi + Kiko Dinucci + Juçara Marçal – “Correspondente”
Tika – “Antimusa”
Lana Del Rey – “Music To Watch Boys To”
Hot Chip – “Dancing In The Dark”
Disclosure – “Jaded (Lone Remix)”
Magic! – “Rude”
Vamo lá
Nossa querida Courtney Barnett revela que a “Boxing Day Blues (Revisited)”, que ela lança em compacto pela gravadora de Jack Black, não é a mesma música que encerra seu primeiro LP, a fúnebre “Boxing Day Blues”. Eis a nova versão.
E para quem não conhece – ou não lembra – da outra “Boxing Day Blues”, olha ela aí ao vivo:
O compacto traz no lado B a incrível versão que ela gravou para “Shivers”, da primeira encarnação do Birthday Party, e está à venda no site da Third Man Records.
Jack White chamou Courtney Barnett para participar da série de singles Blue Series da sua gravadora Third Man (que já lançou compactos de nomes como Beck, First Aid Kit, Tom Jones, Laura Marling, entre outros) e juntos escolheram lançar a faixa que encerra o ótimo disco de estreia de nossa querida prodígio indie australiana, “Boxing Day Blues“. E ela armou uma senhora surpresa ao incluir no lado B deste single uma versão super pessoal para o hino “Shivers”, a música mais conhecida da primeira encarnação do Birthday Party, a primeira banda de Nick Cave, quando ela ainda se chamava Boys Next Door. Ela traça uma conexão direta com um improvável cânone indie australiano, já que tanto ela quanto o Birthday Party são lá de down under. Olha que versão foda….
“Shivers” foi composta por Rowland S. Howard, o guitarrista que apresentou a microfonia à banda australiana no final dos anos 70, e encerra o único disco do Boys Next Door, Door Door, lançado em 1979. A música fazia parte do repertório da banda anterior de Howard, Young Charlatans, e foi o único single lançado pelo Boys Next Door. Escrita por seu autor quando ele tinha 16 anos, a faixa é um comentário irônico sobre a insegurança na adolescência.
O problema é que “Shivers” começa com a frase “Eu tenho contemplado o suicídio” e, mesmo que ela brinque com isso no verso seguinte (“mas não combina comigo”), estigmatizou a canção de tal forma que ela foi censurada na Austrália. A forma pesada que Nick Cave interpretava a faixa certamente ajudou a aumentar tal controvérsia:
A música seguiu como um dos principais marcos da carreira de Howard, sendo uma das músicas mais pedidas pelos fãs em sua carreira solo até sua morte em 2009:
Recentemente, a faixa também foi gravada pelo Divine Fits, o ótimo supergrupo indie liderado pelo Daniel Britt, do Spoon:
Que música foda. Mais um ponto pra Courtney, uma das principais artistas deste 2015.
E por falar em Patti Smith, quem também resolveu aproveitar os quarenta anos da obra-prima que inaugurou o punk como o conhecemos foi o Melbourne Festival, que reuniu um supergrupo de músicos australianos para tocar a íntegra do disco de estréia da senhora Smith ao vivo. A querida Courtney Barnett encabeça um quarteto que ainda conta com a cantora Jen Cloher, Adalita do Magic Dirty e o vocalista dos Drones Gareth Liddiard. O show acontece no próximo dia 18 e a procura foi tanta que eles abriram uma nova sessão, mais cedo, para quem quiser garantir o evento. Os ingressos estão à venda no site do festival, se alguém estiver por aquelas bandas nessa época.