As fronteiras da imagem e do som

Depois de transformar o palco do Centro da Terra em pista de dança, Juliana Perdigão misturou música e imagem com sua comadre Ciça Lucchesi, com quem já fez várias apresentações. Mas nesta terça-feira, segunda noite de sua temporada Em Caráter Experimental, elas ressuscitaram o projeto Versom, em que ambas mesclam suas disciplinas específicas num espetáculo sinestésico de altíssimo nível. Mais do que simplesmente improvisar conjuntamente, elas apresentaram módulos de som e imagem que funcionavam, ao mesmo tempo, como clipe e canção – muitas vezes distanciando-se do formato tradicional desta última para trabalhar novas criações em durações de tempo específica, mostrando possibilidades diferentes para o casamento da música com o cinema. A imagem era projetada na tela de cinema do teatro, enquanto as duas, às vistas do público na coxia da primeira fila, iam trabalhando com seus instrumentos o que víamos na tela, que passava de fotos de São Paulo a abstrações geométricas. O ponto alto da apresentação foi quando Juper subiu ao palco para tocar “Crack pra Ninar” de Kiko Dinucci seu clarinete em frente à tela, enquanto Ciça fazia um holofote às avessas com a imagem, antes de entrar no poema “Só Com Muito Vento” de Bruna Beber e outras duas instrumentais próprias que acabaram de levar todos para uma outra dimensão. Foi incrível.
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