Trabalho Sujo - Home

Ted Turner (1938-2026)

Um dos nomes mais importantes na história das comunicações do século 20, o norte-americano Ted Turner morreu nesta quarta-feira sem que a causa de sua morte fosse divulgada, embora já se falasse que ele sofria de uma doença degenerativa dos nervos. Seu epíteto pode ser resumido como o criador da CNN, emissora de TV a cabo que criou, ao mesmo tempo, o conceito de canal de notícias e de canal 24 horas, lógica que aplicou a outras criações de sua empresa, a Turner Broadcasting System, ao criar o canal de filmes TNT, o de esportes TNT Sports, o de filmes clássicos Turner Classic Movies, o de programas sobre cultura TBS e o de desenhos animados Cartoon Network. Essa transformação aconteceu nos anos 70, quando juntou duas novidades tecnológicas na transmissão de TV da década – a TV a cabo, que até então só atuava em nível local nos EUA, e a da transmissão via satélite – criando uma rede de canais que aos poucos peitaria a onipresença das três principais emissoras de TV de seu país (ABC, CBS e NBC). Bem nascido, herdou a empresa de outdoors do pai quando este se matou quando ele tinha apenas 24 anos, e seu espírito aventureiro e visão futurista de negócios (“televisionário” era outra forma como era chamado) transformou a antiga empresa do pai num império, que mais tarde compraria os estúdios Warner de cinema e a revista Time. Tornou-se o primeiro bilionário dono de uma empresa de comunicações e um dos primeiros ativistas ambientais do planeta, além de ser o quarto maior latifundiário dos EUA. O poço de contradições que personificava o tornava um republicano progressista, que além de bilionário e latifundiário, era amigo de Fidel Castro, a favor do serviço médico público nos EUA e doou um bilhão de dólares para a ONU. Foi casado por muito tempo com a atriz Jane Fonda, era iatista profissional e dono de seu próprio time de beisebol, o Atlanta Braves, além de ter tentado criar sua própria versão das Olimpíadas, os Jogos da Boa Vontade. “Se eu tivesse alguma humildade, seria perfeito”, riu de si mesmo em uma entrevista.

Impressão digital #0051: Charlie Sheen e a pós-celebridade

E minha coluna do Caderno 2 de hoje volta ao Charlie Sheen, mas pelos olhos do Brett Easton Ellis.

A queda do império
Charlie Sheen e a era digital

A essa altura do campeonato, você deve estar farto de ouvir falar em Charlie Sheen. O ator aprontou e desaprontou junto à produção do seriado Two and a Half Men, em que interpreta um personagem playboy mal-educado que vive uma vida de lazer e decadência, até que foi demitido. Antes de sua demissão, passou a provocar seus chefes com entrevistas em que jogava toda sua arrogância no ventilador, atirando contra tudo e todos que condenam seu estilo de vida com frases de efeito como “‘Não posso’ é o câncer do ‘acontecer’”, “morrer é para tolos”, além de um bordão que repetia quase como um mantra para suas bravatas: “Winning!”.

Demitido da emissora em que trabalhava, foi comemorar o feito no topo de um prédio, bradando contra todos enquanto agitava um facão e tomava uma bebida de uma garrafa escrita “sangue de tigre”.

Mas isso foi há duas semanas. Na semana passada, o escritor Brett Easton Ellis foi contra a massa que chiava do comportamento de Sheen e comemorou as ações do ator ao dizer que ele, na verdade, é uma “celebridade pós-império”, que dá às pessoas o que eles realmente querem ouvir. E o comparava a Lady Gaga, aos reality shows, ao Facebook e à apresentação de Ricky Gervais no Globo de Ouro deste ano. Mas Ellis não estava falando do império americano, não faz esse tipo de analogia barata.

O “império” em queda seria, no caso, toda a indústria de entretenimento que desmorona, principalmente, graças à internet. É ela que humaniza os ícones, destrói barreiras, conecta pessoas sem que elas precisem de um guia como antes. Em outras palavras, Charlie Sheen também é um ícone da era digital.

Telefone sem fio
Japão, CNN, Twiiter e o Godzilla

No dia da maior tragédia no Japão desde o fim da Segunda Guerra Mundial, um dos trending topics do Twitter era Godzilla. Mas olha como o monstrengo foi parar lá. Como é típico das emissoras de notícias em situações dessa proporção, a programação da rede CNN dedicou-se a comentar o acontecimento com todos os tipos de entrevistados. E um deles comparou a destruição do terremoto e do tsunami ao cenário de um filme de monstro. O telefone sem fio começou quando alguém ouviu a frase sendo dita na TV e perguntou no Twitter se a CNN havia feito alguma piada envolvendo o Godzilla.

Foi o suficiente para que milhares de seguidores da rede começassem a reclamar da falta de tato da apresentadora que estava no ar no momento, Rosemary Church. E, em poucas horas, ficou parecendo que o canal de notícias estava ironizando a tragédia. Prontamente, os responsáveis pela área digital da emissora anunciaram via Twitter que estavam checando para ver se aquilo havia sido dito mesmo e, logo depois, avisaram que era só um grande mal-entendido. Mas deve ter gente até hoje achando que a CNN pegou pesado demais…

Jon Stewart contra a imprensa

Da mesma lista da Paste, mais uma desossada: desta vez é o Jon Stewart que desanca os apresentadores do programa de política Crossfire da CNN ao dizer que eles só fazem um mero teatrinho sobre política em vez de falar de verdade sobre o assunto – e sempre que os caras voltam pra dizer qual é o papel dele, ele responde que tem um programa num canal chamado Comedy Central. Esperem pelo menos até ele perguntar a idade do apresentador do programa.

Isso é outra coisa que nunca aconteceria no Brasil, essa república dos tapinhas nas costas.

Link – 6 a 12 de abril de 2009

A rede social e a sala de aulaPerguntar + responder + discutir = aprenderJuntando alunos de vários paísesProfessor sai do centro da sala‘Aula tradicional não reflete complexidade do mundo atual’, diz pesquisador‘Próxima geração terá jornalismo irreconhecível’, diz Jonathan Mann, jornalista e âncora da CNNCombalidos, veículos impressos reagemO que fazer quando o Wi-Fi falhar‘New York Times’ e o futuro dos jornais: ser ousado é a nova regraVida Digital: Laís Bodanzky